Boletim Letras 360º #577

Dario Fo. Foto: Giovanni Giovannetti


 
LANÇAMENTOS
 
De forma excepcional, o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura Dario Fo rompe com reconstruções escandalosas ou puramente históricas e revela toda a humanidade de Lucrécia.
 
Filha de um papa, três vezes esposa (um marido assassinado), um filho ilegítimo... Tudo isso em apenas 39 anos, em pleno Renascimento. Uma vida incrível, digna de ser contada. Escritores, filósofos e historiadores tentaram; séries de televisão de sucesso foram dedicadas a Lucrécia. De forma excepcional, o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura Dario Fo rompe com reconstruções escandalosas ou puramente históricas e revela toda a humanidade de Lucrécia, libertando-a do clichê de mulher perversa e incestuosa e enfatizando diversos aspectos de seu caráter, sua inteligência, sua cultura e sua generosidade. Neste livro está o fascínio das cortes renascentistas com o Papa Alexandre VI, o mais corrupto entre os pontífices, seu diabólico irmão César, assim como os maridos de Lucrécia, ameaçados, mortos, humilhados, e seus amantes, especialmente Pietro Bembo, com quem ela compartilhava o amor pela arte, em particular, pela poesia e pelo teatro. Todos peões nos jogos de poder. Uma verdadeira academia de nepotismo e obscenidade, em meio a festas e orgias. Como hoje. Porque o romance da família Bórgia é, acima de tudo, a máscara do nosso tempo que, visto através do filtro daquele período, nos parece ainda mais desolador e corrupto. A filha do papa sai pela Autêntica. A tradução é de Anna Palma. Você pode comprar o livro aqui.
 
Ezra Pound pelas mãos dos seus introdutores no Brasil.
 
A primeira edição de uma seleção dos Cantos de Ezra Pound — batizada a pedido do autor, ainda vivo, de Cantares —, apareceu no Brasil em 1960, e reunia traduções assinadas em conjunto pelos irmãos Campos e por Décio Pignatari. A publicação teve a rubrica do Serviço de Documentação do Ministério da Educação, então dirigido por José Simeão Leal. Em 1968, graças ao empenho do poeta Ernesto Manuel de Mello e Castro, foi publicada, em Portugal, pela editora Ulisseia. De 1983 a 1993, três edições da Ezra Pound Poesia, revistas e ampliadas, foram publicadas pela Editora Hucitec em associação com a Universidade de Brasília. Depois de três décadas de sua última edição, e há muitos anos inacessível, esta antologia da poesia de Ezra Pound volta a ser publicada entre nós, e agora enriquecida com os textos originais dos poemas recriados em português. Para a presente publicação, organizada por Augusto de Campos, resolveu-se acrescentar o texto de “EXTRAPOUND” (coletânea reunida por Augusto de Campos e editada por Vanderley Mendonça, para Selo Demônio Negro, em 2020). Tem, assim, o leitor a sua disposição as traduções dos Cantos assinadas pelos irmãos Campos e por Décio, e mais as de José Lino Grünewald e de Mário Faustino, completadas pelas do próprio organizador, de modo a formar um largo panorama da obra poética de Pound. Pela sua atualidade, decidiu-se, à guisa de prefácio geral, fazer anteceder todo o conjunto pela introdução que Augusto escreveu para as suas mais novas traduções. A publicação é da editora Cobalto. Você pode comprar o livro aqui.
 
A releitura de Aimé Césaire de um clássico de William Shakespeare.
 
Uma tempestade é uma das releituras feitas a partir de A tempestade, de William Shakespeare, última peça escrita pelo autor inglês, que trata de relações de legitimidade e usurpação. Na trama, Próspero, duque de Milão, é deposto por seu irmão, Antonio, e exilado em um navio com sua filha Miranda, que atraca em uma ilha com dois habitantes: Ariel e Calibã. Ariel havia sido preso por Sycorax, mãe de Calibã, e é liberto por Próspero, a quem então passa a dever sua gratidão. Já Calibã, que se considerava o dono da ilha, é escravizado por Próspero e se revolta com a situação. As reinterpretações latino-americanas desta peça têm explorado a dinâmica entre Próspero, o colonizador europeu, e seus auxiliares escravizados, Ariel e Calibã. Próspero, que foi usurpado de seu ducado, torna-se o usurpador da ilha que pertencia a Calibã: ele lhes ensina sua língua e acredita tê-los “civilizado”. Ao adaptar a peça do dramaturgo elizabetano para um teatro negro, enfatiza-se que a peça deve ser interpretada por um elenco negro, sobretudo porque o autor martinicano adiciona à caracterização de Calibã como um escravo negro, e Ariel é retratado como um escravo negro de pele clara, referido como mulato no original. O foco principal de Césaire nesta versão é o personagem de Calibã, a quem ele associa aos Panteras Negras norte-americanos. Em sua interpretação, o autor se indigna com a brutalidade e arrogância de Próspero, retratado como um homem indulgente, o que lhe pareceu refletir a típica mentalidade europeia. Sua proposta é apresentar uma nova perspectiva, a do colonizado, questionando a visão eurocêntrica da obra original. Ainda, Césaire explora os efeitos da colonização sobre a cultura e identidade dos povos nativos, além de debater sobre as relações de poder e controle entre colonizador e colonizado. O livro sai pela editora Temporal com tradução de Marina Bento Veshagem e posfácio de Marie-Claude Hubert.
 
Um novo livro de Alia Trabucco Zerán chega aos leitores brasileiros.
 
Neste romance baseado em um crime real e construído de forma circular — ele começa no ponto em que termina —, Estela está presa em uma sala de interrogatório policial para esclarecer a morte de uma menina a seus inquiridores. Anônimos, eles estão separados da protagonista por um vidro opaco, tal como ela era apartada da cozinha por uma porta translúcida no quarto dos fundos da casa onde vivia como empregada doméstica e babá. Estela saíra ainda jovem do Sul do Chile para a capital, Santiago, em busca de melhores condições, deixando sua mãe no clima gélido do campo para trabalhar na casa de um casal de classe alta. Com uma tensão crescente, a acompanhamos reconstruir os pormenores que tornaram sua vida negligenciada e invisível. Durante sete anos, de segunda a sábado, a protagonista dedicou-se a lavar, passar, cozinhar, limpar e cuidar da filha única dos patrões, que crescera assombrada pela ansiedade e agora está morta. E embora seja o coração do romance, este não é o único óbito que assombra a inocência de Estela. Afinal, já afirmava a superstição de sua mãe: quando morre um, mais dois sempre morrem. Aos poucos, raiva e exaustão vão rompendo a superfície tensa da realidade e a vida da narradora se torna um pesadelo repetitivo. Seu envolvimento emocional com uma cachorra vira-lata, a presença silenciosa de uma caixa de veneno de rato, de um par de luvas ou de uma arma são algumas das peças deste thriller social. Envolvente e perturbador, não à toa este livro foi vendido para mais de treze países antes mesmo de sua publicação em espanhol. Na melhor tradição do realismo sujo, Alia Trabucco Zerán não deixa de lado suas motivações políticas e toca um estrato da sociedade sem consciência de classe e impune da violência que perpetua todos os dias dentro do próprio lar. Com tradução de Silvia Massimini Felix, Limpa é publicado pela editora Fósforo. Você pode comprar o livro aqui.
 
Uma antologia reúne traduções de poemas do alemão Christian Morgenstern feitas por importantes nomes da literatura brasileira.
 
“Rara, rarissima avis” entre seus conterrâneos, o poeta alemão Christian Morgenstern (1871-1914) não se deixa capturar facilmente. Autor de versos líricos que fazem pensar em Rilke, batia as asas com desenvoltura também no terreno da sátira e da paródia. Capaz de voos místicos em seus últimos anos de vida e criação, foi com os poemas de humor tão inescapável quanto indefinível das Canções da forca (1905) e de Palmström (1910) que Morgenstern conquistou milhares e milhares de leitores nos saraus artísticos de Berlim e Zurique ou nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial. Grotescos, filosóficos, brincalhões, fabulares e patibulares ou tudo isso ao mesmo tempo, esses poemas abrem as portas para uma revoada de seres fantásticos, encabeçados pelos paradoxais Von Korf e Palmström, todos eles entregues, com ar de quem não quer nada, a desmantelar a vida adulta e burguesa, começando por sua liga mais essencial: a linguagem. Pois, nas palavras do próprio Morgenstern, “burguesa é, sobretudo, a língua. Desaburguesá-la é a tarefa do futuro”. A fim de trazer o leitor para mais perto do “planeta de Morgenstern”, este Jogo da forca reúne traduções feitas ao longo do século XX por poetas e críticos brasileiros de variada plumagem — da vanguarda à universidade, do jornalismo à filosofia — e constante felicidade verbal, arrematadas por um ensaio de Sebastião Uchoa Leite.  Organizado por Samuel Titan Jr., as traduções reunidas em Jogo da forca, publicação da Editora 34, são de Augusto de Campos, Haroldo de Campos, Felipe Fortuna, Montez Magno, Paulo Mendes Campos, Rubens Rodrigues Torres Filho, Roberto Schwarz e do próprio Sebastião Uchoa Leite. Você pode comprar o livro aqui.
 
Mais um título da coleção que reúne narrativas centradas em grandes centros urbanos do Oriente Médio.
 
Teerã noir faz parte da premiada série de antologia noir da Akashic Books. A ideia da série é reunir escritores locais que conhecem a fundo a cidade onde vivem, e propor a cada um que escreva um conto noir inédito. Da introdução de Salar Abdoh: “Há sempre um elemento de fim do mundo a respeito dessa cidade. Uma sensação de se ter sido retirado da beira do precipício. Em outros momentos, eu a chamei de ‘cidade sísmica’ — o santuário sísmico. Tudo isso vai ter fim, um dia. Sim. Talvez mais cedo que mais tarde. E, quando acontecer, por Deus, vai deixar saudades.” No Brasil, Teerã noir se junta aos títulos da coleção traduzidos para o português pela Tabla: Beirute noir, Marraquexe noir e Bagdá noir. A tradução é de Adriano Scandolara. Você pode comprar o livro aqui.
 
André Breton e Paul Éluard no desenho dos caminhos do surrealismo.
 
“A imagem surrealista mais forte é aquela que apresenta o mais elevado grau de arbitrariedade, que requer mais tempo para ser traduzida em linguagem prática”, escreve André Breton no verbete sobre a palavra “imagem”. Este livro-collage, ricamente ilustrado com mais de 200 reproduções, é ferramenta fundamental para quem se interessa pelo movimento surrealista, assim como uma porta de entrada para aqueles que desejam mergulhar pela primeira vez nesse universo onírico. “Neste Dicionário abreviado do surrealismo, André Breton e Paul Éluard demonstram que o caminho da representação é uma via de mão dupla em que transitam os demônios da analogia. Logo, qualquer palavra pode representar um objeto que lhe é estranho”, escreve o ensaísta Elvio Fernandes na quarta capa. Idealizado como catálogo para a IV Exposição Internacional do Surrealismo em janeiro de 1938, na Galerie des Beaux-Arts, o Dicionário apresenta ao público leitor um panorama da experiência imagética do surrealismo internacional e informações a respeito dos poetas e pintores que construíam o movimento surrealista na época. O livro é publicado pelas Edições 100/Cabeças com tradução de Diogo Cardoso. Você pode comprar o livro aqui.
 
A relação de Mário de Andrade com a música é analisada em livro.  
 
Este livro analisa e reúne os artigos sobre música erudita escritos por Mário de Andrade entre 1943 e o ano de sua morte, em 1945, para o jornal Folha da Manhã, onde ele assumira a responsabilidade de redigir semanalmente uma coluna intitulada “Mundo Musical”. O objetivo não era a crítica imediata — Mário de Andrade declarava evitar os artistas vivos —, e seus artigos promoveram uma profunda reflexão sobre os grandes compositores e as grandes obras. Mas, desde a primeira publicação, tornou-se evidente que esses textos transcendiam o âmbito da música, abordando questões estéticas, éticas, ideológicas e políticas muito mais amplas e contemporâneas. Essas contribuições causaram um grande impacto e exerceram considerável influência sobre a comunidade intelectual brasileira. Com comentários e a mobilização de vários outros textos, Jorge Coli ajuda o leitor a entender o pensamento móbil e o caráter fragmentário desses escritos. Música final sai pela Edusp e Editora Unicamp. Você pode comprar o livro aqui.
 
Considerado pelo Wall Street Journal a obra-prima de Dennis Lehane, Golpe de misericórdia é uma descrição brutal da criminalidade e um retrato assombroso do racismo nos Estados Unidos.
 
Boston, 1974. O Tribunal Distrital dos Estados Unidos concluiu que o comitê escolar da cidade desfavorecia sistematicamente os alunos negros no sistema público, e que, para evitar a forte segregação racial que existia na região, era necessário distribuir e transportar estudantes entre bairros de maioria branca e bairros de maioria negra. É nesse contexto que uma adolescente branca some e um jovem negro é encontrado morto no metrô. À primeira vista, os dois eventos parecem não estar relacionados, mas os ânimos inflamados pela tentativa de integração escolar e o preconceito latente da população indicam o oposto. É Mary Pat Fennessy, mãe da menina desaparecida, que numa busca desenfreada pela filha coloca em xeque a violência que assola a cidade. Sozinha em meio ao caos, ela não se deixa vencer e embarca numa jornada vertiginosa para encontrar a filha, mesmo que, para isso, precise enfrentar a máfia irlandesa, policiais corruptos e o racismo entranhado na história norte-americana. Com tradução de Luiz A. de Araújo, o livro sai pela Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.
 
REEDIÇÕES
 
Nova edição de um dos livros principais de Ernst Jünger.
 
“Havíamos deixado salas de aula, bancos de escola e mesas de trabalho e, em breves semanas de treinamento, estávamos fundidos em um grande e entusiasmado corpo. Crescidos em uma época de segurança, todos sentíamos a nostalgia do incomum, do grande perigo.” Foi assim, com entusiasmo juvenil, que Ernst Jünger (1895-1998) partiu da Alemanha para o front francês da Primeira Guerra Mundial. A experiência nas trincheiras desse premiado autor alemão é o tema do “Tempestades de aço”, um dos mais conhecidos relatos sobre o conflito, traduzido por Marcelo Backes, também responsável pelas notas e o posfácio. Ao contrário de boa parte dos livros de temática bélica, o relato de Jünger não carrega traço algum de pacifismo ou vitimização. A guerra, em sua visão, é o terreno da bravura e da masculinidade, um rito inerente ao ser humano e que beira o espetáculo. Nos momentos mais renhidos da luta, Jünger se diz “tomado por duas sensações violentas: a excitação selvagem do caçador e o medo terrível da caça”. O autor tinha 19 anos quando chegou à França e sua permanência se encerrou na maturidade dos 23, passando de cadete a tenente. Tempestades de aço foi publicado logo depois, em 1920, o que possibilitou, com ajuda de anotações feitas no calor da hora, um testemunho minucioso da vivência nas trincheiras, em luta contra franceses e ingleses. O impacto do livro foi imediato, tanto na Alemanha quanto internacionalmente, graças à descrição desassombrada dos combates, apenas com momentos isolados de lirismo ou horror. Cabe lembrar que Jünger foi catorze vezes ferido durante a guerra. No prefácio de uma edição posterior de Tempestades de aço, o autor chegou a classificar a guerra como “um aprendizado incomparável do coração”. Em outro texto, asseverou que “na guerra, considerações morais não devem orientar nenhum movimento”. Não é de espantar, portanto, que “Tempestades de aço possa ser lido como um thriller de pura ação”, com narrações emocionantes como a da lendária batalha do Somme. A maestria da escrita do autor levou o escritor francês André Gide a considerar a obra como “o melhor livro de guerra que já li”. Rendeu também o reconhecimento do argentino Jorge Luis Borges que, em 1982, fez questão de viajar até Wilflingen, no sul da Alemanha, onde o então octogenário Jünger morava, para cumprimentá-lo e testemunhar-lhe sua admiração. Na visão de Jünger, as tropas estacionadas em diversas aldeias francesas erguem cenários admiráveis de construções em superfície e galerias subterrâneas. O soldado admira o conforto obtido por refeições saborosas e simulacros de casa erguidas nas valas, com teto, paredes, escadas e cômodos, entre eles salas de estar e escritórios. Particularmente sedutores são os momentos vividos numa improvisada, mas cuidadosamente erguida escola de oficiais. Jünger em vários momentos se refere ao aconchego e à comida saborosa de vários de seus dias — as noites, ao contrário, são de trocas de granadas e foguetes que explodem em estilhaços mortais. O jovem testemunha pela primeira vez, acusando o choque medonho, a presença da mutilação e da morte. O autor lamenta acima de tudo as inovações trazidas pela Primeira Guerra — as trincheiras em lugar do combate campal, homem a homem, além da mecanização das armas e o advento do gás letal e dos projéteis de fragmentação, tornando o conflito muito mais mortífero do que os anteriores, com a catástrofe estendida às populações civis. Jünger, que também foi autor de ensaios filosóficos durante sua longa vida, vê tais mudanças como prolongamentos das novas configurações sociais e econômicas de um mundo em processo acelerado de modernização, que, na visão do autor, transformava os homens em máquinas. Publicação da editora Carambaia. Você pode comprar o livro aqui.

RAPIDINHAS    

O poeta George Orwell. A editora Bestiário publica a poesia completa do autor de A fazenda dos animais e 1984. O livro é organizado por Jaime de Andruart, autor também da tradução.

O bairro de Gonçalo M. Tavares. Os onze volumes do ciclo O bairro, do escritor português, começa a ser publicado no Brasil pela Editora Nós.

DICAS DE LEITURA
 
E suas leituras de obras teatrais — como estão? No passado 27 de março foi celebrado o Dia Mundial do Teatro. E aqui estamos para lembrá-lo a ler mais obras do gênero. Seguindo a iniciativa de outra vez desta seção para a data, destacamos três peças publicadas recentemente. E lembre-se que na aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste boletim, você tem desconto e ainda ajuda a manter o Letras.
 
1. O que aconteceu após Nora deixar a casa de bonecas ou pilares da sociedade, de Elfriede Jelinek (Trads. Angélica Neri, Gisele Eberspächer, Luiz Abdala Jr. e Ruth Buhonovsky, Temporal Editora, 192 p.) Há muito que obra da escritora austríaca Prêmio Nobel de Literatura em 2004 parou de circular nas livrarias brasileiras. Essa peça publicada pela casa editorial que tem se especializado em publicar teatro é um pequeno regresso. O acontecimento aqui começa no ponto final da célebre peça Casa de bonecas, de Henrik Ibsen. Na cena de Jelinek, Nora, a protagonista, principia de então sua trajetória como mulher emancipada. Você pode comprar o livro aqui
 
2. Lisbela e o prisioneiro, de Osman Lins (Tusquets, 128 p.) É possível que o leitor conheça o filme de Guel Arraes feito em 2003 a partir desta obra do escritor pernambucano. Mas, conhecerá o texto que deu origem à película? Recriando uma das muitas intrigas de amor à maneira nordestina, a comédia se situa em grande parte no interior de uma prisão onde Leléu está preso por desonrar uma moça. Você pode comprar o livro aqui
 
3. Antígona, de Sófocles (Trad. Jaa Torrano, Mnēma; Ateliê Editorial, 184 p.) Findamos com um clássico de um autor outrora recomendado aqui nessa mesma ocasião. O leitor encontrará várias traduções e edições disponíveis desta peça. A recomendação por esta publicada há dois anos tem dois motivos: a boa realização a partir do texto grego e a qualidade da edição. A peça integra o ciclo tebano. Centrada no impasse dos filhos de Édipo e Jocasta — depois que o tirano deixa o trono em face dos acontecimentos dos julgava escapar: de matar o pai e desposar a mãe —, aqui um dos pontos é a dignidade do morto defendida até o limite pela heroína que dá título à peça. Você pode comprar o livro aqui
 
VÍDEOS, VERSOS E OUTRAS PROSAS
 
Um poeta que alcança data redonda neste domingo, 31 de março, é Octavio Paz. O mexicano nasceu neste dia, em 1914.  Aqui, um documentário em que o poeta faz um relato de sua própria biografia e da sua vocação poética. Trata-se de Octavio Paz: el lenguaje de los árboles (1983), dirigido por Claudio Isaac. O filme é marcado pela leitura de alguns dos seus poemas.
 
BAÚ DE LETRAS
 
Já neste 30 de março de 2024, cumpre-se outra data redonda: o 180º aniversário do poeta simbolista Paul Verlaine. Recordamos, marcando a efeméride, o texto que traduzimos de Carlos Mayoral, “Verlaine e Rimbaud, o abraço maldito”, publicado aqui.

Ainda Octávio Paz. Sua presença no arquivo do Letras é mais constante. Aqui, é possível ler um breve perfil biográfico; uma resenha de O arco e a lira; uma resenha de Sor Juana Inés de la Cruz ou as artimanhas da fé; e um texto acerca da viagem de Paz à Índia são algumas delas.

DUAS PALAVRINHAS
 
As imagens do poeta têm sentido em diversos níveis. Em primeiro lugar, possuem autenticidade: o poeta as viu ou ouviu, são uma expressão genuína de sua visão e experiência do mundo. Em segundo lugar, essas imagens constituem uma realidade objetiva, válida em si mesma: são obras. Por fim, o poeta afirma que as suas imagens nos dizem algo sobre o mundo e sobre nós mesmos e que esse algo, embora pareça um disparate, nos revela o que somos de verdade.
 
— Octavio Paz, O arco e a lira.

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