Postagens

Mostrando postagens com o rótulo F Scott Fitzgerald

O Grande Gatsby é um título ruim?

Imagem
Por Juan Tallón F. Scott Fitzgerald Foto: Brown Brothers   Em maio de 1924, pouco mais de um ano antes de O Grande Gatsby ser publicado, Francis Scott Fitzgerald trabalhava febrilmente no livro, recusando-se a ler qualquer coisa além de Homero e da literatura e história homérica de 540 a 1200. “E rogo a Deus para não ver uma viva alma por seis meses; meu romance é cada vez mais extraordinário; sinto-me completamente no controle de mim mesmo e posso finalmente satisfazer meu desejo de solidão”, escreveu da França ao romancista Thomas Boyd; acabara de chegar com dezessete malas, na esperança de encontrar uma casa generosa com mordomo e cozinheiro para ele, a mulher e a filha.   Ele se encontrava tomado pela excitação e, em agosto daquele ano, confessou a Maxwell Perkins, diretor editorial da Scribner’s: “meu romance é mais ou menos o melhor romance uma vez escrito nos Estados Unidos”. Um autor nunca sente tamanho entusiasmo por sua obra, não dessa maneira, quando a obra ainda ...

O mito inesgotável de “O Grande Gatsby”

Imagem
Por Greil Marcus O Grande Gatsby , de Baz Luhrmann (2013).  Um artigo interessante foi publicado no The New York Times há alguns anos: uma matéria em sua primeira página, em 23 de abril de 2013, com a manchete: “Julgar Gatsby pela(s) capa(s)”. Na ocasião da adaptação cinematográfica de O Grande Gatsby , a cargo do diretor australiano Baz Luhrmann, que seria lançada duas semanas depois, foram publicadas duas novas edições de bolso do romance que F. Scott Fitzgerald escreveu em 1925. A primeira era uma versão explicitamente relacionada ao filme, uma moldura art déco dos anos 20 com um recorte, por dentro, de Leonardo DiCaprio interpretando Jay Gatsby; com Carey Mulligan, no papel de Daisy Buchanan, localizada abaixo dele, e ambos cercados por pequenas imagens de Tobey Maguire como Nick Carraway, Elizabeth Debicki como Jordan Baker, Isla Fisher como Myrtle Wilson e Joel Edgerton como Tom Buchanan. A outra era a versão não explicitamente vinculada ao filme: uma edi...

Suave é a noite. O declínio de um roteirista chamado F. Scott Fitzgerald

Imagem
Por Manuel de Lorenzo F. Scott Fitzgerald. Arquivo Princeton University Library Quando F. Scott Fitzgerald traçou em Suave é a noite a história de Dick River, sua glória e queda, a doença mental de sua companheira, a descida aos infernos do álcool, sua insegurança emocional e a falta de controle financeiro, estava deixando um testemunho por escrito de sua própria história. Uma jornada de vida que o coroou como a voz mais talentosa de uma geração extraordinária, a de John Dos Passos, Robert B. Parker, Ernest Hemingway e William Faulkner, e acabou jogando-o na lama, derrotado por seus próprios demônios. Em 1921, um ano depois de publicar Este lado do paraíso , seu primeiro romance, ele fez uma confissão profética no artigo “My Lost City” (Minha cidade perdida): “Lembro-me de viajar de táxi uma tarde entre edifícios altos e um céu cor de rosa e malva; Comecei a chorar muito, porque tinha tudo o que queria e sabia que nunca seria tão feliz novamente”. Treze anos depois, quando t...

F. Scott Fitzgerald e o miserável dom da desilusão

Imagem
Por Luis Guillermo Ibarra F. Scott Fitzgerald (1896-1940) vislumbrou a desagregação do mundo dos sonhos e os pesadelos do futuro. O escritor estadunidense foi, no melhor dos sentidos, um profeta desses castelos edificados com os restos da primeira Grande Guerra; um vidente que, à maneira do poeta Arthur Rimbaud, teve a beleza em seu colo, para senti-la, no fim, efêmera e vazia. Para sua geração, batizada por Gertrude Stein como a “geração perdida”, a vida começou “com a guerra, e continuaria para sempre à sombra da violência e da morte”. 1 O mundo de seu tempo abriu caminho por entre instituições fenecidas. O grito de “Deus está morto” em Os irmãos Karamázov , de Dostoiévski e em A gaia da ciência , de Nietzsche, se encarnou com uma crueldade irrefreável depois da guerra. Morria Deus e junto com sua onipotência caíam também os homens exterminados em série. Ante isso, com justa razão, o companheiro de geração de Fitzgerald, Ernest Hemingway, proclamaria “o drama da desa...

F. Scott Fitzgerald, poeta

Imagem
Por Antonio Lucas O mundo era feliz e Francis Scott Fitzgerald quis contá-lo como se ele o houvesse feito levantar do contágio dos sorrisos e das circunstâncias de excesso que entravam pela varanda de seu quarto. Era um jovem ungido pelo talento. Sedutor. Atrativo. Calçado com uns sapatos bicolores. Gravata fina. Com o cotovelo apoiado na porta dianteira de um conversível com apliques cromados. Ninguém podia alterar, de vez, esse instante perpétuo de fumar cigarros com piteira e levar pelo braço uma noiva de chapéu ornado com laço de seda. Aquele jovem tocado pela graça dos seres ímpares estava disposto a imolar-se em qualquer festa de destaque, mas não cedia por completo à frivolidade porque manejava as palavras com a combustão precisa para destacar num enxame de ricos herdeiros entre os que se moviam com virtude aerodinâmica. Scott Fitzgerald estava na Universidade de Princeton, não tinha ainda vinte anos e no instante que se mostrava o respeitável com modos de pícaro ...

F. Scott Fitzgerald, um Pigmalião em Hollywood

Imagem
F. Scott Fitzgerald ao lado de Sheilah Graham F. Scott Fitzgerald morreu de um ataque cardíaco no apartamento de Sheilah Graham em Hollywood – ela foi a mulher com quem o escritor dividiu os últimos anos de sua vida; tempo que ela apresenta em College of one , publicado recentemente pela Melville House Publishing e ainda sem data de chegada ao Brasil. O livro é apresentado pela filha de Graham como um texto em que ela, então colunista de fofoca, recolhe as recordações de como o autor de O grande Gatsby se converteu não apenas em seu amante e companheiro, mas também em seu professor. Um Pigmali ão que lhe ensinou a transitar além das festas de Beverly Hills pela literatura de nomes como Shakespeare, Keats, T. S. Eliot, Tolstói, Dickens ou Flaubert. Para Graham, Fitzgerald era sim um mestre nato, um homem que se sentia bem quando estava instruindo e compartilhando seus conhecimentos sobre literatura, história, filosofia e música. A chegada desta edição oferece aos interes...

Vem a luz um Fitzgerald censurado

Imagem
F. Scott Fitzgerald censurado. Ou, como preferia enfocá-lo a revista estadunidense que publicou seus contos ao final dos anos vinte e princípio dos anos trinta “sensivelmente editado” para não ofender a seus leitores com cenas de nudez, referências ao abuso de álcool e a drogas ou palavras depreciativas que traziam preconceito racial. Essa nova versão, que à base de exclusões erradicava a importância mais crua e realista, é a que acabou sobrevivendo como parte do legado literário de um dos grandes romancistas do século XX. Oito décadas depois de que o escritor estadunidense aceitara os cortes por necessidades de sobrevivência, uma nova edição com uma antologia de contos consegue recuperar pela primeira vez um Fitzgerald em versão original. O estudo dos textos datilografados pelo próprio autor, das correções que anotava a mão para esboçar os contos antes de enviá-los aos chefes da revista Saturday evening post (naqueles anos, sua principal fonte de renda), permitiu a editora Cam...

A lista de leitura de F. Scott Fitzgerald

Imagem
1936 talvez tenha sido o ano pior da vida de F. Scott Fitzgerald. O escritor esteva em convalescença num hotel em Asheville, na Carolina do Norte, quando ofereceu à sua enfermeira uma lista com 22 livros que ele achava essencial a leitura. A lista acima foi escrita apoiada na mão da enfermeira. Fitzgerald havia se mudado para Asheville’s Grove Park Inn em abril daquele ano após a transferência de sua esposa Zelda, que passava por um tratamento psiquiátrico, para o Hospital Highland, vizinho ao hotel em questão. Foi o mês em que o jornal Esquire publicou seu texto “The crack up”, em que confessa sobre a tomada de consciência de que sua vida havia sido um desenho com os recursos que ele não possuía, por isso estava condenado a hipotecar-se fisicamente e espiritualmente até o fim. Os problemas financeiros e com a bebida chegaram nessa época ao limite. E para completar, o escritor fraturou o ombro durante um mergulho na piscina do hotel e, algum tempo depois, de acordo c...

Presepadas de escritores

Imagem
Quem nunca terá – em algum momento da vida – aprontado aquelas situações que passarão ao futuro como doce lembrança de um tempo em que se podia ousar. Algumas dessas situações podem ser propositais, outras mero acaso e aí alguém nos pega em flagrante. Enfim, como todo escritor é um mortal comum, terão eles passado por isso. Cá, no português brasileiro, essas situações têm um designativo: presepada. Está no Aurélio : presepada: 1. Gabolice, fanfarrice. 2. Brincadeira de mau gosto, ou palhaçada. No caso a que estamos nos referindo o termo tem um pouco dos sentidos designados pelo dicionário, mas terão suas justificativas. A razão dessa observação surgiu de uma imagem que apresentamos na nossa página no Facebook semana passada no nosso álbum de raridades. Esta daí acima. A da foto nada mais é do que F. Scott Fitzgerald. O escritor estadunidense sempre escreveu seus roteiros para o grupo de teatro do Princeton Triangle Club, um dos mais antigos colegiais dos Estados Unidos. E de...