Um depoimento biográfico sobre Leontino Filho

Por Pedro Fernandes




Conheci Leontino Filho quando do primeiro dia de aula na cadeira de Teoria da Literatura I, no curso de Letras, na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. No semestre seguinte, reencontro-o na cadeira de Teoria da Literatura II. E, no fim da graduação, o curso de Literatura Potiguar. Mas, no intervalo desses quatro anos de convivência acadêmica foi-me ainda orientador de meu trabalho de fim de curso e das atividades de monitoria por dois semestres nas Teorias. Essa figura é a do professor que se completa com a do crítico literário autor de Sob o signo de Lumiar: uma leitura da trilogia de Sérgio Campos e Lavoura arcaica: o narrador solto no meio do mundo. O primeiro trabalho resultado do Mestrado em Estudos da Linguagem na Universidade Federal do Rio Grande do Norte e o segundo do Doutorado em Estudos Literários na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho.

Os dois primeiros papéis não são exercitados isoladamente, visto que as duas são profissões exercidas com o espírito de apaixonado pelo literário. Por entre esses dois perfis, pulsa um outro: o do poeta. E todo poeta reside num interlúdio. Conheci o poeta numa das várias longas tardes na biblioteca da universidade e pela leitura de dois livros: Imagens e Cidade íntima. Este último é sua obra melhor comentada pela crítica e integra, certamente, a extensa lista de melhores títulos da poesia brasileira da última década do século XX. 

Leontino Filho, o homem que hospeda essas múltiplas figuras, nasceu em Aracati, Ceará, em 1961. Foi editor dos alternativos Flerte e i-kara-kati. Dessas experiências, encorajou-me a, junto com meus amigos do curso, produzir, sob seus cuidados de pequeno mecenas, o jornal Trabuco, um material que reunia trabalhos dos estudantes de Letras e que guardou três tiragens.

Depois de publicar Amor, uma palavra de consolo (1982), os já citados Imagens (1984) e Cidade íntima (1987), Entressafras (1991), livro em parceria com o poeta Gustavo Luz, e Sagrações ao meio (1993), Leontino Filho tem se dedicado a uma produção mais esporádica, mas não menos significativa, colaborando com jornais, revistas impressos e eletrônicos.

Além dos livros citados, pode-se encontrar poemas seus em diversas antologias editadas dentro e fora do Brasil, das quais pode-se citar: Poetas contemporâneos brasileiros (1990), organizada por Ademir Bacca; Grito, logo existo!, organizada por Nilto Maciel (1992); A poesia norte-rio-grandense no século XX, organizada por Assis Brasil (1998); e no volume 1 da Poésie du Brésil (2002) organizado por Aricy Curvello e com poemas traduzidos por Haidê Vieira Pigatto.



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