Apocalypse now, de Francis Ford Coppola




Limites da razão e do poder são temas centrais de um grande filme que teve produção carregada de problemas

O épico de Coppola costuma ser tratado como um filme de guerra ou como crônica sobre a malsucedida ocupação norte-americana no Vietnã. Mas seu próprio ponto de partida, a novela de Joseph Conrad, O coração das trevas, mostra que sua ambição não se resume a retratar uma guerra. Trata-se mais que tudo de um mergulho na alma humana, nos limites da loucura e do poder, na superação de obstáculos. Uma versão cinematográfica do texto de Conrad havia sido planejada por Orson Welles, mas nunca saiu do papel. O projeto que acabou sendo feito por Coppola circulou antes por vários estúdios, produtores e diretores (inclusive pelas mãos de George Lucas). Não poderia haver alguém mais adequado do que ele, acostumado, desde O poderoso chefão (1971), a rodar trabalhos grandiosos.

Só que rigorosamente nada deu certo durante a produção. As filmagens que ocorreram nas Filipinas, deveriam durar seis semanas e só terminaram depois de 16 meses. Convocado a duas semanas do início das gravações para interpretar o personagem principal, o Capitão Benjamin Willard, Martin Sheen (substituto de Harvey Keitel) sofreu uma parada cardíaca e por pouco não morreu. Um furacão destruiu boa parte do set, atrasando ainda mais a continuidade da produção. A grande estreia do filme, Marlon Brando, contratado a peso de ouro, apareceu gordo e sem saber uma linha sequer dos seus diálogos. Por fim, Coppola levou cerca de três anos montando o caudaloso material que tinha acumulado.

A história acompanha o trajeto de Willard (Sheen), enviado por seus superiores para localizar e matar o coronel Walter E. Kurtz (Brando), que se rebelou contra o exército e agora lidera uma civilização na selva. Ao fim do percurso, o capitão questiona sua própria lucidez depois de se confrontar com um elenco de pirados, como um coronel (Robert Duvall) que diz amar o cheiro de napalm pela manhã porque "cheira a vitória", e um fotógrafo delirante (Dennis Hopper) que vive com os nativos.

Indicado ao Oscar em 1980, levou os prêmios de Melhor Fotografia e Som. Ganhou a Palma de Ouro de Melhor Filme em Cannes, em 1979. Em 2001, foi relançado como Apocalypse now redux, com quase uma hora a mais de material inédito.


* Revista Bravo!, 2007, p.53

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