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Mostrando postagens de Novembro 10, 2017

Escritos nas margens

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Por Mireya Hernández



Quando Nelson Mandela estava preso na África do Sul, caiu em suas mãos um livro de Shakespeare que circulava entre os presos e anotou seu nome ao lado de uma passagem de Júlio César que diz: “Os covardes morrem muitas vezes antes de sua verdadeira morte”. 260 anos antes, na Bastilha, um jovem Voltaire estudava literatura e escrevia nas margens das obras que lia. Os dois tiveram mais sorte que Sir Walter Raleigh, que foi decapitado em Londres justamente depois de escrever uma declaração no livro que estava lendo. Em condições mais favoráveis, outros como Milton, Quevedo, Thomas Jefferson, Darwin, Jane Austen, William Blake, T. S. Eliot ou Northrop Frye, encontraram consolo ou liberdade nas bordas imaculadas das páginas.
Coleridge, um apontador compulsivo, chamou este hábito de marginalia. Os comentários do poeta inglês eram tão famosos que seus amigos lhe emprestava os seus livros só para recebê-los de volta integralmente marcados. Era um costume que já se praticav…