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Mostrando postagens de Dezembro, 2007

Mensagem de Natal?

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Bom, às vesperas da data que instituimos para comemorar o nascimento daquele que foi o grande e o mais mal interpretado filósofo, assim posso dizer, só resta desejar a todos os meus amigos tudo de bom; que não nos preocupemos com presentes materiais como muitos fazem nessa época de capital desenfreado... Desejo esse feliz natal não apenas aos amigos, mas também àqueles que sem nada o que fazer na net esbarram por aqui e acabam de uma forma ou de outra fazendo com que este blog aqui permaneça. Não entro em recesso... só fico um pouco mais lento nas postagens, mas paciência; as coisas estão mesmo corridas e, por mais que tentemos não aderir a esse desenfreado mundo que vivemos ainda assim ele nos arrasta.

Cora Coralina, de Goiás

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Por Carlos Drummond de Andrade



Este nome não inventei, existe mesmo, é de uma mulher que vive em Goiás: Cora Coralina.
Cora Coralina, tão gostoso pronunciar esse nome, que começa aberto em rosa e depois desliza pelas entranhas do mar, surdinando música de sereias antigas e de Dona Janaína moderna.
Cora Coralina, para mim a pessoa mais importante de Goiás. Mais do que o Governador, as excelências parlamentares, os homens ricos e influentes do Estado. Entretanto, uma velhinha sem posses, rica apenas de sua poesia, de sua invenção, e identificada com a vida como é por exemplo, uma estrada.
Na estrada que é Cora Coralina passam o Brasil velho e o atual, passam as crianças e os miseráveis de hoje. O verso é simples, mas abrange a realidade vária. Escutemos:
“Vive dentro de mim/ uma cabocla velha/ de mau olhado,/ acocorada ao pé do borralho, olhando pra o fogo”. “Vive dentro de mim/ a lavadeira do rio vermelho. Seu cheiro gostoso dágua e sabão”. “Vive dentro de mim/ a mulher cozinheira. Pim…

O evangelho segundo Jesus Cristo, de José Saramago

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Se tem uma coisa que tem intrigado muita gente que ainda se vê enfiada nos cânones religiosos, principalmente o cristão, é mexer com o sagrado; lembro-me bem de um congresso que fui neste ano e falei sobre as personagens Deus e o Diabo dessa obra-prima da literatura que é O Evangelho segundo Jesus Cristo, de José Saramago, e um senhor da platéia que assistiu aos meus quinze mirrados minutos de apresentação... Saramago só não recebeu o nome de Deus noutras conversas rápidas que tive com ele, depois, no alojamento... Mas oh, tem uma coisa, cá pra nós, O Evangelho deveria mesmo ser pregado nas homilias e cultos religiosos cristãos porque nunca li (e olha que já li os quatro da Sagrada Escritura) obra com real beleza e proximidade à figura do Cristo tão exorcizada do discurso religioso cristão.
O livro O Evangelho segundo Jesus Cristo do escritor português José Saramago é uma experiência literária imperdível. Publicado em 1991, o livro tornou-se um dos mais polêmicos da carreira do escri…

Joseph Conrad. As raízes do humano

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Por Vargas Llosa





1. O Congo De Leopardo II
Em uma viagem de avião, o historiador Adam Hochschild encontrou uma citação de Mark Twain, na qual o autor de As aventuras de Huckleberry Finn assegurava que o regime imposto por Leopoldo II, rei dos belgas que morreu em 1909, ao Estado Livre do Congo (1885 a 1906), forjado por ele, havia exterminado entre cinco e oito milhões de nativos. Mordido pela curiosidade e por um certo espanto, ele iniciou uma investigação que, muitos anos depois, culminaria no livro O fantasma do rei Leopoldo, notável documento sobre a crueldade e a cobiça que impulsionaram a aventura colonial européia na África, e cujos dados e comprovações enriquecem extraordinariamente a leitura da obra-prima de Joseph Conrad, O coração das trevas, que se passa naquelas paragens justamente na época em que a Companhia Belga, de Leopoldo II — que deveria figurar, junto a Hitler e a Stálin, como um dos criminosos políticos mais sanguinários do século XX — perpetrava seus piores desvar…

Manuel Antônio de Almeida

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A obra de Manuel Antônio de Almeida está circunscrita no período que a histografia literária tem concebido como Romantismo. Acontece que, como é recorrente em quase (para não dizer em todas) as épocas literárias que importamos dos moldes europeus para uma compreensão sobre a formação de nosso cânone, a filiação é um pouco degenerada. E os motivos são vários: desde sempre, os criadores, mesmo aqueles ainda extremamente apegados à dicção europeia, acabaram por imprimir traços únicos e variáveis só possíveis de adquiridos pela vivência num contexto como o nosso.
Acontece que, no caso do autor de Memórias de um sargento de milícias, essa diferenciação fica ainda mais evidente. E, para isso terá contribuído um dos preceitos fundamentais da estética à qual filiam: a prevalência da individualidade e da liberdade criativas. É claro que o leitor encontrará na obra desse escritor estreita relação com os modos de ver de outros escritores europeus anteriores: o interesse pela história e pela sit…

Myriam Coeli

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Entre sombra e pedra desfolhada rosa solitário espinho que, alado e mudo, perpassa o tempo. (O tempo do tempo que tempo já era).
Myriam Coeli
É uma escritora potiguar de fundamental importância ao cenário da literatura do Rio Grande do Norte. Nascida em Manaus, em 19 de novembro de 1926, foi trazida ainda criança para São José do Mipibu, cidade interiorana do estado. 
Estudou em Natal e no Recife; e fez os estudos finais em Espanha onde diplomou-se pela Escola Oficial de Jornalismo de Madrid. Com isso foi a primeira profissional mulher no jornalismo a ocupar o devido lugar trabalhando em jornais como Diário de Natal, Tribuna do Norte e A República.




Publicou sua primeira obra em 1961: Imagem virtual, escrito em parceria com o seu marido Celso da Silveira; em 1980, saía do prelo o segundo título, Vivência sobre vivência e Cantigas de Amigo (1981), este último o mais conhecido e o terceiro, Inventário.

Morreu em 1982, vítima de um câncer.

Crítica em torno de sua obra

O universo poético de Myriam Coel…

O “show” de Truman

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Por Maruja Torres

Truman Capote foi um dos melhores escritores de sua geração; alguém dotado de ouvido infalível para captar a musicalidade da língua inglesa e para reproduzir a fala do seu povo. Soma-se a isso a magistral habilidade com que mistura o obscuro e o poético, a angústia que serpenteia sob as águas mansas e ainda a grandiosidade descritiva da sua prosa. Era um gênio, como ele mesmo próprio se classificou (a modéstia não foi seu forte), depois de alardear que também era alcoólatra e drogado. Mas estas duas características nem sempre estiveram nele, embora sim a pulsão com que acabaria por se entregar a tais vícios a fim de suprir o medo de ser abandonado, que começou em sua terrível infância e não o deixou até o fim da vida.
Na verdade, Capote, que nasceu em Nova Orleans em 1924 e morreu em agosto de 1984 de lenta e repentina overdose de licores e fármacos, veio a este mundo com o sobrenome Pearsons. Com um dom e muitas missões. Passou a maior parte de sua infância em Monr…

Rememorando Auta de Souza

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Por Pedro Fernandes




Que tempo estive não sei!
Do mundo inteiro distante,
O jardim naquele instante,
Foi a terra que eu amei.

(fragmento do poema Goivos, Auta de Souza)

Há 106 anos, no dia 7 de fevereiro, falecia, vítima da dama branca – assim era como chamavam a tuberculose – a poetisa potiguar Auta de Souza. Filha de Eloy Castriciano de Souza e Henriqueta Leopoldina de Souza e irmã de dois políticos intelectuais, Henrique Castriciano e Eloy de Souza, Auta nasceu em Macaíba em 12 de setembro de 1876; tinha então exatos 24 anos quando da sua morte. Falando em morte, essa foi fiel em torno de sua existência, uma vez que sua mãe morre quando ainda só tinha três anos e seu pai quando tinha cinco anos de idade, levando-a de Macaíba, sua terra natal, para morar com seus avós maternos, em Recife, sendo que, seu avô havia falecido também no mesmo ano em que o pai morrera, 1882. Ainda mais tarde outra vez ela, a morte, vem marcar-lhe sua vida e talvez essa marca ela tenha carregado consigo durante t…

Rádio-documentário sobre Auta de Souza

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Na próxima segunda-feira, dia 10 de dezembro, será apresentado o rádio-documentário À Sombra do Horto aos ouvintes da Rádio Universitária da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. O trabalho que cumpre o resgate da memória sobre a poeta potiguar trata-se do projeto de conclusão do curso de Lady Dayana Silva de Oliveira, do Curso de Comunicação. A apresentação terá uma recepção a partir das 17h, no Auditório do Laboratório de Comunicação da UFRN-LABCOM, prédio por trás da Superintendência de Comunicação.
O rádio-documentário À Sombra do Horto é o primeiro da série intitulada Filhos da Terra, com o objetivo de resgatar a história de personagens ilustres do estado e começa pela cidade de Macaíba com Auta de Souza, um dos nomes da poesia potiguar.

Com duração média de 13 minutos, o programa conta com a participação de professores, pesquisadores, músicos e poetas, que relatam fatos sobre a vida e obra da poeta, narrando de uma forma dinâmica e emocionante a história da poeta que con…

Manuel Bandeira

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Auto-retrato

Provinciano que nunca soube
Escolher bem uma gravata;
Pernambucano a quem repugna
A faca do pernambucano;
Poeta ruim que na arte da prosa
Envelheceu na infância da arte,
E até mesmo escrevendo crônicas
Ficou cronista de província;
Arquiteto falhado, músico
Falhado (engoliu um dia
Um piano, mas o teclado
Ficou de fora); sem família,
Religião ou filosofia;
Mal tendo a inquietação de espírito
Que vem do sobrenatural,
E em matéria de profissão
Um tísico profissional.
É quase impossível negar que não conheça a expressão Vou-me embora pra Pasárgada. Ela está entre outras do gênero, como E agora, José? Talvez isso fosse o suficiente para dizer da consagração de Manuel Bandeira. Mas não é. Assim como também não é apenas relembrá-lo como uma das figuras mais importantes no interior do Modernismo brasileiro. É  preciso dizer, entretanto, antecipadamente, que aquela expressão vale por toda obra do poeta porque foi esta, título de um poema, que lhe valeu boa parte do reconhecimento a…