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Mostrando postagens de maio, 2024

Boletim Letras 360º #584

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DO EDITOR   Olá, leitores! Começou no dia 16 de maio e segue até às 23h59 do dia 20 a Book Friday Edição de 10 anos. A principal seção de descontos da Amazon oferece livros com até 80% Off.   Em nossa conta no Twitter , é possível encontrar algumas triagens com a recomendação de títulos que estão com desconto aproveitável na promoção.   Para estas e outras aquisições que desejar, é possível utilizar nosso link . Vem uma pequena ajuda para o blog sem que você pague nada mais por isso.   Um bom final de semana a todos! Adonis. Foto: Leonardo Cendamo. LANÇAMENTOS   Antologia reúne três livros dos mais recentes do poeta Adonis .   Ode à errância é o título que o próprio autor sugeriu para este volume da edição brasileira que reúne três das suas produções mais recentes: Concerto Alquds (2012), Zócalo (2014) e Osmanthus (2019). Os livros formam uma ode contínua à errância; tal como sugere os títulos, o poeta vaga por Alquds (Jerusalém), pela Cidade do México e outras localidades do paí

Luiz Gama e a força da poesia satírica brasileira e do ser negro

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Por Herasmo Braga   Dedicado ao poeta Élio Ferreira Uma das características da literatura tida como negra não se refere exclusivamente às questões epidérmicas. A concepção literária de negritude está associada principalmente ao fator identitário de um sujeito que se propõe a deixar de ser um objeto e passa a atuar no meio, buscando consolidar-se enquanto peça importante na formação social. Portanto, um autor, para fazer parte de um segmento literário tido como negro, deve assumir seus referenciais constituídos pelas condições do ser negro em uma sociedade marcada pela exclusão. Assim, a construção e a assunção de uma identidade são um dos pilares deste marco da negritude. No caso da literatura, esse aspecto se reflete no eu-enunciador que se quer e se reconhece como negro.   Com essas observações iniciais, percebemos o quanto é essencial este marco identitário. Ser negro em uma sociedade escravista ou pós-escravocrata não corresponde, necessariamente, à ação ou ao pensamento do sentir

A melancolia política em O que é isso, companheiro?, de Fernando Gabeira

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Por Henrique Ruy S. Santos Fernando Gabeira. Foto: Agência Estado   O que é isso, companheiro? , livro de Fernando Gabeira publicado em 1979, experimentou um sucesso estrondoso à época de seu lançamento. 1 Os motivos para tal façanha são certamente discutíveis e capazes de gerar muitas hipóteses e conjecturas, mas, de fato, não se pode deixar de mencionar o peso histórico que o relato de Gabeira teve entre um público ávido por entender, afinal, o que fora tudo aquilo. Por “aquilo”, entenda-se o período da Ditadura Empresarial-Militar 2 vivida pelo Brasil desde 1964 até 1985, mas que já dava sinais de enfraquecimento em 1979, a partir da Lei da Anistia, que concedeu aos exilados políticos (entre os quais se encontrava o próprio Gabeira) a repatriação.   Por essa espécie de “responsabilidade histórica” que o livro carregava (e carrega), acabam sendo diversas as possibilidades de seu enquadramento em um determinado gênero textual: suas primeiras edições lhe designavam como “testemunho”,

Guerra civil e uma lição de como sacudir consciências

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Por José Homero   Enquanto se dirigem para Washington D.C., os jornalistas que protagonizam Guerra civil se veem presos num tiroteio. Para se protegerem e também para fotografarem e coletarem informações, eles abandonam o carro atacado e se aproximam de uma dupla de equipados atiradores rente ao chão. O cenário é um campo decorado com motivos natalinos, cujo nome remete a um parque temático abandonado: Winter Wonderland [País das maravilhas de inverno]. Não é apenas a atmosfera surrealista — ou sombria, não esqueçamos que feiras e parques temáticos estão entre os locais preferidos dos filmes de terror — que confere uma qualidade memorável à cena. Quando Joe (Wagner Moura), repórter e motorista do veículo, pergunta aos atiradores a qual facção eles pertencem, eles não respondem e continuam engajados no combate contra um atirador protegido em uma mansão próxima. Devido sua insistência, zombam e dizem que já perceberam que ele é um idiota que não entende que estão lutando para sobreviver

A senhorita mascarada

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Por Gabriel Carra Cena de  Senhorita Júlia . Arquivo Companhia Bípede de Teatro Rupestre, 2024.   Hoje em dia não se trata mais, como fez certa vez Bertolt Brecht em “A função social do teatro”, de se indagar se o mundo atual pode ser reproduzido pelo teatro. Inúmeros são os expedientes técnicos disponíveis e o repertório de soluções, que inclui as próprias experiências brechtianas, é imenso, vasto. A pergunta que talvez realmente importe é como sustentar a verve crítica do teatro, isto é, o teatro como arte (pois é próprio de qualquer arte ser crítica do real), em uma época supercrítica , na qual a própria crítica social parece cansada e na iminência de desabar sobre o próprio peso.   Em termos mais próprios às técnicas teatrais, poderíamos precisá-la da seguinte forma: como o teatro pode sustentar essa verve assinalada sem depender inteiramente dos repertórios brechtianos, beckettianos ou de experimentações de exposição do signo teatral de inspiração pirandelliana, formas absolutamen

Uma poética do simples: “Eu, desenganado”, de Eduardo Duarte

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Por Wesley Sousa Os poemas de Eu, desenganado de Eduardo Duarte, jovem poeta e musicista baiano, se interligam desde a unidade existencial de uma época até um aspecto cultural delimitado. Podemos dizer que o pequeno livro é estruturado em três linhas temáticas específicas, tal como está dividido: “Do ser”, “Do amor” e “Do lutar”. Cada parte contém dez poemas.   Os títulos das divisórias do livro, por sua vez, apontam para um fio condutor mais amplo: a existência em três âmbitos. O primeiro se refere àquilo que somos, ou melhor, ao que estamos a ser. No devir da vida, nas condições de existência nas quais as nossas condições de ser se efetivam. Em “Do amor”, a companhia e o arrebatamento de um sentimento se notam presentes, apontando como o eu-lírico fala de si ao exprimir amores perdidos ou não-realizados, como se apresenta no poema “Sufocado”.   Mas, no “plano existencial” em que as poesias se constroem, destacaria um poema que, de algum modo, esclarece a tônica do sentido filosófic