Assim caminha a humanidade, de George Stevens





Saga retrata contraste de valores no Texas e registra o terceiro e último desempenho de James Dean

Assim caminha a humanidade é o terceiro título da série de George Stevens que retrata a formação da sociedade americana (os anteriores são Um lugar ao Sol, de 1951 e Os brutos também amam, de 1953). O filme de 1956 acompanha a vida de um grande proprietário de terras e criador de gado do Texas, Jordan Benedict (Rock Hudson), e de sua esposa, Leslie Benedict (Elizabeth Taylor), ao longo de mais de 20 anos, passando pelo nascimento de seus filhos e de seus primeiros netos.

Como no livro de Edna Ferber, no qual foi baseado, a descrição da vida da família texana reflete, em paralelo, a história do governo, da economia e moral locais. Assim, ao fazer o retrato do fazendeiro poderoso, conta-se como se deu o crescimento do petróleo como centro da economia do estado. Também são discutidos os valores tradicionais do protagonista contrapostos, em geral, aos da esposa, originária do leste americano. Entre eles, o lugar público da mulher na sociedade, a importância da hereditariedade nas relações de poder e a declarada discriminação contra os imigrantes mexicanos. Logo que foi às telas, a revista Time o considerou o filme mais contundente contra a intolerância racial da história do cinema. Enquanto o resto dos Estados Unidos o público aclamou a obra, no Texas houve diversas manifestações de repúdio, e a autora do romance, Edna Ferber, chegou a receber ameaças de morte.

Em entrevista recente, George Stevens Jr, filho do diretor, que participou das filmagens, ressaltou o fato de que os valores texanos discutidos ainda são vigentes,o que faz do filme ainda mais interessante para o expectador contemporâneo, em particular por George W Bush, presidente dos Estados Unidos, ser originário desse estado.

* Revista Bravo!, 2007, p.55

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