Boletim Letras 360º #313

Finalizamos outra semana e já agora com uma novidade de primor: o blog sorteia um exemplar de A queda de Gondolin, a mais recente publicação da obra de J. R. R. Tolkien apresentada no Brasil pela HarperCollins Brasil. Para saber como participar basta visitar a post escrita por Guilherme Mazzafera que faz uma excelente apresentação desta obra. Recado anotado, vamos à semana magra de Carnaval.

Cem anos de solidão terá primeira adaptação para a televisão


Segunda-feira, 4 mar.

Como Bukowski se tornou Bukowski

Escrever para não enlouquecer é um livro único na obra do velho Buk. Reunindo cartas redigidas e ilustradas por ele entre 1945 e 1993, não apenas revela as ideias e opiniões do autor sobre literatura e o ato de escrever, mas também oferece ao leitor a chance de conhecer os bastidores da vida do velho Buk contados por ele mesmo – da embriaguez da juventude errante até os anos maduros de fama. Compiladas por Abel Debritto, biógrafo do autor que editou duas outras coletâneas temáticas, Sobre gatos e Sobre o amor, estas cartas são uma espécie de autobiografia não autorizada, leitura indispensável para qualquer fã. A edição é da L&PM Editores.

Terça-feira, 5 mar.

Uma nova tradução dos sonetos de William Shakespeare

O leitor recebe uma nova tradução de todos os sonetos do bardo inglês publicados em 1609. Embora redigidos em sua maioria de forma circunstancial e mundana, para o agrado de seu mecenas, o conde de Southampton, os sonetos são imbuídos de um caráter universal e atemporal. Os temas tratados vão do amor, da beleza, do afeto, de inquietações políticas e da mortalidade à luxúria, infidelidade, ao ciúme, ao homoerotismo e à amargura. As últimas 28 composições são dirigidas a uma mulher, à misteriosa Dama Negra, cuja identidade permaneceu controversa durante muito tempo. Comentários do tradutor dão conta das alusões veladas e do contexto em que foram escritos os versos, possibilitando ao leitor a máxima fruição desta coletânea, que é considerada um dos ápices da lírica de língua inglesa. A edição sai pela L± a tradução é de Jorge Wanderley, quem também escreve uma apresentação para a obra.

Quarta-feira, 6 mar.

Uma série baseada em Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez

A Netflix será a produtora - segundo El Tiempo. A série será rodada na Colômbia, e a estreia está prevista para meados de 2020. O projeto terá os filhos do autor, Rodrigo e Gonzalo García, como produtores executivos.A equipe do projeto será formada apenas por profissionais latino-americanos. Publicado em 1967, Cem anos de solidão usa o estilo conhecido como realismo mágico, misturando fantasia e realidade ao contar a história de sete gerações da família Buendia, começando pelo patriarca José Arcadio Buendía e sua prima e esposa Úrsula Iguarán, no fictício povoado colombiano de Macondo. A obra vendeu cerca de 50 milhões de exemplares e foi traduzida para 46 idiomas. Seu sucesso é considerado fundamental para o reconhecimento internacional do escritor, que foi um dos principais nomes do boom de autores latino-americano nos anos 1960 e 1970, ao lado do peruano Mario Vargas Llosa e do mexicano Octavio Paz.

2019 o ano de dois prêmios Nobel de Literatura

A Fundação Nobel confirmou o que se previa desde 2018 quando suspendeu a entrega do prêmio. Um prêmio para aquele ano e outro para este ano. A notícia foi adiantada pelo jornal sueco Dagens Nyheter. O Nobel de Literatura foi suspenso em maio do ano passado, pela primeira vez desde 1949, depois de várias acusações de assédio sexual no interior da Academia.

Quinta-feira, 7 mar.

A Todavia publicará em julho uma coletânea de poemas do escritor italiano Primo Levi

Neste mês passam-se 100 anos do nascimento de Primo Levi. Autor de poderosos testemunhos e ficções sobre a condição humana, Levi — que foi prisioneiro no campo de concentração de Auschwitz durante a Segunda Guerra — escreveu poemas expressivos a partir de temas como liberdade, o horror da guerra, meio ambiente e amor. A tradução é de Mauricio Santana Dias, que já verteu para o português, entre outros, Bocaccio, Domenico Starnone, Pasolini e Elena Ferrante.

O retorno de Elena Poniatowska ao Brasil

Querido Diego, te abraza Quiela, de Elena Poniatowska será apresentado no Brasil. A escritora mexicana tem publicado livros e reportagens e escrito sobre personagens e momentos marcantes do seu país. Foi agraciada com o mais importantes prêmio da literatura de língua espanhola, o Cervantes em 2013. Este romance volta a outubro de 1921. Angelina Beloff, pintora russa exilada em Paris, envia uma carta atrás da outra ao seu amado Diego Rivera, seu companheiro desde há dez anos, que a abandonou e foi para o México. Angelina, a quem Diego se dirige com o diminutivo de Quiela, foi a primeira companheira do muralista mexicano e uma excelente pintora, eclipsada pelo gênio de seu marido. Sua relação, marcada pela pobreza e pela tirania de Rivera, foi atribulada e a adoção de Quiela, incondicional. Brutal, ególatra, irresistível, Rivera é desenhado aqui como um monstro que faz suas próprias vontades na arte e no amor. A edição será da Mundaréu.

Sexta-feira, 8 mar.

Mia Couto e Agualusa juntos

Em projeto exclusivo para a Editora Planeta Brasil, o primeiro livro escrito a quatro mãos por dois dos maiores autores da língua portuguesa: Mia Couto e José Eduardo Agualusa Ao longo de muitos anos de amizade, o moçambicano Mia Couto e o angolano José Eduardo Agualusa, dois dos principais autores africanos de língua portuguesa, escreveram três peças a quatro mãos. Neste livro, nascido de conversas informais na histórica Paraty, essas três peças foram reunidas, depois de devidamente adaptadas pelos próprios autores para o formato de contos. Em "O terrorista elegante", um angolano é preso em Portugal por suspeita de participação em atos de terrorismo. O homem alega ser capaz de voar e conversa com um passarinho na prisão, que parece lhe dar as orientações necessárias para que cumpra sua missão. "Quero explicar a vocês por que estou aqui em Xigovia, neste lugar tão cheio de lembranças. E até me treme a voz quando, por fim, confesso a razão da minha presença: venho aqui para matar." É assim que o protagonista de "Chovem amores na rua do matador" pretende finalmente fazer as pazes com seu passado: matando as três mulheres que chegou a amar. A noite da cidade está mergulhada em caos. Enquanto o conflito se desenrola nas ruas escuras, um estranho mascarado invade a casa de duas mulheres. Em "A caixa preta", gerações da mesma família são obrigadas a, enfim, enfrentar seus segredos mais bem guardados.

As livrarias portuguesas recebem reedição de uma importante revista nos estudos pessoanos

Persona foi editada entre 1977 e 1985 no Porto e teve um papel fundamental na divulgação e desenvolvimento dos estudos sobre a obra de Fernando Pessoa. A reedição é uma ideia da Casa Fernando Pessoa concretizada pela editora Tinta-da-China. É uma reedição fac-similar. A revista, dedicada essencialmente ao "comentário crítico, estudos e ensaios", começou a ser publicada um ano depois da inauguração do Centro de Estudos Pessoanos, em 1976, e procurou sempre abraçar “outras áreas” e outros escritores. Mário de Sá-Carneiro foi sempre, como não poderia deixar de ser, uma figura muito presente (é até referido no primeiro texto do n.º 1, lido durante a abertura do Centro de Estudos Pessoanos a 26 de abril de 1976); Camilo Pessanha teve direito a um número especial — o 10, de julho de 1984 —, mas houve muitos outros que tiveram direito a lugar na publicação. Durante os oito anos que existiu, reuniu-se aí os "mais iminentes especialistas em Pessoa", em Portugal e no estrangeiro, numa altura em que o nome do autor da Mensagem começava a atravessar fronteiras e a chegar a outros leitores. Foi nas páginas da revista que saiu publicação de textos inéditos de Pessoa ou ligados a ele, de que é exemplo a carta de Júlio Dantas, apresentada no n.º 4 (janeiro de 1981), o poema "O carro de pau", apresentado na n.º 8 depois de "gentilmente cedido para publicação pela irmã de Fernando Pessoa, D. Henriqueta Madalena Rosa Dias", como explicou o fundador do Centro de Estudos Pessoanos numa nota.

VÍDEOS, VERSOS E OUTRAS PROSAS

1. Noutra edição deste Boletim Letras 360º divulgamos que acontece até o dia 7 de abril a Ocupação Manoel de Barros, no Itaú Cultural. Com manuscritos e outros materiais selecionados do acervo pessoal do homenageado, a exposição passeia por toda a trajetória do autor – que brincava com a norma culta da língua e monumentava as coisas e seres (o humano, inclusive) desprezados por uma sociedade focada na velocidade, no consumo, no descarte. Além da mostra, o programa deu origem a uma série de conteúdos online, como entrevistas em vídeo com parentes e colegas de Manoel – confira, a partir do dia de abertura da exposição e dele próprio. Veja tudo aqui.

2. No Dia 8 de março se celebra o Dia Internacional da Mulher. Em nossa galeria de vídeos podem ver um vídeo em que Simone de Beauvoir numa das raras aparições na televisão reflete sobre suas teses de O segundo sexo; uma entrevista que a escritora e pensadora concedeu a Jean-Louis Servan-Schreiber, em 1975.

DICAS DE LEITURA

1. Um jogo bastante perigoso, de Adília Lopes. A obra da poeta portuguesa já circulava pelo Brasil em publicações variadas, entre elas, uma excelente antologia, só encontrada a peso de ouro entre livreiros, editada pela Cosac Naify. Mas, a escassez da poesia de Adília Lopes por aqui começa a se desfazer com a publicação integral da sua obra pela editora Moinhos. Por esta casa saiu, em 2018, o primeiro livro que a autora publicou. O livro foi indicado entre os melhores do ano pelo Letras.

2. As lembranças do porvir, de Elena Garro. Esta é uma das grandes da literatura mexicana; fundamental para compreender uma das literaturas mais importantes do mundo. Publicado em 1963, escrito quatro anos antes de Cem anos de solidão, este romance é considerado o início do Realismo Mágico, escrita que marcou toda a América Latina durante os anos 60 e 70. Garro rechaçava a ideia de realismo mágico, dizia que era apenas um rótulo para aumentar as vendas. Entre seus temas mais comuns estão a marginalização das mulheres, o racismo e a liberdade política. As lembranças do porvir fala sobre um pequeno povoado mexicano que é dominado de forma cruel e sanguinária pelo general Francisco Rosas e seus homens. Uma história de resistência e violência, porém acima de tudo de amor e de como em meio ao horror e a crueldade o amor seja o sentimento mais forte, mesmo que nem sempre isto seja uma coisa boa.

3. Os contos, de Lygia Fagundes Telles. A maestria da obra literária da brasileira faz com que se dispense uma apresentação sobre diante de quem estamos; Lygia é uma contista extraordinária. E toda sua produção neste gênero aparece reunida pela primeira vez numa antologia editada pela Companhia das Letras em 2018. Além de suas principais coletâneas, reúne-se aí diversos escritos esparsos, há tempos fora de catálogo. Aqui há um texto sobre a obra.

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