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Mostrando postagens de Julho 15, 2019

Joseph Conrad. O mar como uma moral

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Por Manuel Vicent


Numa tarde melancólica, uma criança fantasiosa, deitada de bruços na cama diante de um atlas aberto, para de navegar com o dedo indicador todos os mares azuis para adentrar com absoluta liberdade nas selvas mais perigosas. Com a cabeça cheia de barcos piratas, de baús de tesouro, de leões, presas de elefantes, chega um momento em que o menino coloca o dedo num ponto do mapa, o mais exótico, e pensa: “Um dia, quando for mais velho, irei aqui”. Alguns conseguiram realizar este sonho, mas só um se chamou Joseph Conrad.
Este menino não era filho de um conde polonês nem sua tia era princesa belga nem foi apresentado muito cedo ao imperador Francisco José numa audiência reservada no Hofburg de Viena. Os primeiros anos deste escritor, cujo nome de batismo era Jósef Teodor Konrad Korzeniowski, estão rodeados de sonhos aristocráticos que ele fomentava ou não se preocupava em desmentir, sempre fantasioso e rodeado de silhuetas fictícias. Assim deambulava pelo porto de Marselha…