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Baudelaire no século XXI

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Por Andreu Jaume


No dia 31 de agosto de 1867 morreu em Paris Charles Baudelaire. Desde quando caiu na igreja de Saint-Loup de Namur, na Bélgica que tanto detestou, não havia recuperado a voz e só repetia “Non, crénom!”, uma contradição de “Sacré nom de Dieu”. Não era acaso, para quem havia vivido seu catolicismo com tanta seriedade, que sua última relação com a linguagem tenha sido uma blasfêmia, um resíduo do sagrado cuspido para a morte como última negação. Quando o poeta saiu do hospital religioso de Bruxelas onde foi tratado dos primeiros sintomas da afasia e da hemiplegia, as monjas agostinianas, escandalizadas por seu comportamento, benzeram o quarto da enfermaria. A mãe do poeta o levou para Paris, onde ingressou na clínica de hidroterapia do doutor Émile Duval. Aí recebeu visita de alguns amigos como Sainte-Beuve ou o fotógrafo Nadar e as mulheres do romancista Paul Meurice e do pintor Manet para tocar ao piano fragmentos de Tannhäuser. Quando morreu estava nos braços da mãe, …