Boletim Letras 360º #303

Esta é a última edição do BO Letras 360º do ano. Esperamos que o tempo nos seja generoso e possamos fazer um 2019 ainda melhor para os nossos leitores; é sempre nosso desejo. Até o dia 26 deixamos aberta em nossa página no Facebook uma enquete que perguntava qual foi sua melhor leitura do ano. O resultado está disponível aqui. Mas, nós guardamos uma surpresa para os participantes. Anunciaremos pela segunda semana de janeiro uma promoção exclusiva, aberta apenas para a participação dos que interagiram conosco. Em breve. No Facebook do Letras também iniciaremos no próximo dia 1º nossa retrospectiva de 2018: destacaremos as posts mais acessadas ao longo do ano. Fiquem de olho. Nosso recesso está rico!

Amós Oz. Morreu um dos escritores mais prolíficos da literatura israelense contemporânea.


Segunda-feira, 24/12

>>> Dois títulos de Annie Ernaux ganham edição no Brasil, no primeiro semestre de 2019

Os anos é considerado por muitos como a obra definitiva da escritora francesa. Desde quando foi publicado na França é visto pela crítica especializada um clássico contemporâneo. É uma narrativa do período de 1941 a 2006 contada através das lentes da memória, impressões do passado e do presente — até projeções para o futuro — fotos, livros, músicas, programas de rádio e televisão e décadas de publicidade, manchetes contrastadas com conflitos íntimos e notas de seis décadas de diários formam a narrativa. Muitos o definem uma autobiografia im-pessoal. No mesmo estilo, é Memórias de uma filha. Este livro levou quase sessenta anos para poder ser escrito. Enquanto a obra de Annie se construía, o chamado "Projeto '58" ficava em silêncio. Aqui, então é a memória de uma jovem de 1958, que Annie Ernaux diz ter tentado esquecer — ela aos dezoito anos —, mas é também uma investigação sobre o silêncio dos acontecimentos do Verão dos seus dezoito anos e este longo silêncio de gestação da obra. Os livros saem pela Editora Três Estrelas com Tradução de Marília Garcia.

Terça-feira, 25/12

>>> Argentina: Conferências de entre 1949 e 1955 de Jorge Luis Borges estão disponíveis online

Primeiro existiu uma lista de cidades manuscrita pelo autor de O Aleph na capa de um exemplar de Schopenhauers Leben, de Wilhelm Gwinner. Agora, essa obra que está sob a custódia da Coleção Jorge Luis Borges da Biblioteca Nacional da Argentina, e foi a pista fundamental para a construção deste catálogo de suas conferências, partilhadas ante distintos públicos do passado, agora digitalizadas. Esta série de conferências mostram-nos o primeiro Borges oral, que acabava de perder seu emprego na Biblioteca Miguel Cané, durante o governo de Perón. O grupo de pesquisa "Escritura e invención", radicado na Secretaria de Ciência e Tecnologia da Universidade Nacional de Mar del Plata, com lugar de trabalho no Centro de Letras Hispano-americanas, dirigido por Mariela Blanco, estão à frente da ideia. Para construir este mapa oral de Borges precisaram fazer um trabalho de detetives, viajando cidade a cidade onde foram realizadas as conferências em visitas a arquivos, bibliotecas, hemerotecas. E as falas são ótimas: há sobre o romance policial (pronunciada em Bahía Blanca, Universidad Nacional del Sur, 1949), sobre a literatura fantástica (Santiago del Estero, Biblioteca Sarmiento, 1949), ou sobre la poesia gauchesca (Resistencia, Fogón de los Arrieros, 1950). Para buscar, basta acessar aqui

Quarta-feira, 26/12

>>> Brasil: Mais inédito de Lima Barreto

Adilson Roberto Gonçalves é um leitor curioso da obra de Lima Barreto. O professor formado em Química da Unesp de Rio Claro, depois que Felipe Rissato descobriu, no ano passado, três crônicas desconhecidas do autor de Triste fim de Policarpo Quaresma, na revista Theatro & Sport, publicadas em 1917, 1920 e 1921, voltou à publicação, na hemeroteca digital da Biblioteca Nacional, e encontrou mais uma. O texto "Pelo método Berlitz" é de 1919; assinado pelo próprio Lima, ele ironiza o famoso método de aprendizado de línguas para ensinar português para um americano: como pedir uma bebida.

>>> Brasil: O retrato biográfico de Maria Stuart por Stefan Zweig volta às livrarias brasileiras

Maria Stuart é uma obra biográfica sobre a rainha da Escócia (1542-1587), também rainha consorte de França entre 1559-60 e pretendente ao trono inglês, enquanto descendente de Henrique VII. Condenada por traição e presa durante 22 anos por ordem de sua prima Elizabeth I, rainha de Inglaterra, Maria Stuart ascendeu ao trono ainda criança e viveu uma vida repleta de intrigas políticas, romances destrutivos e diferenças irreconciliáveis. Nesta edição com tradução de Lya Luft, Zweig traça um perfil psicológico da protagonista, transformando essa biografia em uma espécie de thriller, e apresenta Maria como uma mulher forte e determinada para sua época, que criou seu próprio destino. A edição é da editora José Olympio.

Quinta-feira, 27/12

>>> Brasil: Carlos Drummond de Andrade sobre Machado de Assis

Em 1925, o jovem poeta mineiro publicou na sua A revista um artigo intitulado "Sobre a tradição em literatura" no qual afirmava que, em relação a Machado de Assis, o melhor a fazer é repudiá-lo. Movido pelo ímpeto juvenil, Drummond considerava Machado um romancista tão curioso quanto monótono, mestre de falsas lições, um "entrave à obra de renovação da cultura geral". Três décadas depois, volta ao escritor carioca com o poema "A um Bruxo com Amor", uma das mais belas homenagens de escritor para escritor na literatura brasileira. Bom o ir e vir da relação do poeta modernista com o Bruxo é motivo de Amor nenhum dispensa uma gota de ácido seleção de textos como estes que Drummond dedicou a Machado. A organização é de Hélio de Seixas Guimarães e sai pela Editora Três Estrelas.

Sexta-feira, 28/12

>>> Brasil: Deus-dará, de Alexandra Lucas coelho Alexandra Lucas Coelho é publicado no Brasil

Saudado em Portugal como o grande romance do Rio de Janeiro, um livro de fôlego que reconfirma Alexandra Lucas Coelho como incontornável ficcionista depois dos sucessos de E a noite roda, galardoado com o Grande Prêmio de Romance e Novela Associação Portuguesa de Escritores, e O meu amante de domingo, eleito Livro do Ano pelo jornal Público. Deus-dará — sete dias na vida de São Sebastião do Rio de Janeiro, ou o Apocalipse segundo Lucas, Judite, Zaca, Tristão, Inês, Gabriel e Noé é um romance passado no presente, que atravessa quinhentos anos de história entre Portugal e Brasil: a história da cidade que já foi capital do país desde a sua fundação à atualidade, ilustrando a presença portuguesa, o caráter carioca, as contradições e complexidades de uma metrópole imensa e vibrante. Este livro é ao mesmo tempo palco histórico e cenário de uma trama irresistível protagonizada por sete personagens ao longo de sete dias. O livro sai no Brasil pela Bazar do Tempo no primeiro semestre de 2019.

>>> Israel: Morreu Amós Oz

Nascido em 1939 em Jerusalém, quando a cidade ainda estava sob o mandato britânico da Palestina, Amos é um dos nomes mais importantes da literatura israelense e uma das figuras fundamentais na luta pela paz no Oriente Médio. Extensa parte de sua obra tem sido publicada no Brasil pela Companhia das Letras​ e dela podemos destacar títulos como Conhecer uma mulher, A caixa preta, O mesmo mar, Meu Michel, De amor e trevas, De repente nas profundezas do bosque, Cenas da vida na aldeia, Entre amigos e Mesmo mar. Sem nunca deixar de falar sobre a realidade de seu país, escreveu ainda vários ensaios sobre o dilema moral de seu povo, além de centenas de artigos políticos que se posicionam favorável a um entendimento entre judeus e palestinos. Em 1978, fundou o Shalom Ajshav ("Paz Agora"); um movimento que defendia, entre outras bandeiras, a retirada de Israel dos territórios ocupados e a criação  de dois estados, um palestino e outro israelita. Neste link uma breve biografia do escritor.

.........................
Sigam o Letras no FacebookTwitterTumblrGoogle+InstagramFlipboard

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Os segredos da Senhora Wilde

Os mistérios de "Impressão, nascer do sol", de Claude Monet

Os melhores de 2018: poesia

Andorinha, andorinha, de Manuel Bandeira

Treze obras da literatura que têm gatos como protagonistas

Em busca da adolescente que abriu caminho a Virginia Woolf e Sylvia Plath

Desta terra nada vai sobrar, a não ser o vento que sopra sobre ela, de Ignácio de Loyola Brandão