As adaptações de “O grande Gatsby” para o cinema

Por Pedro Fernandes

Recorte da primeira adaptação de O grande Gatsby para o cinema. Foi ainda em 1926, um ano depois de publicado o romance e os Fitzgerald ficaram insatisfeitos com a adaptação do estúdio Paramount.


Dificilmente encontraremos por aí um texto que não inicie ou dê contas mais adiante de que O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald, é “o grande romance americano”; dos quatro textos que consultei para a confecção destas notas, todos, distintamente se guiam por essa caracterização. Se é assim descrito, não será erro admiti-lo como sendo o melhor romance de F. Scott Fitzgerald, autor que publicou outras obras como O último magnata e Suave é a noiteO grande Gatsby saiu pela primeira vez ao público em abril de 1925. 

O enredo que conta a história de Jay Gatsby volta a ser tema entre as principais matérias nos cadernos de cultura aqui e mundo afora porque chega em maio, na abertura do Festival Cinema de Cannes 2013, e depois nos cinemas mais uma adaptação do romance. No Brasil, a previsão de estreia é a primeira semana de junho. Se você também ainda não leu o livro, portanto, ainda dá tempo.

A partir das sínteses preparadas pelas editoras que publicam O grande Gatsby, acredito que é possível dizer que este é romance de ascensão e queda da esperança. O milionário que dá título ao livro vive de dá festas na sua mansão a fim de reencontrar-se com Daisy, um grande amor do passado. 

Narrado em terceira pessoa por Nick Carraway, um amigo íntimo de Gatsby, a narrativa descortina os pormenores do misterioso passado do magnata e da antiga relação amorosa, como a separação por motivos financeiros e o envolvimento até o casório dela com o milionário Tom. 

Os limites desse amor pago é a grande chama que movimenta a narrativa e faz dela sempre atual. As descrições da vida de uma classe de novos ricos estadunidenses são um caro registro de uma era de pura efervescência, a Era do Jazz, repetindo o eco de outro título da obra de Scott Fitzgerald.

Recorte da adaptação de 1949 do romance de F. Scott Fitzgerald dirigida por Elliott Nugent com os atores Aland Ladd e Betty Field (em destaque).


Tão logo foi publicado, a história de O grande Gatsby ganhou uma adaptação para a Broadway e um filme em Hollywood. E depois disso o romance tem colecionado releituras: já foi motivo para uma seriado na televisão americana em 2000 e diversos filmes.

Existiram, de então, outras três adaptações para a grande tela: uma em 1949; outra em 1974, a que reuniu mais estrelas até então e se fez com roteiro escrito por Francis Ford Coppola e elenco que reuniu Robert Redford, Mia Farrow e Sam Waterston nos papéis principais; e, agora, a adaptação de 2013 dirigida por Baz Luhrmann.

Filmado em 3D e com  outro elenco de estrelas, a nova leitura inclui Leonardo DiCaprio, Tobey Maguire, Carey Mulligan, Isla Fisher e outros, o que chama atenção pelo estilo do diretor, é uma estética do excesso. A época pede, mas Luhrmann deve tornar a coisa quase carnavelesca.  

Recorte da adaptação de 1974, novamente dos estúdios Paramount.


A adaptação de 1926 foi para o cinema mudo e até agora é dada como uma produção perdida (restou um trailer que pode ser visto por aqui); ela recorre à peça produzida por Owen Davis para a Broadway. A de 1949, é mais elaborada. Mas as duas foram ofuscadas – ou por que não dizer, apagadas – pelo brilho de estrelas das duas seguintes. 

O silenciamento para o filme primeiro tem suas razões; segundo conta Anne Margaret, quando Scott e Zelda viram o filme em Hollywood eles próprios desgostaram e rebaixaram a produção da Paramount. Numa carta escrita mais tarde, Zelda desabafa: “Nós fomos ver O grande Gatsby no cinema. É PODRE e terrível, terrível e fomos embora.”

Bom, pelos dois trailers da produção de Luhrmann já conhecidos parece que a decepção de Zelda tem tudo ou para ser muito bem corrigida ou a pá de cal. 

O livro só veio fazer o sucesso que faz e o obter o reconhecimento com essa marca de “o grande romance americano” nas edições publicadas muitos anos depois da morte do casal. 
  

Aproveitando os novos recursos cinematográficos como os efeitos 3D, a Warner aposta numa releitura onde os efeitos especiais e o figurino são levados ao extremo de uma produção.




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