Boletim Letras 360º #361



DO EDITOR

1. Na edição seguinte deste Boletim, o leitor saberá os nomes dos novos colunistas do blog. No início de 2020, depois de uma ligeira consulta através do nosso Instagram, reabrimos chamada para interessados em fazer parte do Letras: recebemos o total de duas dezenas de inscrições que estão, desde o início da semana, sob análise. E, pelo visto até agora, há novidades deveras interessante – não deixe de ficar atento por aqui e-ou em nossas redes sociais.

2. Por falar em redes sociais, foi no Instagram que vi nascer um projeto noticiado a seguir e que convido o leitor a conhecer e colaborar. Reitero o que escrevi no Twitter (@pedro_letras): Sempre que posso quando encontro projetos bonitos, ousados e independentes (de conhecidos ou não) com arte e cultura não deixo de estender minha contribuição. As vezes o apoio é financeiro, outras só o apoio moral, disponibilizando os espaços online que têm minha mão para divulgação. Eu não tenho, obviamente, o pueril sonho de salvar o mundo com isso. Mas, num país mergulhado na ignorância como este onde vivo, fazer algo, por pouco que seja, é uma atitude nobre que me traz a satisfação de me colocar pela ação à margem da desilusão total. Um grupo de amigos que se encontraram a partir do Instagram, projetam uma editora para publicar com apoio coletivo livros de alto valor ainda desconhecidos ou há muito fora de circulação no Brasil. A editora chama-se Pinard e o primeiro livro a abrir o catálogo é um clássico da literatura venezuelana. Dona Bárbara, de Rómulo Gallegos. Este é o ponto alto na obra desse escritor que, comparado ao nosso Machado de Assis, figurou entre os fortes candidatos ao Prêmio Nobel. Peço atenção para esta notícia; se der, passe adiante e-ou colabore. Precisamos.

3. Este Boletim, que reúne as informações catalogadas e copiadas em nossa página no Facebook (agora não apenas), passou por várias modificações, cf. explicado na edição 360. É há muitas semanas uma alternativa de se inteirar sobre os livros que chegam e sobre outras notícias desse vasto universo chamado literatura. Obrigado pela companhia e, boas leituras!

Sai no Brasil o último livro organizado em vida por Pier Paolo Pasolini.


LANÇAMENTOS

Romance inédito de Ariano Suassuna.

Escrito entre 7 e 30 de março de 1966, O Sedutor do Sertão ou O Grande Golpe da Mulher e da Malvada surgiu de um convite recebido por Ariano Suassuna para levar uma história sua às telas de cinema. O filme, no entanto, acabou não se realizando por falta de verbas e o texto foi parar na gaveta de inéditos, sendo publicado agora pela primeira vez. A narrativa, escrita durante a criação do Romance d'A Pedra do Reino (1958-1970), não à toa apresenta vários pontos de contato com a obra-prima do autor, a começar pelo protagonista, o anti-herói cômico Malaquias Pavão, irmão bastardo de Pedro Dinis Quaderna. A ideia para o mote do enredo é retirada de uma passagem de Os Sertões, de Euclides da Cunha, a quem o livro é dedicado: um golpe para enriquecer contrabandeando cachaça. À diferença do clássico euclidiano, porém, o texto de Suassuna carrega nas tintas do humor, apresentando o riso como uma forma de escape de nossas recorrentes mazelas políticas. O livro sai pela editora Nova Fronteira, casa editorial que também tem reeditado toda a obra do escritor com novo projeto gráfico.

Uma biografia sobre Simone de Beauvoir.

Símbolo da mulher liberada, os relacionamentos não convencionais de Simone de Beauvoir inspiraram e escandalizaram sua geração. Filósofa, escritora e ícone feminista, ela ganhou prêmios literários de prestígio e transformou a maneira como pensamos sobre gênero e sexo com o livro O segundo sexo. Mas, apesar de todo o seu sucesso, ela se questionava se havia recebido o crédito que, de fato, acreditava merecer. Afinal, por conta de seu lendário caso de amor com o filósofo Jean-Paul Sartre, muitos consideravam que suas opiniões não eram tão genuínas assim – simplesmente inspiradas nas ideias do pai do existencialismo. Muito já se escreveu sobre Simone mas esta nova biografia traz um material inédito, só disponibilizado em 2018, que joga luz sobre essas questões: as cartas que trocou com seu último amante, Claude Lanzmann. Através dessas cartas e de outros diários recentemente encontrados, a filósofa Kate Kirkpatrick mostra a engenhosidade do pensamento da escritora e a importância de seus outros amantes. Este livro também reforça os princípios éticos e morais de Simone e como eles se transformaram em posições políticas depois da guerra. E, claro, não faltam passagens sobre como ela ajudava as jovens que a procuravam pessoalmente ou através de cartas. Não é à toa que, em seu funeral, a multidão gritava frases como: “Mulheres, vocês devem tudo a ela!”. Kate conta a fascinante história de como Simone de Beauvoir se tornou ela mesma. Aliás, a própria Simone dizia: “Ninguém nasce mulher, mas se torna mulher”. Simone de Beauvoir: Uma vida sai pelo selo Crítica, da Planeta de Livros Brasil.

Uma das poucas obras de Virginia Woolf que ainda estava inédita no Brasil.

Segunda ou terça reúne textos curtos na ordem desenhada pela escritora quando de sua publicação, que ocorreu originalmente pela editora dela e de seu marido, em grandes pranchas de madeira entalhada. Woolf considera os textos deste livro alguns dos mais importantes de sua obra. Em uma carta, chegou a afirmou: “O ‘Romance Não Escrito’ (um dos textos do livro) foi a grande descoberta, entretanto. Ele – novamente em um segundo – mostrou-me como eu poderia incorporar todo meu estoque de experiência de uma forma precisa – não que eu jamais tenha atingido este fim; mas de alguma maneira eu enxerguei, escapando do túnel que eu mesma construí, quando descobri este método de abordagem, O quarto de Jacob, Mrs Dalloway etc. Como eu tremi de excitação.” O livro traduzido por Tais Paulilo Blauth sai pela R.ed Tapioca.

Novo livro de Roberto Calasso no Brasil é uma leitura sobre nosso tempo.

O pensamento do ensaísta italiano nascido em Florença já é conhecido pelos excelentes O ardor (2016), A Folie Baudelaire (2012) e A literatura e os deuses (2004), entre outros. Agora, sua casa editorial no Brasil, a Companhia das Letras publica O inominável atual. Turistas, terroristas, secularistas, fundamentalistas, hackers. Todos esses personagens habitam e movimentam o inominável atual ― um mundo ilusório, que parece ignorar seu passado, mas cuja forma já fora prenunciada entre 1933 e 1945, quando tudo parecia se voltar para a autoaniquilação. Em seu novo livro, Calasso oferece uma elegante reflexão sobre as transformações que ocorrem nas sociedades de hoje, em que a era da ansiedade de W. H. Auden dá lugar a algo muito mais perturbador: a era da inconsistência.

O escritor em viagem. Livro de José Luís Peixoto amplia a coleção Gira.

A sinistra descoberta de várias encomendas contendo partes de corpo humano num correio na Tailândia é o ponto de partida de uma longa jornada pelo país, muito além dos lugares-comuns do turismo. Todos os episódios dessa excêntrica investigação formam O caminho imperfeito e, ao mesmo tempo, constituem uma busca pelo sentido das próprias viagens, da escrita e da vida. Conhecido por seu olhar poético, aguçado e cheio de singularidade, José Luís Peixoto aqui desloca sua visão para um outro cenário, terreno fértil de novas descobertas.

Novo livro de Umberto Eco entra em pré-venda.

De Umberto Eco, a reunião de quatro ensaios fundamentais sobre temas hoje ainda mais atuais e urgentes do que na época em que os textos foram escritos. Um guia essencial para enxergar o outro com novos olhos, e um manual conciso, visionário e único para compreender o cenário político e social deste momento delicado em que mal-entendidos e ideias retrógradas parecem prosperar. Eco explica as diferenças entre os fenômenos de “migração” e “imigração”, apontando suas características e consequências, além de explicitar as nuances entre fundamentalismo, integrismo, racismo e intolerância, tratando de seus perigos no mundo contemporâneo. O autor sustenta que “a compreensão mútua entre culturas diversas não significa avaliar a que o outro deve renunciar para se tornar igual, mas compreender mutuamente o que nos separa e aceitar essa diversidade”. E apresenta argumentos para demonstrar que “eliminar o racismo não significa demonstrar e se convencer de que os outros não são diferentes de nós, mas compreendê-los e aceitá-los em sua diversidade”. Migração e intolerância sai pela Editora Record.

Novo romance de Maria José Silveira sai pela Instante.

Maria Altamira narra a emocionante trajetória de mãe e filha: ainda que as duas sigam caminhos distintos, ambas testemunham miséria, injustiças e devastação ambiental. Em 1970, um terremoto provoca o soterramento da cidade de Yungay, no Peru. Uma das poucas sobreviventes é Alelí, jovem que perde os pais, os irmãos, o namorado e a filha. Em choque, parte sem rumo, percorrendo vários países da América do Sul. Numa das paradas, conhece Manuel Juruna, que se encanta com ela e a leva para a aldeia do Paquiçamba, na Volta Grande do Xingu, Pará. Alelí quase encontra a paz na nova vida: quando está prestes a dar à luz um filho de Manuel, ele é encontrado morto, vítima de um pistoleiro contratado por madeireiros da região. De novo assolada por uma tragédia, deixa a aldeia e chega à cidade de Altamira, onde é acolhida pela enfermeira Chica. Convencida de que traz má sorte a quem ama, Alelí abandona a recém-nascida, que recebe o nome de Maria Altamira. Anos depois, Maria Altamira acompanha com indignação as obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, certa de que destruirá a vida de comunidades ribeirinhas e indígenas do rio Xingu. Muda-se para São Paulo em busca de oportunidades e vai morar num prédio ocupado no centro da cidade, onde abraça a causa dos sem-teto. Em seu trabalho em um escritório de advocacia, consegue orientações para encontrar o assassino do pai. O destino, por fim, unirá mãe e filha, mulheres fortes e tão marcadas pela destruição? Por que ler este livro? É uma história atual que traça um paralelo entre dois acidentes ambientais: um desastre natural, o terremoto nos Andes peruanos, em 1970, e o ocorrido na região de Altamira com a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, uma intervenção do homem na natureza. Nas ilustrações que compõem a capa, os contornos da América ganham estampas inspiradas em grafismos de povos indígenas. E o papel kraft simboliza a terra que não precisa de donos, mas que desde o começo das civilizações é disputada e subjugada pelos homens. Maria José Silveira usa linguagem direta, como a de seus personagens, para narrar alternadamente – e com maestria – a história de Alelí, de Maria e da cidade de Altamira. As mulheres indígenas são as protagonistas do livro: enquanto Alelí alterna indiferença e agressividade para lidar com a vida que é obrigada a levar a partir dos 16 anos, Maria Altamira é a jovem determinada que luta para ter uma vida íntegra. É também autora de cerca de vinte livros infantojuvenis — muitos deles premiados e adotados —, participou de coletâneas e antologias e escreve para teatro.

Michel Houellebecq sobre H. P. Lovecraft. Já chegou o livro com ensaio do escritor francês sobre o mestre do horror.

Buscando desvendar o gênio de um dos maiores autores estadunidenses do século XX, o premiado escritor francês Michel Houellebecq traça um percurso afetivo pela vida e pela produção literária de H.P. Lovecraft. Houellebecq cria uma espécie de “romance não ficcionalizado”, partilhando com este personagem a visão de mundo excepcionalmente sombria que levou ele mesmo a ser conhecido como o enfant terrible da literatura francesa contemporânea. Com uma introdução lúcida e pungente do mestre Stephen King, este livro é leitura fundamental para os interessados em Lovecraft e Houellebecq, e também para aqueles que querem conhecer a fundo o gênero horror. Mas é indispensável, principalmente, para os que, nas noites insones, ousam ouvir as vozes que sussurram de dentro do travesseiro. H.P. Lovecraft contra o mundo, contra a vida: Contra o mundo, contra a vida sai pela Nova Fronteira.

Último livro organizado por Pier Paolo Pasolini em vida ganha edição no Brasil.

Escritos corsários é também uma das principais obras do poeta, cineasta, romancista, ensaísta e dramaturgo italiano que encarnou como poucos o papel do intelectual engajado, capaz de pensar a esfera da arte e da cultura, mas também da economia, da política, do comportamento. Com veia polemista, nesses artigos publicados na imprensa italiana entre 1973 e 1975, Pasolini aborda, entre outros temas, as rebeliões da juventude que se seguiram aos movimentos estudantis de 1968, a decadência da Igreja Católica, a ascensão das corporações multinacionais, as relações entre governo e máfia na Itália e, especialmente, aquilo que ele chama de Novo Poder - ou novo fascismo -, isto é: o advento de uma sociedade de consumo global, que promove um verdadeiro extermínio das formas de vida tradicionais. Considerado em retrospecto, fica claro que Pasolini anteviu o movimento de aceleração do capitalismo que viria a ocorrer nas décadas seguintes, resultando nas graves crises do século XXI. Lúcido, descrente, mas sempre combativo ("Não creio em nada, mas luto por algo"), Pasolini deixou nestas páginas seu testemunho vivo sobre um mundo em plena transformação, dissecando-o com acuidade e atualidade surpreendentes. O livro, que é publicado pela Editora 34, foi traduzido por Maria Betânia Amoroso e traz prefácio de Alfonso Berardinelli.

Hermann Hesse, poeta e pintor.

Desde criança, o autor de O lobo da estepe aspirava ser poeta. Em 1899, publicou seus primeiros poemas numa edição independente pela E. Pierson Verlag, em Dresden. Com o título Romantische Lie-der o volume, encadernado à mão e com costura aparente em linho, teve 600 cópias e custou 175 marcos. Em janeiro de 1900, Hesse tinha vendido 54 cópias do seu primeiro livro. Muito cultuado nos anos 60 após a repercussão mundial de alguns de seus livros, como Sidarta e O regresso de Zaratustra, Hesse foi alçado a uma condição de guru. O selo Demônio Negro publica uma pequena antologia com poemas de Hermann Hesse e algumas aquarelas do autor, ilustrando seus poemas. A tradução é Vanderley Mendonça.

Um clássico da literatura latino-americana ganha edição no Brasil.

Confinados a uma cela de castigo, à mercê da espera, do poder e do acaso, três prisioneiros seguem os menores movimentos do pavilhão penal, espreitando a chegada providencial das três mulheres que contrabandeiam a droga, “anjo branco e sem rosto”, e os libertam da “sufocante massa de desejo” que os tortura... Obra central da ficção latino-americana, A gaiola foi escrita em 1969, na prisão de Lecumberri, na Cidade do México, onde José Revueltas pagava caro por seu papel de líder do movimento estudantil de 1968. Um dos grandes textos da literatura penitenciária, na vizinhança de Graciliano Ramos e Jean Genet, A gaiola vai além: brutal e lírica, ela subverte as relações de força e se transforma numa poderosa parábola sobre a condição humana. A tradução de Samuel Titan Jr. é publicada pela Editora 34.

OS LIVROS POR VIR

Uma edição reunirá toda a contística de Julio Cortázar.

Preparada pela Companhia das Letras, a casa que assumiu a reedição da obra do escritor argentino no Brasil, Todos os contos é uma edição em dois volumes que compila clássicos como Bestiário, Todos os fogos o fogo e Octaedro, que passam, agora, por uma nova tradução. O projeto gráfico para a edição é do estadunidense Richard McGuire e a previsão é que livro chegue aos leitores em julho, segundo informações do jornal O Globo.

Livros pela mão dos seus leitores. Eis o interesse da nova editora Pinard.

A ideia para esse projeto é de dois leitores autores de canais no Instagram sobre livros: Igor Miranda e Paulo Lannes. Notaram que muitos títulos de grande relevância na literatura ainda não se encontram presentes no mercado editorial do Brasil – e sobre a possibilidade de melhorar este cenário. A ideia tomou forma, chegou a várias outras mãos e o primeiro resultado está colocado à prova: editarão o romance Dona Bárbara, de Rómulo Gallegos, livro que, apesar da fama na América Latina, a última tradução para o português no Brasil foi feita pelo escritor Jorge Amado ainda na década de 1940. Gallegos é continuamente comparado a Machado de Assis e chegou a figurar entre os possíveis ao Prêmio Nobel de Literatura. Centrado numa Venezuela rural, Dona Bárbara, sua obra principal expõe o conflito entre civilização e barbárie. O livro sai pela Pinard com financiamento exclusivo dos leitores. A edição ilustrada e em capa dura é projetada por Luísa Zardo, a mesma autora do projeto gráfico para o livro O alforge, de Bahiyyih Nakhjavani. Para apoiar e saber mais sobre o projeto basta visitar este link.

REEDIÇÕES

Antologia apresenta a poesia de Manuel Bandeira

Difícil imaginar um poeta que desfrute de maior presença no imaginário brasileiro do que Manuel Bandeira. Dono de uma obra singular, seus versos encantam leitores de todas as idades, graças à sua linguagem direta e sua capacidade para apreender aspectos do cotidiano que costumam passar despercebidos aos olhos da maioria de nós, na correria da vida mas que, versejados pelo habitante de Pasárgada, ganham novos sentidos e preenchem a alma de quem os lê. “Trem de ferro”, “Na Rua do Sabão” e “Vou-me embora pra Pasárgada” são apenas algumas amostras da potência literária deste artesão da palavra. Com nova seleção e novo prefácio do crítico literário e ensaísta André Seffrin, Melhores poemas Manuel Bandeira contempla todas as fases do escritor. A antologia constitui-se, assim, numa oportunidade ímpar para os leitores se deliciarem com os versos mais sublimes do poeta.

Reedição de O conde de Monte Cristo com novo projeto visual.

Este é talvez, com Os três mosqueteiros, o livro mais conhecido de Alexandre Dumas, mestre da literatura de aventura. Traição, denúncia, tesouros, envenenamentos, vingança são algumas das palavras definidoras da saga. Há muito esgotado, o romance volta às livrarias. A editora Zahar reedita os dois volumes em capa dura e acondicionados numa caixa; a edição inclui cerca de 170 gravuras de época e mais de 500 notas explicativas, além de rica apresentação e cronologia de vida e obra do autor.

OBITUÁRIO

Morreu George Steiner

Frequentemente lembrado como reformista do papel do crítico, George Steiner deixou vasta obra no ensaio, teoria e romance. O franco-americano escreveu extensivamente sobre a relação linguagem, literatura e sociedade e as implicações do Holocausto. Foi professor de Inglês e Literatura Comparada na Universidade de Genebra, Oxford e Poesia na Universidade de Harvard. Da sua obra, chegou ao Brasil títulos como Nenhuma paixão desperdiçada, Lições dos mestres, Tigres no espelho e outros textos da revista The New Yorker, No castelo do Barba Azul, A morte da tragédia, Tolstói ou Dostoiévski e Aqueles que queimam livros, o mais recente traduzido por aqui. George Steiner nasceu em Neuilly-sur-Seine, na França, em 1929, numa família de judeus que tinha deixado Viena alguns anos antes para escapar à ascensão do nazismo; vivia em Cambridge, no Reino Unido.

DICAS DE LEITURA

Esta seção estava pensada, quando nas redes sociais – primeiro – e depois nos jornais chega a notícia sobre o episódio de censura do governo de Rondônia. A lista que daria para preencher quase quinze semanas dessa seção se traveste do sorrateiro discurso da censura, sempre capaz de levar a interpretações variadas, com o título de “Livros a serem recolhidos”. O índex está assinado pela secretaria de educação daquele estado. Uma leitura en passant dela nos leva a crer que sequer existiu critérios técnicos para a censura, visto que inclui livros e autores que conviveram tranquilamente os anos de ditadura no Brasil ou que foram simpáticos empedernidos da direita ou ainda integrados ao conteúdo cultural que nos define como identidade nacional (elemento transformado em princípio moral dos regimes autoritários). Isso só reafirma o que já sabemos: o único critério de qualquer censura é o da ignorância. Foi por isso que revisamos esta seção. Ficará para a próxima edição as recomendações de livros que aqui apareceriam e vamos replicar em modo de recomendação a lista dos censurados. Garantimos que a leitura desses livros colocará o leitor a pelo menos um grau acima da insanidade dos loucos dessa república de idiotas. Que eles sejam ignorantes, tudo bem, ninguém é perfeito, agora não têm o direito de querer que sejamos sua imagem e semelhança. Baixe a lista aqui e inclua nos seus projetos de leitura.

VÍDEOS VERSOS E OUTRAS PROSAS

1. Em 2020 passa-se o centenário de um dos mais importantes dramaturgos portugueses, Bernardo Santareno. A Fundação Calouste Gulbenkian realizou por esses dias um colóquio reunindo especialistas diversos na obra de Santareno. As intervenções que somam mais de quatro horas estão disponíveis em vídeo no canal do Youtube dessa instituição. 

BAÚ DE LETRAS

Da lista dos censurados pelo governo de Rondônia, o leitor sempre encontrará conteúdo neste blog, mas destacamos algumas de nossas postagens sobre alguns dos títulos e autores altamente recomendados.

1. Falamos sobre Os sertões, de Euclides da Cunha. O livro que foi resultado da viagem do jornalista ao epicentro do confronto entre governo e os confederados de Canudos é um dos mais importantes na leitura sobre o embate de poderes no Brasil desde sempre, além de figurar na base criativa de uma variedade de obras ao redor do mundo. Leia mais aqui

2. Nos noventa anos da publicação de A coleira do cão, de Rubem Fonseca, saiu no Letras este texto do então nosso colunista Alfredo Monte. 

3. Macunaíma, de Mário de Andrade, tem sido presença constante nas garras da censura – a começar pela autocensura. Em 2009, o blog replicou aqui passagens desse romance que foram cortadas pelo próprio escritor temeroso da acusação de pornografia. 

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