Postagens

Mostrando postagens de Janeiro, 2008

Sobre a educação

Imagem
Por Pedro Fernandes





As questões que preenchem os espaços discursivos acerca da educação no Brasil são tantas que chegamos mesmo admitir ser impossível contornar o quadro do decadentismo que se assiste de certos anos para cá. Uma, de todas as discussões, no entanto, se destaca: não sei se por deficiência nos próprios cursos de licenciatura, ou “falhas de percurso” obtidas ao correr dos quatro anos da faculdade, levanta-se no entorno do espaço escolar um movimento em prol de certa “facilitação” de fórmulas e/ou teorias sob o prisma de uma educação construtivista. Isso levando em consideração que o cenário pedagógico no Brasil vê-se “influenciado” pelas teorias de Piaget e Vigotski.
O construtivismo, base teórica dos estudos desses dois teóricos, ao chegar ao Brasil parece carrear todo pensamento das instâncias superiores, formuladoras de leis e paradigmas para o docente, a uma aplicabilidade mais que urgente delas no espaço escolar. No entanto, a teoria não parece ter sido bem recebida ou…

Um dedo de prosa sobre a pontuação insólita em José Saramago

Imagem
Por Pedro Fernandes



Bom, já outra postei neste blog um texto sobre a polêmica que ainda ronda a obra O Evangelho segundo Jesus Cristo, de José Saramago. Ao pesquisar na web mais sobre esse escritor a quem me dedico e rabisco as minhas primeiras reflexões em torno da sua obra, encontrei dois artigos assim intitulados: o primeiro, "A insólita pontuação literária de José Saramago" e o segundo, "As intermitências da morte ou o novo romance de José Saramago" de onde destaco o item "A importância da ortografia na escrita do romance". Ambos os textos são do crítico João Ferreira.

Utilizando do livre recurso do CTRL+C-CTRL+V, sempre respeitando e dando o devido e merecido crédito aos escritos, é bem verdade, arrastei-o para minha pasta onde acomodo os artigos que na rede pesco sobre o escritor, pasta esta genuinamente denominada de material para monografia, visto que, pretendo usar a obra do escritor, não O evangelho, como objeto para minha monografia de conclusã…

Joaquim Manuel de Macedo

Imagem
Antonio Candido não exclui o nome de Joaquim Manuel de Macedo no cânone composto pelo seu fundamental e sempre citado Formação da literatura brasileira. Mas não poupa, naquela maneira elegante e sutil típicas do seu estilo, as críticas; é notória a escolha do estudioso pela literatura de José de Alencar entre as primeiras no rol da história do romance brasileiro. Não é o caso de julgar sua compreensão, mas sempre ficará a pergunta sobre quais atributos o autor de Iracema favorece uma posição acima do autor de A moreninha.
Preserve-se as peculiaridades de cada escritor, mas um e outro se beneficiaram da força das narrativas de folhetim e construíram uma obra marcada pelas mesmas deficiências: “realidade, mas só nos dados iniciais; sonho, mas de rédea curta; incoerência, à vontade; verossimilhança, ocasional; linguagem familiar e espraiada”, para utilizar as mesmas expressões formadas pelo crítico brasileiro em relação à obra de Joaquim Manuel de Macedo. É possível que tais característ…

Um conto de Objecto quase, de José Saramago

Imagem
Falamos aqui sobre o livro de contos Objecto quase, de José Saramago. E hoje gostaríamos de voltar ao livro para apresentar um dos contos mais interessantes do conjunto de seis peças que compõem este livro. Trata-se do conto "Cadeira". O conto abre o livro e foi escrito a partir de uma notícia solta na época da Ditadura de Salazar de que o ditador havia caído depois de sentar numa cadeira já carcomida pelos carunchos. Dados atestam que Saramago iniciou a escrita do conto em setembro de 1976, depois de reunir suas crônicas publicadas no Diário de Notícias em Os apontamentos
O livro de contos foi publicado em fevereiro de 1978 e é um livro de transição em que o escritor experimenta-se em formas de linguagem e de construção narrativa. Sobre o livro, Saramago comentou certa vez: "Não me parece que o Objecto quase seja uma sequência de quadros, como igualmente não resultou de uma justaposição de textos escritos ao sabor das circunstâncias. O livro tem um projecto e um pla…

Objecto quase, de José Saramago

Imagem
Trata-se da única antologia de contos do escritor português, autor também de outros textos do gênero, como O conto da ilha desconhecida, A maior flor do mundo (estes dois publicados individualmente no Brasil também pela Companhia das Letras em bela edição luxuosa) e O ouvido... (nunca publicado aqui, mas integrante de uma publicação coletiva em que tanto José Saramago como os outros escritores discorrem a partir da tapeçaria La Dame à La Licorne) e alguns dispersos, como o conto Natal, de data indefinida que descobri no ato de escrita de minha monografia de graduação compilado numa edição da Revista Colóquio/Letras. Haverá, certamente, outros, que a distância e/ou a curta informação permita seu silêncio.
Em Objecto quase apresentam-se seis breves narrativas enfeixadas cada uma por apenas um substantivo - "Cadeira", "Embargo", "Refluxo", "Coisas", "Centauro", "Desforra". Esses são os nomes para aqueles que são os escritos bre…