Jaime Hipólito




Um dos feitos importantes para a Literatura Potiguar em 2009 é o da comissão organizadora do vestibular para acesso aos cursos de nível superior na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte ter inserido na lista de leituras obrigatórias um título de Jaime Hipólito. Nome, como o de muitas outras figuras importantes para a cultura do estado, entregue praticamente ao esquecimento, a atitude coloca ao menos um texto de bibliografia ao alcance de um público considerável e, claro, também apresenta o seu nome.

Antes do feito, é preciso destacar as contribuições significativas oferecidas pelo seu sobrinho na preservação da memória de Hipólito, o poeta Gustavo Luz, também editor da Queima-Bucha, é responsável por publicar a obra do escritor; basta uma visita ao catálogo da editora para consultar alguns dos títulos além o indicado para a seleção no vestibular da UERN.

Jaime Hipólito nasceu em Caicó em 1928. Sempre se disse, no entanto, currais-novense (nascido em Currais Novos, cidade próxima a de onde nasceu) de Caicó; morou no Maranhão dos quatro aos seis anos e, depois, veio para Natal, onde concluiu o curso em Ciências Jurídicas, na primeira turma da Faculdade de Direito na cidade. A conclusão do curso o fez vir para Mossoró, onde foi professor na mesma instituição que hoje o lembra com um título na seleção do vestibular, na época, ainda Universidade Regional de Mossoró.

Na instituição foi professor de Literatura Norte-Americana, Literatura Inglesa (no curso de Letras) e Direito Penal e História do Pensamento Econômico (no curso de Direito), também os primeiros da universidade. Na década 1950, dividiu as tarefas da docência com as de redator do polêmico programa "O prato do dia" e trabalhou para os jornais O Mossoroense, Tribuna do Norte, Diário de Natal e Diário de Pernambuco.

Entre 1966 a 1967, frequentou com apoio do da OEA e British Council, a Universidade de Swansea, Inglaterra, onde fez pós-graduação em Administração e Política Social; no retorno ao Brasil, fez parte do Ministério Público e da Associação Norte-Riograndense de Imprensa.

Na literatura estreou com Noite de São João, premiado pela revista A cigarra, do Rio de Janeiro, e incluído mais tarde em seu primeiro livro, O aprendiz de camelô, de 1962. Outro trabalho, o Conto de Ninar, lhe rendeu o prêmio semelhante pela Revista O globo, de Porto Alegre (RS).

Depois vieram O livro da velhice de Grieco (em 1972), a primeira edição de Estórias Gerais (em 1986). Em 1992, seu sobrinho, o citado poeta Gustavo Luz, reúne e publica pela Queima-Bucha os artigos de crítica literária em De autores e de livros. Em 2008, Gustavo reúne as correspondências dos anos em que Jaime esteve na Europa e publica, também pela Queima-Bucha, Cartas da Europa.

Ligações a esta post:
Na edição n. 2 do jornal Trabuco, Lindelillyan Fernandes escreveu sobre Estórias gerais; reproduzimos o texto aqui.

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