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Mostrando postagens de Janeiro 23, 2019

Da ternura

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Por Guilherme Mazzafera



Perdura a ternura? Ou esvai-se, oblíqua, no meneio do relâmpago?
Há pessoas que a perdem pelo caminho, sobrando, quem sabe, esmigalhado resíduo, como no rufião de Drummond. Seria ela, ternura, disposição anímica?
Terno: aquele que inspira afetos ou que porta, no corpo, uma tristeza esgarça, desvanecida?
Terno: vestimenta rígida, compulsória em casamentos e velórios, nos quais se vela a disposição pública de sentimentos. Rigor mortis aeternus.
Em verdade vos digo, sem ternos não haveria carpideiras. Suit up, diz obsessivamente um personagem de How I met your mother. Suit, verbo, traz em si o fole da adequação – juntas de bois em uníssono? –, mas, em outro, o clamor por justiça. É querela, contenda com o eternizado desencanto do mundo.
Ternura – Tenrura: simples inversão de sons, mas que enrola a língua, dizendo em volteios do que é fresco, viçoso, mas também delicado. A ternura, quando emerge, é tenra. Mas há algo de ter-ror em ten-ro, na maciez da carne jove…