Boletim Letras 360º #465

DO EDITOR
 
1. Caro leitor, devido a alguns probleminhas técnicos não foi possível realizar o segundo sorteio do clube de apoios ao Letras na prevista data de 29 de janeiro de 2022, mas logo na manhã do dia seguinte isso se resolveu e a Pontoedita, parceira que disponibilizou os três títulos para nossos leitores, colocou o pacote a caminho do ganhador.
 
2. O terceiro sorteio é, como anunciado nas redes sociais do Letras durante esta semana, oferecido pela editora Bandeirola. São mais três livros escolhidos do catálogo também incrível desta casa. A divulgação dos títulos acontece na semana seguinte. Fique atento — às redes e  a esta seção do blog. Nela, é possível encontrar ainda caminhos sobre os sorteios anteriores e saber como participar.
 
3. Desde já, em nome do Letras, registro os agradecimentos e a alegria das parcerias, da companhia e do apoio de editores e leitores ao trabalho livre e gratuito que aqui desempenhamos.
 
4. Antes um recado que lerá, agora, fixo aqui. Na aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste boletim, você tem desconto e ainda ajuda a manter o Letras.

James Joyce. Foto: Berenice Abbott


 
OS LIVROS POR VIR 

Uma quarta tradução brasileira para Ulysses, de James Joyce sai em junho.

Pela Ateliê Editorial. O projeto coordenado e organizado por Henrique Piccinato Xavier reúne dezoito tradutores, um para cada capítulo do romance. Em nota divulgada no blog da casa, justifica-se o empreendimento ressaltando-se a peculiaridade da estrutura estilística e de conteúdo do Ulysses. Estão na empreitada Aurora Fornoni Bernardini (Telêmaco), Dirce Waltrick do Amarante (Nestor), Julián Fuks (Proteu), Luisa Geisler (Calipso), Guilherme Gontijo Flores (Os Lotófagos), Carlos de Brito e Mello (Hades), João Adolfo Hansen (Éolo), Alípio Correia de Franca Neto (Os Lestrigões), José Roberto O'Shea (Cila e Caribde), o próprio Henrique Piccinato Xavier (O Ciclope), Antonio Quinet (Nausícaa), Élide Valarini Oliver (Gado do Sol), Donaldo Schüler (Circe), Piero Eyben (Eumeu), Denise Bottman (Ítaca) e Luci Collin (Penélope). 

Ainda James Joyce.

A mesma casa reeditará, também em junho, a tradução de outro livro de James Joyce: o considerado intraduzível Finnegans Wake. Trata-se da prestigiada tradução de Donaldo Schüller. Desta vez, o livro sai num só volume com os textos e notas de apoio, mas não segue o formato bilíngue de quando foi publicado pela primeira vez. 

 LANÇAMENTOS
 
Chega aos leitores brasileiros um novo livro de Kenzaburo Oe.
 
Shisosetsu: palavra japonesa para designar romance autobiográfico. Se tem uma palavra que resume a obra de Kenzaburo Oe é esta. A substituição ou As regras do Tagame não é exceção. Oe se supera na mescla de elementos ficcionais conjugados com peças da vida real, indo muito longe na transliteração para o romance de personagens existentes, inclusive em sua família mais próxima. Nada se cria e tudo se substitui. Em elaborado jogo de espelhos, Oe traz à baila a persona de seu cunhado, o cineasta Junzi Ito (de Tampopo, os brutos também amam, no título brasileiro), ora a de seu filho Hikari, ora a da irmã de Junzi Ito, com quem está casado há décadas, ora causos angariados em viagens internacionais. Provêm também da vida real seus entreveros com os yakuzas, os mafiosos japoneses, os agrupamentos direitistas que o assediam por suas posições pacifistas e antinacionalistas pelas quais se notabiliza num Japão em tentativa revisionista da constituição antibélica. Também coloca em evidência com generosas doses de verve as sandices do mundo acadêmico, as mazelas do jornalismo à la paparazzi, os grupelhos da juventude à saída de Segunda Guerra Mundial. Nada é completamente fictício, e nada é real por inteiro. A dosagem é fluida. A reflexão sobre o criar, seja na escrita, seja na música, e aqui paira, sereno, o filho — mais uma vez a vida real se sobrepondo à romanceada. Ou o oposto... E em reverentes piscadelas à literatura universal aparecem os franceses de seus estudos, de Rabelais a René Char, assim como Thomas Mann, Blake e Eliot, este último definitivamente colega de cabeceira nas noites toquiotas. Em introspeção derivada de histórico de vida inteira, Oe amarra seus protagonistas Goro, o cineasta amigo dado a todos os prazeres e finalmente suicida, e Kogito, o escritor de sucesso mas em desprestígio de público e de vendas, mediante um engenhoso artifício interposto que batiza Tagame, em analogia a uma espécie de besouro marinho, o que permitirá ao escritor manter a imensa admiração que tem pela figura de seu cunhado que decidiu partir para outra, privando-lhe assim de sua amizade, mas ao mesmo tempo preservando-a graças ao Tagame. Oe lança nesta primeira parte de sua grande trilogia da idade madura um árduo grito sobre a “vulnerabilidade fundamental do homem”, em seus próprios dizeres, e que ele remói a fundo para destrinchar as fronteiras abissais da amizade humana. Com tradução de Jefferson José Teixeira, o livro é publicado pela editora Estação Liberdade.
 
Publicado pela primeira vez em português, Hiroshima meu amor é o segundo volume da Coleção Marguerite Duras apresentada pela Relicário.
 
Originalmente concebido como roteiro para o filme dirigido por Alain Resnais, Hiroshima meu amor foi aclamado internacionalmente após seu lançamento em 1959, tendo recebido o Prêmio da Crítica Internacional no Festival de Cannes e o Prêmio da Crítica de Cinema de NY. A história de um caso de amor entre um arquiteto japonês e uma atriz francesa que visita o Japão para fazer um filme sobre a paz apresenta uma dupla dimensão: uma íntima e uma histórica. Essas duas dimensões se sobrepõem através da evocação à memória, ao passado, ao esquecimento e ao trauma. Alain Resnais e Marguerite Duras tematizam Hiroshima a partir da premissa de que isto seria impossível após os horrores da bomba atômica. E nessa tentativa de captar algo que testemunho nenhum pode comunicar, que está na essência do sentimento da perda e do trágico, eles realizam uma obra-prima única, de um lirismo incomparável. Este livro apresenta o roteiro e os diálogos originais do filme, que realizam magistralmente o pedido de Resnais feito a Duras: “Faça literatura. Esqueça a câmera.” A tradução é de Adriana Lisboa e o livro conta com prefácio de Gabriel Laverdière.
 
A chegada de Mariana Dimópulos aos leitores brasileiros. 

Cada despedida é um romance breve e intenso. Sua intensidade resulta de uma escrita elaborada e brutalmente econômica. Não há sobras no texto de Mariana Dimópulos, que narra o percurso de uma jovem argentina pelo Velho Mundo em saltos temporais, em vinhetas que acompanham suas trocas de lugar, de pessoas, de trabalho, a partir do que a autora chama de “uma forma fragmentada de ver”. Mas há um evento que percorre o livro desde o início, um pano de fundo, um suspense que encontra, por fim, seu desfecho. Como apontou o escritor J. M. Coetzee na apresentação que escreveu especialmente para a edição brasileira, a noção de “adaptar-se” é fundamental neste romance, e “para o leitor a questão não é mais: Como fará nossa jovem heroína para lidar com a sucessão de desafios que a confrontam, mas, por que será que essa alma inquieta não consegue corresponder a nossas expectativas narrativas inventando uma vida nova para si mesma.” Com tradução de Josely Vianna Baptista, o livro é publicado pela Roça Nova Editora. 
 
Um retrato dramático da dissolução de um casamento, escrito com precisão lírica e brutal. Livro indicado para o Prêmio Nórdico de Literatura.
 
Jon, que está perdendo sua esposa para outro homem, está tentando entender o que aconteceu com seu Grande Amor, trabalhando, dolorosamente, para ver a história da perspectiva dela. Tudo começa quando ele pergunta a ela: “Você pode me falar sobre nós?”. Ao olhar para seu passado e dentro de si mesmo, ele começa a questionar as convenções de masculinidade e feminilidade, entendendo-se como um homem que desafia o papel masculino. E, finalmente, em um esforço para entender como sua esposa pode se apaixonar por outra pessoa, ele tenta um último ato de empatia: contar a história do ponto de vista do outro homem, levantando questões paralisantes: É possível fazer sexo sem violar a si mesmo ou ao outro? Quanto do que pensamos ser amor é apenas projeção? É possível conhecer verdadeiramente outra pessoa. Com uma prosa perturbadora em sua precisão e peso emocional, História de um casamento conta a história de um amor fracassado enquanto repete os clichês até que estes se desintegrem, revelando um vazio amargo ― ou trazendo novos significados. Com tradução direta do norueguês de Leonardo Pinto Silva, o livro é publicado pela editora Rua do Sabão. Você pode comprar o livro aqui.
 
A tradução de um outro livro do autor de Berlin Alexanderplatz.

Alfred Döblin (1878-1957), escritor judeu-alemão, internacionalmente conhecido pelo romance Berlin Alexanderplatz, não só escreveu várias outras obras de ficção, peças de teatro e ensaios de natureza vária, por exemplo, sobre os elos do ser humano com a natureza, como também foi teórico das relações entre a literatura e a história — isto é, refletiu sobre os experimentos que envolvem os processos da apreensão do “real” no texto poético. Em O Tigre Azul, o escritor abrange um longo e emaranhado período histórico da Península Ibérica e da América do Sul, isto é, estende-se por dois séculos, da chegada do padre jesuíta Manuel da Nóbrega ao porto brasileiro de São Vicente em 1552, na comitiva do primeiro governador do Brasil, Tomé de Sousa, até a expulsão dos jesuítas da colônia portuguesa pelo Marquês de Pombal em 1759. A tradução por Celeste Ribeiro-de-Sousa é publicada pela Aetia Editorial. Você pode comprar o livro aqui.
 
A ditadura militar pelo ponto de vista de uma menina de nove anos.
 
Romance narrado por Tamara, menina de nove anos que vive o período ditatorial chileno em uma família desestruturada. Seu pai carrega profundos traumas de guerra, que passam a fazer parte da infância da filha. Como um teatro, Tamara reencena fatos de sua vida, ensaia personagens, tenta dirigir a montagem para que as coisas possam fazer algum sentido. A partir de memórias herdadas, solidão e ruinas do cotidiano, Tamara traça estratégias de sobrevivência e busca uma identidade e uma chance de futuro. Cenário de guerra tem tradução de Luis Reyes Gil e é publicado pela editora Mundaréu. Você pode comprar o livro aqui.
 
Marina Tsvetáieva, uma das mais importantes poetas do século XX em uma nova antologia.
 
Elos líricos, organizada e traduzida por Paula Vaz de Almeida, é uma antologia muito representativa de sua obra, por acompanhar seu percurso poético expresso na relação que manteve com outros e outras poetas que constituíram influências em sua obra além de importante presença em sua vida, tais como Aleksandr Púchkin, Boris Pasternak, Vladimir Maiakóvski, Anna Akhmátova, Sofia Parnok e Rainer Maria Rilke. Em seis ciclos de poemas e dois conjuntos de textos em prosa, que perpassam 22 dos 48 anos da vida da autora, entrevemos eventos da história russa e do itinerário pessoal de Tsvetáieva — suas experiências, amizades, afinidades poéticas e amores —, a leitura do conjunto oferece, por fim, uma intensa reflexão quanto ao ofício do poeta, a natureza da criação artística, o fazer poético próprio e de outros. O livro é publicado pela Bazar do Tempo.
 
Novo romance da escritora portuguesa Joana Bértholo ganha edição no Brasil.
 
Quando a tecnologia das megacorporações se sobrepõe cada vez mais aos governos, um algoritmo chega para acabar de vez com o último refúgio da liberdade individual: a linguagem. A partir de então, o uso das palavras passa a ser pago e monitorado, fazendo com que as pessoas deixem de ser apenas consumidores para se tornarem também produtos. E é através das vozes de vários personagens — e dos seus silêncios, última forma de resistência — que acompanhamos os ecos de uma distopia tão inventiva quanto assustadoramente verossímil. Afinal, o que acontece quando só dizemos aquilo pelo que podemos pagar? O romance Ecologia, de Joana Bértholo, é publicado pela Dublinense. Você pode comprar o livro aqui.
 
Livro busca reparar lacuna sobre textos de Dziga Viértov em português no Brasil. 

Autor de clássicos como a série Kino-Pravda (1922-25) e o longa-metragem O homem com a câmera (1929), Dziga Viértov (1896-1954) foi pioneiro de uma linguagem própria para o cinema e um dos principais nomes da vanguarda soviética. Durante toda a sua vida praticou e defendeu o lema de seu amigo Maiakóvski, segundo o qual não há arte revolucionária sem forma revolucionária. Embora seja um dos diretores de cinema mais influentes do século XX, Viértov teve pouquíssimos escritos publicados em nossa língua e quase sempre em traduções indiretas. Cine-olho busca reparar essa lacuna, reunindo noventa textos, vários deles inéditos, entre manifestos, roteiros, artigos, projetos, cartas e poemas, todos traduzidos diretamente do russo pelo organizador Luis Felipe Labaki, acompanhados de mais de cem imagens da Coleção Dziga Viértov do Österreichisches Filmmuseum de Viena. A de Luis Felipe Labaki é publicada pela Editora 34. 
 
Entrevisões de Pagu em Paris.
 
A pesquisadora vai passar um ano em Paris, para levantar dados, deslindar enigmas dos anos pouco estudados que Patrícia Galvão passou na França, entre 1934 e 1935. A investigadora, porém, é uma romancista consagrada, vários livros publicados. Ou seja, a ficção lhe corre nas veias. A narrativa poderia começar de várias formas, como um projeto, um contexto histórico, mas começa assim: “Meu nome é Adriana Armony. Parece nome artístico, mas não. Não tem a ver com harmonia, como alguns imaginam. Armony sem agá. E com ípsilon. Significa ‘meu castelo’, em hebraico”. Aí está toda a diferença. Das buscas na Biblioteca Nacional, em arquivos policiais, de partidos e organizações, surge a militante que tem um corpo, um corpo sofrido, machucado. Como tem corpo a escritora, mas esse dança, faz amor. Juntas circulam pelos metrôs, pelas ruas de Paris, enfrentam manifestações e protestos. A cidade mudou, mas o machismo dos dirigentes dos anos 1930 perdura ainda nos jovens charmosos dos cafés de hoje. Pagu no metrô traz pesquisas e fotos novas, descobertas importantes em hospitais e arquivos. Os documentos trazem verdades, momentos da realidade de Pagu e outras mulheres, operárias, militantes, mas é uma voz de mulher que conta suas histórias. Para falar delas, a autora precisa falar de si, ou não seria verdadeira. Confidências, pesquisa e ficção se misturam, conduzidas por uma primeira pessoa implacável que não é um mero recurso literário. É expressão de uma forma nova, cultivada em terreno feminista, com perspectivas críticas que partem de um olhar que se sabe diferente e inédito. Pagu no metrô não é biografia nem autobiografia, é testemunho de vida de duas mulheres a quem não faltou coragem. O livro é publicado pela editora Nós.
 
A Semana de Arte Moderna de São Paulo e os divisores na cultura brasileira.
 
O que afinal terá sido o moderno em nossas artes, a partir de fevereiro de 1922? De que brasilidade falamos, a partir de que categoria social nossa modernidade se instalou? Neste livro, Leda Tenório da Motta nos traz uma visão crítica e contundente desse problema ao abordar a polêmica entre o grupo dos críticos uspianos e dos poetas concretistas sobre o barroco e a constituição da literatura brasileira. A relação dessa polêmica com a Semana é que foi esse o evento que programaticamente colocou na ordem do dia e na boca do povo a questão do que seja brasilidade e modernismo. Além disso, Mario e Oswald passaram a representar polos opostos nas discussões culturais a respeito e foram atacados e defendidos pelas duas correntes em embate: a dos críticos uspianos e a dos poetas concretistas. Neste Cem anos da Semana de Arte Moderna: o gabinete paulista e a conjuração das vanguardas, Leda Tenório da Motta passa a limpo uma das grandes controvérsias dos meios literários e dá a medida da importância que o evento teve em nossas artes. O livro integra a respeitada coleção Debates publicada pela editora Perspectiva. Você pode comprar o livro aqui.

Publica-se uma sequência de páginas inéditas de Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus. 

Primeiro volume da trilogia O Quarto de despejo revisitado, a obra traz inéditos do famoso livro de Carolina; são passagens do diário de 15 a 28 de julho de 1955 e 18 de maio a 29 de junho de 1960, intercalando tais textos com os escritos da edição original, do jornalista Audálio Dantas, e com comentários do historiador José Carlos Sebe Bom Meihy. O livro é publicado pela editora Ática.

EVENTO

A Companhia das Letras promove a Jornada Modernismos 

O evento acontece entre os dias 8 e 12 de fevereiro para assinalar o centenário do célebre evento paulista. São sete debates virtuais com o intuito de festejar, questionar e provocar reflexões sobre a Semana de Arte Moderna e seus desdobramentos. A partir dos ensaios do livro Modernismos 1922-2022, autores e convidados oferecem um percurso de leitura dos 29 textos que o compõem – sempre com mediação de Gênese Andrade, organizadora do volume. Destacam-se os diferentes pontos de vista que nortearam as reflexões sobre o contexto do surgimento da Semana de 22 e de seu centenário; a representatividade no que se refere a gênero e raça e a questão da sexualidade, entre outros temas. Basta ficar atento por aqui


DICAS DE LEITURA
 
Este boletim abriu com a notícia sobre a chegada em junho, pelo Bloomsday, de uma nova tradução do principal romance de James Joyce. No passado 2 de fevereiro muito se falou sobre Ulysses na passagem dos 140 anos do seu autor e no primeiro centenário de publicação do livro. Desafiador e com a fama ainda não superada de hermético, o leitor que se interessa por entrar neste universo joyciano sempre se pergunta quais materiais de apoio pode contar à sua disposição. 

A chamada bibliografia passiva neste caso é enorme. Alguns desses materiais estão neste blog e espalhados pela web (veja as seções seguintes). E, a Companhia das Letras disponibilizou uma nova edição com a tradução de Caetano W. Galindo revisada e acrescentada de um vasto material bibliográfico. Quer dizer, não existe desculpas para adiar a leitura. 

Bom, não existe receita para enfrentar a obra máxima da literatura ocidental moderna e aquele que quer mesmo ler, basta encontrar a edição mais confortável e mergulhar, como se faz com qualquer outro livro. O máximo que poderá acontecer é se perder e sair sem atentar para mínimos detalhes, mas não existe leitura esgotável de nenhuma verdadeira obra literária. De toda maneira, deixamos algumas dicas com livros que podem ajudá-lo com a travessia. Na aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste boletim, você tem desconto e ainda ajuda a manter o Letras.
 
1. Sim, eu digo sim. Uma visita guiada ao Ulysses de James Joyce, de Caetano W. Galindo. A vivência do tradutor que levou mais de uma década e se dedica a rever seu trabalho e ao restante da obra do escritor irlandês são razões mais que ajustadas para buscar este roteiro. O trabalho de Galindo aqui é menos o do acadêmico e mais o do leitor que primeiro atravessou o caminho e o refez outras vezes por entradas variadas. Assim, é uma boa companhia para se pegar pela mão ao entrar no labirinto literário de James Joyce. O livro foi publicado pela Companhia das Letras quase imediatamente à tradução de Galindo para a Penguin/ Companhia. Você pode comprar o livro aqui.
 
2. Homem comum enfim, de Anthony Burgess. Este é um livro que está naquela infindável lista dos títulos que precisam de uma reedição urgente; como até o presente se isso existe é cogitação que saiu do segredo da casa editorial, vale buscar com os livreiros. Trata-se de um ensaio em que o escritor de Laranja mecânica se dedica examinar seus mais de cinquenta anos de convívio com a obra de James Joyce. Como bons leitores, escritores sempre podem oferecer pontos de interesse e chaves de leitura interessantes. Você pode comprar o livro aqui. E há edições mais em conta, certamente.
 
3. Joyce era louco?, de Donaldo Schüler. A pergunta que sustenta este livro foi lançada por Jacques Lacan na discussão entre arte e loucura no Livro 23 dos seminários e que tomava a obra do escritor irlandês. É também do ponto de vista psicanalista que Schüler  tradutor de Finnegans Wake, outro dos mais desafiadores trabalhos de James Joyce , levanta sua leitura. Este romance é pensado aqui, mas inclui-se ainda uma leitura atenta e detalhada acerca dos temas recorrentes no Ulysses.  Você pode comprar o livro aqui.
 
VÍDEOS, VERSOS E OUTRAS PROSAS
 
1. No YouTube, você pode assistir dez aulas de Caetano W. Galindo sobre Ulysses, de James Joyce, além da fala no canal da Companhia das Letras nessa plataforma por ocasião da publicação da edição especial desse romance no último dia 2 de fevereiro.

2. Neste 5 de fevereiro de 2022, passam-se cinquenta anos sobre a morte de Marianne Moore, poeta de predileção de João Cabral de Melo Neto. No blog da revista 7faces você encontra esses dois poemas da estadunidense (em português, é claro). 
 
BAÚ DE LETRAS
 
1. Uma busca aqui no blog por James Joyce ou por seu, agora centenário, romance, o leva a várias publicações sobre o escritor e sua obra. Nesta post em nossa página no Facebook, quatro deles, especificamente sobre Ulysses.
 
2. E, por aqui, encontra um texto escrito pelo nosso editor, Pedro Fernandes, sobre o livro de Caetano W. Galindo recomendado na seção anterior.
 
DUAS PALAVRINHAS

A vida é movimento. A vida é o que não é inerte, é o pulsar, e é um organismo com futuro, embora esse futuro possa ser curto. A vida é como você quer defini-la; eu a defino como um ser, um organismo que tem um futuro. 

— Paul Auster em entrevista para Fronteiras do pensamento.

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* Todas as informações sobre lançamentos de livros aqui divulgadas são as oferecidas pelas editoras na abertura das pré-vendas e o conteúdo, portanto, de responsabilidades das referidas casas. 

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