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Onze romances recomendados por Mario Vargas Llosa

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Mario Vargas Llosa é um desses autores integrados ainda em vida ao círculo dos grandes nomes da literatura universal. Autor de uma obra excepcional ― termo que pode se estender em várias dimensões, em quantidade e em qualidades criativa e literária, é também um grande leitor; talvez essa segunda constatação em relação à primeira ofereça alguma redundância, tendo em vista que a qualidade de um escritor mede-se pelo seu convívio com os livros. Quando ingressamos no isolamento social devido à pandemia do Corona vírus, o escritor peruano disse que estar em casa o permitia se dedicar melhor à leitura e pelo menos dez das vinte e quatro horas do dia passava diante de um livro. Quer dizer, um privilégio invejado por qualquer um que, ativo para o ato de ler, precise ocupar o dia com coisas desenxabidas: a burocracia do trabalho, a repetição cansativa do serviço doméstico, o stress da vida fora de casa, agora mais perigosa etc. O trabalho de leitor exercido por Mario Vargas Llosa resultou em ens…

George Orwell, a verdade está fora das redomas de poder

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Por Pedro Fernandes


Passado o século dos grandes totalitarismos, conseguimos acreditar que na democracia como um sistema se não o mais seguro para as liberdades individuais e coletivas o mais representativo e coerente. É possível que a segunda possibilidade ainda se sustente enquanto valor indelével; a primeira, entretanto, para os mais céticos, nasceu caduca. E reside nela algumas linhas fundamentais para o debate sempre adiado enquanto ainda for possível revisar o sistema, aperfeiçoá-lo em direção ao que se propõe. Mesmo que os rumos tenham sido alterados para o impasse e mesmo sua falibilidade, fora do ideal democrático ― já sabemos ― tudo é sempre pior. Agora, o levantamento do capitalismo predatório deixa sempre à mostra que as representações de poder não passam disso, no pior sentido do termo, são falseamentos de poder, uma vez as regras do mando evoluírem num tabuleiro nem sempre às vistas da sociedade. Sua visibilidade, aliás, começa a partir de quando se revelam mais nitidament…

O novo cânone literário afro-americano

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Por Josep Massot



Ralph Ellison, o autor de Homem invisível, dizia, numa das cartas publicadas em dezembro pela Random House, que sonhava em confrontar sua literatura com a dos maiores escritores, “descobrir quem e o que eu sou, o que é a vida e o que é a arte”. Teria gostado de “escrever simplesmente como estadunidense ou, melhor ainda, como cidadão do mundo, mas isso é impossível agora porque estaria flutuando no ar das abstrações, enquanto o único fogo que ilumina essas abstrações nasce precisamente por ser negro e em toda a ‘experiência sentida’ que implica ser negro americano”. E se podia fazer em dez tons, por que fazê-lo em apenas cinco, defendeu-se com um símile musical diante de seu amigo Richard Wright (Native Son), fugindo do clichê do preto assumido pelo branco bem-pensante. Esse mesmo compromisso ético com a excelência literária e com a comunidade seria assumido por James Baldwin, Maya Angelou, Terry McMillan e Toni Morrison, entre outros. E, décadas depois, ainda é mantida …

Retrato do escritor bipolar

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Por Rafael Narbona


Embora a etiologia da doença seja desconhecida, há um relativo consenso de quando se trata de um distúrbio bioquímico, de origem genética e hereditária, mas com influências externos. A angústia, a ansiedade ou uma experiência traumática podem desencadear um surto e levar ao suicídio. Uma parcela de 20% dos doentes tira a própria vida e pelo menos 50% tentam. A lista de escritores, músicos e pintores que se despediram do mundo com um trágico estampido ou um gesto silencioso ultrapassa qualquer estimativa superficial. Ernest Hemingway é um dos casos mais conhecidos. Filho de pai suicida, herdou a pistola que o deixou órfão por toda a vida. Com um humor oscilante, que o fez passar da euforia e imprudência a uma certa misantropia, no dia 2 de julho de 1961 explodiu a cabeça com uma espingarda de cano duplo. A ferida de Sylvia Plath Sua neta Margaux preferia o fenobarbital e escolheu uma data simbólica: o 1º de julho de 1996. Como o avô, ela sofria de depressão e se refugiav…

Vontade de ferro, de Nikolai Leskov

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Por Joaquim Serra



Nikolai Leskov (1831 - 1895) foi um escritor russo do século de ouro. O autor também ganhou espaço na Coleção Leste da editora 34 com a publicação do seu fabuloso Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk. Não menos importantes são as duas coletâneas de contos, A fraude e outras histórias e Homens interessantes e outras histórias. Leskov, que é “o mais original dos escritores russos”, segundo Górki, também é reconhecido por Thomas Mann como alguém igualável a Dostoiévski, mas não teve o mesmo destino deste escritor. Como ressalta Elena Vássina no ensaio presente no primeiro livro de contos citado aqui, Leskov, entre todos os escritores clássicos, “talvez seja o único que, durante sua vida, não tenha ganhado o devido reconhecimento nem dos leitores, nem dos críticos” (2012, p.203). O que nos leva a supor, talvez, que o famigerado texto de Benjamin, O narrador, seja mais lido que o próprio autor que ele considera um narrador distante dos outros pela experiência vivida e ouvid…

Boletim Letras 360º #397

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DO EDITOR 1. Saudações, caro leitor! Os boletins, na aproximação com o fim do ano ― e ainda mais num ano atípico em relação aos outros ― começam a emagrecer. Esta é uma post semanal criada desde quando os algoritmos do Facebook passaram a trair nós todos. Reúnem-se aqui todas as notícias compiladas ao longo da semana naquela rede social. Obrigado pela companhia por aqui e noutros canais do blog. Boas leituras!




LANÇAMENTOS
Coletânea reúne contos de fadas da literatura russa.
Os contos de fadas começaram a ser coletados com mais intensidade em diversos países na época do Romantismo, como uma maneira de resgatar as histórias contadas pelo povo ao longo de séculos. Os originários da Rússia, no entanto, são menos conhecidos no Ocidente e têm características próprias, como a forte ligação com a natureza, na qual o inverno, por exemplo, é personificado num ser que pode ser bom ou mau, dependendo da forma como se lida com ele. Nos contos russos as mulheres também são muito menos passivas, e delas…