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Boletim Letras 360º #280

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Fechamos mais uma dezena de boletins e somamos quase três centenas de semanas desde quando passamos a organizar esta post fixa de sábado. E antes de passarmos às notícias que copiamos em nossa página no Fecebook, vamos lembrá-lo que nesta mesma rede se pode acessar a um conjunto de títulos que colocamos à venda; é o que carinhosamente chamamos de Sebinho do Letras.


Segunda-feira, 16/07
>>> Brasil: Caixa reúne a versão original de 77 contos dos Irmãos Grimm
Coletados há mais de duzentos anos, os contos e lendas dos irmãos Grimm vêm encantando geração após geração e chegaram aos dias de hoje incrivelmente populares. Eles já foram traduzidos para mais de 160 línguas e ganharam diversas versões ao longo dos anos, em livros ilustrados, desenhos animados, peças, filmes e histórias em quadrinhos. Muitos detalhes, porém, foram amenizados nessas adaptações. Com a tradução consagrada de Íside M. Bonini, esta antologia resgata a versão original das 77 melhores histórias, cuja seleção fi…

Félix Krull e o jogo de identidades

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Por Rafael Kafka

Thomas Mann é um autor que muito agrada ao meu existencialismo. Há nele uma grande atenção às manifestações de ser mais elementares e minuciosas do ser humano. Para focar em tais manifestações, Mann se utiliza de uma narrativa focada no romance de formação e em elementos de contraposição entre escolhas do eu e do ambiente circundante. Nesse sentido, podemos dizer que em seus romances mais célebres o autor alemão coloca como protagonista a indefinição da condição humana e a consequente angústia daí oriunda.
Em alguns textos como Sua Alteza Real, Mann mostra como elementos da liberdade humana são sacrificados aos poucos no sentido de construção da identidade de dado complexo existencial. Para a construção do ser-para-reinar é necessária a morte do ser-para-si com sua liberdade de escolha e projeção dentro da mundanidade cotidiana. A contraposição entre a subjetividade e a objetividade do indivíduo gera uma dimensão de existir puramente voltada para o mundo externo, par…

A única história, de Julian Barnes

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Por Pedro Fernandes


“Romance: uma pequena história, geralmente de amor.” Não é um exercício gratuito o de Julian Barnes estabelecer como epígrafe de A única história, esta definição de Samuel Johnson encontrada em A dictionary of the English language, de 1755. Embora seja apenas uma entre as várias proposições cunhadas em quase quatro séculos de história, a essencialidade do romanesco jamais perdeu essa pitada adquirida no momento glorioso da forma. Não apenas por isso; o escritor inglês contorna com as tintas do tempo o tema do enlace amoroso, do seu nascimento quase sempre ao acaso à ruína, quando o sentimento, paredes-meias com o ódio a abjeção, ganha caminhos inesperados para os amantes.
Em A única história reforçam-se mesmo alguns estereótipos da narrativa clássica: o amor impossível, a dedicação exacerbada dos amantes e a renovação da ideia de que mesmo ante a possibilidade de amar mil vezes, uma só experiência é a que marca em definitivo a vida dos amantes. Desses três elemento…

O último suspiro, de Daniel Roby

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Por Pedro Fernandes


Um leitor de Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago, não deixará de estabelecer, à primeira vista, uma relação entre esta obra e o filme de Daniel Roby. É que aqui, como no romance do escritor português, estamos diante uma modificação radical e casual do mundo qual o conhecemos pela instauração de uma situação-limite capaz de conduzir a humanidade a uma profunda revisão de seu estágio e de sua condição.
Num dia qualquer, um tremor de terra favorece o aparecimento – ao menos é este o diagnóstico primeiro apresentado pelas autoridades – de um pesado nevoeiro branco que cobre até certa altura quase toda Paris. A princípio os sobreviventes são aqueles que moram em lugares mais altos, os que conseguem se refugiar para o telhado ou pessoas como Sarah, a filha do casal Mathieu e Anna, quem, devido a uma rara doença precisa viver presa a uma câmara estéril. Com este grupo, Daniel Roby depositará o fio de esperança despontado no final da narrativa e abrirá a construção d…

A arte do romance

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Por Antonio Muñoz Molina


Terminei de ler The other house e fiquei um tempo com o livro nas mãos, sem fazer nada, deixando que o romance se fixasse em mim, como quando termina um filme no cinema e alguém ainda está tão tomado pelo que viu que não se move do seu assento e não tem vontade de se levantar nem de sair logo à rua. (Deveria existir momentos assim num concerto, ao final de uma obra, parêntesis respeitosos de silêncio, antes do frenesi algo exibicionista dos aplausos). Depois de terminar Ther other house e de ficar paralisado por um tempo voltei ao começo e me concentrei de novo na leitura, agora com a clareza da segunda vez, que me permite dar conta de todos indícios que Henry James vai insinuando desde a primeira página. Sempre se está distraído quando se começa um romance. É como entrar da rua num lugar em penumbra. Há pormenores fundamentais que não se ver logo de primeira: motivos que se enunciam rapidamente, mas que o ouvido não sabe distinguir. Por isso um romance que me…

Górki, os engenhos da alma e o novo homem soviético

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Por Javier Bilbao



É verdade que a empatia não era um dos pontos fortes de Stálin, não que fosse mal em julgar a psicologia dos que o rodeavam, fosse para detectar traidores ou para se servir deles com mais eficácia. Maksim Górki o calou certa vez: “És um homem vaidoso, devemos prendê-lo com correntes ao partido”. Assim, o escritor que passou um tempo autoexilado da União Soviética, fora do alcance repressor do regime, alguém que havia mostrado em ocasiões um critério independente e que pode converter-se totalmente num símbolo da dissidência ante os olhos do mundo, terminou sendo vigiado na volta à redoma, onde teria lugar uma relação simbiótica entre o intelectual e o poder extraordinariamente proveitosa para ambos. De maneira que sua cidade natal Níjni Novgorod passou a se chamar Górki, assim como uma das principais ruas moscovitas; recebeu a Ordem de Lênin, uma mansão e uma casa de campo junto a substanciosas somas de dinheiro; foi investido do cargo de presidente da União de Escrit…

Boletim Letras 360º #279

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Amigas e amigos do Letras, os que nos acompanham ativamente por aqui e nas nossas redes sociais já sabem que a obra do mestre J. R. R. Tolkien está em nova casa e passa a ter novas traduções no Brasil. Se ainda não sabem, o nosso colunista Guilherme Mazzafera preparou uma post em nosso Tumblr sobre as novidades. A partir dele, nós temos duas notícias que vocês deverão amar: somos agora parceiros da editora HarperCollins Brasil e todas (anote bem) todas as obras do Tolkien que forem publicadas, ganharão texto aqui no blog e (o melhor) terão exemplares para sorteio entre vocês a partir de nossa página no Facebook. Nada a perder! Agora, passemos às notícias apresentadas durante a semana lá no nosso oásis. Agradecemos a visita. Boas leituras!


Domingo, 08/07


>>> Inglaterra: O paciente inglês, de Michael Ondaatje foi coroado o melhor trabalho de ficção das últimas cinco décadas do Prêmio Man Booker.

No ano do cinquentenário o Man Booker criou um prêmio exclusivo para revelar o dest…