Boletim Letras 360º #448

DO EDITOR
 
1. Caro leitor, esta é a edição de uma publicação criada, como indica o número acima, há 448 semanas para noticiar o que compilamos durante a semana em nossa página no Facebook (e vez ou outra uma novidade exclusiva só aqui) e as demais seções acrescentadas mais tarde com dicas de leituras dentro e fora dessa caixa.
 
2. Claro, muito agradecemos sua preciosa companhia por aqui e noutras redes com a leitura, o comentário, a partilha e o apoio sempre bem-vindos e nunca demais. Fiquem bem e boas leituras!

Anne Carson. Foto: Lawrence Schwartzwald


 
LANÇAMENTOS
 
Um novo romance da escritora portuguesa Teolinda Gersão entre nós.
 
Em O regresso de Júlia Mann a Paraty, a premiadíssima ficcionista portuguesa Teolinda Gersão nos leva, com a maestria de sempre, a uma viagem às profundezas da psique de três personagens com nome e sobrenome históricos — a começar pelo pai da psicanálise e sua relação com o mais famoso filho da teuto-brasileira nascida no litoral sul fluminense, e que até aos 16 anos se chamava Júlia da Silva Bruhns. Desta vez, a romancista de A cidade de Ulisses e a contista de Alice e outras mulheres — só para citar os seus dois títulos publicados recentemente neste lado do Atlântico pela editora Oficina Raquel —, volta a surpreender os seus leitores pelo mundo com três histórias fascinantes, que se interligam numa construção magistral, entre luzes e sombras. Todas com a marca inconfundível de uma das mais esplêndidas vozes das letras lusófonas, essa que se assina Teolinda Gersão.
 
Um esperado livro da canadense Anne Carson, uma das autoras mais reconhecidas e premiadas da atualidade, seja como helenista, ensaísta, crítica de arte, tradutora ou, principalmente, como poeta.
 
Autobiografia do vermelho, seu livro mais conhecido, reúne todas essas facetas da autora ao recriar, nos nossos tempos, o mito grego de Gerião, um monstro vermelho a quem Héracles teve de exterminar para assim cumprir um de seus doze trabalhos. Nesta obra que Carson chamou de “romance em versos”, ela transforma Gerião em um menino sensível e absorto e, seguindo o fio de um tempestuoso relacionamento amoroso com Héracles, nos apresenta uma peculiar história de amadurecimento. Sob o signo de Gertrude Stein, Emily Dickinson e do obscuro Estesícoro, primeiro poeta a tratar em formas líricas do mito de Gerião no século VI a.C., Carson compõe este bravo experimento formal, que contém ensaio, crítica e ficção, tudo envolto pelo admirável escrutínio verbal que caracteriza a sua poesia — características recriadas com arrojo na bela tradução de Ismar Tirelli Neto. O livro é publicado pela editora 34.

O primeiro livro de Irene Solà no Brasil.

A história da trágica morte de Domènec e do luto de sua família em uma região montanhosa da Catalunha. Mas também a de como uma jovem corça descobre motivos para correr e correr e correr, e como sobreviver na floresta. Canto eu e a montanha dança é um livro singular, polifônico, fortemente telúrico, com uma perspectiva rara, alheia ao antropocentrismo e a dramas e angústias cotidianos. Irene Solà cria atmosferas e sensações e borra divisas entre o real e a fábula para cantar uma região nos Pireneus catalães, recorrendo a lendas do local, seus fantasmas, sua flora e sua fauna  que inclui Domènec, Sió, Mia, Oriol, Lluna, personagens agrestes e ricos. A história da montanha que abarca a memória dos séculos, de eras geológicas, conflitos políticos, e a interação com a natureza que a habita. Um livro intuitivo e de uma beleza selvagem.  A tradução é de Luis Reyes Gil e Canto eu e a montanha dança é publicado pela editora Mundaréu.
 
Chega aos leitores brasileiros um clássico da literatura holandesa do século XX inédito em português.
 
Publicado originalmente em 1948, O amigo perdido é a obra-prima de Hella Haasse, chamada de “a grande dama” da literatura holandesa. O livro, que se tornou um dos romances holandeses mais conhecidos no mundo e um elemento básico da educação literária do país, é lançado no Brasil com tradução direta do holandês. Narrado em primeira pessoa, o romance se passa nas Índias Orientais Holandesas (atual Indonésia) e conta em primeira pessoa a história de um menino criado numa plantação colonial. Seu amigo de infância, Urug, é um rapaz de mesma idade, mas de ascendência nativa. À medida em que o narrador cresce, as circunstâncias políticas e raciais da vida colonial, além da guerra, trarão novas dinâmicas a essa amizade. O personagem principal é filho de holandeses que administram uma fazenda na colônia. Apesar dos laços de sangue com a Holanda, o personagem cresce em meio a comunidade colonial, aprende a língua e costumes nativos, no que é repreendido pelo pai, que deseja que ele tenha uma educação europeia. É justamente, Urug quem personifica a colônia. Exprimindo sua admiração pelo amigo, o personagem busca, na infância, não ver as diferenças que a sociedade coloca entre eles. Busca integrar-se. Porém, numa festa, os pais holandeses e seus amigos decidem mergulhar num lago sagrado, à noite, uma cratera aberta por um meteoro e cheia de água, posta na selva. Quem os guia é o pai de Urug. Um acidente, contudo, muda tudo. A tradução é de Daniel Dago e o livro é publicado pela editora Rua do Sabão.
 
Livro finalista do Man Booker Prize 2020 ganha tradução no Brasil por Adriana Lisboa.
 
Antara nunca escondeu o ressentimento que nutre pela mãe, que abandonou o marido para morar em uma comunidade mística e chegou a viver na rua, deixando a filha sempre à própria sorte. Agora que a mãe começa a sofrer de demência e ter episódios de esquecimento, Antara se vê diante da indesejada responsabilidade de cuidar de quem jamais cuidou dela. É nesse momento que ela refaz a trajetória das suas lembranças para contar a história de duas mulheres unidas por uma relação dolorosa, mas impossível de abandonar. Com Açúcar queimado, Avni Doshi chegou aos finalistas do Man Booker Prize em 2020. O livro é publicado no Brasil pela editora Dublinense com tradução de Adriana Lisboa.
 
O trabalho inventivo de Maria Gabriel Llansol para crianças de várias idades.
 
A casa do alto foi feito pela escritora portuguesa Maria Gabriela Llansol (1931-2008) e as crianças da Escola da Rua de Namur, na Bélgica, no início dos anos 1970. Escrito em francês com o título de Oh! Oh! Oh! La maison d’en haut, permaneceu inédito até 2019, quando foi publicado em tradução portuguesa. A Chão da Feira publica a tradução de Marcos Siscar para o português do Brasil, em edição que inclui o texto original em francês, alguns desenhos das crianças e o posfácio escrito por Augusto Joaquim, colaborador da escola e marido de Llansol.
 
Chega ao Brasil a obra da escritora argentina Romina Paula.
 
A melhor amiga da vida não está mais aqui. Na verdade, faz cinco anos. Tanto é que os pais de Andrea convidaram Emilia a voltar à Esquel, na Patagônia, para a cerimônia de espargimento das cinzas. Sair de Buenos Aires, em pleno e tórrido verão da capital, parece fácil: seu relacionamento com Manuel está bom, pero no mucho, e para completar, Emi e seu irmão — que vivem juntos — acabaram de descobrir que tem um rato (ou uma família deles) vivendo em sua cozinha. No entanto, viajar para sua cidade natal, onde estão todas as memórias da infância e juventude, e onde é preciso encarar famílias que ficaram e novas famílias que se formaram, parece ainda mais difícil. Como não se deixar afetar pelo ex-namorado? Pelas colegas de escola que continuam (as mesmas) lá? Como não se emocionar com quartos antigos, roupas, CDs, videocassetes e fotos, quando em tudo parece ter sobrado muito… de si e da melhor amizade que se podia ter? Narrado em segunda pessoa e em um tom de oralidade e intimidade, como merecem as promessas de amor eterno, Agosto parece estar entre uma extensa carta endereçada à amiga morta, um diário de viagem, e também a finalização de um longínquo processo de luto. Distante espacialmente da cidade onde vive e temporalmente dos anos 1990 em que viveu intensamente a adolescência, a narradora se vê sem pertencimento e o leitor é convidado a ser olhos, ouvidos e seu ombro-amigo. Com tradução de Ellen Maria Vasconcellos, o livro é publicado pela Editora Moinhos.
 
Obra de Lucrécio responsável por muito da estrutura básica da cosmologia, da física e da história contemporâneas ganha nova edição e tradução.
 
Qual é a natureza das coisas e a origem da história? Como o mundo nasceu de tal forma que tornou possível a emergência da terra, do céu, do mar, das estrelas, do sol e da lua que conhecemos hoje? Quais são as origens da vida, dos seres humanos, da consciência e da linguagem? Em resumo, como chegamos aqui, e qual é o significado de tudo isso? É verdade que, em certo sentido, sabemos muito mais sobre a história material do universo hoje do que há dois mil anos. Entretanto, é crucial lembrar que uma das razões pelas quais sabemos tanto quanto sabemos atualmente é por causa de Lucrécio. Muito da estrutura básica da cosmologia contemporânea, da física e da história, quer os cientistas o conheçam ou não, foi apresentado por Lucrécio. Os cientistas têm preenchido as notas de rodapé desde então. Publicado pela editora Autêntica, Sobre a natureza das coisas, de Lucrécio é tradução de Rodrigo Tadeu Gonçalves, autor ainda das notas e textos de apoio para leitura.
 
PREMIAÇÕES
 
Abdulrazak Gurnah é o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 2021.
 
Nasceu a 20 de dezembro de 1948 em Zanzibar, Tanzania. Mudou-se para Grã-Bretanha como estudante em 1968, fugindo da perseguição aos cidadãos árabes durante a Revolução de Zanzibar. Construiu uma carreira acadêmica entre as universidades de Kano, na Nigéria, e Kent, na Inglaterra; nesta última atuou como professor e diretor de estudos de pós-graduação no departamento de inglês até sua aposentadoria. Alguns dos seus mais famosos romances são Paradise (1994), livro selecionado para o Booker e o Whitbread Prize, By the Sea (2002), também listado para o Booker e para o Los Angeles Times Book Award e Desertion (2005). No comunicado da Academia Sueca, o reconhecimento da obra de Gurnah se oferece por “sua descrição comovente dos efeitos do colonialismo na África”.
 
REEDIÇÕES
 
O motor da luz ganha agora nova edição em um contexto no qual fantasmas de nosso passado voltaram a assombrar.
 
Publicado em 1994 e traduzido para o francês em 2005, O motor da luz ganha agora nova edição em um contexto no qual fantasmas de nosso passado voltaram a assombrar. De fato, a data capital para o livro de José Almino é o golpe de 1964, cujo desfecho espalha as personagens de um núcleo em Recife, com raízes no sertão cearense, para o exílio em Argel, Paris, Havana e no Leste Europeu. Tendo algo da literatura de testemunho que marcou o período pós-anistia de 1979, esta narrativa fragmentada é a expressão da própria perplexidade (política, existencial) que atingiu e atinge novamente a sociedade brasileira. Uma pequena fortuna crítica da obra — com textos de Francisco Alvim (1994), Vilma Arêas (2001) e Michel Riaudel (2009) — arremata o volume. O livro é publicado pela editora 34.
 
Nova edição de Tutameia, de João Guimarães Rosa.
 
O livro publicado em julho de 1967, reúne quarenta estórias curtas e traz um aspecto peculiar: uma obstinada preocupação do escritor com o modo de apresentar suas narrativas aos leitores. Tal desejo de Rosa pode ser visto, num primeiro momento, pelo modo como a configuração da duplicidade ficção/ metaficção encontra-se registrada no próprio aspecto gráfico do texto, em que se diferenciam os caracteres redondos dos itálicos. Os primeiros são utilizados nos quarenta contos, ou seja, nos textos ficcionais propriamente ditos. O segundo estilo é adotado nos prefácios, epígrafes, citações. Em Tutameia, são tecidas por Rosa insuperáveis tramas de matéria variada. Dentre a miríade de temas e assuntos tocados pelo escritor neste livro, podemos citar o amor (presente em “A vela ao diabo” e “Desenredo”), a vida dos ciganos (o caso dos contos “Faraó e a água do rio”, “O outro ou o outro” e “Zingarêsca”) e, como não poderia deixar de narrar, o cotidiano de figuras típicas do mundo sertanejo, elemento constitutivo das narrativas “Hiato”, “Sota e barla” e “Vida ensinada”. Além dos essenciais textos introdutórios de Paulo Rónai, grande conhecedor da obra rosiana, esta edição da Global traz ao fim um estudo do crítico literário Gilberto Mendonça Teles intitulado “O pequeno Sertão de Tutameia”, publicado originalmente na revista Navegações, em julho-dezembro de 2009. A Global também apresenta ao leitor o projeto de Victor Burton , que desenvolveu a capa a partir da fotografia de Araquém Alcântara, fotógrafo especializado em registrar as paisagens brasileiras.
 
A obra-prima de Franz Kafka em nova edição com ilustrações labirínticas de Lourenço Mutarelli e apresentação de Noemi Jaffe.
 
Josef K. está detido pela justiça — mas não sabe o porquê. Desde a manhã em que os oficiais apareceram em seu apartamento com essa notícia, K. apela a escriturários, advogados, secretárias, funcionários do tribunal e até a artistas para entender o motivo pelo qual está sendo processado. Este romance póstumo de Franz Kafka, publicado pela primeira vez em 1925, é uma sagaz crítica da claustrofóbica burocracia estatal e da falta de autonomia no mundo moderno. A edição de O processo publicada pela editora Antofágica é ilustrada por Lourenço Mutarelli; ilustrações tão misteriosas quanto o processo de Josef K.: elas foram dobradas e recortadas durante a montagem do livro, restando ao leitor investigá-las para unir os fragmentos. A tradução é de Petê Rissatti. O romance é apresentado pela escritora Noemi Jaffe e reúne textos de apoio de Gabriel Alonso Guimarães, em que esclarece o modo como a edição incorpora os trechos riscados pelo autor, de Adilson José Moreira, que tece uma análise jurídica do livro, apontando como o racismo estrutural submete pessoas negras no Brasil a processos verdadeiramente kafkianos, e Noemi Moritz Kon, que investiga a trama do ponto de vista da psicanálise.
 
Nova edição de Quincas Borba, de Machado de Assis.
 
Quincas é um cachorro, mas esse também é o nome de seu dono, um filósofo de Barbacena, Minas Gerais. Quando este rico pensador morre, abandonando uma grande fortuna, seu amigo Rubião é nomeado o único herdeiro da herança. Mas o ex-professor só colocaria as mãos no dinheiro sob uma condição — cuidar e zelar pela vida de Quincas Borba, o cão. Publicado em 1881, Quincas Borba é o romance machadiano que melhor expõe os dilemas de personagens em uma sociedade de interesses em transição do século XIX para o XX. Ao narrar a transformação da pacata vida de Rubião em um herdeiro-capitalista que atrai os mais diversos tipos de interesseiros, encontrando no caminho o amor e a loucura, Machado constrói uma história na qual o leitor contemporâneo reconhece personas que perduram na sociedade brasileira até hoje. A edição publicada pela editora Antofágica é ilustrada por Samuel de Saboia, tem texto de apresentação de Emicida, notas de Rogério Fernandes dos Santos e textos de apoio de João César de Castro Rocha, Ana Paula Salviatti e Jeferson Tenório.
 
OBITUÁRIO
 
Morreu Bernardina da Silveira Pinheiro.
 
Bernardina da Silveira Pinheiro nasceu no Rio de Janeiro em 1922. Professora emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), seu convívio com a obra do escritor James Joyce começa com a atividade de leitura com os alunos de Letras e foi daqui que se formou um dos motivos que favoreceu seu mais importante trabalho: a tradução de Ulysses. Depois de Antônio Houaiss, se tornaria a principal versão brasileira do clássico, um trabalho que custou mais de sete anos de dedicação e valeu sua nomeação entre os finalistas do Prêmio Jabuti em 2006. Antes do principal livro do escritor irlandês traduziu Um retrato do artista quando jovem e, de Lawrence Sterne, Uma viagem sentimental através da França e da Itália. Bernardina morreu a 7 de outubro de 2021.

Morreu Ivo Barroso.

Ivo Barroso nasceu a 25 de dezembro de 1929 em Ervália, interior de Minas Gerais. Muda-se para o Rio de Janeiro em 1945, onde concluiu sua formação, constrói sua obra e sua vida. Formado em Direito e Letras, o interesse pela literatura se estabelece desde muito cedo quando se inicia no exercício da tradução; estes primeiros trabalhos e seus primeiros poemas começam a ser publicados no Jornal do Brasil, meio onde trabalhou com editor-adjunto. A relação com a mídia impressa será uma permanente no início de sua carreira: criou e dirigiu a revista Senhor e foi redator-chefe da revista portuguesa Seleções. Entre 1968 e 1970 residiu na Holanda, quando começa a traduzir os sonetos de Shakespeare; nos anos seguintes, entre 1973 e 1978, em Portugal, começa a traduzir toda a obra poética de Rimbaud, trabalho que lhe vale o Prêmio Jabuti uma década mais tarde. Entre 1983 e 1984 passou a viver na Inglaterra e se dedica a traduzir a poesia de T. S. Eliot. O feito coloca-o novamente entre os premiados como Jabuti (1992) e o Prêmio de Tradução da Academia Brasileira de Letras (2005). Depois da Inglaterra, morou na Suécia e na França. Na tradução, além das obras citadas, trouxe ao português Eugenio Montale, André Gide, André Breton, André Maulraux, Hermann Hesse, Georges Perec, Italo Calvino, Marguerite Yourcenar, Nikos Kazantzakis, Umberto Eco, entre outros. Na poesia publicou Nau dos náufragos (1982), Visitações de Alcipe (1991), e A caça virtual e outros poemas (2001); em 2017 passa a limpo alguns dos seus convívios mais marcantes em Breviário de afetos. Ivo Barroso morreu a 5 de outubro de 2021.
 
Morreu Fernando Echevarría.

Fernando Echevarría nasceu em Cabezón de la Sal, a 26 de fevereiro de 1929, Santander, Espanha. Filho de pai português, viaja e se estabelece em Portugal ainda aos dois anos; primeiro em Vila Nova de Gaia, depois Coimbra, Porto, Argel, Paris e, outra vez Porto, onde viveu até o dia 4 de outubro de 2021. Iniciou sua carreira literária com a publicação de Entre dois anjos, em 1956. Nos anos seguintes iniciou intensa atividade política e interventiva, atuando em frentes como o Movimento de Ação Revolucionária (1961), Frente Patriótica de Libertação Nacional (1963) e a Liga de Unidade e Ação Revolucionária, da qual foi um dos fundadores nos anos setenta. Deixou extensa obra poética, entre as quais, Tréguas para o amor (1958), Sobre as horas (1963), A base e o timbre (1974), Figuras (1987), Sobre os mortos (1991), Uso de penumbra (1995), Epifanias (2006) e In terra viventium (2011). Recebeu inúmeros prêmios, como o Grande Prêmio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1991 e 2010), o Prêmio Luís Miguel Nava e o Prêmio António Ramos Rosa (1999) e o Prêmio Sophia de Mello Breyner Andresen (2007).
 
DICAS DE LEITURA
 
1. O país da canela, de William Ospina. A obra do escritor colombiano é ainda uma novidade entre nós; o livro aqui recomendado é o seu primeiro romance publicado em 2017 com tradução de Eric Nepomuceno pela editora Mundaréu. Situada no século XVI, a narrativa recupera acontecimentos das primeiras explorações geográficas de descobrimento do Amazonas por conquistadores espanhóis; o livro se concentra na disputa entre Francisco de Orellana e Gonzalo Pizarro. Com este título Ospina recebeu, em 2009, o Prêmio Rómulo Gallegos. O livro está no Kit de novembro que será sorteado entre os apoiadores do Letras.
 
2. Acontecimentos na irrealidade imediata, de Max Blecher. A obra do escritor romeno é quase integralmente editada no Brasil, graças à tradução de Fernando Klabin. Este romance, aparece ainda no catálogo da Cosac Naify e uma daquelas pequenas joias da literatura. Narrado em primeira pessoa por um jovem que passa a limpo sua natureza de pouco à vontade no mundo, aqui ele busca investigar sob vários eventos de sua vida situados entre a infância e adolescência como se formou essa condição e quais efeitos se produziram a partir desses acontecimentos quase sempre movidos por questões afetivas, sejam as primeiras experiências amorosas e-ou sexuais e suas amizades.
 
3. Correio literário, de Wisława Szymborska. Algum reconhecimento da obra da poeta polonesa entre nós tem contribuído para a tradução e publicação dos seus textos mais reconhecidos e outros que revelam detalhes curiosos do seu trabalho com a literatura. A editora Âyiné, que já editou um singelo livro (recomendado aqui e noutras redes do Letras) com o trabalho da poeta com pequenos poemas e recortes de seus cartões de colagem, publica agora este livro que marca o período quando Szymborska atuou como correspondente no jornal Vida literária. Ela comandava uma seção de cartas em que escritores de vários recantos da Polônia enviavam para sua leitura e avaliação seus primeiros escritos. É possível dizer que também se aprende a descobrir os melhores caminhos na criação lendo aspirantes — bons ou muito ruins. Se não, ao menos encontramos outra maneira de olhar o valioso trabalho de uma das mais importantes poetas do século XX.
 
VÍDEOS, VERSOS E OUTRAS PROSAS
 
1. Neste sábado celebramos o dia do nascimento de Mário de Andrade, um dos nomes mais importantes do modernismo brasileiro. Nesta entrada no blog da Revista 7faces, você pode ler quatro poemas de seu livro mais conhecido, Pauliceia desvairada
 
2. Em setembro de 2021, a revista Quatro cinco um editou este texto de Silviano Santiago; uma leitura do crítico literário sobre o tema ou a presença da viagem na vida e obra de Mário de Andrade, considerando, entre outros textos do escritor, Pauliceia desvairada.

3. No último dia 8 de outubro, leitores da obra de José Saramago recordaram nas redes os 23 anos do anúncio do Prêmio Nobel de Literatura para o escritor português, o primeiro no seu país e na sua língua a receber o galardão. Entre, as recordações o vídeo de anúncio da Academia Sueca em 1998
 
BAÚ DE LETRAS
 
1. Esta semana editamos uma lista com os outros quatro escritores africanos que antecederam Abdulrazak Gurnah entre os ganhadores do Prêmio Nobel de Literatura. Alguns desses nomes já foram comentados aqui no blog ou tiveram livros resenhados: a) um breve perfil sobre a escritora sul-africana Nadine Gordimer; b) notas para um perfil sobre o escritor sul-africano J. M. Coetzee; c) resenha sobre Desonra, o principal romance de J. M. Coetzee.

2. Em maio de 2018, este blog publicou um texto que examina a vivência de Wisława Szymborska como conselheira dos aspirantes escritores em Vida literária. A post é acompanhada com um catálogo reunindo a tradução livre de alguns dos textos da poeta polonesa. Vale como aperitivo.

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