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Mostrando postagens de Maio 5, 2009

Algumas reflexões acerca dos momentos pós-permanentes trágicos da sociedade brasileira - Momento II: A redução da maioridade penal

Por Pedro Fernandes O alarido provocado pelo sensacionalismo midiático em torno da morte do garoto João Hélio foi tamanho que, logo em seguida, a sociedade brasileira acordou com outra discussão: a redução da maioridade penal. Não sei o porquê. Não haveria nenhum momento para essa discussão pós o fato João Hélio porque ao que me consta não havia nenhum menor no volante do carro envolvido na tragédia, apenas um jovem de dezessete anos no banco traseiro. O fato é que a carência por assuntos do tipo "sensacionalista", e esse pode se tornar se não discuti-lo com cautela, fez com que a mídia focalizasse no lado mais fraco dos envolvidos no assassinato, o menor. Falar em redução da maioridade penal no Brasil é algo que foge completamente da racionalidade nossa. O sistema penal brasileiro é bom; parece-me, pelo pouco conhecimento que tenho acerca, avançado em várias questões. O foco que deveríamos estar preocupados agora em discutir abertamente não seria reduzir para

A Caverna, de José Saramago

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Por Pedro Fernandes O escritor José Saramago no lançamento de A caverna no Brasil, em 2000.  A caverna foi publicado em 2000. Vem, portanto, cercado pelo O homem duplicado (2002) e Todos os nomes (1997). É novamente um romance cuja narrativa traz o que a crítica literária tem chamado de fase da escrita que se volta para as questões em derredor do homem e do mundo contemporâneo, uma realidade fugidia, conforme bem assinalou o Comitê do Prêmio Nobel em 1998, quando da comunicação do prêmio ao escritor. Trata-se do romance mais mal-quisto pela crítica. Esse livro e aquele outro de poemas, O ano de 1993 (1975). O que, a meu ver, conjuga-se como um grande equívoco. Todo escritor, é verdade, tem seus momentos mais felizes  de criação e outros nem tanto; se a crítica quer-lhe mal é problema da crítica; sou dos que acreditam que o trabalho do criador deva ser respeitado e os problemas que existirem sobre a obra não sirvam de rebaixamento da sua figura. No itinerário de leitura a