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Mostrando postagens de Julho 19, 2022

A solidão das palavras

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Por Gustavo Arango Gabriel García Márquez.  Peter Badge/ Harry Ransom Center   Todo escritor — sem importar sua fama ou prestígio — é um artista incompreendido. Quando Gabriel García Márquez tinha 25 anos, um importante editor argentino leu o seu primeiro romance, A revoada , e o aconselhou que buscasse outro ofício. Em 1961, A má hora , o terceiro romance, recebeu um importante prêmio literário, mas só depois do escritor aceitar as condições de um bispo que fazia parte do júri: eliminar a linguagem de baixo calão e modificar o título do livro que inicialmente era Este pueblo de mierda . Esse mesmo romance foi ultrajado uma vez mais quando alguns editores insensíveis traduziram-no para o espanhol da Espanha.   Mesmo quando já era reconhecido, García Márquez saboreou a amargura da reprovação: a 15 de julho de 1981, um ano antes de ser galardoado com o Prêmio Nobel de Literatura, os editores da revista The New Yorker responderam ao escritor que não publicariam seu conto “O rastro do teu