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Mostrando postagens de Março 1, 2019

O pecado de Borges

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Por José Antonio Montano


Numa obra tão poderosa como a de Jorge Luis Borges, chama a atenção “O remorso”, um soneto enfático, patético, autocompassivo (qualidades que o escritor argentino detestava) e decididamente confessional:
Cometi o pior dos pecados Que um homem pode cometer. Não fui Feliz. Que os glaciares do esquecimento Me arrastem e me percam, desapiedados. Meus pais me engendraram para o jogo Arriscado e formoso da vida, Para a terra, a água, o ar, o fogo. Defraudei-os. Não fui feliz. Cumprida Não foi sua jovem vontade. Minha mente Se aplicou às simétricas porfias  Da arte, que entretece naderias.  Legaram-me coragem. Não fui valente. Não me abandona. Sempre está a meu lado A sombra de ter sido um desgraçado.

O poema pertence ao livro La moneda de hierro, de 1976. Foi publicado pela primeira vez no jornal La Nación, de Buenos Aires, no dia 21 de setembro de 1975. Segundo disse o próprio poeta a Joaquín Soler Serrano numa entrevista de A fondo,de 1980, o soneto foi escrito q…