Boletim Letras 360º #347


Oh, grande e animada semana! Não temos outra coisa a dizer se não convidá-lo para a leitura da edição deste Boletim que reúne todas as novidades que fizeram o mural do blog no Facebook. Finaliza a publicação, as dicas de leitura (que traduzem um parte da beleza da semana), as recomendações de publicações nas fronteiras nossas e alguns revisitas a materiais já publicados por aqui. Não falta nada. Bom e rico final de semana!

A edição mais completa de um dos livros mais marcantes sobre o Holocausto ganha tradução no Brasil direta do holandês. Falamos sobre O diário de Anne Frank em edição com quase mil páginas que a Editora Record. 


Segunda-feira, 28 de outubro

Caixa reúne três peças da Companhia do Latão

Publica-se pela Temporal em edição inédita e especial as peças: Os que ficam, Lugar nenhum e O pão e a pedra. As obras são de autoria do dramaturgo Sérgio de Carvalho, em colaboração com o grupo teatral Companhia do Latão, e lançam olhar sobre o Brasil das décadas de 1960, 1970 e 1980, a partir de perspectivas, personagens e episódios distintos. As três edições reúnem textos de apresentação às peças, por Sérgio de Carvalho. Além de notas sobre o processo de montagem, de autoria de Julián Boal (Os que ficam), Helena Albergaria (Lugar nenhum) e Maria Lívia Goes (O pão e a pedra) e uma seção de anexos, onde o leitor encontra ficha técnica de estreia de cada uma das produções, partituras das canções compostas para trilha sonora e sugestões de estudo sobre a Companhia do Latão e os diversos temas aos quais cada uma das peças se refere. Ilustradas por fotografias das montagens, as edições ainda reúnem textos complementares assinados por pensadores contemporâneos familiarizados com a produção teatral da Companhia, que têm por objetivo inserir o leitor no universo do grupo e trazer diferentes olhares para as questões que os textos dramatúrgicos suscitam. A professora aposentada da Universidade de São Paulo Iná Camargo Costa assina posfácio em Os que ficam. Em Lugar nenhum, o texto é assinado pela jornalista e psicanalista Maria Rita Kehl. Por fim, O pão e a pedra conta com posfácio assinado pelo editor e jornalista Mario Sergio Conti.

Livro de Hans Fallada ganha nova tradução é o novo título no catálogo da Editora Carambaia

Cada um morre por si começa em Berlim, num dia de junho de 1940. No mesmo prédio em que alguns moradores comemoram a capitulação da França frente à Alemanha nazista, o casal Anna e Otto Quangel recebe a comunicação da morte de seu filho na guerra. É o momento em que os Quangel, até então trabalhadores apolíticos, concentrados em suas obrigações diárias, começam a enxergar as mentiras e o alcance dos tentáculos do regime, que os obriga a viver com medo. Conscientes de sua quase insignificância social, Anna e Otto se empenham num plano de oposição em pequena escala: espalhar pela cidade cartões-postais com mensagens de desnudamento da máquina nazista. Hans Fallada conduz o romance como uma trama policial em que a Gestapo se desdobra na busca pelos autores do ato de subversão, recorrendo a crimes, acusações fabricadas e ao auxílio de malandros e golpistas. O enredo se baseia na história real de Otto e Elise Hampel. A tradução do livro é de Sonali Bertuol, quem também assina um posfácio nessa edição. O projeto gráfico sem cor foi elaborado pelo Estúdio Grade e se inspira na advertência de Fallada de que seu romance é um livro sombrio. A capa e as páginas de divisão interna trazem letras e números em fonte tipográfica criada especialmente para o livro. Angulosa e com uma estilização que evoca espinhos, ela é baseada nos caracteres góticos, usuais na Alemanha de Hitler.

Terça-feira, 29 de outubro

Localizam em Sevilha uma assinatura de Miguel de Cervantes

Uma procuração com data de 7 de maio de 1593 na qual o escritor espanhol diz ser serviçal do Rei é o último documento assinado por ele recém-localizado no Arquivo Histórico Provincial de Sevilha pelo pesquisador José Cabello Núñez. O papel permite aprofundar uma linha a mais sobre os trabalhos de Cervantes quando de sua vivência andaluza como comissário real de suprimentos. Este é o quarto documento da época e sua particularidade reside no fato de o nome do autor de Dom Quixote aparecer apenas na qualidade de testemunha das operações aí designadas: no documento se outorga a Pedro Ramírez, seu vizinho em Servilha, a receber todo o trigo, cevada, grão-de-bico e outros grãos oriundos dos vilarejos de Lucena (Córdoba) e Jimena (Jaén). O documento data de 1593 pode ser o primeiro de sua visita pessoal a essas localidades, embora o nome de Lucena já figurasse reiteradas vezes nos arquivos referentes à comissão de Pedro de Isunza dada a Cervantes e Diego de Ruy Sáenz a 1 de outubro de 1591 para arrecadar provisões a fim de abastecer a Armada. Cabello Núñez já localizou nos últimos anos outros 16 documentos relacionados ao escritor espanhol. O mais antigo dos últimos quatro data de 15 de maio de 1589: é um documento em que Bartolomé de Llarena, comissário real de provisões e colega de Cervantes, autoriza o comediante Tomás Gutiérrez que, em seu nome, possa cobrar uma quantia em dinheiro a Domingo de Ania. Cervantes é aqui, outra vez a testemunha e também encarregado.

Quarta-feira, 30 de outubro

Reedição de Formas de voltar para casa, de Alejandro Zambra

Terceiro romance de Alejandro Zambra publicado no selo Tusquets da Planeta do Brasil, Formas de voltar para casa narra as memórias – ouvidas e vivenciadas – de um homem cuja infância foi vivida durante a ditadura de Augusto Pinochet, no Chile. Na busca por entender acontecimentos nebulosos de seu passado – e, quem sabe, encontrar ferramentas para finalizar um romance que está escrevendo no presente –, o protagonista de Formas de voltar para casa percorre um melancólico e dolorido caminho de retorno à sua infância no Chile dos anos 1980, oscilando entre tempos marcados por dois grandes terremotos. Depois de Bonsai & A vida privada das árvores, Formas de voltar para casa consolidou Zambra como um dos melhores escritores de sua geração na América Latina. Nas palavras de Ricardo Piglia: “Zambra é um escritor notável, muito perceptivo diante da diversidade das formas”. O livro recebeu o Prêmio Altazor e o Prêmio do Conselho Nacional do Livro como melhor romance de 2012 no Chile.

Quinta-feira, 31 de outubro

Edição especial da José Olympio para O sol é para todos, o único romance de Harper Lee

Um dos maiores clássicos da literatura mundial em edição especial de capa dura. Nesta emocionante história ambientada no Sul dos Estados Unidos da década de 1930, região envenenada pela violência do preconceito racial, vemos um mundo de grande beleza e ferozes desigualdades através dos olhos de uma menina de inteligência viva e questionadora, enquanto seu pai, um advogado local, arrisca tudo para defender um homem negro injustamente acusado de cometer um terrível crime. Uma história sobre raça e classe, inocência e justiça, hipocrisia e heroísmo, tradição e transformação, O sol é para todos permanece tão importante hoje quanto foi em sua primeira edição, em 1960, durante os anos turbulentos da luta pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos.

Edição especial da Editora Record para Sidarta, de Hermann Hesse

Sidarta é um espírito rebelde, seguidor dos ensinamentos de Buda, fiel à sua própria alma. Em sua busca pela verdadeira felicidade, o filho de brâmanes, favorecido na aparência, na inteligência e no carisma, torna-se um asceta. Para isso, segue um caminho tortuoso que o leva, através de um sensual caso amoroso com uma cortesã, das tentações à autocompreensão. Um romance lírico, baseado na juventude de Buda, que retém a magia de Hermann Hesse, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura – consagrado e cultuado não por oferecer respostas para dilemas ou formulações fáceis para aflições, mas por tecer envolventes universos e tramas repletas de empatia, sempre apontando a capacidade de sublimação do ser humano na busca de sua essência. Uma reflexão sobre a busca da sabedoria que encanta gerações. Uma das maiores obras de Hesse em edição especial de capa dura.

A obra reunida e definitiva de Anne Frank

História, memória e literatura: pela primeira vez em um único volume, a obra reunida de Anne Frank. Anne Frank é uma das autoras mais famosas e lidas do mundo. Milhares de pessoas visitam a Anne Frank House, em Amsterdã, todos os anos para conhecer o anexo onde a menina e sua família se esconderam dos alemães antes de serem descobertos e mandados para Auschwitz, em 1944. Apenas o pai de Anne, Otto, sobreviveu ao Holocausto. Uma obra essencial para estudiosos e para o público geral, ela contém todos os seus escritos ― incluindo outras versões de seu diário: a versão original e a versão editada pela própria Anne, pensando em uma futura publicação ―, além de importantes imagens e documentos que ampliam o conhecimento de sua história. Também é complementada por ensaios de vários estudiosos e historiadores, incluindo “A vida de Anne Frank”, “A história da família de Anne Frank” e “A história da recepção do diário”, junto de fotos da família Frank e dos outros ocupantes do anexo. Em 990 páginas, o livro é edição definitiva do diário de Anne Frank traduzida diretamente do holandês pela primeira vez no Brasil.

A traição das elegantes é o novo título no projeto de reedição da obra completa de Rubem Braga

Aqui está presente o olhar de fascínio e encantamento de Rubem diante dos mistérios das moças de seu tempo, suas reflexões intimistas sobre os desacertos do coração, seu alumbramento em face das criações da natureza e suas imbatíveis divagações acerca de instantes de sua vida que ficaram guardados na memória. Em sua busca por traduzir aos leitores sua visão lírica e desprendida sobre um mundo em fervilhante transformação, o cronista concebe joias de rara beleza que integram o melhor do tesouro literário da moderna prosa brasileira. Edição da Global Editora.

Nova edição de O alienista, de Machado de Assis

Com quantos doidos se faz uma cidadezinha? É o que está prestes a investigar o ilustre Dr. Simão Bacamarte, renomado médico com estudos no exterior, que funda na vila de Itaguaí a Casa Verde, instituto onde pretende estudar e tratar todos os que sofrem de transtornos mentais. Todo tipo de gente é enviado aos cuidados do doutor, que passa também a enxergar em seus vizinhos e conhecidos o perigoso traço da loucura. A edição que inclui ilustrações de Candido Portinari sai pela Antofágica.

Sexta-feira, 1º de novembro

Reedição de importante obra sobre a vida e o trabalho de José do Patrocínio

Em José do Patrocínio, a pena da Abolição, Tom Farias apresenta um retrato sensível e detalhado da vida de José do Patrocínio, personagem brasileira de grande relevância histórica, cultural e política. O livro é organizado em 4 partes: 3 partes com vários capítulos desde a infância até a vida adulta da personagem, e um Epílogo. Ao longo da obra o leitor passa a conhecer a vida de José Carlos do Patrocínio, nascido em 9 de outubro de 1853, em Campos dos Goytacazes, RJ, e falecido em 29 de janeiro de 1905, no Rio de Janeiro, RJ. Escritor e jornalista negro, destacou-se como ativista político dos movimentos Abolicionista e Republicano no país, que culminaram com a Abolição da Escravatura (1888) e com a Proclamação da República (1889). A edição da Kapulana, de 2019, é uma versão revista minuciosamente e atualizada pelo autor Tom Farias sobre edição anterior de 2009. É fruto de extensa pesquisa com dados históricos e biográficos sobre personalidade brasileira tão atuante em momentos de grande relevância histórica e social do Brasil. Conta ainda com prefácio de Laurentino Gomes e uma série de fotos da época, de José do Patrocínio e do Rio de Janeiro. O olhar de um escritor do século 21 sobre a vida de uma personalidade do século 19 oferece aos leitores uma visão da História que não é estática, visto que os temas em foco são ainda muito atuais.

Estudo sobre um dos clássicos da literatura mundial. Marcus Vinicius Mazzar revisita o Fausto, de Goethe

Partindo do conceito de Weltliteratur, “literatura mundial”, cunhado por Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), e do entendimento de que cada época pode reinterpretar as grandes obras de arte a partir de seu próprio contexto, A dupla noite das tílias, de Marcus Vinicius Mazzari, professor de Teoria Literária da Universidade de São Paulo, propõe uma leitura informadíssima e atualizadora da obra máxima de Goethe, Fausto: uma tragédia. Aliando a erudição e o senso crítico a uma capacidade investigativa rara, o autor abarca um leque de questões que atravessam a história, a economia, a ética, a estética, a percepção da natureza e a poesia, sem perder-se jamais na multiplicidade de caminhos possíveis. Ao contrário, detendo-se particularmente no quinto ato do Fausto II, que concentra a chamada “tragédia da colonização”, Mazzari não só repassa criticamente a discussão contemporânea sobre esta que é a mais enigmática obra de Goethe como também avança, de maneira fundamentada e original, uma interpretação própria para as “fórmulas ético-estéticas”, cunhadas pelo poeta em sua maturidade. A dupla noite das tílias resulta, assim, um livro denso de poesia, reflexão e informação, que abre perspectivas amplas para a Literatura Comparada e se afirma como obra poderosa do ensaísmo brasileiro. A edição é da Editora 34.

Um dos romances feministas mais lidos do século XX ganha edição brasileira

Ativamente envolvida com as revoltas de estudantes e trabalhadores em Maio de 1968, Monique Wittig foi uma das primeiras teóricas e ativistas do novo movimento feminista. O romance As guerrilheiras é um de seus trabalhos mais influentes e um dos textos feministas mais lidos do século XX. Desde que existem homens e eles pensam, cada um deles escreveu a história em sua linguagem: no masculino. "As guerrilheiras" trata do ataque à linguagem e a corpos masculinos por uma tribo de mulheres. Dentre as armas mais poderosas usadas em sua investida contra os costumes literários e linguísticos da ordem patriarcal está o riso. Neste romance publicado pela primeira vez em 1969, Wittig anima uma sociedade lésbica que convida todas as mulheres a se unir à sua luta e à sua comunidade. As guerrilheiras é um romance inovador sobre a criação e a manutenção da liberdade. Grande parte de sua energia emana do enaltecimento do corpo feminino como fonte de invenção literária. A tradução é de Jamille Pinheiro Dias e Raquel Camargo e a edição da Ubu Editora.

Global Editora publica em separata dois textos de João Guimarães Rosa

1. A hora e vez Augusto Matraga. Conto que encerra o livro Sagarana, esta é a história de um homem sertanejo acostumado a se impor pela força em seu cotidiano. Nhô Augusto é a perfeita síntese do mandonismo local que se fez presente em tantas cidades brasileiras durante o século XX. Manejando de forma magistral o dilema universal entre o bem e o mal, João Guimarães Rosa construiu um enredo surpreendente, que leva os leitores a refletir acerca de seus instintos. A narrativa ocupa até hoje lugar de destaque na prosa moderna brasileira, graças aos cenários e às situações brilhantemente construídas por Guimarães Rosa, responsável por uma obra considerada por muitos como a mais impactante da literatura brasileira. O texto desta publicação tomou como base a décima edição de "Sagarana", lançada pela Livraria José Olympio Editora em 1968. Procurando conservar a inventividade da linguagem criada por Guimarães Rosa, o texto foi revisto de forma cuidadosa, atualizando, de forma pontual, a grafia das palavras e as acentuações conforme as reformas ortográficas da língua portuguesa de 1971 e de 1990.

2. Campo Geral. A infância é o tempo de descobertas. É a fase da vida em que o ser humano recebe e retribui os sentimentos à sua volta com maior vigor e integridade. Com Miguilim, menino que protagoniza esta novela de João Guimarães Rosa, não é diferente. Contudo, a visão de mundo repleta de sensibilidade que vinca a personalidade da criança transforma o conjunto de situações que ela experimenta num redemoinho sem precedentes de sensações. Os leitores de "Campo Geral" naturalmente se envolvem e se emocionam ao tomar contato com as impressões e conclusões do menino sobre o mundo que o cerca. Tanto os medos mais profundos de Miguilim quanto seus sonhos mais intensos são concebidos pelo pincel multicor de Guimarães Rosa. O convívio familiar, o cultivo das amizades, a dura vida no sertão e a necessidade incontornável de encarar os desafios que a condição humana apresenta são elementos centrais desta narrativa. Neste livro, tem-se o privilégio de captar o âmago da vida no sertão através do olhar de uma criança, uma escolha que revela a grandeza literária de Guimarães Rosa. O texto aqui presente tomou como base a terceira edição de Manuelzão e Miguilim, publicada pela Livraria José Olympio Editora em 1964. Procurando conservar a inventividade da linguagem criada por Guimarães Rosa, o texto foi revisto de forma cuidadosa, atualizando, de forma pontual, a grafia das palavras e acentuações conforme as reformas ortográficas da língua portuguesa de 1971 e de 1990.

DICAS DE LEITURA

As efemérides sempre comparecem por aqui como um estímulo às recomendações de leitura; quando não, as publicações de novos títulos, reedição de outros; ou nenhuma das duas opções, vem a vontade de ver algum livro bom que está há muito fora de circulação ou que ainda não foi publicado no Brasil e, pronto, está feita a lista que a cada sábado tem indicado aos nossos leitores – quase sempre – três títulos de gêneros literários variados. Na semana que passou, celebramos o Dia Nacional da Poesia. Por causa da data e instigado pelas efemérides preparamos as indicações seguintes. Sim, é uma listinha apenas com títulos de poesia brasileira de alto quilate.

1. Poesia completa, de Orides Fontela. Exatamente neste 2 de novembro ficamos sem a poeta; Orides morreu num sanatório no interior de São Paulo quase esquecida. Nas últimas décadas, entretanto, algum levante de interesse por uma obra sempre bem-recepcionada na academia contribuiu para colocar em cena seu trabalho reconhecidamente um dos melhores da geração pós os ventos modernistas. Em 2015, no âmbito dessas renovações, a editora Hedra publicou uma reunião com os cinco livros que a poeta paulista escreveu e uma série de inéditos. Preparada e organizada por Luis Dolhnikoff, quem também assina um prefácio esclarecedor sobre a importância da obra de Orides no desaguar das novas frentes da poesia brasileira entre os anos 1970 e 1990, este é o trabalho mais completo que apresenta o rico universo poético da poeta brasileira admiradora de João Cabral de Melo Neto e Carlos Drummond de Andrade.

2. A rosa do povo, de Carlos Drummond de Andrade. Este é um livro que não se esgota. E agora que aqueles ventos tenebrosos que formavam a pesada atmosfera de quando da aparição dessa antologia, os poemas aí reunidos reanimam-se em força. Este é o trabalho mais sofisticado do poeta mineiro depois de Alguma poesia, o livro de estreia, e Sentimento do mundo, o título que trazia todos os indícios do que se revelaria totalmente neste título de 1945. Aqui o poeta se mostra ácido, irônico, indignado, atento e preso pelas circunstâncias de um modelo de vida cada vez acachapante e por isso está repleto de um peso que é próprio de tempos de homens partidos ou de emparedamento. O Dia Nacional da Poesia celebrado há alguns anos no dia 31 de outubro se deve ao caso de ser este o dia do nascimento de Carlos Drummond, data também trabalhada pelo Instituto Moreira Salles como Dia D.

3. A educação pela pedra, de João Cabral de Melo Neto. 2020 é o ano do centenário de nascimento do poeta pernambucano, autor de algumas das obras fundamentais da nossa poesia. Este livro constitui juntamente com outros três livros – Quaderna, publicado pela primeira vez em Lisboa, em 1960, Dois parlamentos, editado em Madri, em 1961, e o até então inédito Serial, composto de 16 poemas – o ponto alto de sua obra. O livro aqui recomendado é de 1966 e foi vencedor de diversos prêmios, entre eles o Jabuti, o da União de Escritores de São Paulo e o do Instituto Nacional do Livro. Aqui, o autor alcança um nível de precisão e maestria poucas vezes visto na nossa literatura animando um trabalho feito de apuro e beleza e revelador de um poeta no domínio total de sua linguagem.

VÍDEOS, VERSOS E OUTRAS PROSAS

1. Na semana que termina foi aniversário de Ezra Pound. Uma vez, apresentamos na galeria de vídeos no Facebook, um vídeo que assinala o registro do encontro em Pier Paolo Pasolini e o poeta de Os cantos; o escritor italiano lê para o poeta de um excerto do canto 81. Neste, apresentado esta semana, outro vídeo; agora é o próprio Pound quem lê um excerto do mesmo canto. O som captado de uma das muitas gravações com Ezra leitor de seus poemas foi agregado a imagens suas por Veneza, cidade onde viveu extensa parte de sua vida.

2. No Dia Nacional da Poesia, o doodle do Google Brasil amanheceu vestido de uma imagem celebrativa para o aniversariante ilustre, Carlos Drummond de Andrade. Reproduzimos aqui.

3. Pedro Fernandes, o editor deste blog, escreve sobre a reedição do belíssimo e citado neste Boletim noutra edição Velhos amigos, uma coletânea de contos de Eclea Bosi. O texto certamente circulará por aqui um dia, mas, por enquanto convidamos a acessar, em primeira mão, no blog da Ateliê Editorial. A casa é responsável por trazer outra vez ao público o livro da pensadora e escritora brasileira.

BAÚ DE LETRAS

1. Há vários textos publicados no Letras sobre a obra de Carlos Drummond de Andrade, talvez o autor mais citado neste espaço depois de José Saramago, inclusive encontrarão texto sobre o poeta mineiro na edição do Boletim no Facebook que copia sinopse e links de acesso às postagens desse blog; mas, porque recomendamos A rosa do povo na seção anterior, recordamos essas notas sobre o livro em tema.

2. Daquelas acusações sempre praticadas contra os gênios, a que mais se recobra quando se fala o nome Ezra Pound é sua relação com o fascismo. O assunto já foi tema de dois textos editados aqui no blog: neste e neste. São duas leituras que primam por um equilíbrio sensato que sempre nos diz que, antes de qualquer acusação, é sempre preferível lembrar que todo escritor / criador é gente como toda a gente e passível de padecer de faltas, o que, é claro, não deve ser a muralha de não-acesso ao seu trabalho.

3. A Editora Carambaia reedita, com nova tradução, A ilha de Arturo, da escritora Elsa Morante. Isso não é novidade – ao menos para quem segue religiosamente as novidades que circulam neste Boletim. Se assim se ampliam as longas fronteiras da literatura feminina italiana em terras brasileiras, por novidades ou reencontros, não ficamos fora de estrada ao recomendar essa lista com sete escritoras da terra de Elena Ferrante. Bom, esse ponto final é intermédio para alguma publicação a vir na semana vindoura. Fiquem atentos por aqui.

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