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Mostrando postagens com o rótulo 100 filmes essenciais

Lavoura Arcaica, de Luiz Fernando Carvalho

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A primeira é mais difícil tarefa do diretor Luiz Fernando Carvalho foi traduzir em linguagem cinematográfica o discurso literariamente complexo do narrador / protagonista do romance homônimo de Raduan Nassar sem perder a intensidade da palavra. A solução de Carvalho foi utilizar, pela voz do personagem principal, André (Selton Mello), quase todo o texto do livro.  Coordenados com a narração, imagens e sons trabalhados até os detalhes fazem do filme tanto uma precisa transposição do romance para outra linguagem quanto recriação inventiva do texto original. O enredo se desenvolve a partir da volta de André, o filho desgarrado, ao convívio da família. O reencontro tenso discute as incongruências entre os valores tradicionais da família libanesa, as relações de poder estabelecidas na casa e os desejos reprimidos, mas não aquietados de André. A coexistência do fato narrado com um passado angustiante e da imagem no presente faz com que a ideia fatalista em relação ao d...

M. A. S. H., de Robert Altman

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M. A. S. H.  é um filme de guerra que nem o combate nem os inimigos aparecem. Um único tiro é ouvido e tem como consequência a interrupção de uma partida de futebol. Tudo se passa no Hospital Cirúrgico Móvel do Exército (Mobile Army Surgical Hospital). Médicos se debatem entre os soldados feridos e a burocracia do exército, conversam e reclamam em tom de deboche, construindo sequências cômicas que, em princípio, fazem rir, mas que visa, sobretudo, a denunciar os absurdos da guerra (o filme é ambientado nos anos 1950, durante o conflito norte-americano com a Coréia, mas foi feito em tempos da Guerra do Vietnã). Como em muitos filmes de Robert Altman, o roteiro original acaba, na prática, dando origem a uma grande quantidade de improvisos que se organizam sem ordem aparente, fora de uma cronologia linear. Rompem-se desse modo as relações de causa e efeito habituais. As expectativas  quanto a mudanças significativas nas situações apresentadas diminuem. Os dias se suced...

Fargo, de Joel e Ethan Coen

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Em nenhum outro momento de sua carreira, o humor negro dos irmãos Joel e Ethan Coen atingiu tamanha excelência quanto no gelado Fargo , em que o equilíbrio entre o lado "sério" da dupla ( Gosto de Sangue , de 1984, Ajuste Final , de 1990) e o cômico ( Arizona Nunca Mais , de 1987, A Roda da Fortuna , de 1994) atinge solidez, sempre utilizando o fracasso como mote.  Fargo é uma pequena cidade do meio-oeste americano, no estado de Minnesota - região definida pelos cineastas como uma "Sibéria com restaurantes familiares". Um vendedor de carros usados (William H. Macy) contrata dois pilantras (Gaer Grimsrud e o hilário Steve Buscemi) para sequestrar sua esposa, pedir o resgate ao sogro milionário e, com isso, escapar da ruína financeira.  Por uma coincidência, acabam cruzando o caminho da grávida e impassível policial Marge Gunderson, interpretada com brilho por Frances McDormand, mulher de Joel.  A fórmula de sarcasmo dos irmãos é acumular um grande ...

As Invasões Bárbaras, de Denys Arcand

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Às vezes parece que o cinema, por alguma razão inexplicável, move-se em direção a algum tema específico e vários títulos de uma mesma época abordam universos semelhantes.  É o que aconteceu com o fim do sonho socialista e dos ideais de uma geração, explorado quase simultaneamente em Os Sonhadores  (2003), de Bernardo Bertolucci, nos alemães  Adeus, Lênin!  (2003) e Edukators  (2005), e em As Invasões Bárbaras , do canadense Denys Arcand, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e do prêmio de Melhor Roteiro em Cannes. O tema não é novo na obra de Arcand, que sempre tratou de fortes posicionamentos políticos e morais. As Invasões Bárbaras é, na verdade, a continuação de outros de seus filmes, O Declínio do Império Americano  (1986). Lá, um grupo de professores universitários, debatia sobre sexo e comportamento, em um discurso que deixava clara a opinião do cineasta sobre a decadência dos valores regidos pelo capitalismo. Dezessete ano...

King Kong, de Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack

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Para as gerações que cresceram jogando videogame, acostumadas com os mais modernos efeitos especiais e trabalhos de computação gráfica, a versão original de King Kong  deve parecer boba, infantil e sem graça. Mal pode-se imaginar o furor que o filme causou nas plateias no seu lançamento, em 1933. Os cinemas literalmente tremiam com os gritos do público. O longa arrecadou o recorde de US$ 90 mil de bilheteria apenas na primeira semana de exibição nos Estado Unidos. O sucesso ajudou a produtora RKO a escapar da falência. Se hoje o gorila criado em processo básico de animação pode parecer precário, para a época era um fenômeno de tecnologia, um marco dos efeitos especiais (os modelos criados para representar o monstro tinha apenas 40 centímetros). Na conhecida história, a criatura é levada a Nova York por uma equipe de filmagem, apaixona-se por uma atriz (Fay Wray) e foge, promovendo o medo. O desfecho, com Kong escalando o Empire State, maior prédio do mundo na época, é do...

Operação França, de William Friedkin

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Dois policiais, Jimmy "Popeye" Doyle (Gene Hackman) e Buddy "Cloudy" Russo (Roy Scheider), descobrem uma enorme operação de tráfico de heroína em Nova York, organizada por um galante vilão, o francês Alain Charnier (Fernando Rey). Operação França  é um thriller policial sem mocinhos.  Enquanto corre atrás dos traficantes, entre tiros, facadas, muita ação e suspense, o detetive Doyle, representante da lei, mas também violento, passará por cima da ética para pegar o criminoso. Baseado em fatos verídicos, o filme foi entendido por parte da audiência como denúncia da violência tanto de criminosos quanto da polícia. No cartaz de divulgação, inclusive, lia-se "Doyle não é boa notícia, mas é um bom policial". A grande sequência do longa, a da perseguição (entre um carro e o trem do metrô), ficou marcada como uma das mais impressionantes do cinema. Para filmá-la, Friedkin utilizou o tráfico da cidade, com transeuntes reais e o próprio Gene Hackman d...

Cabaré, de Bob Fosse

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Depois de os musicais terem se tornado mais raros em Hollywood, a partir do fim dos 1950, a estréia de Cabaré , do diretor Bob Fosse, colocou o gênero de novo em evidência. Desta vez, no entanto, o tom é mais escuro, menos eufórico que o dos musicais das décadas anteriores. A obra foi admirada por um público enorme e ganhou oito Oscar, embora não tenha recebido o de Melhor Filme. Mais de 30 anos depois, Liza Minnelli (filha da atriz Judy Garland e do grande diretor de musicais Vincent Minnelli) ainda tem sua imagem associada aos cílios postiços e à maquiagem forte de sua personagem, a cantora e dançarina Sally Bowles.  Na Berlim de 1931, no contexto da forte crise social-política-econômica que originou a ascensão do nazismo ao poder dois anos depois, Sally trabalha num cabaré, o Kit Kat Klub, com o sonho de tornar-se estrela de cinema, sem poupar meios para realizá-lo. Envolve-se com um professor britânico e bissexual, Brian Roberts (Michael York), e, ambos com o bar...

O Pântano, de Lucrecia Martel

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Da elogiadíssima nova safra do cinema argentino, a diretora e roteirista Lucrecia Martel é talvez o principal destaque individual, aquele que mais tem se preocupado em criar um universo ficcional próprio e original. Em seus dois longas, O Pântano  (2000) e A Menina Santa  (2004), ambos passados no norte da Argentina (região onde nasceu), há uma semelhança no trato da dissolução dos relacionamentos familiares, na influência da culpa católica e também em ambientações particulares, como a presença de piscinas. O Pântano , o mais cultuado dos dois, conta a história de duas matriarcas e suas famílias desajustadas que passam alguns dias na úmida cidade de La Ciénaga (título original da obra). Mecha (Graciela Borges) observa, literalmente inerte, quase sem se levantar da cama, o marido se afundar no álcool e a relação incestuosa entre os filhos. Já Tali (Mercedes Morán), tenta se dedicar ao máximo à família, e ainda assim, não consegue impedir um acidente doméstico com o f...

Guerra nas estrelas, de George Lucas

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Guerra nas Estrelas  é um daqueles casos de obras que ultrapassam o celulóide. Mais que filme, é fenômeno pop, uma marca bastante rentável que se desdobra em videogames, brinquedos, discos com a inconfundível trilha sonora de John Williams, roupas e outras cinco sequências. George Lucas cujos longas até então eram respeitados mas com êxito comercial apenas regular, debruçou-se no roteiro por cerca de três anos até acertar a versão final. Sua idéia desde o início era criar uma espécie de western  de ficção científica, inspirado também nos filmes de samurai do diretor japonês Akira Kurosawa. Nenhum estúdio acreditava que uma cara aventura espacial pudesse triunfar comercialmente. A Fox, então, apostou no projeto e viu nascer um campeão de bilheteria, memorável desde a narração de abertura. Ao lado de Tubarão  (1975) e Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977), Guerra nas Estrelas  eternizou o termo blockbuster  e deu início à era dos efeitos especi...

A Lista de Schindler, de Steven Spielberg

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Steven Spielberg é considerado, por muitos, um gênio da indústria cinematográfica de Hollywood desde o megassucesso de Tubarão  (1975). Mas sua carreira ficou marcada por filmes de universo infanto-juvenil, como E. T.  (1982), Contatos Imediatos do Terceiro Grau  (1977) e a trilogia Indiana Jones  (1981, 1984 e 1989). Suas tentativas eventuais de abordar temas adultos ou "sérios", como em A Cor Púrpura  (1985) e Além da Eternidade  (1989), foram recebidas sem muito entusiasmo.  Nesse quadro, quando realizou A Lista de Schindler , o cineasta e produtor deu o passo mais importante rumo à consolidação de sua imagem, o que se traduziu em oito Oscar em 1994, incluindo Melhor Filme e Direção. Sua abordagem do Holocausto mostra as formas mais cruéis do extermínio utilizadas pelos nazistas, mas procurando evitar a espetacularização. Para isso, ele concentra e transfere sua visão humanista para o personagem real de Oskar Schindler, industrial que apr...

Um Convidado Bem Trapalhão, de Blake Edwards

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Este é o único filme da parceria entre Blake Edwards e Peter Sellers que não faz parte da série A Pantera Cor-de-Rosa  (1963-1982). Pode ser tomado como exemplo do modo de fazer comédia que marcou a dupla. Baseado em grande parte na capacidade de Edwards bolar situações engraçadas e na qualidade da atuação de Sellers, o longa acabou sendo visto também como uma denúncia do modo de produção pouco receptivo a novidades do cinema industrial (em particular) e dos Estados Unidos (de maneira mais ampla). O filme seria, então uma alegoria ao mostrar a introdução no ambiente (americano) de um elemento estranho (um indiano) que literalmente explode uma parte de Hollywood. Hrundi Bakshi (Sellers) é um ator indiano com grande tendência a provocar confusões. Destrói sem intenção um set de filmagens inteiro, o que queima sua imagem no círculo cinematográfico. Devido a um equívoco, ele é convidado a uma festa da alta sociedade hollywoodiana. Com sua presença, o caos com ares circenses ...

O Império dos Sentidos, de Nagisa Oshima

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Oshima já era um veterano quando realizou em 1976, este polêmico drama de alta carga erótica. O diretor, que estreou em 1959 no conjunto de jovens cineastas talentosos que constituiu o que se tornou conhecido como Nouvelle Vague japonesa, acumula 46 títulos em sua filmografia. Mas foi a repercussão de O Império dos Sentidos  que tornou seu nome mais conhecido nos países ocidentais. Na esteira de O Último Tango em Paris , feito por Bertolucci em 1972, Oshima narra os encontros sexuais de um casal, que evolui do prazer a jogos de poder e dominação que culminam em tragédia. Amor e destruição caminham acoplados até um ápice em que a comunhão entre os dois e o sentimento que os aproxima não se distingue da necessidade de um ser destruído pelo outro. Sexo e morte, desejo e aniquilamento atravessam cada cena, numa espécie de ritual sobre os mecanismos de perversão em que a questão moral é abolida para que o espectador seja exposto a forças que não constam em seus hábitos visua...

Dogville, de Lars Von Trier

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Quando Dogville  estreou em 2003, dois aspectos ganharam destaque. O primeiro, formal, é introduzido desde a primeira cena. Em um cenário composto de pouquíssimos elementos, Dogville, uma cidade fictícia do Colorado, é mostrada de cima. Em vez de casas, portas, muros e árvores, divisões estilizadas e simbólicas indicam que se trata de uma cidade. Os limites entre as residências são traçados no chão e apontamentos feitos com giz apresentam outros elementos da narrativa. Assim, por exemplo, sabe-se que há um cão porque a palavra "dog" está escrita e não porque o animal aparece. A fala de um narrador reitera o tempo todo que se trata de uma encenação. Sob essa estrutura formal, ecoam as propostas desmistificadoras do chamado teatro épico formulado pelo dramaturgo alemão Bertolt Brecht. E a certeza de que o cinema de Von Trier não seguia mais com rigidez o Dogma 95, movimento fundado por ele e Thomas Vinterberg que se pautava por mandamentos como proibir filmagens em cenár...

Sem Destino, de Dennis Hopper e Peter Fonda

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Bem ao gosto de grande parte da juventude americana dos anos 1960, Sem Destino  conta a história de dois motoqueiros, Billy (Dennis Hopper) e Wyatt (Peter Fonda), que cruzam o país em busca de liberdade. Ao som de Jimi Hendrix e Steppenwolf ("Born to be wild"), entre outros, e regada a aditivos químicos e sexo livre, a viagem dos dois se tornou símbolo do espírito hippie e de contracultura que marcaram a época. A exibição do filme no Festival de Cannes de 1969 rendeu uma Palma de Ouro de Melhor Direitor Estreante para Dennis Hopper. Quanto ao sucesso de público, o orçamento relativamente baixo do longa (cerca de US$340 mil) obteve uma arrecadação mais de uma centena de vezes superior a seus custos. Além de Hopper e Fonda, Sem Destino  tem também atuação destacada de Jack Nicholson, no papel de George Hanson, um advogado alcoólatra que reluta em experimentar maconha, além de uma seqüência que se tornou memorável, com os personagens em delírio pela ação do LSD. A boa rece...

Fantasia (vários diretores)

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O projeto de Walt Disney era ambicioso: unir animação e música erudita e ainda tentar recuperar a popularidade de seu personagem mais importante, Mickey Mouse, que havia perdido prestígio na década de 1930. A idéia inicial era um curta estrelado pelo rato, O Aprendiz de Feiticeiro . Acabou sendo expandida e se transformou em Fantasia , longa   composto de oito segmentos independentes em que as animações são acompanhadas de obras-primas de Beethoven ( Sexta Sinfonia , também   conhecida como Pastoral ), Schubert ( Ave Maria ) e Stravinsky ( A Sagração   da Primavera ), entre outros. A regência ficou a cargo do maestro inglês Leopold Stokowsky. As oito histórias são variadas. Vão desde a reinvenção das quatro estações do ano até a Teoria da Evolução, passando por mitos gregos, balé, demônios em noite de Halloween, uma procissão religiosa e as desventuras do aprendiz vivido por Mickey. Tanta ambição não foi suficiente para transformar o longa em sucesso, tendo sido...

Ben-Hur, de William Wyler

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Ben-Hur  é um filme grande sob todos os aspectos. Além das suas três horas e meia de duração, os números de produção impressionam ainda hoje. O orçamento total foi de US$15 milhões (o longa mais caro já feito, até então), e a bilheteria, de mais de US$70 milhões só nos Estados Unidos, tirou a MGM do buraco. Foram utilizados 100 mil figurinos e 300 sets construídos. A emblemática cena da corrida de bigas exemplifica o espírito grandioso: sua filmagem durou três meses e exigiu a presença de 8 mil extras em uma arena construída em um ano, ao custo de US$ 1 milhão. Uma meticulosidade típica de William Wyler, por anos tido injustamente como um diretor sem personalidade; um artesão, não um autor. A história da vingança do escravo Ben-Hur (Charlton Heston, que ganhou o papel após a recusa de Burt Lancaster e Paul Newman) contra seu traidor e ex-amigo Messala (Stephen Boyd), cheia de referências bíblicas e à vida de Cristo, foi adaptada do romance homônimo do general americano L...

Pixote - a lei do mais fraco, de Hector Babenco

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Duas décadas antes de Cidade de Deus , o cinema brasileiro ganhava uma radiografia impiedosa da violência nas ruas e de como ela condenou a juventude das classes miseráveis a buscar o crime como caminho para sobrevivência. Pixote - a lei do mais fraco  conta a história de um garoto de dez anos que é recolhido das ruas de São Paulo para ser internado em um reformatório. Dois de seus amigos são assassinados e, com mais três colegas, ele foge para o Rio de Janeiro, onde entra para o mundo do tráfico de drogas, dos assaltos, assassinatos e da prostituição. Marília Pêra interpreta Sueli, prostituta que acolhe os jovens e os ajuda a cometer os crimes. Em uma cena de forte carga simbólica, Sueli amamenta Pixote, órfão não só dos pais, mas do país que os abandonou. Dirigido pelo argentino naturalizado brasileiro Hector Babenco (de Carandiru , de 2003 e O Beijo da Mulher Aranha , de 1985), Pixote é baseado no livro-reportagem de Jozé Louzeiro, A Infância dos Mortos . Segundo Babe...

Los Angeles - Cidade Proibida, de Curtis Hanson

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Um detetive de moral duvidosa (Kevin Spacey), sempre disposto a vender informações a quem pagar mais. Outro, de atributos físicos avantajados (Rusell Crowe), está habituado a conseguir informações por meio de violência. Um terceiro policial (Guy Pearce) é o oposto: honesto e idealista. Há ainda uma loira estonteante, fatal e misteriosa (Kim Basinger). Quatro pontas que sustentam uma trama repleta de reviravoltas e detalhes obscuros elucidados apenas no final, embalada por trilha sonora do cancioneiro norte-americano. Parece até um daqueles noir do cinema clássico americano estrelados por Humphrey Bogart, mas Los Angeles - Cidade Proibida  é de 1997. Dirigido por Curtis Hanson e inspirado no romance homônimo de James Ellroy, autor também de Dália Negra  (base para o longa de Brian De Palma) e papa da literatura policial contemporânea, o filme chamou atenção por seu gostinho de naftalina e por lembrar aos cinéfilos que Hollywood já foi espaço para tramas inteligentes ...

Um Cão Andaluz, de Luis Buñuel

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A carreira do espanhol Luis Buñuel passou por várias fases distintas - a mexicana, do realismo brutal de Os Esquecidos  (1950), a espanhola, de Viridiana  (1961), e a francesa, de impiedosas sátiras sobre a burguesia. Nenhuma delas, entretanto, sintetiza tão bem sua obra quanto a surrealista, que compreende os curtas Um Cão Andaluz  (1929) e A Era do Ouro  (1930). É neles que aparecem as características que levariam o espanhol a ser considerado por Alfred Hitchcock o melhor diretor de todos os tempos: o humor provocador, algo grotesco, a ironia destilada contra a hipocrisia da igreja católica. Um Cão Andaluz , escrito em parceria com o artista plástico Salvador Dalí e inspirado em sonhos dos dois, é o exemplo máximo da adaptação para as telas do movimento criado por André Breton. Não existe uma trama definida conduzindo o filme, apenas mergulhos no inconsciente, uma compilação não-linear de imagens aparentemente desconexas (o próprio diretor dizia que ...

Os homens preferem as loiras, de Howard Hawks

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Duas amigas, Lorelei  Lee (Marilyn Monroe) e Dorothy Shaw (Jane Russell), embarcam num cruzeiro rumo a Europa à caça de um marido rico. A loira é louca por diamantes; a morena, por músculos. Por meio da história das garotas, o filme deixa subentendido um ideal desejo de libertação feminina: nessa trama, são os homens que - movidos pelo desejo - ocupam o lugar de meros objetos, gravitando em torno das protagonistas. Em sua extensa carreira, o diretor Howard Hawks transitou entre vários gêneros, do filme de gângster ao anti-bélico, das comédias malucas aos faroestes clássicos, do noir aos épicos históricos e às fitas de aventura. Além da versatilidade, o que mais se destaca nos longas de Hawks é a presença, mesmo em universos aparentemente tão heterogêneos, de uma visão de mundo pessoal, de um olhar particular que põe em destaque os mecanismos morais que regem os homens (e as mulheres).  Foi essa unidade sobre a profusão de gêneros que levou os críticos franceses ...