Ilustração: T. Hanuka O sexo sempre esteve presente na literatura, embora nem sempre de maneira explícita. Há escritores que mergulharam em sua própria sexualidade como se a arte pudesse ser campo para um exercício psicanalítico e findaram por revelar a partir dessa intimidade o lado mais escuro sobre. Esta lista apresenta um conjunto de livros nos quais os escritores se desnudam, livros que dispensam o pudor para narrar cenas de elevado tom. Christine Angot, até o presente uma romancista francesa quase desconhecida no Brasil embora tenha sido autora de um livro chamado Pourquoi le Brésil ?, tem sido lida como uma das principais figuras que se filiam à tradição da qual faz parte nomes como o de Anaïs Nin. Em 1999, ela publica L’Inceste , a obra pela qual sempre tem sido lembrada, por se tratar de uma narrativa que recupera a relação incestuosa entre um pai e uma filha. Les Petits , outra obra sua, já inicia com uma felação sob o chuveiro que termina numa penetração anal an...
Por Pedro Fernandes Não foi esse o primeiro livro do Gabriel García Márquez que tive a oportunidade de ler. Como também não foi Cem anos de solidão . Mas sobre o primeiro livro que li do escritor colombiano posso falar noutra ocasião. Para agora falo desse que é, sem dúvidas, um dos mais poéticos do romancista. É verdade que, quem leu o livro que deu ao escritor colombiano o título do Nobel (mesmo sabendo que o prêmio é dado pelo conjunto da obra, todos sabemos que há nesse conjunto “ o livro ” , aquele que marca o que chamaríamos de ponto alto na trajetória de todo escritor) - o já citado Cem anos de solidão - ao ler este Memória de minhas putas tristes perceberá logo um certo “ desnível ” quanto a arrumação linguística do texto. Deixe que eu me explique. É que aqui linguagem é límpida, sem certo barroquismo que se nota no seu estilo literário, o que não o faz, isso deve ficar claro, ser um menor entre os outros livros do conjunto da obra de Gabo. ...
Por Pedro Fernandes Não tenho muito o que falar sobre livros para crianças. E por um motivo apenas: não fui uma criança leitora. Meus pais mal tinham condições de pôr comida dentro de casa; livro, então, foi sempre um produto de luxo. Além do que, semi-analfabetos, esse objeto nunca lhes serviu e nunca lhes serviria para nada. Depois, as escolas pelas quais passei, essas que poderiam ter me incentivado o hábito da leitura, nunca sequer souberam o que era uma biblioteca, coisa que eu propriamente também só vim conhecer na adolescência, quando na cidade para onde eu ia diariamente estudar entrei num cômodo velho com algumas estantes povoadas por alguns livros antigos da literatura nacional e uma centena de Best-Sellers desses que já vêm com um enredo pré-fabricado antes mesmo da sua composição. Os livros infantis que li foram na adolescência para a fase adulta. Li poucos, é verdade. Na vida adulta, entre essas leituras, está, por ofício, A maior flor do mundo , de Jos...
Antes de se “ estranharem ” na Europa. Ernest Hemingway e John Dos Passos. Flórida, 1928. Foto: Biblioteca JFK. Detalhe / Reprodução Há sempre uma polêmica que ronda o mundo literário com o nome de inimizade . Recentemente, depois da morte de Gabriel García Márquez, por exemplo, veio a lume a briga entre o escritor e Vargas Llosa num passado que, para o escritor mexicano, deverá ir consigo para a sepultura. Entre Ernest Hemingway e John Dos Passos também houve esse impasse de personalidades. Os dois são os principais nomes da chamada Geração Perdida na literatura estadunidense. Dentre as várias publicações sobre o caso, há até um livro editado no Brasil pela Difel, de Stephen Koch – O ponto de ruptura: Hemingway, John Dos Passos e o assassinato de José Robles . A polêmica é tamanha que chegou a ser um dos temas no Primeiro Congresso Internacional sobre Hemingway, realizado em junho de 1984 e, agora, volta a ser pauta entre os pesquisadores e toma nova forma c...
Por Guilherme Mazzafera A leitura dos inúmeros ensaios sobre literatura do austríaco-brasileiro Otto Maria Carpeaux (1900-1978), bem como de sua História da literatura ocidental , configura, na oposição entre o recorte preciso e o percurso totalizante, uma espécie de imago mundi da literatura do Ocidente cuja apreensão mais ou menos sistematizada demanda um recorte rigoroso. Aos poucos, o leitor vai construindo copioso mosaico de análises quase sempre breves que mantêm um olho rente ao objeto em estudo, respeitando sua expressão individual, e outro no lastro histórico do qual ele deriva, sem, no entanto, a ele se limitar. No caso deste breve ensaio, proponho um exercício sintético, perseguindo o fio do romance brasileiro na crítica literária de Carpeaux¹. Tendo chegado ao Brasil em 1939 e se estabelecido no Rio de Janeiro como colunista do Correio da Manhã em 1941, a entrada do elemento brasileiro em seu ofício crítico dá-se, nos livros, por meio da seção “No mundo ...
Por Pedro Fernandes Stendhal. Daguerreótipo de Félix Nadar. Stendhal pertence à lista de uns poucos da literatura: a dos escritores que marcaram definitivamente sua história com uma breve obra. Para os padrões da sua época, também foi um escritor tardio. Seus únicos romances mais importantes — Le Rouge et le Noir (1830) e La Chartreuse de Parme (1839) — e quase tudo o escreveu nesse âmbito data de quando perdeu a vida modesta estabelecida nos limites da permanência de Napoleão no poder. Sua presença na literatura se fixou pelas contribuições no desenvolvimento de uma forma narrativa que desde os últimos séculos entrava em evidência e encontrara uma cultura que produzirá algumas das transformações mais relevantes na sua história. Muito do moderno realismo ou da compreensão que atribuímos ao romanesco se forjou com e partir de O vermelho e o negro , principalmente, o desenredamento do indivíduo da dinâmica social, padecendo os impasses psicológicos e existenciais devido as viciss...
Por Pedro Belo Clara Afresco de uma jovem nomeada Safo. Pompeia, 55-79 d. C. Se passares por Creta 1 vem ao templo sagrado, onde mais grato é o pomar de macieiras e do altar sobe um perfume de incenso. Aqui, onde a sombra é a das rosas, no meio dos ramos escorre a água, e no rumor das folhas vem o sono. Aqui, no prado onde todas as flores da primavera abrem e os cavalos pastam, a brisa traz um aroma de mel. … Vem, Cípris 2 , a fronte cingida, e nas taças de oiro voluptuosamente entorna o claro vinho e a alegria. *** E de súbito a madrugada de sandálias de oiro. *** No ramo alto, alta no ramo mais alto, a maçã vermelha ali ficou esquecida. Esquecida? Não, em vão tentaram colhê-la. *** Vésper 3 , tu juntas tudo quanto dispersa a luminosa aurora, trazes a ovelha, trazes a cabra, só à mãe não trazes a filha. *** Desejo e ardo. *** ...
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