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Boletim Letras 360º #245

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Muito próximos de atravessar a porteira dos dez para os onze anos online, temos notícias. Os que acompanham este blog desde há muito (e leram nosso histórico) sabem que é a porta de entrada para um amplo território de ideias que aqui nasceram e estão livres na web, fazendo história. Uma das iniciativas nascidas daqui (e sempre com o intuito de chegar a mais leitores e da melhor maneira possível) foi o Selo Letras in.verso e re.verso. Era 2010, e o que primeiro editamos foi um catálogo (muito primitivo — as limitações sempre foram diversas) com fotografias do autor de Ulysses, James Joyce. Revisitamos esta ideia do selo reiteradas vezes interessados em encontrar um nome mais breve que nos representasse e agora chegamos a uma possibilidade; não é muito criativa e é, possivelmente, uma saída um bocado técnica, mas com ela continuamos essa história. Saiba mais aqui. No mais,  terão percebido os mais atentos que o endereço de morada é novo: estamos agora em blogletras.com. A entrada é nov…

Paulo de Tarso Correia de Melo: poeta-maior

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Por Márcio de Lima Dantas


A obra reunida do poeta Paulo de Tarso Correia de Melo (Talhe rupestre: poesia reunida e inéditos. Natal: EDUFRN, 2008) comprovou o que a crítica mais especializada, não impressionista, e exigente, já sabia: é o nosso poeta-maior. Claro que temos bons poetas, oriundos das melhores cepas, porém muitos carecem de um fôlego lírico mais denso, capazes de manter a mesma alta voltagem estética em cada livro que publica, bem como a capacidade de manusear formas poéticas advindas de múltiplas tradições da literatura ocidental. Eis dois dos principais atributos do nosso poeta: tanto manuseia com propriedade o verso de fatura tradicional quanto as formas livres e brancas, desprovidas da sintaxe normativa.
Acrescenta-se a isso uma notável capacidade de transfigurar por meio do discurso poético o prosaico do cotidiano, elevando as coisas ditas banais a uma categoria no qual se inscreve o primado do digno, da beleza e do lugar no qual se pode extrair um conteúdo sentencio…

José Saramago e Jorge Amado. A arte da amizade

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Por Pedro Fernandes


A coisa mais bonita de ressaltar na relação entre os homens é uma amizade – seja qual for seu nível. Não falo sobre a amizade por puro e gratuito interesse, que essas são súcubas, mormente daninhas, porque em parte estão alimentadas por um sentimento muito doentio chamado inveja. Também não é o caso de a inveja ser estritamente danosa. Não é isto. Como todos os sentimentos têm dupla face e são fundamentais para o equilíbrio das pulsões do mundo, este é sumamente necessário porque é uma força motriz ao ser e ao fazer dos indivíduos. Tanto é verdade isso que as obras literárias são, desde sempre, para citar um exemplo, produtos de uma inveja. Qual escritor não traz consigo uma certa ponta de frustração quando descobre uma obra sublime e depois de constatar “ah, como eu gostava de haver escrito isso” se vê motivado a “eu posso escrever algo como ou melhor que isso”? Se é verdade que assim não se sente faltam-lhe algumas necessidades indispensáveis ao gênio criador com…

Os noivos, de Alessandro Manzoni

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Por Pedro Fernandes


O romance Os noivos forma, juntamente com outros livros do seu século, parte na extensa quantidade de obras que contribuíram para a consolidação desta forma narrativa. Esta afirmativa considera uma estirpe nascida nos anos de 1600 com obras como Dom Quixote, a grande novela de Cervantesque para alguns inaugura uma forma moderna de narrar, As aventuras de Tom Jones, de Henry Fielding, ou Moll Flanders, de Daniel Defoe. Isto é, integra o rol dos chamados romances realistas, estética que depois terá se tornado escola, e de pretensa forma superada à forma ainda em alta na tradição da forma romanesca.
Para a Itália, este romance assume ainda outro papel, o de ter sido aquilo que as obras acima citadas e que o antecederam foram: um precursor da forma moderna de narrar. O que surpreenderá – e nem tanto se nele o leitor entrar sabendo que entra num clássico – é sua atualidade em várias das opiniões destiladas pelo narrador. Esta figura é fabricada à maneira do recurso rea…

A relevância atual de Memórias do cárcere, de Graciliano Ramos

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Por Maria Vaz


Graciliano Ramos dispensa apresentações – já foi alvo de muitos textos publicados pelo Letras in.verso e re.verso. Nessa medida, com este texto temos apenas a pretensão de furtar uma obra que assume carácter autobiográfico para, a partir daí, expor a sua relevância atual para o meio jurídico e artístico brasileiro na atualidade.
Em Memórias do cárcere o autor disserta sobre o azar existencial que o levou à prisão, motivado pela suposição de que estaria envolvido numa tentativa de golpe contra o governo autoritário de Vargas – episódio que ficou conhecido na história como Intentona Comunista. Contudo, a obra de Graciliano Ramos em questão é extensa, dividida em quatro volumes, e a sua publicação teve lugar apenas a título póstumo, sendo que o autor não chegou a terminar o último capítulo.
Em torno da publicação da obra em questão geraram-se muitos rumores de que poderia ter sido alvo de censura ou, por outras palavras, que houvera exigência de eufemismos ou suavizações daq…

Nem autor nem autoridade

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Por Luis Magriyà


Ao longo do século XIX, o gênero romanesco foi estabelecendo uma aliança entre autor e autoridade que, já propiciada pela etimologia, passou pelas previsíveis fases de confiança, presunção, ceticismo e burla sem nunca renunciar um fim; é curioso, por isso, que agora já topicamente chamamos “o controle férreo do narrador”. De fato, tais fases não foram tão sucessivas como simultâneas, porque os romancistas, conscientes de ter o “controle”, se permitiam alternar, até numa mesma obra, o crédito com o descrédito, a satisfação com a frustração, a bravata com o ridículo. Como nada deles escapa, embora de fato se escapasse, podiam fazer ambiciosas histórias sérias como Balzac ou Zola, Tolstói ou Dostoiévski, engraçadas como Thackeray ou Dickens (e Dostoiévski também), ou delicadíssimas como Turguêniev... ou delicadamente cruéis como Flaubert.
A consciência de que sim, pelo amor de Deus, sempre há algo que escapa talvez tenha sido responsável pelo caso de Tchekhov não se dedi…

Boletim Letras 360º #244

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Amigos, esta é a edição da semana que copia as novidades que foram trazidas esta semana na página do Letras no Facebook. Eis o convite para revê-las. 


Segunda-feira, 06/11
>>> Brasil: Uma antologia para o leitor entrar na obra de Torquato Neto
Ele foi um dos protagonistas do Tropicalismo. Ficou conhecido especialmente por suas composições com Caetano Veloso, Gilberto Gil, Edu Lobo e Jards Macalé, mas foi também colunista de diferentes jornais: escrevia sobre a arte vanguardista e marginal. Torquato Neto. Essencial é organizado por Italo Moriconi e publicado pela Autêntica Editora. A obra oferece uma amostra do essencial na obra de poeta, reunida a partir de um legado textual disperso e fragmentário, proveniente de diferentes fontes – jornais da grande imprensa e da imprensa alternativa, cadernos pessoais, datiloscritos e manuscritos vários.
>>> Brasil: Depois de uma caixa com a poesia completa, outra com as crônicas que Cecília Meireles escreveu sobre educação
Mais d…