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Mostrando postagens de março, 2013

Boletim Letras 360º #6

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Ah, Pessoa, Pessoa! O mundo fala (ainda e talvez sempre falará) de ti! Semana intensa. Fim de semana mais ainda. Por aqui sobram leituras empilhadas e faltam chocolates para acompanhar tudo. Mas, vamos indo – com se diz. Ontem fizemos mais um sorteio do ano na nossa fan page no Facebook: foram dois exemplares de Arqueologias do olhar , de Fred Spada, devidamente autografados sorteados. Os sortudos receberão os livros em breve. Os que não ganharam, não devem ficar tristes. Até o fim da semana, anunciaremos mais uma promoção. Basta está antenado com o que se passa por lá e por aqui para não perder a oportunidade. Agora, falando em perdas, quem por algum motivo cochilou e não viu as notícias que cruzaram ponta a ponta a nossa famosa fan page, se liguem aí que, está na hora de mais um boletim, o último do mês de março. Segunda-feira, 25/03 >>> Brasil: Documentarista quer levar Millôr Fernandes ao cinema O nome ainda provisório é Millores que te quero e quer se

Poeta em Nova York tal como foi concebido por Federico García Lorca

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Por Jesús Ruiz Mantilla Federico García Lorca na Universidade de Columbia, em 1929. Imagem: Fundação García Lorca. Quando Federico García Lorca foi, na véspera do dia 13 de julho de 1936, ao encontro de José Bergamín e não o encontrou, lhe deixou um bilhete: “Estive para ver-te e creio que voltarei amanhã.” Amanhã nunca houve. O poeta partiu para Granada poucos dias antes de estourar a guerra. Acreditava, inocente, de que aí se encontraria mais seguro. O que ele deixou ao seu editor sobre a mesa na redação da revista Cruz y Raya foi um original  manuscrito e datilografado, organizando por partes e estruturado em 35 poemas e 10 seções do que seria uma obra-prima que mudaria para sempre a literatura até então produzida: Poeta en Nueva York . O resto da história é conhecido: Lorca morreu, o original passou por toda sorte de vicissitudes e nunca, até agora, se havia publicado tal como recomendava o seu autor. O texto reapareceu desde 2003. Depois de um leilão bastante

O lado bom da vida, de David O. Russel

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Já foi comentário por aqui da grande gafe cometida nesta última edição do Oscar ao dar o prêmio a Jennifer Lawrence pela sua atuação neste filme. Não é que atriz não esteja bem. É que a atuação é simplória se formos ver o trabalho de Emmanuelle Riva, por exemplo, em Amor – comentávamos. Se a atuação é um caso à parte e houve injustiça, é caso de se perguntar se o filme não atende à expectativa do telespectador. Não, não atende. Tem um enredo bem construído, uma narrativa sem arestas, mas não atende a expectativa do telespectador. Talvez os arsenais que nos preparam para ver o filme, o trailer, boa parte das resenhas e aquela badalação feita em torno da produção de David O. Russel sejam os reais responsáveis pelo dissabor enfrentado por quem se senta quase duas horas para vê-lo. Agora, não é caso de dizer que seja este O lado bom da vida um péssimo filme. Também não. O diretor já cometeu coisas piores, mas não é este nada que decole do chão. Tudo é muito previsível e o dra

Os 50 anos de O jogo da amarelinha, de Julio Cortázar

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Julio Cortázar em 1963, mesmo ano em que publicou O jogo  da amarelinha . Foto: Arquivo do Jornal Clarín . Há uma parcela considerável da crítica literária que não tem em Julio Cortázar a imagem de um grande escritor no sentido extremo da palavra tal como é Jorge Luís Borges, Macedonio Fernández ou outro nome de igual envergadura da literatura produzida na América Latina. Natural, no mesmo nível em que se faz considerações do tipo ao escritor argentino também se faz a nomes como José Saramago, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade. Tenho lido. Duas linhas nascem aqui: uma sobre o entendimento do termo ‘grandiosidade’ e que considera a necessidade de renovação plena e constante de um escritor; assim, se um escritor constrói um estilo e não opera grandes alterações nele ao longo de sua produção literária, não se pode ‘taxá-lo’ de importante nome da literatura de um país; e a outra linha é ingênua, tem a ver com gosto pessoal e, assim, se determinado escritor não lhe ‘conq

Os desenhos de Aldemir Martins para “Vidas secas”, de Graciliano Ramos

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Ilustração de Aldemir Martins inserida no capítulo “ Fabiano ” , de Vias secas . (clique sobre a imagem para ampliar) O nome de Aldemir Martins já está entre os da galeria de artistas plásticos do Brasil. Como terá definido os escritores Nilson Moulin e Rubens Matuck em Aldemir Martins – no lápis da vida não tem borracha , “Aldemir Martins é um homem cultíssimo. Como dizem em certas regiões do interior do Brasil: é um poço de sabedoria.” O trabalho que compôs para Vidas secas , de Graciliano Ramos, data de 1963 e foi publicado na 9.ª edição do romance. E tem uma particularidade: Martins incorpora o traço agudo, simples, seco do estilo literário que consagrou o escritor brasileiro; dessa intersecção  nascem os seus desenhos que tornam visíveis a geografia e as figuras do romance. Ilustração de Aldemir Martins inserida no capítulo “ O menino mais velho”, de Vidas secas . A ilustração também serviu de capa para algumas das edições do romance. (clique sobre a imagem para a

Júlio Verne

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Júlio Verne por Félix Nadar (detalhe) Poderão acusar Júlio Verne por muita coisa, menos por ser um escritor desprovido de imaginação. Talvez seja este aspecto – o da imaginação – o convite inconsciente para entrada numa obra das mais lidas no mundo. Ainda por esse caráter imaginativo a literatura de Verne, quase sempre associada ao plano infanto-juvenil, foi e é porta de entrada ao universo da leitura de muita gente. Se do lado francês, autores como Proust que registra em Em busca do tempo perdido um dos romances do autor de Viagem ao centro da terra , do lado brasileiro Machado de Assis, entre outros, terão dado seus palpites favoráveis sobre a literatura verniana e sua influência na formação leitora. Precursor da ficção científica, Verne ainda ‘previu’ a partir dos avanços científicos de seu tempo muitas das invenções humanas, como o helicóptero, as armas de destruição em massa, as naves espaciais, o submarino, os grandes transatlânticos... E os grandes acontecimentos hist

Boletim Letras 360º #5

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Maquete para a Biblioteca Nacional do Qatar Mal findamos uma, principiamos outra: está valendo desde que recebemos por aqui dois exemplares do livro de Fred Spada autografados pelo poeta mais um sorteio na fan page do Letras in.verso e re.verso no Facebook. O sorteio é daqui a sete dias e, portanto, dá tempo ainda de correr (sem desespero) para ver o regulamento e participar . Enquanto não se vai mais uma promoção, queremos relembrar por aqui o que de bom se passou na dita fan page e que os leitores por razão diversa não puderam nos acompanhar. Então, vamos lá? Segunda-feira, 18/03 >>> Qatar: A biblioteca Coisa de cinema. Vê a imagem que abre esta postagem? É uma maquete para a Biblioteca Nacional do Qatar. A construção vai adiantada e a equipe de engenharia divulga que sua inauguração será em 2014. O prédio foi desenhado pelo renomado arquiteto Rem Koolhaas. O espaço quer ser um novo conceito de biblioteca; projetado para ser uma ponte entre o passado e

Os Lusíadas, de Camões

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Detalhe do frontispício de Os lusíadas , edição de 1572. Fonte: Biblioteca Nacional de Portugal. Como todo clássico é uma experiência única, encontrar-se pelo caminho das leituras com este texto de Camões não será diferente. Afinal, Os lusíadas é a obra que mais repercute nas literaturas de língua portuguesa. Basta pensar aqui alguns títulos de alguns dos mais conceituados escritores para ter uma clara noção e logo atribuir razão a esse entendimento. Do lado de lá do Atlântico, a epopeia de Camões é eco forte na obra de Fernando Pessoa, que repetiu a proeza de canto ao povo português no seu Mensagem ; José Saramago terá feito o mesmo com A jangada de pedra ou com a intertextualização de episódios e citações diretas do clássico camoniano em boa parte de seus romances.  Do lado cá, ecoa Camões por Carlos Drummond de Andrade se formos reparar o episódico poema “A máquina do mundo”, do livro Claro enigma . E se formos sair à cata, daremos, com certeza, com novos exemplos.

Amor, Michael Haneke

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Por Pedro Fernandes Precisamos esperar a premiação do Oscar para que Amor chegasse às telas do cinema brasileiro. Menos mal; há muito deles que por aqui nem passam. E se este filme não tivesse vindo às grandes telas seria uma grande perda para os olhos dos que estão enfadados da pirotecnia hollywoodiana. É um filme brilhante. E mesmo não tendo assistido a atuação de Jessica Chastain em A hora mais escura e nem a de Quvenzhané Wallis em Indomável sonhadora é possível afirmar com clareza uma coisa: a Academia cometeu a maior gafe. Mais que aquela de ter feito cara feia para a produção de Ben Affleck e depois ter tapado o desconcerto com o prêmio de Melhor Filme. Foi ter dado o prêmio de Atriz para Jennifer Lawrence de  O lado bom da vida – ainda que a produção preencha o quesito de bem feitinha porque tem um enredo bem construído (redondinho, como é comum dizer). Mas, o prêmio era para atriz e, desculpem, Lawrence ainda deve andar muito para conseguir esse status. É porqu

Sorteio de dois exemplares de "Arqueologias do Olhar", de Fred Spada

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Frederico Spada (Belo Horizonte - MG, 1982) tem já sua experiência com o verso. Premiado em várias colocações em diversos concursos de poesia, sua estreia se dá com Arqueologias do Olhar , livro publicado em 2011 pela Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage. Reúne 60 poemas escritos entre 1999 e 2011. O Letras sorteia entre os amigos da fan page dois exemplares autografados pelo poeta. O sorteio é livre e concorrem apenas amigos que têm residência no Brasil; ocorrerá no fim do dia 29 de março e o vencedor será contatado por mensagem pela equipe da fan page. 1. Curtir a fan page do Letras ; 2. Compartilhar na sua time line duas vezes a imagem dapromoção (só é válido compartilhamentos direto da fan page do Letras); 3. Inscrever-se na aba “ Promoções> Quero Participar ” – situada abaixo da imagem de capa da fan page. 

A atualidade renovada de Graciliano Ramos

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Por Pedro Fernandes Em carta enviada por Graciliano Ramos em novembro de 1937 a seus tradutores argentinos Benjamín de Garay e Raúl Navarro, o escritor se pronuncia sujeito desprovido de biografia. E acresce: “Nunca fui literato, até pouco tempo vivia na roça e negociava. Por infelicidade, virei prefeito no interior de Alagoas e escrevi uns relatórios que me desgraçaram. Veja o senhor como coisas aparentemente inofensivas inutilizam um cidadão. Depois que redigi esses infames relatórios, os jornais e o governo resolveram não me deixar em paz. Houve uma série de desastres: mudanças, intrigas, cargos públicos, hospital, coisas piores e três romances fabricados em situações horríveis – Caetés , publicado em 1933, S. Bernardo , em 1934, e Angústia , em 1936. Evidentemente, isso não dá uma biografia. Que hei de fazer? Eu devia enfeitar-me com algumas mentiras, mas talvez seja melhor deixá-las para romances.” ( Cartas inéditas de Graciliano Ramos a seus tradutores argentinos . Salv