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Mostrando postagens de Janeiro 3, 2019

O que não há para se contar

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Por Guilherme Mazzafera


1. Onde morre um autor nasce um leitor. Essa máxima recém-elucubrada tem gosto de acicate. O autor abdica da criação para a passividade da leitura, como teria feito Philip Roth após Nêmesis? (Com certeza há algo nas gavetas, pronto para a rapinagem editorial). Ou falamos aqui de algo mais sutil, do desvelamento de algo constitutivo que permaneceu à sombra da formalização crítica por demasiado tempo? As invectivas ao leitor (ou ouvinte) não são necessariamente novas e o protagonismo intraficcional deste data ao menos de 1605, quando Miguel de Cervantes Saavedra escolheu um desloucado leitor como herói do que a crítica, ela mesma, convencionou mais tarde chamar de romance. Mas Miguel foi além: na segunda parte do livro, em 1615, os personagens que circundam aquele leitor são, também eles, leitores: leitores da primeira parte e mesmo daquela infausta continuação apócrifa de Avellaneda, de 1614. Onde morre um autor nasce um leitor: ao protagonismo do leitor, antepõe…