Boletim Letras 360º #557

DO EDITOR
 
1. Olá, leitores! Até o fechamento da edição deste Boletim contamos nove inscritos para o último sorteio do ano entre os apoiadores do Letras. No início da semana lançamos o desafio de acrescentar duas novas apostas: os títulos O homem que matou o escritor, de Sérgio Rodrigues, edição da Companhia de Bolso publicada recentemente; e Se um viajante numa noite de inverno, de Italo Calvino, edição especial em capa dura com acabamento em tecido, da Companhia das Letras. Mas isso se alcançarmos 16 inscrições.
 
2. O sorteio acontece hoje, 11 de novembro, no início da noite, quando começamos a divulgar os sorteados nos stories em nossas contas no Instagram e Facebook. Bom, até lá podemos chegar ou não ao número de participantes que daria seis e não quatro chances de brindes.
 
3. Além dos títulos possíveis, revisamos que estão confirmados: Por que ler os clássicos, de Italo Calvino, edição especial capa dura com acabamento em tecido, da Companhia das Letras; Mulherzinhas, de Louisa May Alcott, na lindíssima edição de luxo da Zahar; Orgulho e preconceito, também no mesmo projeto da mesma casa editorial; e Um, nenhum e cem mil, reedição da obra-prima de Luigi Pirandello pela Penguin, a que foi publicada pela extinta Cosac Naify.
 
4. Se interessa por algum desses títulos ou se quer apostar com a ajuda para presentear alguém, você envia PIX a partir de R$20 ou R$30 caso queira incluir um nome de sua afeição para concorrer ao sorteio.
 
5. Qualquer coisa, estamos sempre disponíveis nas redes ou através do e-mail blogletras@yahoo.com.br, que é, também a nossa chave PIX.
 
6. A todos que se inscreveram ou que nos tem ajudado de forma diversa, com a divulgação, com a companhia, registro já em nome do Letras, os agradecimentos.


Pagu, 1919. Arquivo Geraldo Galvão Ferraz.


LANÇAMENTOS
 
Homenageada da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), Pagu recebe uma variedade de publicações entre as principais casas editoriais no país, incluindo papéis inéditos do que seria uma obra.
 
1. Os cadernos de Pagu: manuscritos de Patrícia Galvão. Neste livro, Lúcia Teixeira, biógrafa de Pagu, apresenta cinco cadernos manuscritos inéditos da escritora, dos anos 1920 a 1960 (até sua morte), revelando aspectos desconhecidos, desde a incursão dela pelo Modernismo Antropofágico, a produção de texto na fase de adesão político partidária, seus primeiros passos como dramaturga, em inéditas peças teatrais, a partir de 1931, além de escritos sobre literatura e outros escritores e algumas cartas para Oswald de Andrade e Geraldo Ferraz, entre outros destinatários. Pagu nos guia, nessa inédita produção, como documentalista de si própria, em profusa e fragmentada autobiografia, dos anos 1920 até sua morte. Nestes cadernos estão registrados seu tempo particular, surpreendente e único, com seu modo vivo de pensar e de escrever o mundo. Ter estes manuscritos publicados em livro é um registro para tornar este material mais acessível e conhecido e um excelente objeto de estudo e pesquisa da vida e obra da escritora. São anotações, rascunhos, ideias para livros e peças de teatro, livros iniciados, e até uma lista de compras pessoal, que nos permite uma crítica genética do seu trabalho como escritora e perceber, de maneira mais sublime, seu estado de espírito em cada fase, em cada mudança e escolha de caligrafia, em cada acontecimento em sua vida pessoal. O livro é publicação do selo Nocelli/ editora Reformatório e Unisanta. Você pode comprar o livro aqui.
 
2. Até onde chega a sonda: escritos passionais. Durante o Estado Novo, Patrícia Galvão foi condenada por atividade comunista e detida em diversas prisões de São Paulo e do Rio de Janeiro entre 1936 e 1940, ocasião em que escreveu este texto que permaneceu inacabado e inédito até o presente momento, sendo uma de duas versões existentes. Trata-se, antes de tudo, de um escrito prisional que pode agora integrar um rol de livros do gênero, como os de Lima Barreto, Maura Lopes Cançado, Graciliano Ramos, Dyonélio Machado, entre outros. Diferente de todos os seus textos anteriores conhecidos, aqui se vê a face interior de Pagu. O contexto de angústia e de tortura física e psicológica é refletido no livro a partir de um forte teor existencialista, de repúdio à racionalidade e de busca constante por salvação. O manuscrito combina monólogos de alguém no limiar da loucura com passagens de um diálogo amoroso entre dois personagens: Mulher e Homem Subterrâneo, este, clara alusão às Memórias do subsolo, de Fiódor Dostoiévski. A linguagem cifrada e a opção pela correspondência amorosa talvez tenha sido o modo encontrado para driblar a censura e revelam o quanto Patrícia estava conectada com seu tempo, desenvolvendo ideias filosóficas e imagens literárias que reverberariam em trabalhos posteriores, por exemplo, A famosa revista ou as crônicas dos jornais A Noite e A Tribuna. Antecedido por um prefácio em que Silvana Jeha e Eloah Pina contextualizam a obra da autora, destrincham as principais referências intelectuais do texto e indicam possíveis caminhos para mais estudos, o livro conta ainda com documentos do prontuário da autora no Deops, incluídos como anexos, que contrastam com a imagem cristalizada pela opinião pública ― um manifesto inédito, a cronologia da autora, uma carta militante e listas de livros apreendidos que desmistificam os sensos comuns sobre essa intelectual pouco estudada. Cuidadosamente organizado por Silvana Jeha, o livro sai pela editora Fósforo. Você pode comprar o livro aqui.
 
3. Meu corpo quer extensão. Mara Lobo, Bebé, King Shelter, Solange Sohl. Esses são apenas alguns dos pseudônimos que Patrícia Galvão — a Pagu — adotou ao longo da vida e com os quais ousou escrever nos mais diversos gêneros. Nesta antologia, o leitor encontra um desenho do “Álbum de Pagu”, uma carta para Oswald de Andrade, um trecho de seu romance Parque industrial, outro extraído de Antologia precoce, o conto policial “A esmeralda azul do gato do Tibet”, publicado na década de 1940, e, por fim, o poema “Natureza morta”. Publicação da Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.  

4. Patrícia Galvão: Pagu militante irredutível. Maria Valéria Rezende era menina quando conheceu Patrícia, em Santos, no início da década de 1950. A princípio, assim mesmo, pura e simplesmente “Patrícia”. A amizade começou no Teatro Coliseu e se esticou até o Bar Regina, frequentado por artistas e pelos rapazes do Partido Comunista. Maria Valéria escutava o que a amiga mais sabida e experiente lhe dizia e, a partir de seu olhar, aprendeu a enxergar muito além. Não só o que estava em cartaz no teatro, ou o cotidiano da cena cultural santista, mas o que se passava no mundo. Na tarefa de recordar a amiga, Maria Valéria nos conta sobre as facetas por trás de cada nome. Mais até do que uma mulher liberta, Pagu – como ficou conhecida – se tornou um ser político, atuando em todas as frentes, e, extrapolando a política, se entregou à atuação social e artística. Quando se trata da vida de Maria Valéria, enxergamos também uma disposição incansável de mobilizar. Essas são memórias afetivas e apaixonadas; um perfil da autora de Parque industrial e com ele o retrato de um país e de uma era. Publicação do selo Rosa dos Tempos. Você pode comprar o livro aqui

O novo livro do poeta Jonas Leite.
 
Qual a sua urgência? Quais as urgências do nosso tempo? No seu terceiro livro de poemas Jonas Leite volta a observação poética para as questões que circulam nosso cotidiano, como a fome, a espetacularização da vida, o silêncio e a quase impossibilidades das relações, a liquidez dos afetos e os júbilos que merecemos viver. A poeta e crítica Maria Lúcia Dal Farra na apresentação do Livro de urgências destaca: “Jonas sabe bem que a fome dos famintos não tem nome, só tem rima. Que a ironia ajuda a caminhar e que, por vezes, traz até um kit de primeiros socorros – ou mesmo um combo de... sobrevivência. O pouco é bom. A escassez e a rapidez nos treinam para os golpes mortais e minam o ciclo perverso de Sísifo. ​E acrescenta: Por vezes, seu poema é um teorema vertiginoso. Ou então uma diminuta e torta definição. Um conselho de bolso, despretensioso. Às vezes, um almanaque recortado à tesoura cega. Mas sempre desfamiliar, sempre a contrapelo, protestando, expondo aos urros, com sua sirene de perigo, a sua crítica sobre o silêncio da vida atual.” O livro sai pela editora Urutau. Você pode comprar o livro aqui.
 
Outra face de Michael Löwy: a do experimentador com a imagem em contato com as expressões de um surrealista perdido no século XXI.
 
Imagens marcadas pelo movimento de exploração dos devaneios, associação livre de elementos de natureza distintas, estudos estéticos do pensamento metafísico, amostra de exercícios de navegação pelo inconsciente por meio do automatismo psíquico – nas mãos de Michael Löwy, pensador marxista, ecossocialista e surrealista radicado na França, conceitos filosóficos ganham forma de quimeras no papel em traços marcados, acima de tudo, pela espontaneidade. Em Luz negra: rabiscos, collages e guaches surrealistas as edições 100/cabeças apresentam pela primeira vez o trabalho visual de Löwy. Trata-se de um panorama de sua produção, que se inicia a partir de seus primeiros contatos com o surrealismo ainda na juventude, quando encontra Benjamin Péret em 1958, em Paris, e chega aos dias atuais. Marcante em seus estudos, o uso do traço livre percorre o branco das páginas dando contornos fluidos e cores que demarcam os territórios do inconsciente. “São collages, desenhos e pinturas criadas quando o espírito surrealista intervém, toma automaticamente a mão do artista e faz com que ele amplie a realidade a partir dos seus desejos” destacam Alex Januário e Elvio Fernandes na apresentação do livro. A arte é apresentada nesta publicação pela perspectiva surrealista, ou seja, como um “mecanismo, uma ferramenta anticapitalista de transformação e emancipação do espírito”. Diante dessas manifestações plásticas, escrevem Januário e Fernandes, instaura-se a liberdade. Para Löwy, essa prática alquímica acontece na passividade de pausas que se dão no interstício entre o voluntário e o involuntário, geralmente durante reuniões políticas enquanto toma notas no papel. Assim, “num certo momento, inconscientemente (?), começo a rabiscar monstros e quimeras em cima do texto supostamente sério”, escreve o autor a respeito dos rabiscos filosóficos, demônios do pensamento insurgente, apresentados na primeira parte da publicação. O exercício surrealista que conduz as investigações visuais de Löwy envereda também para o terreno da collage, equivalente à linguagem e à imagem poética dos surrealistas, na definição de Max Ernst. São várias as formas e suportes empregados pelo autor ao transfigurar a realidade por via dessa prática. “Há um cadáver delicioso composto voluptuosamente página a página, imagem a imagem, em que seu posicionamento surrealista, seus conceitos filosóficos e poéticos, insurgentes e revolucionários se encontram no profano fulgor filosofal da imagem” destacam Alex Januário e Envio Fernandes. O livro bilíngue circula no Brasil e na França. Você pode comprar o livro aqui.
 
Nova tradução e edição do principal romance de Nathaniel Hawthorne.
 
Pecado aos olhos de Deus, crime aos olhos dos homens — assim dita a moral puritana que domina os Estados Unidos do século XVII. Em uma sociedade que policia o corpo das mulheres, o adultério é o pecado capital — e Hester Prynne, ao engravidar de um homem que não é o seu marido, é condenada a uma pena perpétua: levar no peito um grande A escarlate como símbolo de sua vergonha. Descendente de homens que queimaram bruxas nas piras de Salem, Nathaniel Hawthorne escreve um romance que o distancia dessa herança maldita. Sua personagem Hester Prynne é adúltera e profundamente humana — e, diferente de outras famosas adúlteras da literatura mundial, como Emma Bovary e Anna Kariênina, não se deixa consumir pelo sentimento de culpa e de humilhação. Trazendo à tona questões essenciais como justiça, condenação, maternidade e poder do próprio corpo, o romance oferece uma poderosa reflexão sobre a natureza condenatória e hipócrita da sociedade, sobretudo com as mulheres. A edição da Antofágica de A letra escarlate conta com tradução de Mariana Serpa, ilustrações de Letícia Lopes e textos de Renata Corrêa Regina Urias (apresentação), Juliana Borges e Lívia Natália. O leitor pode ainda escanear o QR Code na cinta do livro para acessar duas videoaulas com Rita Isadora Pessoa, psicanalista e doutora em Literatura Comparada pela UFF, e se aprofundar ainda mais nessa obra consagrada. Você pode comprar o livro aqui.
 
A aparição de Luciany Aparecida.
 
No primeiro romance que assina com o próprio nome, Luciany Aparecida narra, com uma prosa lírica e de força singular, os trágicos acontecimentos que cercam um pequeno vilarejo rural no interior da Bahia. Mata doce é um romance delicado e poderoso que entrelaça passado e presente em uma obra majestosa, e desde já um marco da literatura brasileira contemporânea. Maria Teresa vive com suas mães num casarão antigo, cheio de histórias de seus antepassados, de frente para um lajedo de pedra. Pelo peitoril, corre um roseiral, apenas com rosas brancas, e, no caminho diante da casa, passam personagens memoráveis: Mané da Gaita, músico e vendedor de doce, e sua cadela Chula; Lai, ex-prostituta e sua madrinha; os gêmeos Cícero e Antônio, filhos do dono da venda; Toni de Maximiliana, vaqueiro matador de gado, filho da sacerdotisa Mãe Maximiliana dos Santos; e Zezito, único filho homem de Luzia, e por quem Maria Teresa se apaixona e planeja se casar. Ao experimentar o vestido de noiva num sábado de festa, um dia antes do casamento, uma tragédia envolvendo um fazendeiro violento e arbitrário atinge Maria Teresa e muda sua vida para sempre. Narrando o drama que se torna central, ela vai pouco a pouco desvelando ao leitor os sentimentos mais profundos dos que habitam Mata doce. Surgem então, numa delicada costura narrativa, antigas rixas familiares, segredos do passado, sentimentos clandestinos e muitos mistérios. O livro é publicado pela Alfaguara Brasil. Você pode comprar o livro aqui.
 
Uma narrativa distópica que se desdobra em discussões sobre papéis de gênero, estruturas sociais e violência.
 
Esta narrativa distópica, habilmente construída por Karin Hueck, se descortina em vários níveis. O romance trata das várias opressões que se infiltram até entre quem aparenta ser igual, em um mundo que já conseguiu eliminar uma das mais perversas formas de dominação. Assim como as tensões do casamento das personagens, que aos poucos vão se acentuando, a história desdobra-se em discussões sobre papéis de gênero, estruturas sociais, amor e violência. A segunda mãe sai pela editora Todavia. Você pode comprar o livro aqui.
 
As andanças da suíça Annemarie Schwarzenbach pelo Afeganistão.
 
Com uma vida tão curta quanto frenética, a suíça Annemarie Schwarzenbach foi escritora, fotógrafa, jornalista e viajante, tendo deixado uma impressão duradoura e algo assombrosa em quem a conheceu. Em junho de 1939, pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial, parte de Genebra, em companhia da escritora e etnógrafa Ella Maillart, rumo ao Afeganistão, em um Ford carregado de material fotográfico e máquinas de escrever. Percorrem 7 mil quilômetros pelo Leste Europeu, Bálcãs, Turquia e Irã, buscando se afastar de uma Europa convulsa. Este livro reúne textos escritos acerca dessa viagem, nos quais Annemarie reflete sobre a magia das paisagens, os contrastes trazidos por mudanças políticas e econômicas na região, seu interesse pelos povos, arte e história locais, e, com sua escrita subjetiva e perscrutadora, subverte os relatos convencionais de viagem. Com tradução de Giovane Rodrigues, Todos os caminhos estão abertos. Viagem ao Afeganistão 1939-1940 é publicado pela editora Mundaréu. Você pode comprar o livro aqui.
 
Marina Garcés e uma interrogação sobre a educação nos tempos de neocapitalismo.
 
A educação é o substrato da convivência, a oficina onde se experimentam as formas de vida possíveis. Por isso, o capitalismo cognitivo levou a sério a tarefa de atacar todos seus campos: a educação formal e a informal, os recursos, as ferramentas e as metodologias. A presencialidade e a virtualidade. A infância e a formação ao longo da vida. A educação não é apenas um grande negócio. É um campo de batalha no qual a sociedade reparte, de forma desigual, seus futuros. Os pedagogos dizem que é preciso mudar tudo, porque o mundo mudou para sempre. Tal afirmação esconde as perguntas que nos provocam mais medo: para que serve saber quando não sabemos como viver? Para que aprender quando não podemos imaginar o futuro? Essas perguntas são o espelho no qual não queremos nos olhar. Sentimos vergonha de não termos respostas, e é mais fácil disparar contra professores e educadores. Como queremos ser educados? Essa é a pergunta que uma sociedade que queira olhar-se de frente deveria atrever-se a compartilhar. Envolve todos nós. Todos somos aprendizes na oficina onde se experimentam as formas de vida possíveis. Educar não é aplicar um programa. Educar é acolher a existência, elaborar a consciência e discutir os futuros. Dentro e fora das escolas, a educação é um convite: o convite a assumir o risco de aprendermos juntos, contra as servidões do próprio tempo. Escola de aprendizes, de Marina Garcés sai pela editora Âyiné com tradução de Tamara Sender. Você pode comprar o livro aqui. Você pode comprar o livro aqui.
 
O quarto romance de Augusto Abelaira a sair no Brasil.
 
O casamento e a infidelidade conjugal são o tema aparente de Enseada amena, o quarto romance de Augusto Abelaira, publicado pela primeira vez em 1966 e vencedor, nesse mesmo ano, do Prêmio de Romance do IV Encontro da Imprensa Cultural. Mas, mais do que tema, a reflexão sobre estes atos íntimos e privados serve antes como pretexto para encenar a preocupação fundamental do livro: a procura da liberdade, individual e coletiva. O livro sai pelo selo Minotauro. Você pode comprar o livro aqui.

OBITUÁRIO
 
Morreu Manuel Gusmão
 
Nascido em Évora, em 1945, Manuel Gusmão foi professor universitário, tradutor, poeta e ensaísta. Licenciou-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, instituição onde cumpriu boa parte da sua vida acadêmica. Nas atividades de crítica e difusão cultural e acadêmico-literária foi fundador das revistas Ariane e Dedalus; coordenou editorialmente a revista Vértice; e colaborou com cadernos como o jornal Crítica e o suplemento Ípsilon. Entre os títulos publicados estão A poesia de Carlos de Oliveira, A poesia de Alberto Caeiro e Tatuagem & palimpsesto, (no ensaio), e Dois sois, a rosa: a arquitectura do mundo, Mapas: o assombro e sombra, Migrações do fogo, A terceira mão, Pequeno tratado das figuras e A foz em delta (na poesia). Entre os prêmios recebidos estão o Grande Prêmio de Ensaio Eduardo Prado Coelho (2011), o Prêmio Vergílio Ferreira (2005) e o Grande Prêmio de Poesia APE (2001). Manuel Gusmão morreu em Lisboa, a 9 de novembro de 2023.
 
DICAS DE LEITURA
 
Na aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste boletim, você tem desconto e ainda ajuda a manter o Letras.
 
1. República surda, de Ilya Kaminsky (Trad. Felipe Sabatini, Companhia das Letras, 168 p.) Um assassinato de um garoto surdo por soldados. Uma guerra. Um mundo regido pelo autoritarismo e pela crueldade. Os poemas deste livro perfazem uma passagem dolorosa por uma época quando as matrizes humanas entram em colapso. Você pode comprar o livro aqui
 
2. A confissão, de Flávio Carneiro (Martelo Casa Editorial, 304 p.). Um dos pontos-alto da obra do escritor, este romance cujo fio, o sequestro de uma mulher, é modulado à tensão, ao mistério, ao medo e ao prazer, coloca-nos ante os muitos limites da loucura e do nonsense. Você pode comprar o livro aqui
 
3. O conceito de ficção, de Juan José Saer (Trad. Lucas Lazzaretti, 7Letras, 260 p.) Uma boa oportunidade para conhecer outra face do excelente romancista de O limoeiro real e As nuvens. O livro apresenta suas leituras de autores como Borges, Cortázar, Faulkner, Henry James, Joyce, entre outros. Um franco debate sobre algumas das questões essenciais a todo leitor de romances. Você pode comprar o livro aqui
 
VÍDEOS, VERSOS E OUTRAS PROSAS
 
Nesta semana tivemos a oportunidade de rever neste vídeo raríssimo o depoimento de Rachel de Queiroz sobre quais as palavras mais bonitas da língua portuguesa. 
 
E de ouvir, numa gravação já igualmente rara, a voz de Cecília Meireles lendo um dos seus poemas mais referidos, “Retrato”, do livro Viagem (1939). 
 
BAÚ DE LETRAS
 
Ainda na parte superficial do baú. Sublinhamos a passagem de outras duas efemérides deste fim de 2023: uma matéria de Pedro Fernandes conta um pouco do trabalho de Fernando Sabino como cineasta; a tradução de um texto de José Homero destaca a atualidade de uma obra-prima marco do modernismo estadunidense, Uma mulher perdida. O romance de Willa Cather e o escritor mineiro alcançaram seus centenários entre setembro e outubro, respectivamente.
 
DUAS PALAVRINHAS
 
Só posso escrever o que sou. E se os personagens se comportarem de modos diferente, é porque não sou um só. Em determinadas condições, procederia como esta ou aquela das minhas personagens.
 
— Graciliano Ramos

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