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Augusto Roa Bastos: entrecruzamentos do poder e da rebeldia

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Por Geney Beltrán Félix


O nome de Augusto Roa Bastos – sua pertinência, sua posteridade – pareceria assentar-se de forma definitiva nas páginas de uma obra: Eu, o supremo. O autor paraguaio (Assunção, 1917–2005) chegou ao ponto mais alto de sua trajetória artística em 1974 com a publicação de um romance ambicioso e grandioso mas sobretudo anômalo. Quem o lia em 1953 com seu livro de estreia, os contos reunidos sob o título de O trovão entre folhas ou mesmo em 1960 com seu primeiro romance, Filho do homem, dificilmente haveria imaginado que dessa mesma pena sairia uma obra-limite de linguagem e imaginação como findou sendo o artefato verbal com que Roa Bastos tornou em alta matéria literária a figura do ditador paraguaio José Gaspar Rodríguez de Francia (1814-1840). E, se formos mais longe, tampouco haveria muito nos tratamentos anteriores da figura do ditador e da luta política na América Espanhola que poderiam adiantar os modos como Roa Bastos retrata e, mais exatamente, encarna o po…