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Mostrando postagens de Fevereiro, 2014

Pequenas rotinas, grandes mentes (Parte 1)

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Haruki Murakami numa parte de seus rituais diários. Acordar cedo, escrever, e correr. Picasso pedia a suas musas que, por gentileza, só o visitassem quando estivesse em seu atelier e trabalhando. Com manchas na camisa listrada e os pinceis preparados para aproveitar a inércia dessa coisa chamada inspiração. Porque por mais pura que se apresente a arte, dedicar-se a pintar, escrever, fazer canções ou fotografia têm muito da rotina, de hábito e obrigação imposta do artista para si próprio. “Sê monótono e ordenado em tua vida como um burguês para que possas ser violento e original em tua obra”, dizia Flaubert, por certo, todo um senhor burguês. William Burroughs tinha muito claro que estava obrigado a fazer uma mudança nesse trabalho raro: “O preço que um artista tem que pagar por fazer o que quer fazer é que tem que fazê-lo”. Mas, qual era a fórmula (se há) dos crânios privilegiados da História para convocar musas e pagar essa hipoteca? O jornalista Mason Currey tomado pela c

Gravidade, de Alfonso Cuarón

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É um filme feito pelo prazer de fazer um filme. E é por isto um filme quase perfeito, ainda que este termo seja um tanto perigoso de usá-lo depois de tantos anos de tradição cinematográfica. Mas, até chegar a esta constatação que bem poderia ser uma conclusão para este texto, é preciso dizer que elementos contribuem para o uso do termo. Antes, deixemos dito outra conclusão: Gravidade é um filme conceitual, mas sem se fechar nas fronteiras da arte em si. Se beneficia de toda uma série de recursos da longa tradição do cinema, mas sem se perder neles, usando, inclusive, da forma que tem se tornado moda desde Avatar , o 3D. Dá ao cinema em terceira dimensão, aliás, um rumo além do mero entretenimento com que alguns cineastas, talvez encantados demais com o aparato tecnológico, têm reduzido suas produções. Primeiro, o filme tem um enredo muito bem estruturado. Não permite brechas para divagações, suposições ou idealizações de fato. Embora não se beneficie do recurso deliberadame

Em busca de Miguel de Cervantes

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Miguel de Cervantes por José Balaca Quatro séculos depois de que Miguel de Cervantes Saavedra, grande da literatura universal, morreu na pobreza, sua figura volta a interessar às autoridades espanholas. Saiu autorização por parte da prefeitura de Madrid para iniciar a busca pelos restos mortais do escritor, enterrados possivelmente no Monastério de Trinitárias, no Bairro das Letras, em 23 de abril de 1616. Foram os trinitários quem fizeram o resgate do escritor num cativeiro em Argel; Cervantes ainda teria vivido algum tempo em Madrid, até sua morte, em casa. As buscas começam no subsolo da antiga igreja monacal com a contribuição de um georradar, um equipamento capaz de, a partir de ondas, encontrar ossadas subterrâneas e delimitar suas dimensões e em grande parte, o território onde elas se encontram depositadas. Desde 1870, a Real Academia Espanhola tem a certeza de que houve no local nove sepultamentos e alguns dos restos mortais correspondem aos de um homem adulto.

Um convite ao universo literário potiguar

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Por Thiago Gonzaga Canta tua aldeia e serás universal Tolstói É quase impraticável fazer uma lista de livros preferidos da nossa literatura, porque cada título que proclamamos aproxima outro e mais outro, principalmente quando o assunto é literatura do Rio Grande do Norte, vertente a que tenho grande apreço.  Porém eu não poderia fazer uma lista sem incluir a obra Salvados – Autores e Livros Norte-rio-grandenses , do escritor Manoel Onofre Júnior, lançada originalmente em 1982 pela Fundação José Augusto, com uma reedição em 2002 pelas Edições Sebo Vermelho, e agora em 2014 relançada em edição revista e ampliada. O livro  Salvados  não está entre os primeiros  volumes potiguares que li, mas ele foi decisivo para me tornar um pesquisador da literatura do Rio Grande do Norte. Salvados  é um livro de cabeceira, uma espécie de guia, de roteiro, para se conhecer um pouco sobre nossos autores e livros. São pequenos-grandes ensaios que nos induzem a apreciar um pouco

As crônicas marcianas, de Ray Bradbury

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por Pedro Fernandes  Grande parte dos leitores em língua portuguesa conhecem – ao menos de nome – um título que já virou clássico, Fahrenheit 451 , chegado ao Brasil pelo selo Biblioteca Azul, da Globo Livros. Agora, através deste mesmo selo e editora recebemos dois outros títulos, menos conhecidos do escritor estadunidense, mas igualmente importante para uma compreensão sobre sua obra e estilo: As crônicas marcianas e A cidade inteira dorme e outros contos . Aqui, comentaremos acerca do primeiro título e noutra ocasião voltaremos a falar sobre a obra de Bradbury a partir de seus contos. Se Fahrenheit 451 é considerado por grande parte da crítica como uma distopia da humanidade ou uma falência do projeto de civilização posto em construção desde o aparecimento da razão e cada vez mais difícil de sua concretização, pode-se dizer que As crônicas... é mais uma peça nesse processo de decadência da existência. Isso nos leva a pensar que o projeto literário de Bradbury não se c

Promoção Dia da Poesia

É verdade que o Letras in.verso e re.verso é um dos blogs que mais têm dado livros de poesia, mesmo não sendo este um espaço dedicado exclusivamente a ela. Se formos pelo histórico comprovaremos isto: o Poesia completa , do Paulo Leminski, por exemplo, já foi dado quatro vezes; já demos livros de Carlos Drummond de Andrade, Angélica de Freitas, Manoel de Barros, Ana Cristina Cesar, só para citar mais um tanto de outros nomes. Para o Dia da Poesia, aumentaremos essa lista de livros espalhados pelo Brasil. É fácil! Basta preencher o formulário e pronto ! Já está concorrendo! O sorteio será realizado no Dia Mundial da Poesia, 21 de março   Será realizado, o sorteio, no dia 22 de março! Às 19h  na página do Letras no Facebook . Serão dois ganhadores diferentes (a depender do número inscritos poderemos sortear até três títulos). Os ganhadores deverão entrar em contato com o Letras para saber dos trâmites de entrega dos brindes. A promoção só é válida para amigos do Brasil.

Boletim Letras 360º #53

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O jardim das delícias , de Hieronymous Bosch.   Na parte inferior da terceira parte (da esquerda para a direita) série de pinturas do holandês, pesquisadores deram com uma partitura musical. Saiba mais em nosso boletim. Aviso um: aproxima-se o Dia da Poesia. Breve colocaremos nossa nova promoção on-line. Estejam atentos aqui e em nossas redes sociais. Aviso dois: esperamos que sua visita aqui no blog se complete indicando-nos ao TOP BLOG 2013. Pode votar via Facebook e e-mail. Lembrando que a segunda opção só se concretiza se houver a confirmação do voto. É só clicar no banner que você vê à direita da tela. Aviso três: continuar a leitura destas notas que foram notícias em nossa página no Facebook durante a semana. Segunda-feira, 17/02 >>> Holanda: Os mistérios da arte Vasculhando detalhadamente a imensa floresta de signos na obra de Hieronymous Bosch estudiosos deram com uma partitura desenhada na bunda de um dos infelizes que é torturado no q

O que é a Literatura?, de Jean-Paul Sartre

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Por Rafael Kafka Edição brasileira de O que é a Literatura?  de Jean-Paul Sartre. Traduzida e publicada em 1993 pela Editora Ática, este texto-base para os estudos de teoria crítica da literatura, há muito que está esgotado no mercado brasileiro. O que é a Literatura? é o ensaio de crítica literária de Jean-Paul Sartre, escrito logo após o lançamento de seu grande clássico, O Ser e o Nada . Nesse pequeno livro que aborda o ato de escrever, muitos dos pressupostos utilizados no volumoso ensaio de ontologia fenomenológica são utilizados para se avaliar em quais condições são produzidas obras literárias em nossa sociedade. Foi mais uma tentativa, bem sucedida eu diria, de tornar os temas existencialistas mais facilmente aplicados na prática por meio de textos claros e concisos. Para se entender a obra sartreana, devemos nos ater ao conceito primordial de homem-em-situação. Para o existencialismo defendido por Sartre, o homem não é determinado pelo meio e nem está acim

Julio Cortázar e Carol Dunlop

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Carol Dunlop e Julio Cortázar “A outra vez que voltei a vê-lo, em Londres, com nova companheira, era outra pessoa. Havia deixado crescer o cabelo e tinha umas barbas ruivas e imponentes, de profeta bíblico. Me fez levá-lo a comprar revistas eróticas e falava de maconha, de mulheres, de revolução, como antes de jazz e de fantasmas (...) Tenho a suspeita de que teve uma vida mais intensa e, certamente, mais feliz que aquele de antes em que, como escreveu, a existência se resumia para ele num livro. Pelo menos, todas vezes que o vi, me pareceu jovem, exaltado, disposto”, escreveu Mario Vargas Llosa na introdução aos Cuentos completos de Julio Cortázar. Para o Prêmio Nobel peruano – amigo do escritor argentino – “o de antes”, era o Cortázar que não conhecia a sua última e “nova companheira”, a estadunidense Carol Dunlop, sobre quem pouco se sabe. Até agora. O canadense Tobin Dalrymple trabalha com o argentino Poll Pebe Pueyrredón no documentário Julio & Carol. Los explorado

Os caminhos de Isaías ou três voltas sobre o mesmo parafuso (Parte II)

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Por Alfredo Monte Postal com imagem da Ilha do Governador (detalhe) por volta do início de 1900.  “ ...  Isaías viverá uma experiência que, trazendo a nostalgia do mundo do desejo, dar-lhe-á força para cortar o laço demoníaco (tal libertação é provisória, a julgar pelas repetidas alusões ao coletor, seu chefe, no presente da narrativa, e com quem parece ter reproduzido dissimuladamente sua ligação com Loberant): Leda, a italiana, quer ir para um lugar “sem gente conhecida”, e o trio dirige-se à Ilha do Governador, onde começam a andar meio a esmo: “o doutor estava apreensivo, eu resignado e Leda contente, recordando talvez a sua infância de campônia”. 2. O espaço ...Sua experiência da multidão comportava os restos da iniquidade e dos milhares de encontrões que sofre o transeunte no tumulto de uma cidade e que só fazem manter tanto mais viva a sua autoconsciência... Walter Benjamin, Charles Baudelaire – Um lírico no auge do capitalismo Quando não há muita árvore e

As adaptações de obras literárias para o cinema em 2014

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Jake Gyllenhaal em Enemy , filme baseado no romance O homem duplicado , de José Saramago.  Desde o ano passado que – depois de percebermos a febre de adaptações de obras literárias para o cinema – ficamos de olho para lançamentos do gênero. Dentre os vários títulos disponíveis até o fim de 2014, destacamos alguns que, certamente valerão a pena assistir. Na lista estão adaptações de José Saramago, Agualusa, Charles Dickens, Tolkien, Zola, entre outros, que tal? Fevereiro 1. A menina que roubava livros Ainda está em cartaz em boa parte dos cinemas a adaptação do livro de Markus Zusak; a narrativa da jovem Liesel Meminger que atravessa as dificuldades da Segunda Guerra Mundial enquanto descobre os prazeres da literatura. 2. Frankenstein: entre anjos e demônios Outro título também ainda em cartaz. O filme é uma releitura do clássico de 1818 de Mary Shelley, Frankenstein . Agora o homem-monstro se vê em meio a uma guerra centenária intermitente entre dois clãs imortais