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Mostrando postagens de Outubro 15, 2008

Mais dois poemas de Pedro Fernandes

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INSTANTE (POEMA. REVOLUÇÃO)

calarei a todos com tiros de fuzil
para que me ouçam
no interior de minha fala poética
que se desdobra na trama frenética
as palavras no papel.

passarei por cima dos primeiros
com a ajuda de minha insana infâmia
no interior de meus gritos amarrados
à tinta na cadeia papel branco.

na história não há espaços para o sutil
para a felicidade como dizia hegel.
no meu poema há brechas para tanto
mas vigora mesmo um grito melancólico
no bucolismo nefasto e vadio
das palavras negras presas no papel.

do poder absoluto resta eu
desmanchado em palavras [balas]
atiradas com fuzil [minha caneta]
ou gritos preso(a)s [as palavras]
num poema de papel.


DOS FINS DO DIA EM QUE A LUA SOBE MAIS CEDO

Dos fins do dia em que a lua sobe mais cedo
Sempre voltei para casa assim como sol
E deixei me embalar nas linhas tênues
Ou oblongas dum verso

Como colecionador de sua humildade
Julgo-me na ausência da trama
De fama deserta
Esquecido no meio dum inverno
De olhos preto-e-branco
Jogado à distância