Um convite ao universo literário potiguar


Por Thiago Gonzaga



Canta tua aldeia e serás universal
Tolstói

É quase impraticável fazer uma lista de livros preferidos da nossa literatura, porque cada título que proclamamos aproxima outro e mais outro, principalmente quando o assunto é literatura do Rio Grande do Norte, vertente a que tenho grande apreço.  Porém eu não poderia fazer uma lista sem incluir a obra Salvados – Autores e Livros Norte-rio-grandenses, do escritor Manoel Onofre Júnior, lançada originalmente em 1982 pela Fundação José Augusto, com uma reedição em 2002 pelas Edições Sebo Vermelho, e agora em 2014 relançada em edição revista e ampliada.

O livro  Salvados não está entre os primeiros  volumes potiguares que li, mas ele foi decisivo para me tornar um pesquisador da literatura do Rio Grande do Norte.

Salvados é um livro de cabeceira, uma espécie de guia, de roteiro, para se conhecer um pouco sobre nossos autores e livros. São pequenos-grandes ensaios que nos induzem a apreciar um pouco da nossa história literária, dos  primeiros passos até uma experiência de atualização , com citações de alguns dos principais  nomes da literatura contemporânea do Rio Grande do Norte.                   

Salvados é daqueles livros pioneiros, únicos do seu tempo, um clássico local, divisor de águas. Um livro escrito originalmente há mais de trinta anos, mas que permanece atual. Começamos o século 21 com  a literatura potiguar  sendo reconhecida (mesmo a passos curtos) nos meios acadêmicos, entrando definitivamente na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, chegando ao ponto de ser alçada como disciplina curricular nos cursos de Letras , além de ter autores  sendo estudados no Mestrado e numa Pós-Graduação dedicada a obras e autores locais. E é nesses momentos que se encaixa perfeitamente a utilidade da obra de Manoel Onofre Jr. Além da importância de levar o conhecimento de geração a geração, Salvados tem uma relevância fundamental na disseminação da literatura potiguar para a nova geração, que parece querer finalmente cantar a sua aldeia.

Aí a possibilidade de obras futuras, diversificadas e mais extensas, sobre o assunto, em que o livro Salvados  foi um dos precursores. Ao proporcionar uma visão mais ampla  da literatura local e oferecer um norte, um percurso ao leitor, Salvados pretende dar sua contribuição  à formação de novas gerações interessadas em conhecer nossas obras e autores. É o acesso a esse conhecimento que possibilita ao indivíduo o crescimento tanto intelectual quanto humano. Salvados pode ser considerado talvez até um pequeno passo para um escritor local, mas é sem dúvidas um grande passo para a literatura potiguar.

***

Thiago Gonzaga é colunista no Letras in.verso e re.verso. Nasceu em Natal, é graduado em Letras e especialista em Literatura Potiguar pela UFRN. Autor dos livros Nei Leandro de Castro 50: anos de atividades literárias e Literatura Etc. Conversas com Manoel Onofre Jr. Dentre os vários trabalhos inéditos que possui destacam-se Novos Contistas Potiguares e Personalidades Literárias do RN. Como pesquisador da literatura do estado criou o Blog 101 livros do RN (que você precisa ler), com interesse por autores e livros locais sob diversos aspectos.

Comentários

Maria Aparecida disse…
Tenho uma edição antiga desse livro e recomendo. Muito boa a noticia.

Postagens mais visitadas deste blog

Uma pedra no caminho para a modernidade: o projeto drummondiano de humanizar o Brasil

Os melhores diários de escritores

A partir de quando alguém que escreve se converte num escritor?

Escritos nas margens

A relevância atual de Memórias do cárcere, de Graciliano Ramos

Cecília Meireles: transcendência, musicalidade e transparência

José Saramago e Jorge Amado. A arte da amizade

História da menina perdida, de Elena Ferrante

O túmulo de Oscar Wilde

Angela Carter, a primazia de subverter