Leontino Filho

Por Pedro Fernandes



Na semana em que pego o mais recente livro de Leontino Filho, Geometria do fragmento, lançado pela Scortecci, a título de compor um texto-crítica para essa outra incursão do autor de Cidade íntima pelo território da escrita, convém escrever aqui o que já fora prometido há certo tempo: uma página ao poeta.

Conheci Leontino Filho quando do primeiro dia de aula na cadeira de Teoria da Literatura I, no curso de Letras, na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. 2005. Depois veio a cadeira de Teoria da Literatura II. E o curso de Literatura Potiguar, este ministrado já no fim da graduação. No intervalo desses quatro anos de convivência acadêmica foi-me ainda orientador de meu trabalho de fim de curso. Essa figura é a do professor e crítico literário, exercitada aquela como profissão e esta última, diria, nas horas vagas. Entendendo que essa figura se demonstra, ainda que sempre a disposição, também sempre no território das ressalvas, é porque nela pulsa uma outra figura: a do poeta. E todo poeta reside num interlúdio. Esta figura de poeta eu a conheci quando de posse da leitura de seu Cidade Íntima - sua obra mais bem comentada no território da crítica e que, de certo modo, nos apresenta uma sua face.

Nasceu em Aracati, Ceará, em 1961. Foi editor dos alternativos Flerte e i-kara-kati - este último tive a oportunidade de conhecer um exemplar recentemente. Dessa experiência encorajou-me a, junto com meus amigos de curso, a produzir o jornaleco Trabuco.  Depois de publicar Amor - uma palavra de consolo (1982), Imagens (1984), o já citado Cidade Íntima (1987), Entressafras (1991), livro em parceria com o poeta Gustavo Luz e Sagrações do meio (1993), Leontino Filho tem se dedicado a uma produção mais esporádica, mas não menos significativa, colaborando com jornais, revistas impressos e eletrônicos. Além de que, possui uma extensa produção poética em antologias, nacional e internacional, das quais posso citar Poetas Contemporâneos Brasileiros (1990), organizada por Ademir Bacca, Grito, Logo Existo! organizada por Nilto Maciel (1992), Poésie du Brésil – Volume 1, organizada por Aricy Curvello e tradução de Haidê Vieira Pigatto (2002) e A Poesia Norte-Rio-Grandense no Século XX – antologia, organizada por Assis Brasil (1998).


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