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Mostrando postagens com o rótulo James Joyce

A experiência estética em Ulysses por uma formação leitora

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Por Herasmo Braga Leopold Bloom visto por James Joyce. Ulysses , de James Joyce, constitui uma das mais significativas obras da literatura e, no tocante à sua recepção, apresenta inúmeras particularidades. Algumas delas foram destacadas pelo crítico estadunidense Harold Bloom, para quem, assim como o pensamento de Freud, o feito estético do escritor irlandês influencia até mesmo aqueles que não conhecem ou nunca leram esse romance. Outra particularidade reside no fato de que, como ocorre com os grandes textos em prosa por excelência, este marco da literatura do século XX é frequentemente citado, mas, inversamente, pouco lido. Quais seriam, então, as razões para irmos além, mesmo após mais de um século da sua publicação? De início, trata-se de uma questão de honestidade intelectual. Interpretar, ainda que com dificuldades, os aspectos de uma obra literária mediante efetiva leitura constitui um passo importante. Assim como ocorre com Ulysses , outros livros de enorme contribuição, nã...

A arte de piratear o Ulysses

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Por Eduardo Huchín Sosa James Joyce. Foto: Man Ray.   Como sabemos (porque os suplementos culturais não se cansaram de nos lembrar), no dia 2 de fevereiro de 1922, James Joyce recebeu seus dois primeiros exemplares de Ulysses . A edição parisiense de Shakespeare & Company havia superado todo tipo de dificuldade, entre elas as acusações de obscenidade que haviam sido dirigidas contra alguns capítulos publicados pela The Little Review e que impediam sua comercialização nos Estados Unidos. Em The Most Dangerous Book , Kevin Birmingham assina uma investigação exaustiva não apenas sobre Joyce e seus editores, mas sobre os advogados, censores, juízes, contrabandistas e mecenas que participaram de um longo esforço de quase duas décadas para trazer Ulysses da clandestinidade para o cânone.   Começou também naquele 2 de fevereiro uma história pouco divulgada: a da pirataria do livro nos Estados Unidos. Uma das razões pelas quais Joyce aceitou a edição de Shakespeare & Company...

De como James Joyce escreveu Ulysses e Sylvia Beach o publicou

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Por Nuria Azancot James Joyce. Foto: Gisèle Freund Conta a lenda que uma noite de junho de 1904, um jovem James Joyce vagava pelas ruas de Dublin quando lhe ocorreu paquerar uma garota sem perceber que a jovem não estava sozinha, mas acompanhada de um soldado. Depois de receber um bom soco que o fez cair, um judeu, famoso em toda a cidade pelas infidelidades de sua esposa, veio em seu socorro. E também se diz que depois de um tempo ele pensou em transformar esse episódio humilhante e burlesco num dos contos de Dublinenses , embora tenha acabado por ser o princípio de Ulysses .   James Joyce, o gênio zombeteiro que dinamitou o romance, nasceu em Rathgar, um subúrbio de classe média de Dublin, em 2 de fevereiro de 1882, numa família católica. Seu pai, John Stanislaus, encarnava o melhor e o pior do irlandês por excelência: bom contador de histórias, bebedor descontraído e completamente irresponsável, era pai de dez filhos, dos quais James era o mais velho. Depois de estudar em seleta...

O centenário de Ulysses

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Por Andreu Jaume James Joyce. Foto: Berenice Abbott O próprio James Joyce disse em mais de uma ocasião que havia escrito seu trabalho para manter os especialistas entretidos por trezentos anos. Agora que Ulysses , publicado pela primeira vez em 1922, tem um século, podemos confirmar que esta profecia continua a se realizar, ainda que residualmente, na indústria dos estudos acadêmicos, mas ao mesmo tempo devemos reconhecer que a misteriosa aura que acompanha o romance desde seu surgimento acabou prejudicando sua posteridade, transformando-o em uma obra que todos conhecem e poucos leem. Por outro lado, ninguém ignora que neste aniversário daquele annus mirabilis da literatura europeia, o que até pouco tempo chamávamos de “cânone ocidental” tem sofrido um descrédito que seria inimaginável para a geração de Joyce, T.S. Eliot ou Ezra Pound . O modernism constituiu uma repulsiva estética muito virulenta, mas, longe de contestar o cânone, preocupou-se sobretudo em esticar a tradição, sa...

A épica do naufrágio no Ulysses de James Joyce

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Por Stefano Cazzanelli Escrito entre 1914 e 1921 e publicado em 1922, Ulysses , de Joyce, é um dos livros mais difíceis já escritos. Não é um romance – embora Joyce insistisse em chamá-lo de romance – nem mesmo um ensaio; não é uma épica ou jornalismo. É tudo isso e sua superação: uma confluência de estilos, um bulício de personagens, sensações, lugares sem pés ou cabeça, em que tudo flui; um turbilhão onde se perder: a Caríbdis que Homero lançou contra Ulisses, Joyce lança para nós sem piedade. As personagens principais, Bloom e Stephen, são anti-heróis, derrotados; vítimas do mundo moderno em que os grandes ideais não têm direito à cidadania e em que apenas triunfa o decadente cotidiano. Paul Bourget, psicólogo e crítico literário contemporâneo de Joyce – muito influente nas teses de Nietzsche sobre o niilismo – definiu como decadente a literatura em que a parte predomina sobre o todo, a página sobre o livro. Flaubert, Stendhal ou Baudelaire foram exemplos desse espírit...

“Finnegans wake” para multijogador

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Por Justo Navarro Se pesquisarmos na internet film noir ou cinema policial talvez acabemos por encontrar com o último romance de James Joyce, Finnegans wake , que apareceu nas livrarias, fez agora oito décadas, em maio de 1939, quase na mesma ocasião quando se publicava O sono eterno , de Raymond Chandler. Não seria devido essa coincidência, nem pelas supostas aventuras detetivescas do taberneiro Earwicker, protagonista do romance, que fez algo num parque de Dublin e acabou ante um tribunal: se pesquisando Finnegan chegou ao cinema policial é porque o inventor em 1946 do conceito film noir , Nino Frank, colaborou com James Joyce na tradução para o italiano de “Anna Livia Plurabelle”, episódio final da primeira parte do romance irlandês. Nunca terminei de ler Finnegans wake , romance escrito num idioma inventado a partir do inglês. O problema é que sempre começo a ler de novo a vida do taberneiro Earwicker e sua companheira, Anna Livia; seus gêmeos Shem e Shau...

Cinco razões (talvez algumas mais) para desfrutar do “Ulysses”, de James Joyce

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Por José Manuel Benítez Ariza Richard Hamilton, "The Transmogrifications of Bloom" (1984-1985) Não parece mal que se trate os clássicos literários como facilidade e naturalidade: possivelmente uma das causas da aversão de amplas camadas da população pela literatura, ou certo tipo de literatura, seja sua abusiva consideração como território exclusivo de professores e acadêmicos e de suas sérias elucubrações. Mais sensato é considerar que os livros que preservam um prestígio inquestionável como clássicos se devem ao fato de continuarem falando com os leitores de hoje com a mesma pertinência e poder persuasivo com os quais conquistaram a estima das gerações passadas. E essa desejada aproximação deve traduzir-se, sem dúvida, na possibilidade de questioná-los, de aceitar algumas coisas e mesmo recusar outras, ou ainda de tentar uma aproximação a eles à margem das interpretações mais ou menos canônicas que o tempo tratou de deitar por sobre eles. Não se inclui...