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Sobre a complexa relação entre literatura e história: apontamentos a partir de Juan Rulfo

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Por Ronaldo González Valdés




1. A primeira coisa que se deve presumir, com Saramago (ou com Ortega y Gasset ou com O’Gorman ou com quem vocês queiram dos não poucos que disseram algo semelhante, sejam historiadores ou escritores), é que a história é de alguma forma uma invenção. Burckhardt e Nietzsche foram os primeiros a afirmar que o historiador é um criador. Ampliando um pouco o time, como escreveu Luis González y González em El oficio de historiar, talvez devêssemos começar concordando que o historiador é um “criador de romances verídicos”. Por isso Burckhardt afirmava que se pode partir do mesmo ponto, navegar nas mesmas águas em um barco muito parecido e, no entanto, chegar a portos diferentes aos de outros navegadores pelos mares de Clio. Como se duas histórias fossem escritas sobre o mesmo personagem ou evento; ambas podem se apoiar nas mesmas fontes e contar histórias diferentes. E se forem feitas com rigor, ambas serão “romances verídicos”.
2. Ler literatura, ler romances, entã…