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Visibile parlare: a representação do real nos cantos X e XII do Purgatório, de Dante Alighieri

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Por André Cupone Gatti  Purgatório (Canto X-XII). Federico Zuccari. Galeria Uffizi, Florença. I. A arte, mais que sugerir o que ela possa ou não ser, nos inquieta especialmente pelas diversas e mutáveis relações que ela mantém entre o objeto “real” e a sua imitação. A mais influente e conhecida conjectura a respeito do problema da representação é a ideia platônica segundo a qual a arte é a cópia da cópia, enquanto imitação de um objeto que, por sua vez, é a imitação da ideia original ou divina. Assim, podemos interpretar que a arte, talvez, nasça motivada por uma insuficiência do real em se revelar por completo, por uma necessidade de tornar transmissível aos nossos sentidos aquilo que a realidade, por si só, omite ou emana de maneira incomunicável. Da antiguidade aos nossos dias, a arte se apropriou da realidade, dos seus signos, da sua matéria bruta, experimentando-a com insaciável curiosidade e descobrindo, não raras vezes, em seu cerne, um pensamento ou uma essência invisíveis a u