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Boletim Letras 360º #254

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O ano para nós já tem data para começar: 29 de janeiro. E começará com novidades. Em meados do 2017, fizemos uma chamada nas redes sociais, apesar das portas desta casa estarem sempre abertas para novos colaboradores, para selecionar colunistas para o Letras. Recebemos e-mail de 65 pessoas interessadas; destas, 19 responderam ao nosso retorno; e 3 chegaram ao final da seleção. A partir deste ano contaremos com Luiz Mendes, Guilherme Mazzafera e Wagner Silva Gomes. Mas, se você é um interessado em fazer parte do clube, recomendamos ler nossa proposta editorial aqui. Vamos que vamos!

Segunda-feira, 15/01
>>> Brasil: Livro do pai do epigrama ganha nova tradução e edição
O epigrama é uma forma poética breve, marcada pelo estilo satírico e engenhoso; Epigramas compila 219 poemas de Marco Valério Marcial. O tema principal dos Epigramas é Roma, a cidade onde vivia o poeta, mas a antologia agora apresentada reúne uma variedade de poemas: sobre amor e amizade, sobre a boemia, reflexõe…

Quando as manhãs eram flor, de Pedro Belo Clara

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Por Pedro Fernandes

De tanta morte gerámos flores,
de tanta vida bebemos sol.
Pedro Belo Clara é um dos raros jovens de uma geração – e tom desta consideração pode não encontrar eco no contexto português porque é tomada a partir de uma visão brasileira embora pareça que as transformações se deem já de mesma forma em toda parte – é um dos raros jovens de uma geração, dizíamos, em que a escolha da vivência com a palavra constitui uma espécie de obsessão manifestada na contínua demonstração pública de que esta, a palavra, lhe é o domínio da existência.
A geração dos anos 1980 foi concebida no interior de um domínio que se tem revelado cada vez mais cruel e desfavorável ao desenvolvimento dessa vivência, o domínio capital que em tudo que toca torna coisa. Embora, é claro atravessemos uma era da escrita, pressupõe-se que a palavra seja para o que dela se alimenta mais que uso; para este sujeito manipulador da linguagem é necessário a naturalização dos usos estéticos. Isto é, no coração da …

A forma da água, de Guillermo Del Toro

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Por Pedro Fernandes


Guillermo Del Toro amplia seu catálogo de criaturas fantásticas. Agora, dá vida a uma forma de vida meio transitória entre o peixe e o homem, sustentado por duas ideias, a científica, de que toda a vida desde a origem veio da água e a do imaginário mítico, que atribuiu durante muito tempo a existência em lugares remotos da terra de seres desconhecidos e condenados ao desconhecimento porque o império do medo tem o grande poder de, muitas vezes, nos afastar da grande descoberta e é um dos principais gestores do pré-conceito, esse que tornado preconceito destrói e mata o que não pertence à ordem determinada como normal.
O universo fabuloso e recorrente nas narrativas fílmicas do diretor mexicano não está, como também lhe recorrente, apartado da realidade comum; ao longo de seus trabalhos é perceptível que sua compreensão de fantasia não está dissociada do trivial e isso é, sem dúvidas, um dos elementos que contribuem para reduzir o fosso desleal forjado entre realidad…

Boletim Letras 360º #253

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Até o dia 28 de janeiro estão abertas as inscrições para participar da promoção que sorteará cinco leitores; o primeiro do grupo poderá escolher entre as edições colocadas para sorteio: A noite da espera, de Milton Hatoum; Laços, de Domenico Starnone; O marechal de costas, de José Luiz Passos; a edição especial de A hora da estrela, de Clarice Lispector; e Uma forma de saudade, diários de Carlos Drummond de Andrade. Para participar é bastante simples. Tudo em nossa página no Facebook, de onde copiamos as notícias deste boletim.



Sábado, 06/01
>>> Brasil: Morreu Carlos Heitor Cony
Apesar da notícia sobre a morte do escritor ser divulgada pela imprensa no sábado, a informação é de que aconteceu na sexta-feira, 5 de janeiro. Carlos Heitor Cony vivia no Rio de Janeiro, onde nasceu  em 1926; além de exímio escritor, atuou como jornalista e era editorialista no jornal Folha de São Paulo. Membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) desde 2000, escreveu romances (entre os quais se de…

Me chame pelo seu nome, de Luca Guadagnino

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Por Pedro Fernandes


O filme de Luca Guadagnino é uma leitura de um romance de mesmo título do egípcio André Aciman: narra os acontecimentos de uma temporada de férias na vida do adolescente Elio, na casa de campo da família em 1983; explora o tema do primeiro amor e do amor de verão por um ângulo incomum capaz de despir uma narrativa do gênero do romance piegas. E isso não acontece porque o primeiro amor no caso é entre um garoto em processo de autodescoberta do corpo e dos desejos e um homem de elevada experiência; também não é o caso de o cineasta se distanciar de elementos sempre recorrentes nessas narrativas, porque aí estão os medos dos amantes, a realização dos seus desejos e as decepções.
Acontece que Me chame pelo seu nome é a prova de que há muito o cinema tem se distanciado do sentido que lhe é mais caro: contar uma história capaz de propiciar ao espectador o deleite com o belo e a catarse. Este filme consegue as duas coisas ao nos pegar pelo braço e nos tornar cúmplices do …

Boletim Letras 360º #252

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No último boletim anunciamos que planejávamos a primeira promoção de 2018; esta semana divulgamos em nossas redes sociais que sortearemos cinco livros em nossa página no Facebook: A noite da espera, de Milton Hatoum; Laços, de Domenico Starnone; O marechal de costas, de José Luiz Passos; a edição especial de A hora da estrela, de Clarice Lispector; e Uma forma de saudade, diários de Carlos Drummond de Andrade. Fiquem atentos! A seguir as notícias que copiamos em nosso mural no Facebook.


Segunda-feira, 01/01
>>> Brasil: 4321 o retorno de Paul Auster
São mais de oito centenas de páginas com a história de um jovem que atravessa as décadas mais complexas dos Estados Unidos no século passado. O livro é apresentado sempre como um romance de fôlego que exige muito ao leitor. Há um protagonista, o jovem que faz quatro em um, de nome Ferguson, que leva o leitor a viajar pela sua vida. Centrado em si, as ondas da percepção daquela sociedade vêm até ao leitor de forma suave: a história …

A descoberta da escrita, de Karl Ove Knausgård

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Por Pedro Fernandes


Desde A morte do pai, o primeiro volume de Minha luta, um extenso romance no qual Karl Ove Knausgård esboça passar a limpo sua vida, já era possível suspeitar a que se refere este simbólico título que encontra ecos em tradições não tão celebrativas no universo dos livros – ao dizer isto, pensamos no mesmo título escolhido por Adolf Hitler para sua imoral autobiografia. E contra o quê luta o escritor norueguês? A resposta para a pergunta está pronta e a essa altura, quando da leitura do quinto volume de um total de seis que formam sua obra-prima, é possível apresentá-la sem receio do erro ou da contradição.
Em A descoberta da escrita, Karl Ove Knausgård trata de explorar os lugares, as situações e a insistente tentativa de escrever. Mais que isto: de construir o que poderíamos chamar de ethos do escritor. Por toda a parte está em contato com figuras, grande parte delas são pessoas mais jovens que ele, entregues ao ofício de manipulação da palavra, sérias e dedicada…