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Paul Auster: o mundo na sua cabeça e seu corpo no mundo

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Por Ivonne Saed Paul Auster no set de Lulu on the Bridge , 1997. Foto: Moviestore Collection Um jovem Paul Auster, de apenas dezenove anos, escreve em seu caderno de anotações: “O mundo está na minha cabeça. Meu corpo está no mundo.” Quase trinta anos depois, reencontra estas palavras e se dá conta de que, apesar de não recordar ao certo quando as escreveu ou em qual contexto, elas continuam a definir o conjunto da sua obra: uma urdidura que entrelaça a ficção que emana da sua imaginação com o traço de uma escrita autobiográfica que se alimenta daquilo que observa às margens de sua própria existência. Se o mundo participa das suas ideias e o seu corpo participa do mundo, então toda a sua pessoa e o mundo fluem sem distinção. As possibilidades de escrita abrem-se ao infinito.   Paul Auster, falecido em 30 de abril, deixa uma obra ficcional que rompe coma as próprias fronteiras e as do ensaio, da autobiografia e da invenção, e seduz seus leitores por meio dessa estratégia. As suas preocu