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Mostrando postagens de Novembro 28, 2021

Frank O’Hara. Seis dos “Vinte e cinco poemas à hora do almoço”

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Por Pedro Belo Clara Frank O’hara. Foto: Fred W. McDarrah        POEMA   Café instantâneo com natas ligeiramente amargas e um telefonema para o além que não parece estar a aproximar-se. “Ah pai, quero ficar bêbado muitos dias” da poesia de um novo amigo a minha vida precariamente sustida nas mãos videntes de outros, as suas e minhas impossibilidades. É isto amor, agora que o primeiro amor finalmente morreu, no qual não havia impossibilidades?     A UM PASSO DE DISTÂNCIA   É a minha hora de almoço, vou pois passear por entre os táxis pintados de ruído. Primeiro, pelo passeio onde trabalhadores alimentam os troncos sujos brilhantes com sanduíches e Coca-Cola, usando capacetes amarelos. Acho que os protegem da queda de tijolos. Depois pela avenida em que saias rodopiam nos calcanhares e levantam voo sobre os gradeamentos. O sol queima, mas os táxis agitam o ar. Observo pechinchas em relógios de pulso. Há gatos que brincam na serradura.