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Hermann Hesse: a desaparição dos oráculos

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Por Christopher Domínguez Michael Hermann Hesse. Foto: Martin Hesse.   Estamos diante de um dos romancistas mais lidos do século XX. De 1904, quando apareceu Peter Camenzind , até quando não encontrei mais o exemplar de Narciso e Goldmund que eu havia localizado na semana passada, Hermann Hesse (1877-1962) é o rito de passagem na leitura para milhares de jovens em muitas línguas.   Ao contrário de outros “educadores”, a popularidade de Hesse sobreviveu ao menosprezo dos críticos e, acima de tudo, ao dissimulado aborrecimento de quem o leu e o esqueceu. Hesse não precisa mais de nós. Alguns, eu mesmo nestes dias, espantados ante a morte, precisam dele. Sinto falta e odeio o que Hesse talvez simbolize: a adolescência.    Os historiadores da vida cotidiana, uma ciência inexata, nos ensinam a desprezar as essências que identificam as idades consagradas da vida. Infância, adolescência, juventude, maturidade e velhice seriam, mais do que uma sucessão biológica, um museu de cera criado artif