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Mostrando postagens de Agosto 14, 2008

Dois poemas de Pedro Fernandes

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Vulgada romântica

Ao martirológio dos suicidas me junto eu
Por drama por tolice estou
O infortúnio, a fatalidade dos desgraçados
Arraigam a pele, come a carne humana

Bate o coração morto-vivo num peito inerte
Dum homem abatido pelos seus ideais
Três ou quatro razões
Capazes de levar-me desse chão
Ao abandono voluntário da existência

Que resta de mim em essência
Tão poucas razões travadas num colóquio constante
Entre felicidade e infelicidade dum pobre diabo
Que raro adega a ter de voltar a cabeça
Ao estrondo seco dum tiro
Esmigalhando um crânio com prazo de validade corrido

A vida acabou-se num fialho de sangue
Desfez-se o homem audacioso e o homem paciente
Eles eram prova de qualquer coisa
Nomeadamente de um sentido:
A ausência dele



Poema em processo

como gotas d’água
que caem do teto de uma caverna
meio que, por acaso, no papel

na figura do poeta
prefiro fecundar-me e parir
em palavras, poemas

afinal poema é sentir
ainda por definir-se
e ser e causa

poema ainda traz a missão secreta
sei lá, dis…