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Mostrando postagens de Agosto 14, 2020

O eu que não somos e o desejo que não conhecemos

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Por Rafael Kafka 


Decidi ler Lacan por questões de saúde mental. Optei há algumas semanas em iniciar o processo de análise para cuidar de algumas questões emocionais que muito me afligem há anos. Recomendado por um amigo, decidi tentar e ao mesmo tempo iniciei o seminário que fala da questão do eu dentro da teoria psicanalítica. A frase mais célebre desse texto é sem dúvida alguma simples e profunda: “o eu é o outro”.
Temos a ilusão de vivermos em uma personalidade precisa e fechada em seus moldes cristalizados. Contemplamos nosso ser como um objeto que se apresenta a si como opaco, bem definido e nossa personalidade é um discurso que permeia cada uma de nossas ações. Nesse sentido, presos ao ideal cartesiano, separamos nossa percepção do eu do objeto contemplado e vivemos na paz nadificadora que reafirma que somos seres fechados vivos enquanto o outro está delimitado em todas as suas características determinadas.
O caminho da liberdade, para falar como Sartre, perpassa pela ideia de…