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O tempo em A montanha mágica: anotações da leitura de Paul Ricœur

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Por Joaquim Serra   Thomas Mann. Foto: Bridgeman Imagens   É inegável, diz Ricœur, que A montanha mágica seja um romance sobre o tempo. Hans Castorp, o homem comum escolhido pelo narrador, passará sete anos no sanatório “até que o trovão da declaração da guerra de 1914 o arranque do feitiço da montanha mágica; a erupção da História, porém, só o restituirá ao tempo dos de baixo para entregá-lo a essa ‘festa da morte’ que é a guerra” (p. 200). Para Ricœur, o fio condutor da obra é o confronto de Hans Castorp com o tempo abolido do sanatório Berghof. O filho enfermiço da vida, em visita ao primo Joachim (tuberculoso e há seis meses internado), adentrará o mundo dos mortos para se tornar íntimo dele, se aclimatar e vivê-lo na pele. O projeto frustrado de Hans Castorp é o de passar três semanas com aqueles que não reconhecem essa medida de tempo, o que irá gerar, num primeiro momento, a convivência dos contrários para aflorar a significância do tempo. Segundo Ricœur, “as primeiras discussõ