Cabaré, de Bob Fosse



Depois de os musicais terem se tornado mais raros em Hollywood, a partir do fim dos 1950, a estréia de Cabaré, do diretor Bob Fosse, colocou o gênero de novo em evidência. Desta vez, no entanto, o tom é mais escuro, menos eufórico que o dos musicais das décadas anteriores.

A obra foi admirada por um público enorme e ganhou oito Oscar, embora não tenha recebido o de Melhor Filme. Mais de 30 anos depois, Liza Minnelli (filha da atriz Judy Garland e do grande diretor de musicais Vincent Minnelli) ainda tem sua imagem associada aos cílios postiços e à maquiagem forte de sua personagem, a cantora e dançarina Sally Bowles. 

Na Berlim de 1931, no contexto da forte crise social-política-econômica que originou a ascensão do nazismo ao poder dois anos depois, Sally trabalha num cabaré, o Kit Kat Klub, com o sonho de tornar-se estrela de cinema, sem poupar meios para realizá-lo. Envolve-se com um professor britânico e bissexual, Brian Roberts (Michael York), e, ambos com o barão alemão Maximilian von Heune (Helmut Griem). A sociedade germânica é mostrada em paralelo ao relacionamento dos três personagens. Baseado nos contos autobiográficos de Adeus a Berlim, do escritor estadunidense Christopher Isherwood, o filme contrasta a moral libertária da casa noturna e do pouco convencional triângulo amoroso com a rigidez política daqueles anos 1930. O mais sombrio é que o clima de festa encenado no cabaré parece desprezar o terror que estava por vir.

*Revista Bravo!, 2007, p.108

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