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Historicidade como signo de autonomia e liberdade

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Por Rafael Kafka

“Somente quando a ontologia do marxismo for capaz de praticar coerentemente a historicidade como fundamento de qualquer conhecimento do ser no sentido do profético programa de Marx, só quando, reconhecendo determinados princípios últimos com prováveis e unitários de todo ser, passam a ser compreendias corretamente as diferenças entre as esferas ontológicas particulares e a 'dialética da natureza' já não mais se apresenta como uma equalização uniformizante de natureza e sociedade, que muitas vezes deforma o ser de ambas de várias maneiras, mas como pré-história em termos categorias do ser social”. 
Lukács,  Prolegômenos para uma ontologia do ser social, p. 189
Há uma preocupação constante de Lukács em seus Prolegômenos para uma ontologia do ser social em definir os rumos de uma ontologia da condição humana que foque nos elementos sociais e de singularidade presentes nela, algo muito deturpado por seguidores e críticos sectários do marxismo, os quais muitas veze…

Na pureza do sacrilégio, de Carlos Cardoso

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Por Pedro Fernandes





E como falar de outra forma? de cortar e reformatar o futuro, e assim querer e ser sem par.
A pergunta lançada pelo primeiro poema de Na pureza do sacrilégio é capciosa: abre-se em direção a pelo menos outras duas interrogações. A primeira delas é produto da angústia de todo poeta. Num tempo quando perdemos as contas de vozes tão singulares e válidas por gerações e temporalidades, o que ainda resta dizer em forma de poema? A outra, derivada desta, como ser outra vez voz entre vozes depois de algumas largadas? Não pense o leitor que as respostas venham logo em seguida. Nem no livro; tampouco aqui. Ao contrário o poema abre-se em outras indagações e finda por se constituir um canto angustiado de alguém que parece sentir-se a esmo à procura de uma resposta, mesmo sabedor de que esta não vem ou não existe (em matéria de poesia) de forma simples e objetiva. O mesmo vale para estas notas. O bom poeta é cônscio de que a única resposta deve ser a que se constrói autêntica.…

Duzentos anos com “Frankenstein”

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Por César AntonioMolina

Os românticos foram a Genebra atraídos pela estrela de Rousseau. Lord Byron escreveu seu célebre poema “O prisioneiro de Chillon” e dedicou a François Bonivard. Formando ângulo com o Petit Palais (um magnifico museu de arte contemporânea), a rua de Saint-Victor recorda um lugar onde esteve um antigo priorado construído na Idade Média. Em princípios do século XVI foi nomeado prior Bonivard a quem em 1530 os Saboyanos prenderam no castelo de Chillon. Solto em 1536 por seus compatriotas, escreveu uma história de Genebra cuja publicação foi proibida por Calvino porque não gostava de seu estilo. Byron resgatou Bonivard do esquecimento e suas crônicas finalmente foram publicadas em 1831.
Byron e os Shelley hospedaram-se em Vila Moynier que, durante anos foi o conhecido Hotel d’Aglaterre. Inclusive, em 1818, o escritor e político francês Benjamin Constant passou nele sua lua-de-mel com sua antiga amante, Madame Staël. Mas Frankenstein nasceu às margens do lago Leman, …

Ler literatura pode ser literatura

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Por Manuel Vilas 


Com um título um tanto provocativo, El derecho a escribir mal [O direito de escrever mal, sem tradução brasileira], acaba de ser publicada uma antologia dos ensaios do crítico estadunidense Lionel Trilling (1905-1975). Nela se encontram artigos sobre Liev Tolstói, Mark Twain, Rudyard Kipling, Hemingway, Scott Fitzgerald, Isaac Bábel, Vladimir Nabokov, Gustav Flaubert e Edith Wharton, sobre a função social da literatura e, como não, sobre a morte do romance. Em seguida é preciso dizer que Trilling é um ensaísta que eleva a crítica literária a uma categoria próxima à da filosofia moral. Seus interesses são muito variados, mas quase sempre prevalece nele uma interpretação da literatura que une idealismo e sociologia.
O ponto de vista de Trilling sobre a literatura envelheceu um pouco e nota-se, com certa melancolia, que estes ensaios foram escritos no meio do século em uma época desapressada; como denota certa ingenuidade do mundo teórico anterior ao advento das tecnolo…

Amor, casais e casamentos em William Shakespeare (1)

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Por María Méndez Peña




o noivado, o casamento e o arrependimento podem ser comparados a uma giga escocesa, um minueto e uma pavana. Beatriz em Muito barulho por nada
Fazemos aqui uma passagem por momentos e trajetórias na vida de William Shakespeare, vida vinculada à sua família, suas experiências juvenis cotidianas em Stratford, seu casamento e certamente o teatro em Londres. Acompanha-nos uma expressão que há muitos anos compartilho: “Somos admiradores de Shakespeare até à idolatria ou melhor além da idolatria”1 – como dizia James Joyce. Ele é quem mais e melhor se aproximou à vida de Shakespeare e seu romance Ulysses é nesse ínterim uma referência constante. Também os eruditos trabalhos de Harold Bloom e Stephen Greenblatt2 têm sido os fios para atar cabos dada a amplitude e complexidade do tema.

Meu gosto e admiração pelos clássicos estiveram vinculados ao estudo de suas obras em cátedras e seminários realizados em Mérida durante trinta anos contínuos sob a orientação cativante de …

Boletim Letras 360º #283

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Na sexta-feira, 10 ago '18, realizamos o sorteio do belíssimo livro J. R. R. Tolkien & C. S. Lewis: o dom da amizade, de Colin Duriez. E, como lembramos no comentário de divulgação do nome do ganhador e de agradecimentos às leitoras e leitores que participaram desta atividade, em breve sortearemos outro exemplar do mesmo título. Essas atividades fazem parte de uma parceria assumida entre o Letras e a casa editorial HarperCollins Brasil na divulgação da obra de Tolkien que ela passa a reeditar e com novas traduções, sublinhe-se. Já neste Boletim, o leitor lerá sobre o grande inédito que é apresentado este mês aos leitores brasileiros e em simultâneo ao lançamento da obra entre os leitores de língua inglesa. Boas leituras!


Segunda-feira, 06/08
>>> Brasil: O último dos três Grandes Contos Perdidos do legendário de J. R. R. Tolkien
A queda de Gondolin narra a jornada de Tuor rumo à cidade secreta de Gondolin, refúgio élfico do povo do Rei Turgon. Contra a bela cidade, leva…