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Boletim Letras 360º #248

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Neste dia 9 de dezembro de 2017 passam-se 40 anos da morte de Clarice Lispector. O Letras tem apoiado a iniciativa do Grupo de Estudos Sobre o Romance da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (divulgado numa edição deste boletim e, logo, nas mídias sociais do blog) que assinala a data de hoje e outra, a de também quatro décadas da publicação de A hora da estrela, uma das obras mais importantes da escritora brasileira: a realização do simpósio SIM, CLARICE!. Justamente nesta data o leitor encontrará na nossa biblioteca online um catálogo preparado para este evento em que se copiam fotografias, manuscritos e um texto de Milton Hatoum sobre a escritora traduzido do espanhol e apresentado pela primeira vez aqui no Letras. Depois de visitar as notícias desta semana na página do Letras no Facebook, você pode conferir este material indo aqui.


Segunda-feira, 04/12
>>> Brasil: Revelado livro de Vinicius de Moraes inédito publicado em italiano
Até agora ninguém – nem mesmo os famili…

A Tenda dos Milagres e a resistência negra

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Por Rafael Kafka

Provavelmente, o maior amor literário desenvolvido por mim em 2017 foi Jorge Amado. Demorei 28 anos de minha vida para entrar em contato com a obra de um dos nossos maiores romancistas e só não me arrependo mais, pois nesse meio tempo conheci muitos autores bons que me ajudaram a expandir os limites de minha percepção intelectual e estética. E porque enquanto formos vivos sempre há tempo para novas e interessantes descobertas.
A obra de Jorge tem sido lida vorazmente por mim nos últimos meses. Li cerca de cinco livros deles, alguns com análises pendentes ainda por problemas de tempo. O que percebi em todos os livros como traço marcante de Jorge é uma literatura de linguagem transparente, simples, poética e documental no sentido de refletir sobre o ser humano brasileiro, em especial o habitante do nordeste, em especial da Bahia.
Mas, Amado não cai no erro que muitos escritores em minha terra, Pará, caem. As situações em suas obras e os discursos falam por si mesmos e n…

Ensaios para a queda, de Fernanda Fatureto

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Por Pedro Fernandes


Este é o segundo livro da poeta Fernanda Fatureto; ela estreou em 2014 com o título Intimidade inconfessável (Editora Patuá). É preciso ler este seu primeiro trabalho a fim de compreender melhor a razão por que a poeta prefere ainda ficar ancorada, por timidez ou por um aguçado senso crítico sobre o que escreve, no vão das tentativas. É bem verdade que essa condição não se observa nos poemas, grande parte deles, acabados, muito bem lapidados, e que revelam a maturidade de uma escrita que se sabe segura; é por isso que o leitor mais atento irá questionar, atravessado os três momentos enformadores da obra, por que Ensaios para a queda?
Este texto, que não tem outro objetivo que não o de revelar algumas das melhores surpresas possíveis de encontrar numa primeira leitura, sem preocupação com a rasura de uma leitura mais profunda, tentará responder a pergunta que corta dos dois lados – para bem e para mal. Sublinhemos a segunda face que não é tomada neste caso específi…

A melhor maneira de conhecer o ser humano é viajar a Marte (com Ray Bradbury)

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Por Pedro Torrijos


Em setembro de 1949, Ray Bradbury reuniu várias cópias de seus contos, colocou numa mala e pegou um ônibus com destino a Nova York. Ali se hospedou numa pousada da YMCA por cinquenta centavos a diária durante cinco dias, enquanto passava o tempo oferecendo sua coleção de contos às principais editoras do país. Todas recusaram; não queriam histórias curtas, queriam um romance.
Na penúltima noite, Bradbury arrumou uma fita que acabaria por se converter em cena com um editor da Doubleday Publishing chamado, casualmente e sem nenhuma relação, Walter Bradbury. Doubleday também queria romances, assim, o outro Bradbury perguntou a Ray se seria capaz de juntar seus contos numa só história e apresentá-los em formato de um livro completo. “Já que quase todos giram em torno do mesmo lugar, Marte, poderias chamá-lo de As crônicas marcianas”. Dois dias depois, e com um cheque de setecentos e cinquenta dólares no bolso, Ray pegou o mesmo ônibus e voltou para Los Angeles. Nesse tr…

A palavra de um Federico García Lorca comprometido e lúcido

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Por Juan Cruz


Já não existe ninguém que tenha ouvido a voz de Federico García Lorca. Mas o poeta, assassinado em Granada no auge da Guerra Civil espanhola, foi o homem mais entrevistado de seu tempo. E essa voz presa em jornais e revistas do mundo hispânico volta a lume: 133 entrevistas foram copiadas e organizadas em Palabra de Lorca. Declaraciones y entrevistas completas (Palavra de Lorca. Depoimentos e entrevistas completas) que ganhou edição entre os leitores de língua espanhola neste ano de 2017. A edição é organizada por Rafael Inglada em parceria com Víctor Fernández. Outro título que também reúne conversas com o poeta granadino é Treinta y una entrevistas a Federico García Lorca (Trinta e uma entrevistas a Federico García Lorca)*, uma reedição, também apresentada neste ano, revisada e ampliada de conversas jornalísticas sob o encargo de Andrés Soria Olmedo ao editor Jaime Salinas que, sim, escutou a voz do poeta na casa de Pedro Salinas, seu pai, poeta e amigo de Lorca.
Se não…

Ao Nobel da música

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Por Diego A. Manrique


Do que tem sido falado sobre Kazuo Ishiguro, sua relação com a música é apresentada apenas como uma primeira vocação: o rapazinho de Nagasaki exerceu o papel de compositor. Mas, o fato é que essa face não foi superada. Ainda compõe letras para canções que são gravadas e vendem.
É possível entender esse silêncio: em certos ambientes é visto como extravagante que um alguém da literatura gaste sua energia em assuntos que consideram banais. Nas biografias de José Manuel Caballero Bonald, prêmio Cervantes de 2012, só se explora o dado nada comum de que foi discográfico. Isto é, empregado de um estúdio de discos durante vários anos, responsável pela produção e-ou lançamento de discos, inclusive diretor de um selo fonográfico chamado Pauta.
Kazuo Ishiguro não chegou a essas alturas. Preserva-se uma ou outra fotografia sua dos anos setenta, cabeludo e rodeado de violões. Tinha um posto no serviço social em Londres e dispunha tempo livre para polir suas canções e atuar e…

Boletim Letras 360º #247

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Passados a página da primeira década para a segunda, antes de repetir as informações que fizeram parte na semana do leitor que acompanha o blog no Facebook, algumas lembranças. 1. O espaço que reúne materiais apêndice às matérias no Letras e publicações importantes, como a Revista 7faces, têm novo nome e página no Facebook: PubliLetras. 2. O Letras é blog com cara de site e está operando em novo endereço, mais clean, blogletras.com É isso. Vamos às notícias?



Segunda-feira, 27/11
>>> Brasil: Simpósio assinala os 40 anos da morte de Clarice Lispector e da publicação de A hora da estrela
Foi no dia 10 de dezembro de 1977 que perdemos a escritora que se tornaria uma das mais importantes de sempre da literatura brasileira e responsável por tornar possível entre nós uma estética já consolidada noutras culturas com Proust, Virginia Woolf e Joyce, para citar três dos exemplos: o romance de traço psicológico. No mesmo ano, em outubro, foi publicada a obra pelo qual seria sempre lembra…

José Saramago e As intermitências da morte

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Por Claudia Rocha


Lidar com a ideia da própria finitude sempre foi profundamente desconcertante para a humanidade. A morte é algo perturbador; muitas vezes nem sequer dela lembramos ou não fazemos questão de lembrar, mas a “esperta parca” (adjetivações utilizadas por Saramago) e a “inimiga enigmática” (adjetivações utilizadas por mim) nos ativa a memória e, de vez em quando, bate à nossa porta.
Estamos quietinhos no nosso refúgio palaciano, com nossas insignificantes preocupações e, de repente, alguém de quem gostamos muito “falece”, “descansa”, entre outros eufemismos usados por nós para minimizarmos a própria dor. 
Várias suposições são feitas para desvendar o enigma do fim. O fato é: “ninguém volta para contar o que viu do outro lado”. A morte seria então o outro lado da moeda, que nunca queremos tirar na sorte, embora saibamos que um dia virá. As instituições religiosas, em sua maioria, pregam a necessidade da morte para alcançarmos a vida eterna. Os mais céticos acreditam que tud…