Boletim Letras 360º #302


Está disponível em nossa página no Facebook até o dia 26 de dezembro uma enquete que pergunta aos nossos leitores qual foi o melhor livro que leram neste ano de 2018 e por quê. Se tudo der certo, juntaremos as melhores respostas para compor a lista de Melhores do Ano segundo nossos leitores. À propósito das listas muito em breve, talvez dia 31, para manter a tradição, o editor do Letras divulgar aqui suas melhores leituras do ano em prosa e poesia. Enquanto isso, vamos às notícias copiadas nesta semana em nossa página no Facebook. 

A obra de Florbela Espanca é motivo de uma edição que reúne especialistas num debate sobre faces conhecidas e por conhecer da poeta portuguesa. Mais detalhes ao longo deste Boletim.


Segunda-feira, 17/12

>>> Brasil: A nova edição de As aventuras de Pinóquio

A extinta Cosac Naify realizou duas edições deste clássico da literatura: uma especial e outra comercial com ilustrações de Alex Cerveny que utilizou a técnica cliché verre, do final do século XIX (contemporânea ao livro), na qual se chamusca uma placa de vidro com uma vela e desenha-se rapidamente sobre esta superfície com um objeto pontiagudo. Entre as reedições do acervo desta editora propostas pela SESI-SP Editora esta é sua novidade mais recente. A tradução do texto integral por Ivo Barroso volta às livrarias, e com novo trabalho gráfico e de imagem. Joana Velozo é a responsável por reviver a famosa história do boneco de madeira, publicada originalmente de forma seriada num jornal italiano.

>>> Brasil: Reedição de um clássico da obra de Marguerite Yourcenar

Memórias de Adriano sai no âmbito da coleção Clássicos de Ouro. Publicado pela primeira vez em 1951, após um intenso processo de pesquisa, escrita e reescrita que durou cerca de trinta anos, o livro obteve enorme sucesso e converteu-se imediatamente em um clássico da literatura moderna. Nesta espécie de autobiografia imaginária, a "grande dama da literatura francesa" recria a notável vida do imperador Adriano, com seus triunfos e reveses, e dá forma a um romance histórico, mas também poético e filosófico, que se tornaria uma das mais fascinantes obras de ficção do século XX. Além da tradução de Martha Calderaro e da apresentação de Victor Burton, esta edição especial conta ainda com o prefácio inédito da historiadora Mary Del Priore.

Terça-feira, 18/12

>>> Espanha: Publica-se inédito de Sor Juana Inés de la Cruz

Enigmas de la Casa del Placer é um livro recuperado para os leitores de língua espanhola pela Sabina editorial. São vinte textos que Sor Juana compôs entre 1690 e 1692, ano, este último, em que deixou de escrever. O livro que agora é o último preparado em vida pela religiosa tem sua origem em Portugal, numa sociedade literária conhecida como Soberana Assembleia da Casa do Prazer compreendida por freiras de oito conventos de Lisboa e redondezas. Segundo explica María-Milagros Rivera Garretas, professora de história medieval na Universidade de Barcelona e responsável pela edição agora publicada, Maria Guadalupe de Lencastre e Cardenas Manrique, duquesa de Aveiro, e sua prima, María Luisa Manrique de Lara y Gonzaga, condessa de Paredes, mantinham contato com o grupo. A relação de Sor Juana remonta a finais de 1680, quando escreveu "Neptuno alegórico", texto que celebrava a chegada à Cidade do México dos novos vice-reis, Tomás de la Cerda y Aragón, marquês de Laguna, e sua esposa, María Luisa. Depois desse primeiro encontro, surgiu entre elas uma estreita amizade e a condessa passou a ser mecenas da Sor. María Luisa chegou, então, a pedir que ela escrevesse algo e parte do que agora chega inédito é dessa ocasião. As vinte redondilhas sobre o amor e um índice, muito misterioso, com referências poéticas que são chaves de muitos enigmas. A obra conta, ainda, com duas censuras, três licenças de impressão, um romance amoroso escrito pela condessa de Paredes e poemas de duas freiras conhecidas das letras portuguesas de então (Feliciana de Milão e Maria do Céu) concebidos em homenagem a Sor Juana Inés. A edição agora publicada parte de uma descoberta de 1965, quando o hispanista mexicano Enrique Martínez López encontrou as pistas dos textos em dois manuscritos (um de 1716 e outro composto de 1726 a 1748) que fazem parte da Biblioteca Nacional de Portugal. Em 1991, o escritor e filólogo Antonio Alatorre encontrou os dois novos manuscritos na mesma biblioteca que chegaram a ser publicados. Mas careciam do reconhecimento sobre "a autoria do texto", até então apenas uma suspeita entre os estudiosos. Rivera Garretas atesta a autoria considerando o "testemunho de liberdade feminina" como elemento fundamental para o texto de Sor Juana.

Quarta-feira, 19/12

>>> Brasil: Uma antologia reúne nomes da nossa literatura de ficção científica

Esta antologia serve como uma nova prova de que a literatura brasileira é rica e diversa, dona de facetas insuspeitas. Sim, há ficção científica brasileira, e ela é fértil e digna de toda a atenção. Pode ser agrupada em ondas, eixos historicamente delimitados de produção e recepção. Trata-se de uma opção de valia para um primeiro contato, observando que as ondas se interpenetram – caso da produção de André Carneiro, por exemplo, que atravessa boa parte da história da ficção científica brasileira. Para além dos clássicos justamente sacralizados, há uma infinidade de seres estranhos que habitam o difuso limiar entre o conhecido e o desconhecido. Visíveis apenas aos olhares mais atentos, ignorados (às vezes intencionalmente) pela nossa crítica literária, há décadas e décadas caminham entre os brasileiros esses seres que firmam um pé no presente e outro no futuro. Ou um pé no Brasil e outro nas galáxias além. Ou um no mundo palpável e outro nos confins do ciberespaço. Ou... São incontáveis as possibilidades que esses seres podem nos apresentar, pois a ficção científica tende a esgarçar as fronteiras do que conhecemos. Mesmo quando as narrativas são ambientadas nos nossos arredores, algo de diferente se intromete no cotidiano, renovando nosso olhar e ampliando nossa imaginação para possibilidades outras. Esses seres tão estranhos têm muito a mostrar; basta dar a eles a oportunidade de falar – oportunidade que tradicionalmente tem sido negada pelo nosso conservador ambiente literário. Alguns dos mais significativos desses seres mostram seus contos nas páginas de Fractais Tropicais, antologia organizada por Nelson de Oliveira e é editada pela SESI-SP Editora. Se não os conhece, eis aqui um panorama dos autores de ficção científica brasileiros.

Quinta-feira, 20/12

>>> Brasil: Uma antologia nos apresenta a obra de Yehuda Amichai

A tradução de Moacir Amâncio para o mais celebrado poeta israelense desde o século XX, traduzido em ao menos quarenta idiomas, sai pela Bazar do Tempo Editorial. A antologia Terra e paz apresenta um rico panorama de sua obra poética, traduzida diretamente do hebraico.

>>> Portugal: Nélida Piñon ganha o Prêmio Vergílio Ferreira

A decisão foi tomada durante uma reunião do júri do prêmio, presidido pelo professor da Universidade de Évora Antonio Sáez Delgado e que integra também os docentes universitários Cláudia Afonso Teixeira (UÉ), Fernando Cabral Martins (Universidade Nova de Lisboa) e Ângela Fernandes (Universidade de Lisboa), assim como a crítica literária Anabela Mota Ribeiro. Instituído pela UÉ em 1997, para homenagear o escritor que lhe dá o nome, o prêmio destina-se a galardoar anualmente o conjunto da obra literária de um autor de língua portuguesa relevante no âmbito da narrativa e/ou ensaio.

Sexta-feira, 21/12

>>> Brasil: Edição rende homenagens a Florbela Espanca

Os editores da revista 7faces informam sobre a publicação da edição n. 17. Divulgada hoje, o centro das atenções do periódico organizado pelo especialista na obra de Florbela Espanca, rende homenagens à obra da poeta portuguesa. Os ensaios abordam desde questões das mais recorrentes na leitura sobre a biografia e a sua poesia, como a relação com o irmão e o temário da mulher, à revelação de faces pouco conhecidas; destas últimas, o destaque para a atividade de tradutora de romances exercida por Florbela. Manuscritos, fotografias, desenhos sobre/da poeta acompanham os textos de importantes pesquisadores como Elina Luiza dos Santos, Isa Margarida Vitória Severino, Michelle Vasconcelos Oliveira do Nascimento, Maria Lúcia Dal Farra, Clêuma de Carvalho Magalhães, Fabio Mario da Silva, Andreia de Lima Andrade, Chris Gerry e Iracema Goor Xavier. "Além dos textos de figuras singulares nos estudos da obra de Florbela Espanca, o n. 17 da revista reúne poemas de Franco Bordino, Daniel Jonas, Lucas Grosso, Augusto de Sousa, Juan Manuel Palomino Domínguez, Carolina Pazos, Tibério Júlio de Albuquerque Bastos, Rebeca Rose dos Santos Leandro, Nathalia Catarina, Alaor Rocha, Paulo Emílio Azevedo e Moira Marques Portugal", sublinha o comunicado de apresentação divulgado no blog da 7faces.

>>> Brasil: Dois novos títulos de Sophia de Mello Breyner Andresen para a literatura infantil voltam às livrarias brasileiras

Segundo Lilian Jacoto em A menina do mar, a escritora "projeta sobre crianças de todas as idades o desejo de mergulhar definitivamente no Azul, de unir a terra e a água numa mesma pátria de alegria e fluidez. Já em A fada Oriana o leitor encontra com uma fada boa que cuida da floresta e de seus moradores. Vive uma rotina solitária, pois Oriana é invisível aos olhos das pessoas. Com tantos afazeres, ela mal tem tempo para si. Um dia, quando olha seu reflexo na água, surpreende-se com sua beleza. Incentivada pelo peixe maldoso, passa a enfeitar-se e a admirar-se por horas a fio, perdendo-se em sua vaidade. A fada Oriana é uma história de conscientização para os prejuízos de nossos impulsos egoístas – sejamos humanos ou fadas – que afetam a coletividade. Os dois livros foram editados no Brasil pela extinta Cosac Naify e são recuperados pela SESI-SP Editora, inclusive com o mesmo projeto editorial.

>>> Brasil: Reedição da tradução de Gonçalves Dias para A noiva de Messina, de Friedrich Schiller

Outra obra do catálogo da extinta Cosac Naify publicada pela SESI-SP Editora. A noiva de Messina, "tragédia com coros" concluída em 1803 e logo encenada em Weimar, é um dos pontos altos da dramaturgia e da reflexão estética do poeta e dramaturgo Friedrich Schiller, um dos expoentes do classicismo alemão, ao lado de Goethe. Determinado a preservar o teatro do que lhe parecia um ilusionismo vulgar, Schiller propôs-se a ressuscitar a tragédia grega nos palcos modernos. O resultado intrigante é uma peça ao mesmo tempo clássica e experimental. Ambientada na Sicília medieval, a narrativa acompanha o desenlace de uma luta fratricida que arrasta todos os personagens a um destino mais potente que toda vontade humana. Esse teor fatídico não podia deixar de atrair Gonçalves Dias, o grande poeta do romantismo brasileiro, que tinha a peça "por coisa excelente no seu gênero" e que lançou mão de todo o seu saber poético para realizar uma das mais notáveis traduções dramáticas em língua portuguesa. Esta é a tradução que se republica aqui, acompanhada de textos críticos de F. Schelling, A. W. Schlegel e E. T. A. Hoffmann e um posfácio de Márcio Suzuki.

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