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Mostrando postagens de Outubro 17, 2018

Contra o ensimesmamento: Montaigne e a escrita da leitura

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Por Guilherme Mazzafera


A palavra é metade de quem fala, metade de quem a escuta. Este deve se preparar para recebê-la, segundo o movimento que ela faz. Montaigne, “Sobre a experiência”
Meu encontro com Montaigne se deu em circunstâncias precisas. A seleta d’Os ensaios acumulava pó na estante há mil dias, comprada unicamente pelo encanto causado pela leitura, na faculdade, do ensaio sobre “Os canibais”. Livros comprados enfrentam sinas diversas: alguns são lidos antes de encontrar alojamento; outros, maturam-se por anos de espera e resignação. Ao saber da morte de meu avô, da iminência da viagem e dos dias difíceis que se seguiriam, coloquei-o na mochila e parti rumo a Minas Gerais. Sua leitura incutiu-me um sabor pessoal de descoberta.
Momentos profundos de perda instilam uma necessidade estranha de tudo repensar, em uma tênue linha contemplativa que avoeja da experiência íntima, individual da morte, ao conforto (ou terror) de um feraz reencontro, como fato inelutável da condition hu…