Boletim Letras 360º #295


Numa das edições do Boletim Letras 360º chegamos a dizer que abriríamos inscrições para novos interessados em fazer parte do corpo de colunistas do blog. Agora, com a chegada de novembro nós (e todos já devem ter realizado essa constatação) já sentimos o cheiro de fim de ano no ar. Entre publicar uma chamada, estipular prazos e analisar perfis, faltaria tempo e as obrigações são muitas. Então se alguém esperava por esta ocasião, dizemos, não desanime, mas esperemos 2019. Tão logo a maré baixe, lançamos a proposta que tão certo deu em 2017 que queremos repetir sempre.

A obra de Guimarães Rosa está em nova casa editorial. Mais detalhes ao longo deste Boletim.

Segunda-feira, 29/10

>>> Brasil: Nova edição de A fera na selva, de Henry James

Um segredo une o casal de amigos John Marcher e May Bartram. Após se conhecerem na Itália e passarem dez anos sem se falar, um reencontro inesperado em Londres faz com que retomem a amizade, acompanhada das expectativas de John, que espera por acontecimento raro e grandioso em sua vida. Um sentimento de amor não explícito entre eles permeia toda a narrativa, que também trata de solidão, destino, temor e morte. A trama, que se passa na Inglaterra e se tornou um clássico da literatura do século XIX, propicia ao leitor uma infinidade de interpretações sobre a real história de A fera na selva. Esta publicação que conta com tradução de José Geraldo Couto e posfácio de Modesto Carone fora publicada pela extinta Cosac Naify na coleção Particular e sai agora pela SESI-SP Editora.

>>> Brasil: Uma visita ao suprassumo da literatura russa pela mão de Aurora Bernardini

Aulas de literatura russa: de Púchkin a Gorenstein apresenta um rico material que, se não propriamente um panorama das letras russas, está muito próximo disso. Há desde textos dedicados aos românticos, como Aleksandr Púchkin e Nikolai Gógol, até aos contemporâneos, como Ióssif Bródski e Serguei Dovlátov. A antologia reúne ensaios e resenhas de Aurora Fornoni Bernardini escritos ao longo de mais de trinta anos e publicados em prestigiosos jornais e revistas. Suas leituras atentas de Púchkin, Dostoiévski, Tolstói, Turguêniev, Tchékhov e outros escritores seminais do século XIX oferecem elementos para que os leitores se familiarizem com momentos decisivos e conceitos-chave da Era de Ouro da cultura russa. O capítulo de Dostoiévski é especialmente fecundo, incluindo uma entrevista com Joseph Frank, o mais conhecido biógrafo do escritor. Não menos profícuos são os artigos sobre grandes poetas de vanguarda e modernistas, como Velimir Khlébnikov, Marina Tsvetáieva e Daniil Kharms. Com requinte e originalidade, uma das mais renomadas tradutoras e ensaístas do Brasil analisa algumas das mais arrojadas experiências estéticas do início do século XX. Esta antologia celebra a arte russa e o percurso de Aurora Fornoni Bernardini, desde o colegial “cativada por aquele estranho mundo de estepes nevadas e corações ardentes”, percurso que se mistura com a própria consolidação da crítica e tradução literária dos artistas e teóricos russos entre nós. Ao lado de Boris Schnaiderman no curso de russo da USP, Aurora Bernardini formou dezenas de alunos e, também como ele, deixa um legado inestimável ao jornalismo cultural e ao ambiente intelectual brasileiro. Organizada Daniela Mountain e Valteir Vaz a edição sai pela Kalinka Editora.

>>> Brasil: Nova edição dos contos dos Irmãos Grimm

Esta é a nova edição dos Contos maravilhosos infantis e domésticos, de Jacob e Wilhelm Grimm. Nela reúne-se em um único volume a totalidade das narrativas coletadas na tradição oral e popular alemã pelos dois irmãos filólogos. Com apurada tradução de Christine Röhrig a partir da primeira edição da obra, publicada em dois volumes em 1812 e 1815, os contos de Grimm, que incluem as andanças do Pequeno Polegar, as desventuras de Rapunzel e as tribulações da Bela Adormecida e de Chapeuzinho Vermelho, entre muitas outras histórias, continuam sendo, duzentos anos depois, uma fonte inesgotável de fascínio e de ensinamento para adultos e crianças. A obra traz posfácio de Marcus Mazzari; outra do espólio da Cosac Naify que sai pela Editora 34.

Terça-feira, 30/10

>>> Brasil:A versão islandesa do Drácula, de Bram Stoker, revelada só em 2014, ganhará edição por aqui

Makt Myrkranna (Poderes da escuridão) sairá pela editora Intrínseca. O título data de 1901. Neste ano, o escritor islandês publicou uma tradução do livro com prefácio do próprio Stoker, mas a obra não chamou atenção de ninguém. Em 1986, um pesquisador descobriu o prefácio, mas não leu a tradução. E só em 2014 alguém teve a curiosidade de conferir. Descobriu que, em vez de traduzir a obra Valdimar Ásmundsson inventou uma versão nova da história, com outras personagens e trama.

>>> Brasil: A obra de Guimarães Rosa passa agora a ser publicada pela Global Editora

Apenas Grande sertão: veredas não sairá, por enquanto, pela casa editorial e sim pela Companhia das Letras em fevereiro, como noticiamos noutra ocasião. A editora também estava na disputa por esse contrato maior, bem como a Todavia e a Rocco. Informa o Estadão. Casa de autores como Cecília Meireles, Cora Coralina, Manuel Bandeira e Gilberto Freyre, entre outros, a Global começa a lançar suas edições, sempre com fortuna crítica e cronologia, além de materiais que espera encontrar no acervo do IEB, em março. Sagarana será o primeiro, e a lista segue com: Primeiras estórias; Zoo e Fita verde no cabelo (infantis), A hora e a vez de Augusto Matraga, Manuelzão e Miguilim e outros. Quando cerca de 50% da obra estiver publicada em edições individuais, o que deve demorar dois anos no máximo, começamos a preparar o volume da obra completa para sair pela Nova Aguilar com Grande sertão: veredas, inclusive”, diz Luiz Alves Júnior, fundador da editora.

Quarta-feira, 31/10

>>> Inglaterra: Leiloado livro usado em julgamento por obscenidade

Era um exemplar de O amante do Lady Chatterley usado pelo juiz Lawrence Byrne para o trâmite do processo por obscenidade. O raro livro de capa padrão da Penguin, juntamente com uma bolsa desenhada para evitar que fotógrafos capturassem o juiz carregando o escandaloso livro, foi comprado por um anônimo num leilão da Sotheby's em Londres. A Penguin foi a julgamento em 1960 por publicar a obra de D. H. Lawrence - umromance entre uma mulher abastada e o guarda-caças da sua propriedade. Um advogado então chegou a questionar à corte se esse era "um livro que vocês desejariam que suas esposas ou empregados lessem". O júri de três horas deliberou favorável à casa editorial e o caso se tornou uma vitória emblemática para a liberdade de expressão e um sinal de mudança nos valores tradicionais. A bolsa para guardar o livro foi ideia da esposa do juiz, Dorothy Byrne; ela foi quem também confeccionou o dispositivo e escreveu notas para o marido em que detalhava as chamadas passagens vulgares e os respectivos números de páginas. Último romance de D. H. Lawrence, O amante de Lady Chatterley já havia sido banido em seu lançamento, em 1928. A edição rara foi arrematada por US$72 mil.

Quinta-feira, 01/11

>>> Brasil: Livro inédito de Rubem Fonseca reúne mais de duas dezenas de textos

Rubem Fonseca é um verdadeiro mestre na arte de esfolar a pele das palavras para deixar as histórias em carne viva. Em "A carne", seu novo livro, os textos, embora mantenham a crueza de assassinatos, traições e injustiças sociais, trazem também a avidez das descobertas, a delicadeza das histórias de amor e uns flertes com a poesia. O último livro de Rubem Fonseca antes deste saiu em 2009: o romance O seminarista. Galardoado cinco vezes o prêmio Jabuti, em 2003 recebeu os prêmios Juan Rulfo e Camões.

>>> Brasil: A quintessência do universo de Umberto Eco nesta coletânea em edição capa dura

Nos ombros dos gigantes representa um evento festivo para os leitores de Umberto Eco. Ao longo de quinze anos, longe das cátedras universitárias, dos congressos acadêmicos e das cerimônias honorárias, Eco escreveu estes textos para entreter os espectadores de La Milanesiana, festival criado e dirigido por Elisabetta Sgarbi ― um “laboratório de excelência” que entrelaça artes e saberes diversos, reunindo grandes nomes da cena internacional nos vários campos da cultura, como literatura, música, cinema, ciência, arte, filosofia e teatro. As raízes da nossa civilização, os cânones mutáveis da beleza, o falso que se torna verdadeiro e modifica o curso da história, a obsessão pela conspiração, os heróis emblemáticos da grande narrativa, as formas da arte, aforismos e paródias são alguns dos destaques deste livro. A tradução de Eliana Aguiar sai pelo Grupo Editorial Record.

Sexta-feira, 02/11

>>> Brasil: O melhor das histórias de medo, uma seleção de tirar o fôlego e perder o sono

Transitando entre o gótico, o horror e o terror — mas sem se afiliar a nenhuma dessas categorias com exclusividade —, os dezenove contos reunidos em Contos clássicos de terror formam o melhor das histórias de medo. De Machado de Assis e João do Rio a Lygia Fagundes Telles; de Edgar Allan Poe e Robert Louis Stevenson a Stephen King, grandes nomes da literatura mostram ao leitor toda a potência do gênero. Com seleção e introdução de Julio Jeha, esta antologia traz uma história de H. P. Lovecraft inédita no Brasil, além de uma nova tradução do conto “A loteria”, de Shirley Jackson. Neste livro, o mal absoluto, o sofrimento de ocasião e até a maldade disfarçada de bem revelam personagens complexos e narrativas impressionantes.

>>> Brasil: Publicado pela primeira vez no Brasil um livro que é produto de uma prolífica amizade: Joan Miró e João Cabral de Melo Neto

Os dois se conheceram em 1948 em Barcelona. O poeta trabalhava na Embaixada brasileira e o pintor era perseguido pelo regime de Franco. Da amizade, surgiu Joan Miró, um livro magnifico com ensaio do poeta e gravuras do artista. Lançado em 1950, em Barcelona, é a primeira vez que este título ganha edição no Brasil como pensado pelos dois. A obra é organizada e apresentada por Valéria Lamego e tem posfácio de Ricardo Souza de Carvalho. Sai pela Verso Brasil.

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