Boletim Letras 360º #257

Amigos leitores, estas são as notícias que correram durante a semana em nossa página no Facebook. Boas leituras e bom descanso de Carnaval!

Tarsila do Amaral. Uma exposição nos Estados Unidos e um filme sublinham sua figura nas artes


Segunda-feira, 05/02

>>> Brasil: João Cabral de Melo Neto ganhará biografia

Segundo nota divulgada no jornal Folha de São Paulo, a editora Todavia fechou contrato com o professor de literatura brasileira da Universidade de São Paulo, Ivan Marques para uma biografia de João Cabral, a ser publicada em 2020, quando do centenário do poeta brasileiro. Com pesquisas sobre o modernismo, Marques também foi jornalista e a ideia da editora é que o livro misture um viés de reportagem com o ensaio crítico. As entrevistas e viagens para locais como o Rio, Recife e Sevilha têm início ainda neste ano.

>>> Brasil: O livro que deu o Prêmio Goncourt, o mais prestigiado do cenário francês, a uma escritora marroquina, ganha edição por aqui

Canção de ninar, de Leïla Slimani sai pela Planeta Brasil / Tusquets. O romance trata de questões que revelam a essência de nossos tempos, abordando as relações de poder, os preconceitos entre classes e culturas, o papel da mulher na sociedade e as cobranças envolvendo a maternidade. Apesar da relutância do marido, Myriam, mãe de duas crianças pequenas, decide voltar a trabalhar em um escritório de advocacia. O casal então inicia uma seleção rigorosa em busca da babá perfeita e fica encantado ao encontrar Louise: discreta, educada e dedicada, ela se dá bem com as crianças, mantém a casa sempre limpa e não reclama quando precisa ficar até tarde. Aos poucos, no entanto, a relação de dependência mútua entre a família e Louise dá origem a pequenas frustrações – até o dia em que ocorre uma tragédia. O livro já foi publicado em mais de 30 países e com mais de 600 mil exemplares vendidos na França.

>>> Inglaterra: A Universidade de Harvard disponibiliza online álbum de fotografias de Virginia Woolf

Um mergulho na intimidade da escritora inglesa; é o que propõe o arquivo em que os interessados podem transitar pela estância da autora de Ao farol no bairro londrino de Bloomsbury. São registros realizados na residência de Monk House, onde viveu com seu companheiro Leonard Woolf do último ano de cobertura das imagens – estas são de 1912 a 1919. Woolf manteve um cuidadoso testemunho de sua vida em álbuns do tipo, preservados agora pela Biblioteca Houghton, de Harvard. Numerados de 1 a 6 os álbuns de Monk House trazem a família e muitos amigos, incluindo os famosos integrantes do grupo de Bloomsbury, como o escritor E. M. Forster, John Maynard Kynes, Lytton Strachey e W. B. Yates; o álbum agora publicado é o de n.4 Disponível aqui

Terça-feira, 06/02

>>> Brasil: Livro de Selva Amada que trata sobre o assassinato de mulheres antes da difusão da palavra feminicídio ganha edição por aqui

Três adolescentes no interior da Argentina foram assassinadas nos anos 1980; três mortes impunes; três entre as centenas de milhares que não chegaram / chegam às contagens oficiais. Tudo isso enquanto o país celebrava o regresso da democracia. As circunstâncias dos crimes chegam de forma desordenada: em programas de rádio, num ou noutro jornal da província, numa ou noutra conversa. Convertidos em obsessão, com o passar dos anos, essas mortes deram lugar a um investigação atípica e sem resultados muito concretos. Selva Amada, então, assume o papel investigativo e em tom de uma reportagem literária para tratar sobre o tema. A edição de Meninas mortas sai no Brasil em 2019 pela editora Todavia. Por aqui, a escritora argentina foi bem recebida com O vento que arrasa, publicado então pela extinta Cosac Naify.

>>> Brasil: Dois novos títulos na nova coleção de Albert Camus

A inteligência e o cadafalso e Estado de sítio. O primeiro foi publicado originalmente em 1943, pouco depois de O estrangeiro; condensa o percurso literário e ensaísta de Camus. A partir daí, sua obra se desdobra em personagens e em raciocínios concêntricos: o absurdo, a gratuidade, a culpa, o gozo e a beleza encarnam sua concepção do homem. Nos textos deste livro, é possível reconhecer as engrenagens do absurdo. O segundo foi apresentado originalmente em 1948; a narrativa se passa em uma pequena cidade litorânea, assolada pela peste e dominada pelo medo. Para Camus, o medo era o mal do século XX e, por isso, ele o utiliza como o fio condutor desta obra, que, para muitos críticos, é uma alegoria da ocupação, da ditadura e do totalitarismo. Nesta edição, foram reunidos um prefácio de Pierre-Louis Rey, documentos históricos, entrevistas, uma nota assinada pelo autor sobre a peça e um testemunho de Jean-Louis Barrault, contando a história de sua colaboração com Camus para a composição e encenação da obra, e analisando as razões do seu fracasso. A edição apresenta, ainda, críticas à peça, encenada pela primeira vez em 27 de outubro de 1948, pala Companhia Madeleine Renaud-Jean-Louis Barrault, no Théâtre Marigny, com direção de Simmone Volterra e resposta de Camus à crítica, reunindo, assim, tudo que já foi dito sobre a peça, que foge do realismo, abre o horizonte cênico e dá toda a liberdade ao diretor.

Quarta-feira, 07/02

>>> Brasil: A nova edição brasileira de O galo de ouro, de Juan Rulfo

Em 2017 falamos aqui sobre o trabalho de publicação deste texto que foi o último do escritor mexicano a ganhar edição em livro. Escrito entre 1956 e 1958, O galo de ouro foi o segundo romance de Juan Rulfo, lançado pouco tempo depois de seu romance de estreia, Pedro Páramo. O texto foi escrito primeiramente como roteiro para o filme homônimo, cuja estreia ocorreu em 1964, dirigido por Roberto Gavaldón e foi desta maneira que se apresentou no Brasil na primeira vez em 1999. Na história, depois de uma célebre noite de rinha de galos, a sorte e o destino de Dionisio Pinzón mudam. Ao decidir salvar um galo dourado moribundo, ele, um miserável, torna-se homem rico, conseguindo atrair para os seus braços La Caponera, mulher sensual e fascinante, objeto do desejo de todos. Contudo, Dionisio descobre que a vida dos homens não é muito diferente do destino dos galos de briga: pode-se vencer muitas lutas, mas, também, perder tudo num único revés. A tradução de Eric Nepomuceno sai agora pela José Olympio.

>>> Brasil: Último livro de Maya Angelou, poeta e ativista do movimento negro e feminista nos Estados Unidos, ganha edição por aqui

A história extraordinária da vida de Maya Angelou tem sido relatada em várias de suas autobiografias – todas inéditas no Brasil. Em Mamãe & Eu & Mamãe a lendária escritora compartilha a história pessoal mais profunda de sua vida: seu relacionamento com sua mãe. Pela primeira vez, revela os triunfos e as lutas de ser a filha de Vivian Baxter, um espírito indomável cujo pequeno tamanho desmentia sua presença maior do que a vida – uma presença ausente durante grande parte do início da vida de Angelou. Aqui, Angelou dramatiza seus anos de reconciliamento com a mãe que preferiu simplesmente chamar de "Senhora", revelando os momentos profundos que mudaram o equilíbrio de amor e respeito entre elas. Mamãe & Eu & Mamãe sairá em março pelo selo Rosa dos Tempos, do Grupo Editorial Record.

Quinta-feira, 08/02

>>> Brasil: O documentário Outro sertão está disponível a partir de agora para ser visto em algumas plataformas de TV

Este é um documentário sobre a estadia de Guimarães Rosa na Alemanha nazista. Falamos aqui sobre quando da estreia. O filme resgata a experiência do então vice-cônsul em Hamburgo entre 1938 e 1942. Através de seus escritos, bem como de imagens de arquivo da época, documentos, testemunhos de pessoas que o conheceram e uma entrevista inédita com o próprio escritor, o documentário revela novos aspectos de sua biografia. Dividido em capítulos – a chegada, o amigo, o diário, o escritor, o diplomata, o alarme e a partida – o filme rastreia os quatro anos vividos por Rosa em Hamburgo. O documentário de Adriana Jacobsen e Soraia Vilela estava proibido para uso doméstico pelos herdeiros do escritor.

>>> Inglaterra: Em toda parte retrocesso. Londres e Hamburgo censuram Egon Schiele

À primeira vista, parece até um golpe publicitário. A mensagem "Tem 100 anos, mas ainda hoje é demasiado ousada" a cortar a pintura onde ela é mais contundente. No entanto, a intenção de censurar é verdadeira. Por ocasião do centenário do modernismo austríaco, reproduções de algumas das obras de Egon Schiele, um dos mais importantes pintores austríacos, foram afixadas em estações de metrô de várias cidades europeias. E pelo menos três delas consideraram que não podia exibi-las como são: Londres, Hamburgo e Colônia. Em causa estão quatro reproduções, incluindo "Autorretrato nu" e "Moça nua de meias laranja", que o Turismo de Viena escolheu para divulgar o centenário do modernismo, e nomes como Schiele e Gustav Klimt; o metrô londrino e das cidades de Hamburgo e Colônia consideraram demasiado ousados para apresentação pública, por mostrarem órgãos genitais. Em 1900, o próprio Egon Schiele foi preso por atentado ao pudor, uma vez descobertos os seus quadros de corpos nus e órgãos sexuais explicitamente revelados. A censura de agora é o mais recente episódio num movimento que pretende impor critérios moralizantes à arte e que já levou à contestação de vários quadros em exibição em museus e pelo menos uma petição para retirar uma obra de Balthus do MET. (Via. DN)

Sexta-feira, 09/02

>>> Brasil: Antes do depois, de Bartolomeu Campos de Queirós ganha reedição

Um livro de Bartolomeu, artesão da palavra, é sempre uma surpresa. Sua prosa poética, tecida com ternura e profundidade, mergulha no âmago dos sentimentos humanos. Em "Antes do depois", a narrativa acompanha o nascimento do narrador-personagem, desde a sua luta para sobreviver ao sair do ventre da mãe, até as lembranças de seu batizado. Ele conta como se pudesse observar de fora o cenário de sua infância, bem como os sentimentos da mãe, que se recolhia em seu próprio silêncio. Sempre muito cuidadoso e atento a figura materna, ele externa sensações por meio de metáforas sobre a memória, o fôlego e o silêncio. A obra traz o texto de orelha de Ninfa Perreiras, escritora, psicanalista e professora de literatura, e capa de Rogério Coelho, ilustrador que coleciona diversos prêmios no Brasil e nos Estados Unidos.

>>> Estados Unidos: Tarsila do Amaral em grande estilo] A artista brasileira é tema de uma grande exposição no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA)

Os 120 trabalhos reunidos na primeira mostra individual da modernista no MoMA são de acervos da Europa, América Latina e dos Estados Unidos; obras indispensáveis de Tarsila, como "Antropofagia" e "Abaporu", e também fotografias, desenhos, documentos históricos e rascunhos. Com curadoria de Luis Pérez-Oramas, do MoMA, e Stephanie D’Alessandro, do Art Institute of Chicago, onde foi primeiramente apresentada, a exibição destaca a produção de Tarsila entre as décadas de 1920 e 1930. Também está prevista para este ano a gravação de um filme, parceria entre Brasil e Inglaterra, sobre a brasileira. A exposição abre no dia 11 de fev. e vai até 3 de jun.

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