Boletim Letras 360º #319


No último dia 13 de abril sorteamos um exemplar de Sagarana, de João Guimarães Rosa, em novíssima edição pela Global Editora. O livro já está a caminho de um leitor do Letras in.verso e re.verso de Curitiba. Terá mais do escritor mineiro, em breve, no nosso Instagram. Bom, e nesta semana, especificamente, tivemos o privilégio de receber mais dois novos colunistas para compor o blog Letras in.verso e re.verso: Beatriz Martins e Davi Lopes Villaça. Não deixem de passar a acompanhá-los. Recadinhos apresentados, vamos às notícias que fizeram o mural do blog no Facebook.

Julio Cortázar em Zabriskie Point (1976). Postal que o escritor enviou ao cineasta Antonioni. Arquivo EYE Film Museum Amsterdam. 
A nova edição brasileira de O jogo da amarelinha já está disponível.


Segunda-feira, 15 de abril

Uma releitura de 1984, para a HQ.

Em 2020 passam-se sete décadas sobre a morte de George Orwell. Passa assinalar a data, a Companhia das Letras prepara uma adaptação em HQ de um dos romances mais conhecidos do escritor britânico e também um dos mais vendidos da casa. A ideia segue a mesma lógica da que tem sido um sucesso recente na editora: a da adaptação de A revolução dos bichos, outro título de Orwell para o mesmo formato textual realizada por Odyr. Quem trabalha na produção da releitura de 1984 é Fido Nesti, já revendida para Espanha e Estados Unidos. No próximo ano, a mesma casa pensa em edições especiais desse romance e de A revolução. Orwell cai em domínio público em 2021.

A coleção “Reserva Literária”, produto da editora Com-Arte, publica novo título: o primeiro livro de Mário de Andrade.

Primeiro andar é uma coletânea de contos de Mário de Andrade. Foi, na verdade com este livro que o escritor fez sua estreia literária em 1926; uma edição realizada pela Casa Editora Antônio Tisi e que teve edições em volumes acompanhados de outros textos, como em Obra imatura. A nova edição deste livro de Mário de Andrade corresponde ao sexto volume da coleção Reserva Literária e a terceira em que o livro sai no formato independente. Para ela, o texto foi estabelecido com o rigor metodológico da crítica textual, com o objetivo de restituí-lo à forma original. Além disso, foram incluídas notas explicativas sobre o léxico e as referências culturais utilizadas, visando auxiliar a leitura e manter o respeito ao original. Jean-Pierre Chauvin e José de Paula Ramos Jr. observam que, nestes contos, Mário de Andrade mobiliza diversos temas, flexibiliza regras gramaticais e dilui as fronteiras entre os gêneros literários, com o que surpreende as expectativas do leitor e concentra ingredientes que caracterizam o caráter experimental de sua obra. Para este ano, a editora espera imprimir outros títulos da coleção que já estão prontos ou em preparação: Badu, de Arnaldo Tabayáas, Totônio Pacheco, de João Alphonsus – filho do poeta Alphonsus de Guimarães, Vida e aventura de Pedro Malasarte, de José Vieira, e Treva (1906), de Coelho Neto. A coleção tem trabalhado na reedição de textos da literatura brasileira que tiveram repercussão quando apresentados pela primeira vez, mas que há muito estão fora de circulação.

Terça-feira, 16 de abril

Um novo livro de Francisco José Viegas no Brasil.

O que une um cadáver encontrado nos bosques que rodeiam o belo Palace do Vidago, em Portugal, e um homicídio no cenário deslumbrante do Douro? O que une ambos os crimes às recordações tumultuosas dos acontecimentos de maio de 1977 em Angola? Jaime Ramos, o detetive dos anteriores romances de Francisco José Viegas, regressa para uma nova investigação onde reencontra a sua própria biografia, as recordações do seu passado na guerra colonial ― e uma personagem que o persegue como uma sombra, um português repartido por todos os continentes e cuja identidade se mistura com o da memória portuguesa do último século. O mar em Casablanca marca um retorno do escritor português às livrarias brasileiras; o livro sai pela Editora Gryphus.

Pela primeira vez no Brasil, a obra da poeta alemã Uljana Wolf.

O primeiro livro publicado por Uljana Wolf, Kochanie ich habe Brot gekauft, em 2005, já lhe rendeu dois importantes prêmios literários. Quatro anos depois, a poeta apresentou Falsche Freunde, livro que joga com os limites dos falsos cognatos entre alemão e inglês; em 2012, lançou com o poeta estadunidense Christian Hawkey um experimento chamado Sonne von Ort, realizado a partir de poemas por agamento de Sonnets from the Portuguese, de Elizabeth Barret Browning, e também de sua tradução alemã por Rainer Maria Rilke. Seu último livro, Meine schönste Lengevitch, foi publicado em 2013. Toda sua obra está tensionada entre os limites da própria língua e da linguagem. Nessa poética, entram os mal-entendidos, os ruídos dos sotaques, as dublagens, as legendas de filmes, os formulários de alfândega etc., tudo perturba o sentimento de uma língua pura, isolada, nacional. A antologia Nosso amor de trincheira. Nosso trânsito de fronteira sai pela Editora Moinhos com tradução e seleção de Guilherme Gontijo Flores e Ricardo Pozzo.

Quarta-feira, 17 de abril

O segundo volume dos diários de Emilio Renzi, alter ego de Ricardo Piglia, oferece uma jornada inteligente e cheia de anedotas sobre a literatura latino-americana das décadas de 1960 e 1970.

Em Anos felizes, Ricardo Piglia escreve sobre o período de 1968 a 1975. Se no volume anterior, Anos 
de formação, assistimos aos primeiros e decisivos passos do escritor iniciante, aqui sua carreira já se desenvolve a pleno vapor no mundo da literatura argentina, com a direção de uma revista, trabalhos editoriais, artigos, cursos e conferências. Renzi torna-se "Piglia", dublê de intelectual que passa a ganhar cada vez mais importância. Nestas páginas envolventes, repletas de insights e muito brilho, a obsessão de Piglia pela literatura materializa-se em ideias e esboços de histórias e romances, leituras, encontros com escritores consagrados ― Borges, Puig, Roa Bastos e muitos outros ― e colegas de geração. Também são especiais as inúmeras reflexões sobre a escrita e a respeito do trabalho de autores clássicos e romancistas. E ainda aparecem as viagens, a vida íntima e amorosa, a Argentina daqueles anos convulsivos: a morte de Perón, o surgimento dos grupos guerrilheiros, o golpe militar que esfacelaria o mundo intelectual de Buenos Aires. A tradução de Sergio Molina sai pela Todavia.

Uma surpreendente história de três gerações ― avó, mãe e filho ― de ursos-polares, cobrindo boa parte do século XX e os eventos que moldaram o mundo do nosso tempo. Um romance com ecos de Kafka.

Em 2006, um urso-polar bebê chamado Knut foi rejeitado por sua mãe e criado por um tratador do zoológico de Berlim, na Alemanha ― tudo isso sob os holofotes vorazes da mídia global. Aturdidos, os fãs do pequeno animal se perguntavam como um ser tão fofo poderia ter sido motivo de desdém materno. Entre tantas pessoas perplexas com o desenrolar da história estava Yoko Tawada, uma escritora japonesa radicada naquele país desde 1982. Atualizando as fábulas de Esopo e La Fontaine, Tawada dá voz primeiro à avó, nascida na União Soviética que, depois de escrever suas memórias que se convertem em Best-Seller, se exila no Canadá. Sua filha, Toska, uma dançarina circense, instala-se na Alemanha Oriental, e Knut, o neto, nasce no zoológico de Berlim, tornando-se uma estrela midiática. E são essas três gerações de escritores e artistas de talento, estrelas no mundo literário, no circo e no zoológico, que apresentam estas Memórias de um urso-polar, um dos livros mais inventivos e tocantes dos últimos anos. Uma história que, embora protagonizada por animais dotados de patas e garras afiadas, revela como nós, humanos, nos comunicamos com nossos próprios sentimentos em meio aos eventos da história do século XX. Memórias de um urso polar é um romance que é tão estranho quanto encantador, tão envolvente quanto iluminado pela inteligência penetrante e peculiar de Yoko Tawada. A tradução é de Lucia Collischonn de Abreu e Gerson Roberto Neumann; a edição da Todavia.

Testemunho do maior nome vivo da literatura alemã sobre um momento complexo e pouco compreendido da história recente.

Em Tumulto, Enzensberger oferece suas memórias dos anos 1960, época cuja agitação política prenunciava uma revolução não só nos regimes de governo, mas também na cultura de diversos países. Da literatura à política, da história à sociologia, o autor narra experiências vividas no circuito da oficialidade militante, em que o seu olhar preciso e irônico revela as contradições entre utopia e autoritarismo que marcaram o espírito daquele tempo. A tradução é de Sonali Bertuol e edição da Todavia.

Caixa reúne seleção de histórias do Sitio do Pica-pau Amarelo, de Monteiro Lobato.

O escritor que revolucionou a literatura para crianças. Sua obra, repleta de imaginação, humor e aventura, é fonte de inspiração e encantamento para leitores de todas as idades. Esta coletânea, organizada pela escritora Luciana Sandroni, reúne histórias originalmente publicadas em oito livros. Com ilustrações em aquarela de Lelis, conta também com uma apresentação, um glossário e uma cronologia da vida do autor, para que essa viagem ao mundo de Lobato seja ainda mais completa e prazerosa. São dois volumes assim divididos: no primeiro, Reinações de Narizinho; O Saci e Viagem ao céu; no segundo, Caçadas de Pedrinho, Memórias da Emília, A reforma da natureza, Os 12 trabalhos de Hércules e Histórias diversas. A edição é da Editora Nova Fronteira.

Os primeiros excertos do romance mais importante de Gabriel García Márquez datam de quando quis ser correspondente em Madri.

Quando o jovem jornalista precisou deixar seu país natal em 1955 por perseguição da ditadura iniciou um périplo pela Europa. Genebra, Roma, Paris e, Madri, outra cidade tomada pela ditadura. E pediu ao El Espectador, no mesmo ano, para ficar aí com correspondente. Parece contraditório, mas os documentos revelam o interesse do escritor: são as cartas que manteve durante anos com o escritor Guillermo Cano e agora sob guarda do Harry Ransom Center, nos EEUU. As cartas revelam uma parte importante da vida do escritor – sobre suas penúrias econômicas em Paris ou as reportagens que escreveu naqueles anos para suprir suas necessidades básicas. Mas, as partes mais importantes desta pequena parte do extenso arquivo do escritor, são as revelam o seu trabalho num livro chamado Cem anos de solidão; além de trazer informações sobre, carrega um excertos do que poderia dar num romance – excertos como o que foi publicado em El Espectador em 1966 e outros sete distribuídos em diferentes meios da América Latina, do Norte e Europa. Esses documentos ainda inéditos integram a exposição "Gabriel García Márquez, a criação de um escritor global", que será aberta a partir de fevereiro de 2020 no Harry Ransom.

Quinta-feira, 18 de abril

Livro traz a primeira tradução completa de todos os epinícios e de todos os fragmentos de Píndaro.

Aqui está a obra do maior poeta mélico (isto é, um poeta que compôs poemas para ser cantados, seja por um coro, seja por um único cantor) da Antiguidade. Estamos tentando cobrir aqui uma lacuna enorme na tradição dos Estudos Clássicos em Língua Portuguesa. Píndaro foi o mais importante poeta mélico da Antiguidade Clássica. Ele compôs em variados gêneros, mas notabilizou-se por causa de seus epinícios, canções compostas para celebrar a vitória de um competidor num dos quatro grandes jogos da Grécia Antiga: os Jogos Olímpicos (em Olímpia), os Jogos Píticos (em Delfos), os Ístimicos (no Ístmo, perto de Corinto) e os Jogos Nemeicos (em Nemeia). Nesses poemas o poeta garante que a vitória do vencedor será imortalizada através da canção. Desse modo, os poemas de Píndaro tiveram uma função determinante dentro da cultura grega da época, ou seja, garantir que seu patrono tivesse glória imorredoura. Além disso, Píndaro também compôs partênios (canções cantadas por um grupo de moças que ainda não eram casadas e, por isso, virgens), encômios (poemas cantados em banquetes para louvar o patrono do poeta), ditirambos (hinos em homenagem a Dioniso), peãs (hinos em homenagem a Apolo), hinos a vários deuses, entre outros tipos de canção. Isso mostra que Píndaro foi versátil e soube adaptar seu talento a diferentes ocasiões e para diferentes públicos. A tradução de Epinícios e fragmentos é de Roosevelt Rocha, pesquisador que tem realizado traduções de poetas mélicos, como Álcman e Báquilides, e trágicos, como Ésquilo e Eurípides. A edição da Kotter Editorial.

Sexta-feira, 19 de abril

Disponibilizada pré-venda da nova edição de O jogo da amarelinha, de Julio Cortázar.

Tão radical quanto inclassificável, a obra-prima de Julio Cortázar mudou para sempre a história da literatura ― e chega agora em nova edição ao leitor brasileiro. "A verdade, a triste ou bela verdade, é que cada vez gosto menos de romances, da arte romanesca tal como é praticada nestes tempos. O que estou escrevendo agora será (se algum dia eu terminar) algo assim como um antirromance, uma tentativa de romper os moldes em que esse gênero está petrificado", escreveu Julio Cortázar numa carta de 1959, quando iniciava a escrita do que viria a ser O jogo da amarelinha. Publicado em 1963, o relato de amor entre um intelectual argentino no exílio, Horacio Oliveira, e uma misteriosa uruguaia, a Maga, ao acaso das ruas e das pontes de Paris, é um marco da literatura do século XX. A nova edição brasileira traz uma seleção de cartas do autor sobre a escrita e a recepção de O jogo da amarelinha, tradução de Eric Nepomuceno, projeto gráfico de Richard McGuire e textos de Haroldo de Campos, Mario Vargas Llosa, Julio Ortega e Davi Arrigucci Jr. (como já havíamos noticiado por aqui).

A correspondência entre Yasunari Kawabata e Yukio Mishima.

Yasunari Kawabata, Prêmio Nobel de Literatura em 1968, é um dos responsáveis pela universalização da literatura japonesa moderna. O enfant terrible Yukio Mishima, um dos mais exuberantes e profundos artistas do século XX, também. De fato, a produção literária de Kawabata e de Mishima, seus ecos e influências (diretos ou não), são responsáveis pela formação de certo imaginário ocidental sobre o Japão: ritual, erotismo, elegância; a neve – Kawabata – e o sangue – Mishima. O volume Kawabata-Mishima. Correspondência (1945-1970) reúne as cartas trocadas entre os dois, desde que Mishima (que ainda assinava com o nome de batismo Kimitake Hiraoka) se aproxima pela primeira vez do "mestre" Kawabata, já uma figura influente do meio literário japonês. O leitor segue então o diálogo que vai se desenrolando: a partir de assuntos cotidianos, comentários sobre a cultura japonesa, reflexões artísticas e muitos pedidos de Mishima para que Kawabata "não deixe de cuidar de sua saúde", a tímida admiração mútua se torna uma amizade franca e intensa. As mensagens permitem acompanhar os acontecimentos históricos – como a ocupação estadunidense do Japão após a Segunda Guerra ou a Olimpíada de 1964 em Tóquio – bem como a ascensão dos dois ao patamar de estrelas globais. Aos poucos, quando ambos percebem suas iguais chances de entrar para a história como o primeiro autor japonês a ganhar o Nobel, o carinho se transforma em rivalidade e competição. O desfecho é conhecido: Kawabata leva o prêmio, com a ajuda de uma carta de Mishima, que nunca perdoou ao mestre pela conquista e nem a si mesmo pela abnegação. Mishima termina sua tetralogia, a obra de sua vida, e parte, em 1970, para realizar, fora da literatura, suas "ambições fatalistas". Kawabata produz cada vez menos até sua morte em 1972. Deixando de lado a deferência e abrindo as cortinas da intimidade de dois gênios artísticos, esta edição é uma oportunidade de conhecer, por meio de uma longa relação intelectual e afetiva, o lado humano de dois dos ícones máximos da literatura japonesa: as afinidades que se revelam apesar de tantas diferenças, o genuíno fascínio que nutriam um pelo outro, o brilhantismo que emergia de suas penas nos assuntos mais corriqueiros, o projeto comum de pensar e criar a beleza, o refúgio na arte e na amizade como forma de navegar a tristeza intrínseca à condição humana. A tradução de Fernando Garcia é publicada pela Editora Estação Liberdade.

DICAS DE LEITURA

1.  Entre o conto e o romance, designaríamos a autora, pela extensão da obra, como contista. Nesta forma literária somam-se mais de uma dezena de títulos; no romance apenas quatro. Mas, a maestria da escritora – como todo bom escritor – não se mede em quantidades e este romance prova em qualidade o talento de Lygia para a prosa longa. Publicado em 1973, no meio da ditadura militar no Brasil, foi um dos raros objetos artísticos que enganou o regime naquilo que ele sempre foi, um movimento constituído por uma cambada de ignorantes e imbecis. E não é o caso de apenas burlar a censura, porque este foi um romance com certa repercussão aquando sua publicação, se considerarmos que no ano seguinte foi o escolhido como melhor obra pelo júri do Prêmio Jabuti. As meninas é a história de três amigas que revelam muito da condição feminina de então e, claro, não deixa de se constituir numa denúncia desse período dos mais conturbados da história; então, aí se tem três vozes femininas, autônomas, que revisitam questões que vão da política do Estado à política do corpo. Um livro sempre necessário e um dos melhores da nossa literatura recente. É uma edição fácil de encontrar – desde a belíssima da Companhia das Letras às edições mais antigas.

2. Os dois novos livros de Gonçalo M. Tavares recém-publicados no Brasil. A obra do escritor português é múltipla e uma catedral de inovações. Por mais piegas que soe a comparação, mas estamos ante um Gaudí da literatura. Por aqui seus livros têm chegado à conta gotas e em casas editoriais muito variadas. Pela Dublinense, editora que publicou os dois títulos que agora recomendamos, saíram outras obras suas: Short Movies, já resenhado aqui no blog; Animalescos; e O torcicologologista, excelência. Todos são parte de uma coleção batizada por esta casa editorial como Gira. Os dois novos livros chegados aqui e recomendados nesta lista integram uma linha narrativa que o escritor a chamou de Mitologias. São histórias que cruzam narrativas e tipos em confrontos entre a lógica e o absurdo, o humano e a máquina, a ciência e o mito. Os títulos são A Mulher-Sem-Cabeça & O Homem-Do-Mau-Olhado e Cinco meninos, cinco ratos. E as edições estão muito caprichadas!

VÍDEOS, VERSOS E OUTRAS PROSAS

1. O nome de Julio Cortázar tem voltado a circular entre os leitores brasileiros graças a publicação de uma nova tradução de sua obra mais conhecida, O jogo da amarelinha, como citada aqui e noutras edições deste boletim. E deverá permanecer por algum tempo entre os nossos interesses porque a Companhia das Letras trabalha na reedição integral da obra do escritor argentino. Então, para assinalar este momento, vale ver esta entrevista com Julio Cortázar no final da década de 1960 em Paris, acrescentada à galeria de vídeos em nossa página no Facebook.

2. Ainda sobre Lygia Fagundes Telles recomendamos esta carta de Antonio Candido, em que ele relembra o período em que conheceu a escritora num concurso de contos. O material faz parte de um arquivo delicioso montado pelo Instituto Moreira Salles, o Correio-IMS e pode ser acessado online.

3. Entre os BookTubers não deve existir alguém que seja mais apaixonado pela obra de Lygia Fagundes Telles que a Tamy. E no dia dos 96 anos da escritora ela apresentou um vídeo com indicações para iniciar-se na obra da autora de As meninas. Aproveitem e sigam o canal.

BAÚ DE LETRAS

1. "Para vencê-lo enquanto racista é preciso vê-lo enquanto racista, e, até agora parece que vimos pouco ou nada, ou vimos pouco e não entendemos nada". Um tema sempre atual; e mais ainda num dia como o que passou agora, 18 de abril, quando se celebra o dia do nascimento de Monteiro Lobato. Ou ainda num ano quando quase todas as casas editoriais no Brasil têm trabalhado para apresentar alguma versão da obra do escritor. Vale revisitar este texto de Cesar Kiraly sobre um dos temas um tanto polêmicos em torno da obra e da biografia de Lobato.

2. E, por falar em aniversários, no dia 19 de abril passaram-se os 96 anos de Lygia Fagundes Telles. No nosso Twitter @Letrasinverso replicamos várias publicações nossas sobre a obra e a escritora. Basta catar a tag #LygiaFagundesTelles96. Dentre as postagens, recomendamos a leitura deste texto em que o amigo José Saramago escreve sobre a escritora brasileira.

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