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Boletim Letras 360º #327

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Segunda-feira, 19 de agosto
A antologia Nove histórias é próximo título de J. D. Salinger a ser publicado pela editora Todavia.
Neste que é um dos mais célebres e festejados livros da língua inglesa, J. D. Salinger deu a seus leitores nove obras-primas da narrativa curta. Do cultuado “Um dia perfeito para peixes-banana”, em que o leitor tem seu primeiro — e impactante — contato com a família Glass, que Salinger continuaria trabalhando em seus próximos livros, ao emocionante “Para Esmé — com amor e sordidez”, as histórias aqui reuni…

De como Virginia Woolf ajudou a salvar o “Guernica”

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É difícil conseguir separar a vida de todo grande artista de sua obra. As pinturas apaixonantes de Francis Bacon não podem ser entendidas sem conhecer as tumultuadas relações com cada um de seus amantes. Para compreender o disco Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band dos Beatles é preciso entender o espírito de uma época quando o experimentalismo era uma nova forma de vida. E para entender a obra de Virginia Woolf, é preciso conhecer muitos traços de sua vida, como sua estreita relação com o mundo da arte, especificamente com o cubismo.
“Todos os membros do círculo de Bloomsbury – grupo de intelectuais britânicos entre os quais se encontravam antigos colegas da universidade do irmão da escritora, como o crítico de arte Roger Fry ou o economista J. M. Keynes –, especialmente os pintores do grupo, Duncan Grant e a irmã de Virginia, Vanessa Bell, sentiram a influência de Picasso. Por isso, o estilo de Virginia Woolf é sempre comparado ao cubismo”, explica o professor Juan Antonio Díaz, e…

Festa no covil, de Juan Pablo Villalobos

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Por Pedro Fernandes


Festa no covil foi o romance de estreia de Juan Pablo Villalobos. Publicado em 2010 e dois anos depois traduzido no Brasil. Essas informações, apesar de encontradas em qualquer lugar na web,são aqui recuperadas por algumas razões e a principal delas diz respeito à maturidade literária de um escritor logo na sua primeira aparição; isso não é um fenômeno inédito – novidade é se sustentar no mesmo ponto alto de estreia – mas é, cada vez mais, algo raro e incomum boas estreias. Adam Thirlwell, num texto que foi incorporado à edição brasileira como um dispensável posfácio, ressalta a distinção de Villalobos no interior de um cânone literário formado nos países da América espanhola e designado pelo escritor britânico como narcoliteratura, isto é, uma literatura interessada no universo do narcotráfico. O romance, segundo ele, se insere ainda no âmbito da ficção experimentalista. É possível entender essa leitura se considerarmos como paradigma casos como o de Cervantes e o …

A geografia do poema

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Por Tiago D. Oliveira

na asa azul da saudade  de cá e de lá calí boreaz, Outono azul a sul.

A geografia do poema é uma cama, acolhe o leitor e também embala as chances do verso, mas também pode ser o eco de seu reverso. A geografia de um poema é o próprio poeta. O livro grafa a viagem, principalmente a recolha imaterial que fica quando a última palavra é escrita, lida – "mudei de casa, de estação / mas de saudade não" ("dedicatória", p.13) – e já no primeiro poema o que se espraia acolhe, direciona. Outono azul a sul, livro de estreia de calí boreaz na literatura, editado no Brasil e em Portugal pela Editora Urutau, ilustrado por dois artistas plásticos, o brasileiro Edgar Duvivier e o português António Martins-Ferreira, traz uma geografia híbrida carregada de uma Lisboa e um Rio de Janeiro que transportam, na leitura dos poemas, a imaginação e o sentimento para um deslocamento elevado pela constatação da beleza.
Dividido em três capítulos: "poemas caindo&quo…

Joseph Conrad no coração das trevas (Parte 1)

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Por Rafael Narbona


O coração das trevas apareceu em 1902. Uma estadia de seis meses no Congo dizimado na época pela ganância de Leopoldo II da Bélgica inspirou Joseph Conrad, um oficial da marinha mercante britânica, a escrever um pequeno romance que inclui uma versão sombria sobre a natureza humana e uma reflexão sobre o mal a partir de uma perspectiva metafisica e simbólica. O coração das trevas não é um romance histórico e sim uma poderosa metáfora que transcende as épocas revelando as limitações da linguagem e da inteligência humana para expressar a complexidade do mal. O ódio ao outro, ao marginalizado, ao diferente, nasce de um impulso sombrio que Freud considerava um elemento essencial de nossa vida psíquica.
Não surpreende que Francis Ford Coppola tenha se inspirado no trabalho de Conrad para recriar a crueldade da guerra em Apocalypse Now (1979), mostrando que a violência homicida obedece a certos lugares da política e da história, mas, em último termo brota de um impulso irr…

A descoberta da realidade em O Aleph, de Jorge Luis Borges

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Por Candido Pérez Gallego


As duas citações apresentadas na abertura de O Aleph indicam ao leitor as duas dimensões entre as quais se move este conto. A referência a Hamlet, com uma alusão ao infinite space se liga com uma menção ao Leviatã onde se fala sobre Infinite gretnesse of Place. As duas coordenadas mantêm com O Aleph uma espécie de oportuno prólogo e ambas frases, a de Shakespeare e a de Hobbes, nos oferecem um testemunho sobre a infinitude. Daí que devemos entrar em O Aleph com um vago pressentimento de que esconde algo marcado de eternidade. É assim que Borges se comunica com o futuro. Suas narrativas, tão rodeadas muitas vezes do presente com centenas de referências e suportes bibliográficos, se perdem no que seja o tempo porvir; são como projetos improváveis, hipóteses incertas. O Aleph não é uma exceção.
A história que Borges nos conta está centrada numa figura pertencente a esse plano ambíguo real-ideal que se chama Beatriz Viterbo. Os heróis da obra do escritor são como…