Ilustração: T. Hanuka O sexo sempre esteve presente na literatura, embora nem sempre de maneira explícita. Há escritores que mergulharam em sua própria sexualidade como se a arte pudesse ser campo para um exercício psicanalítico e findaram por revelar a partir dessa intimidade o lado mais escuro sobre. Esta lista apresenta um conjunto de livros nos quais os escritores se desnudam, livros que dispensam o pudor para narrar cenas de elevado tom. Christine Angot, até o presente uma romancista francesa quase desconhecida no Brasil embora tenha sido autora de um livro chamado Pourquoi le Brésil ?, tem sido lida como uma das principais figuras que se filiam à tradição da qual faz parte nomes como o de Anaïs Nin. Em 1999, ela publica L’Inceste , a obra pela qual sempre tem sido lembrada, por se tratar de uma narrativa que recupera a relação incestuosa entre um pai e uma filha. Les Petits , outra obra sua, já inicia com uma felação sob o chuveiro que termina numa penetração anal an...
Cena de Assassinato no Expresso Oriente , uma das produções mais luxuosas de uma obra de Agatha Christie. Dos vários recordes acumulados pela Rainha do Crime, um deve ser o de autora cuja obra mais foi adaptada para o cinema. Basta olharmos que desde 1928 com o filme The passing of Mr. Quinn , o primeiro a usar um dos seus mais de oitenta romances, somam-se mais de quatro dezenas de produções cinematográficas. A lista que preparamos a seguir é, portanto, apenas uma pequena amostra desse extenso e rico universo. Um dos critérios utilizados na elaboração foi o grau importância que o filme adquiriu ao longo da história ou aqueles que reúnem determinada peculiaridade indispensável na composição da aura de uma obra dessa natureza. São, por essa razão, títulos recorrentes em várias listas do gênero. Amor de um estranho , de Rowland V. Lee (1937). “Cottage Philomel” é um conto de O mistério de Listerdale . O filme o primeiro sobre uma obra de Agatha Christie a ser produzido int...
Por Pedro Belo Clara Afresco de uma jovem nomeada Safo. Pompeia, 55-79 d. C. Se passares por Creta 1 vem ao templo sagrado, onde mais grato é o pomar de macieiras e do altar sobe um perfume de incenso. Aqui, onde a sombra é a das rosas, no meio dos ramos escorre a água, e no rumor das folhas vem o sono. Aqui, no prado onde todas as flores da primavera abrem e os cavalos pastam, a brisa traz um aroma de mel. … Vem, Cípris 2 , a fronte cingida, e nas taças de oiro voluptuosamente entorna o claro vinho e a alegria. *** E de súbito a madrugada de sandálias de oiro. *** No ramo alto, alta no ramo mais alto, a maçã vermelha ali ficou esquecida. Esquecida? Não, em vão tentaram colhê-la. *** Vésper 3 , tu juntas tudo quanto dispersa a luminosa aurora, trazes a ovelha, trazes a cabra, só à mãe não trazes a filha. *** Desejo e ardo. *** ...
Por Pedro Belo Clara Rabindranath Tagore. Foto: Curatorial Assistance Inc. / E.O. Hoppé Estate Collection O PRIMEIRO BEIJO O céu ficou silencioso e de olhos baixos, Os pássaros calaram todos os seus cantos; O vento emudeceu; a música das águas acabou De repente; o murmúrio da floresta Morreu lentamente no coração da floresta. Na margem deserta do rio tranquilo, Nas sombras do anoitecer desceu silenciosamente O horizonte sobre a terra muda. Nesse momento no silencioso e solitário alpendre Beijámo-nos pela primeira vez. Nesse momento exacto, ao longe e perto Repicaram os sinos e soaram os búzios Nos templos dos deuses apelando ao culto. Um estremecimento percorreu o infinito mundo das estrelas E os nossos olhos encheram-se de lágrimas. INTERMINÁVEL AMOR Parece-me que te amei de inúmeras maneiras, inúmeras vezes, Na vida após vida, em eras após eras eternamente. O meu coração enfeitiçado fez e voltou a fazer o colar das canções Que tomaste como uma pre...
Recentemente editamos um texto que cobrava uma mudança de foco sobre a leitura de Lolita , historicamente poupado pela grande crítica daquilo que livro expõe, por essa nova visão, como atentado de um homem (aqui de idade madura) sobre uma adolescente. Este debate, apesar de não ser novo, ganha outros contornos pela intensa discussão que se forma nos últimos anos em torno das questões ligadas ao tratamento lastimável de homens sobre mulheres. E, há alguns meses a Alfaguara Brasil publicou por aqui a primeira tradução para outro conceituado romance de Vladimir Nabokov, O dom . O valor desse livro é justificado em várias frentes. É um dos primeiros romances de fôlego do escritor e foi escrito ainda por um jovem rapaz exilado na Alemanha depois das transformações profundas que se passavam no seu país natal. Neste livro o leitor encontra a gênese de um rico projeto literário que não finda em Lolita – obra que, para o bem ou mal o sagrou reconhecido mundialmente – e ainda todas...
Tarsila do Amaral. Morro da favela (1924) Em 2005, o Museu da Língua Portuguesa pediu ao professor e acadêmico Alfredo Bosi uma lista de 120 grandes obras da Literatura Brasileira. Reproduzimos a seguir o arquivo apresentado pela instituição. Trata-se de uma lista preciosa organizada pelo autor do indispensável História concisa da Literatura Brasileira , livro que passa em revista toda a história da nossa literatura, dos primeiros instantes ao dias modernos. A publicação contempla duas partes: na primeira, um texto-incentivo do próprio Bosi; e na segunda, a lista que engloba cinco períodos: o colonial (leia-se, dos séculos XVI ao XVIII); o século XIX (de consolidação da nossa literatura); o século XX; o Modernismo; e depois do Modernismo. Boas leituras! * O que esta linha do tempo representa? O que nela figura explicitamente? O que precisou ficar nela implícito? O que se explicitou foi a história da Língua Portuguesa. O que ficou implícito foi a inclusão de obras de autores...
Com licença poética Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira. Cargo muito pesado pra mulher, esta espécie ainda envergonhada. Aceito os subterfúgios que me cabem, sem precisar mentir. Não sou feia que não possa casar, acho o Rio de Janeiro uma beleza e ora sim, ora não, creio em parto sem dor. Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina. Inauguro linhagens, fundo reinos — dor não é amargura. Minha tristeza não tem pedigree, já a minha vontade de alegria, sua raiz vai ao meu mil avô. Vai ser coxo na vida é maldição pra homem. Mulher é desdobrável. Eu sou. “ Uma das mais remotas experiências poéticas que me ocorre é a de uma composição escolar no 3º ano primário, que eu terminava assim: Olhai os lírios do campo. Nem Salomão, com toda sua glória, se vestiu como um deles... A professora tinha lido este evangelho na hora do catecismo e fiquei atingida na minha alma pela sua beleza. Na primeira oportunidade aproveitei ...
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