Boletim Letras 360º #591

Martin Amis. Foto: Jillian Edelstein



LANÇAMENTOS
 
Martin Amis recupera períodos sórdidos de sua vida adulta e momentos de alegria e júbilo com amigos e mentores. As obsessões do autor, como a sombra de seu pai Kingsley Amis, também escritor, a rivalidade literária na cena cultural e o desejo sexual em contraste com a vida burguesa retornam em um texto explosivo.
 
Martin Amis construiu uma carreira literária ousada, com livros que deixaram sua marca pela verve desaforada, como Dinheiro, que trata de uma vida de excessos no auge do capitalismo, e pela coragem em tratar de temas espinhosos, como A zona de interesse, que retrata o cotidiano doméstico de algozes nazistas durante o Holocausto. Acossado pelo envelhecimento, o escritor decidiu em Os bastidores encarar o espelho e tentar dar conta da própria vida, em tudo o que ela teve de mais difícil, constrangedor e contraditório. É este o seu último livro — híbrido de romance, ensaio e memórias, e que poderia ser preguiçosamente classificado como “autoficção” — e nele acompanhamos a formação do jovem Martin, que se dá em larga medida graças às pessoas que o cercam, como os grandes nomes da escrita anglófona do século XX, Philip Larkin, Saul Bellow e Christopher Hitchens. Os bastidores, mais do que uma jornada pela cena literária britânica, oferece uma visão íntima e despudorada dos segredos de um homem, num texto que testa os limites do que Amis batizou de “escrita da vida”, gênero que se sentia muitas vezes condenado a exercer. Com tradução de José Rubens Siqueira, o livro é publicado pela Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.
 
Um livro ágil, que discute a ideia de escrita/ escritura ao mesmo tempo em que trata esses temas na própria narrativa ficcional. Um livro que abre para leitores e leitoras a experiência da inventividade da escrita contemporânea.
 
A outra vida é o quinto livro de Ariel Luppino e pode parecer uma escolha editorial arriscada e controversa publicá-lo em português pela primeira vez justo com esse texto. Por um lado, porque é apresentar ao leitor a obra de Luppino já em movimento, isto é, começar pelo meio, sem chão onde se escorar e sem porto aonde ir. Por outro lado, porque não se trata mais de uma novela, como seus livros anteriores, com trama e personagens bem definidos. É um livro composto por fragmentos, entre a biografia, a filosofia e a teoria literária, e que parece propor, como diz o escritor Francisco Magallanes, editor argentino de Luppino e responsável pela editora Club Hem, uma “ontologia da escritura”. Narra em primeira pessoa a história da relação entre o Decapitado, o Monstro e o Sol Final. Nomes que podem ou não ser, como diz Luppino no livro, representações de Marcelo Fox, Alberto Laiseca e Ithacar Jalí (outro personagem mítico da Buenos Aires dos anos 1960, primo de Chê Guevara, performer e místico). A outra vida apresenta a ficção disruptiva e impactante desse autor que vem sendo cada vez mais reconhecido como um expoente importante da literatura latino-americana. Com tradução de Joca Reiners Terron, o livro sai pela Numa Editora. Você pode comprar o livro aqui.
 
É com impressionante precisão que Tadeusz Borowski (1922-1951) descreve, baseado na própria experiência, o dia a dia dos campos de concentração nazistas em toda a sua barbárie, mas também em suas rotinas de sobrevivência, numa obra-prima da literatura polonesa e de testemunho, lançada logo após a Segunda Guerra Mundial, que chega agora ao Brasil.
 
Os contos de Borowski impressionam por retratar não apenas as atrocidades dos campos de extermínio, mas também seus efeitos sobre a psique humana e os valores éticos, gerando uma filosofia específica de sobrevivência, na qual as fronteiras entre carrascos e vítimas podem se confundir Borowski começa, no conto que dá título ao livro, em um gueto na Varsóvia ocupada pelos alemães, que vive da economia do contrabando, dos atos dos grupos de resistência e, sobretudo, do constante medo da deportação para os campos de concentração. As histórias seguintes se passam em meio ao transporte de milhares de pessoas para os crematórios, o assassinato de adultos e crianças, a fome e os trabalhos forçados – entre eles, a abertura de valas para enterros em massa. Nas duas últimas, “A batalha de Grunwald” e “A ofensiva de janeiro”, já se deu a libertação da Polônia e a transferência dos prisioneiros para os campos de refugiados na Alemanha. O narrador é Tadek, um intelectual não judeu que escreve cartas apaixonadas para a namorada, Maria. Sua visão dos acontecimentos é pragmática, muitas vezes cruel e cínica. Como observa no posfácio Piotr Kilanowski, especialista em literatura de testemunho, a coletânea apresenta o homem “laguerizado” — ou seja, moldado pela vivência dos campos de concentração — “foi destruído não apenas em sua humanidade corpórea, mas antes de tudo sua humanidade psicológica”. Tadek, ainda segundo o posfácio, se vê na dupla condição de “vítima do sistema e a de uma engrenagem em seu mecanismo”. É assim que nos campos de concentração transcorre o contrabando, a hierarquia oficial e a informal, o desprezo mútuo, a observação desapaixonada dos acontecimentos inomináveis, a cooptação de prisioneiros para funções de vigilância de outros internos, o orgulho sentido pelos sobreviventes e privilegiados — como Tadek, que atua como enfermeiro. Ao mesmo tempo, organizam-se simulacros de “vida normal”: jogos de cartas, partidas de futebol, lutas de boxe, plantio de hortas e apresentações musicais. E, em volta dos campos, a bela natureza segue inabalada pelo inferno adjacente. As minúcias e o engenho literário de Borowski fazem todo esse cenário complexo ganhar vida. Uma prova da qualidade palpável e visual do texto de Borowski foi a transposição de seus contos para o cinema pelas mãos do célebre diretor Andrzej Wajda, no longa-metragem Paisagem após a batalha (1970), exibido no Festival de Cannes. Com tradução de Matheus Moreira Pena, Adeus, Maria e outros contos é publicado pela editora Carambaia. Você pode comprar o livro aqui.
 
Mais um título da obra excepcional de B. Traven ganha primeira tradução e edição brasileiras.
 
A edição original de Os catadores de algodão (do original alemão Die Baumwollpflücker) apareceu em fascículos, ao longo de junho e julho de 1925, no diário Vorwärts, de Berlim. No ano seguinte, o folhetim foi publicado em livro com o título modificado para Der Wobbly. Traven, entretanto, ainda não parecia satisfeito com o resultado dessa segunda versão, e continuou trabalhando nela até 1929, quando publica a sua versão final do livro, retomando o título original. Quem já leu O navio da morte, do mesmo autor e lançado pelo Selo Quimera/ 7Letras, perceberá que o narrador de Catadores… é o mesmo Gerard Gales daquele livro, o qual, após o seu naufrágio, aparece misteriosamente no México pós-revolucionário. O assunto principal do livro são as contradições da vida dos trabalhadores em geral, não apenas as relativas às péssimas condições de vida dos que colhiam algodão, pois Gales continua o mesmo andarilho da primeira parte de O navio… e não se fixa num só tipo de ocupação ou de lugar. As andanças de Gales pelo interior do México testemunham um novo mundo pleno de possibilidades e, no entanto, já desgraçadamente penetrado da velha opressão racial, econômica e cultural. No âmbito da inescrupulosa exploração patronal vão sendo forjadas a resiliência e a descoberta dos primeiros instrumentos de defesa do trabalhador, como é o caso das greves sindicais e dos vários expedientes de sobrevivência de que vão lançando mão. Tal como O navio da morte, Catadores… é composto de partes bem distintas. A primeira vai desde o que Gales chama de formação da “classe proletária”, com seis companheiros buscando um emprego de catador de algodão, até a oportunidade de trabalhar como perfurador de poços de petróleo. Ainda nesta primeira parte, há a interpolação de duas narrativas misteriosas: a do caso da multiplicação dos ovos, basicamente cômica, e a do episódio do assassinato de Gonzalo, que ganha um tratamento fantástico, quase de terror. A segunda parte do livro conta o que se passou em dois novos empregos de Gales, o de confeiteiro, e depois o de vaqueiro a conduzir o gado por regiões geograficamente inóspitas e socialmente marcadas pelo banditismo. Também aqui, a ação da novela é entremeada por dois episódios importantes, desta vez ligados à suspensão do trabalho, a saber, o tempo de lazer dispendido no cassino-cabaré e a espécie de epopeia herói-cômica da prostituta Jeannette. Em termos estruturais, a novela apresenta uma novidade extraordinária: o grupo de pessoas diversas que ali se encontra de maneira fortuita funciona como uma amostra da classe proletária em formação, a qual, dali em diante, inicia o seu processo de “esclarecimento e organização”. É como se o livro fosse o desenvolvimento de um romance de tese, ou de um programa didático-político, na qual a classe trabalhadora iniciava alegoricamente uma jornada em direção à sua emancipação. Mas nada acaba por ser tão direto assim: a ironia, a ambiguidade, o impacto emocional dos eventos particulares vão moldando a história de Gales e de seus companheiros num tempo que já não é o do programa político apenas, mas o das experiências contraditórias, emocionalmente densas e com consequências inesperadas. Com tradução de Érica Gonçalves Ignacio de Castro, o livro sai pelo Selo Imprimatur/ 7Letras. Você pode comprar o livro aqui.
 
Um regresso à obra de Ezra Pound. Livro apresenta uma das mais inventivas obras do autor estadunidense marco da literatura do século XX.
 
Hugh Selwyn Mauberley é o personagem-título que representa a persona concebida por Pound para revisitar a arte da poesia, explorando temas e técnicas que vão de Safo até seus contemporâneos. Mauberley é o poeta encarregado de registrar o período “beletrista” (1908-1911) e de enterrar E.P., ajudando-o a se tornar o poeta modernizado dos anos 1912 a 1920. A partir dessa premissa, “vida e contatos” são retratados no livro em retrospectiva. Surgem aí uma série de personagens, de diversos tempos e espaços, reais e fictícios, como Flaubert, Cristo, Dionísio, Heráclito, Pisístrato, Apolo, Gladstone, Burne-Jones, Rossetti, Dowson, Lionel Johnson, Lady Valentine, Jacquemart, Pier Francesca, entre muitos outros, que levam Dirceu Villa a defender, com David Heymann, que Hugh Selwyn Mauberley é um “poema-com-chave”, evocando o subgênero do roman à clef, em que os personagens são inspirados na vida real e disfarçados sob pseudônimos criados pelo autor. Assim, Villa traduz Mauberley tramando, dentro e fora do poema, o mapa que conduziu a arte do verso ao que foi se tornando ao longo do século XX e depois, tecendo os reflexos e similitudes com o nosso tempo, os quais jamais se furta a apontar: os problemas não resolvidos de uma cultura literária, ainda, e hoje. Na recriação poética, o gesto do tradutor equipara-se ao do criador na busca do verdadeiro sentido da forma, trazendo este Ezra Pound em português bem mensurado em sua polimetria, decidido nas escolhas lexicais e decisivo no jogo sintático. A tradução vem acompanhada de um texto de apresentação cuidadosamente preparado por Villa, ao mesmo tempo explicativo, para novos leitores, e propositivo, ao oferecer uma revisão da crítica poundiana. O livro inclui também notas que auxiliam na compreensão dos personagens e do ambiente literário discutido nos poemas. A edição dos textos, de partida e de chegada, também foi criteriosamente preparada a partir do cotejo de edições de Mauberley corrigidas pelo próprio Pound, ou póstumas, e preserva todas as idiossincrasias poundianas. Esta edição também conta com a reprodução das capitulares desenhadas pelo vorticista Edward Wadsworth para a primeira edição do livro, de 1920, publicada pela lendária The Ovid Press, pequena editora comandada por John Rodker (1894-1955), que funcionou de 1919 a 1922, deixando pouco mais de uma dezena de títulos que ocupam hoje as prateleiras dos incontornáveis da literatura. Hugh Selwyn Mauberley sai pela editora Synrix. Você pode comprar o livro aqui.
 
A reunião de poemas — boa parte inéditos em livro — de Victor Heringer.
 
Embora tenha ficado mais conhecido entre os leitores pelo premiado romance O amor dos homens avulsos, a estreia de Victor Heringer em livro foi como poeta. Além de ficção e crônicas, sua produção abrange uma vasta quantidade de poemas, publicados sobretudo na forma de plaquetes por editoras independentes e em séries lançadas exclusivamente na internet. A experimentação formal, uma das marcas de Victor, está presente em tudo o que ele criou: em sua obra, proliferam mídias, estilos, formatos e modos de dizer, que mostram a liberdade do pensamento de um artista no auge de sua produção. A ousadia e a rebeldia — um inconformismo geral, talvez — estão no cerne de sua expressão criativa. Tudo que parte de sua perspectiva ganha frescor e interesse e serve como convite para enxergarmos o mundo novamente, sem o automatismo de quem já olhou tantas vezes. Em Não sou poeta, os leitores podem conhecer as maquinações de uma mente inquieta e brilhante. Essas engrenagens aparecem quando Victor contempla o céu e imagina um astronauta a quilômetros de distância, flutuando no silêncio do cosmo, mas também quando se volta para os próprios pés e observa seus sapatos gastos. Publicação da Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.
 
Lorena Portela captura, na passagem do tempo, os movimentos íntimos do amor e do amadurecimento, assim como os efeitos da solidão e do desamparo.
 
“Em qualquer cidadezinha, enterro é evento pra ir todo mundo, cachorro, pessoas e também crianças, sem distinção nenhuma, conhecidos ou não.” Nessa cidadezinha em particular, o morto é seu Jeremias, e as crianças são Dora e Esmê, duas primas inseparáveis, cuja alegria não é abalada nem pelo defunto ali diante delas. Pelo contrário, as duas se ocupam de um santinho pendendo do bolso de Jeremias, num jogo de cumplicidade e graça. O pequeno episódio, que de alguma forma irá marcar a vida de ambas, é um retrato bem-acabado dessa relação incomum. Dora foi criada sem a mãe, e por um pai entregue à solidão e à apatia, um ente silencioso que vive na penumbra. Desse lar fantasmagórico, Dora salta todos os dias para a vida ao lado de Esmê, sua abertura para o mundo lá fora, acompanhada também pelos vizinhos e por Joana, a amiga-desatino. O mundo lá fora é Rio do Miradouro, uma cidade no interior do Ceará, daquelas em que todos sabem da vida de todos e onde cada um tem uma opinião sobre como o outro deve viver. Quando a infância vai se afastando no retrovisor, a adolescência traz consigo Jaime e as primeiras descobertas. Dora e Esmê dividem tudo e a cumplicidade de ambas, antes infantil, ganha novos contornos: a dupla vira um trio e a vida adulta chega, enfim, com suas belezas e ausências. O amor sem fome é uma publicação da editora Todavia. Você pode comprar o livro aqui.
 
Roberto Calasso reimagina o escritor e publicitário italiano Bobi Bazlen.
 
Misterioso, místico, com um faro formidável para a literatura; descobridor, elusivo, nome tutelar da Adelphi, a mais extraordinária editora italiana: visionário, inquieto, irrequieto, onívoro, tranchant “certamente estava um passo à frente de todos” e, aos olhos de todos, encarnação de quem conseguiu se desvencilhar das ideias correntes, “após ter passado por elas, mas em um tempo remoto, como doenças infantis”. Quem era Bobi Bazlen? Um furacão silencioso, capaz de embaralhar a geografia preestabelecida da cultura italiana. Quem era Bobi? O esquivo, aquele que todos diziam conhecer e que ninguém conhecia realmente. O protagonista de histórias imprecisas, o inventor de palavras como primeiravezcidade, o amigo. Lançado, como resíduo de uma de suas profecias, no dia da morte de Roberto Calasso, Bobi é uma narrativa fugaz, um conjunto de anotações esparsas, um insolente ato de amor para um daqueles raros seres humanos que, nascidos mortos como todos, “conseguem aos poucos se tornarem vivos”. Com tradução de Pedro Fonseca, o livro sai pela editora Âyiné. Você pode comprar o livro aqui.

REEDIÇÕES
 
Regressa às livrarias o ensaio composto pelo dramaturgo Samuel Beckett acerca da obra-prima de Marcel Proust.
 
Escrito sob encomenda no verão de 1930, antes da estreia de Beckett na ficção e nos palcos, Proust oferece um assombroso diálogo entre duas mentes brilhantes e prenuncia estratégias estilísticas do autor irlandês: as frases incisivas e o pensamento límpido, que parece sempre andar na corda bamba do abismo do absurdo. Por ter sido redigido logo após sua célebre análise de James Joyce, o ensaio contempla a profunda conexão de Beckett com as vanguardas modernistas, não apenas assimilando a radicalidade do movimento, mas agindo como intérprete de sua ousadia. Esta leitura de Proust é, também, um manifesto. As palavras de Samuel Beckett oferecem chaves inéditas para o pensamento proustiano, muitas vezes indo contra o senso comum das leituras mais óbvias de À procura do tempo perdido e servindo como um guia pelo labirinto de sua própria obra ao expor as maneiras como esta se relaciona com a memória, o tempo e a moral vigente. A tradução de Arthur Nestrovski é reeditada pela Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.
 
RAPIDINHAS
 
A biografia de Oswald de Andrade. Lira Neto, autor de admiráveis perfis que marcaram o gênero no Brasil, se prepara para apresentar no segundo semestre deste ano Mau selvagem, obra que destrincha as várias faces de um dos nomes do modernismo de 1922.

Sebastián Martínez Daniell. A Pontoedita anunciou que publicará em 2025 um novo do escritor argentino no Brasil — Desintegración en una caja. A casal editorial apresentou por aqui Dois sherpas.

OBITUÁRIO

Morreu Ismail Kadaré

Ismail Kadaré nasceu no dia 28 de janeiro de 1936, em Gjorokastër. Estudou história e filologia na Universidade de Tirana e no Instituto Górki de Literatura em Moscou. Depois de sofrer ameaças do regime comunista albanês, exilou-se na França em outubro de 1990. Da vasta obra que nos deixou, destacam-se títulos como Abril despedaçado, Dossiê H., A ponte dos três arcos, Uma questão de loucura e O jantar errado. Com sua obra, sempre marcada pela devastação da Albânia pelas tropas que se digladiaram durante a Segunda Guerra Mundial, Kadaré foi considerado um dos maiores escritores e intelectuais do século XX, reconhecimento que veio através de prêmios como o Man Booker em 2005 e o Príncipe de Asturias em 2009. O escritor morreu dia 1° de julho de 2024 em Tirana.

DICAS DE LEITURA
 
Na aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste boletim, você tem desconto e ainda ajuda a manter o Letras.
 
1. Os afetos, de Rodrigo Hasbún (Trad. José Geraldo Couto, Intrínseca, 128p.) O período de meio século na vida dos Ertl, uma peculiar família de desbravadores alemães que se muda para a Bolívia depois da derrota da Alemanha na Segunda Guerra Mundial; à margem do idealismo, um registro polifônico da convulsão política que abalou a América Latina a partir da década de 1960. Você pode comprar o livro aqui
 
2. Trem para o Paquistão, de Khushwant Singh (Trad. Maria Alice Stock, Grua Livros, 224p.) Considerada uma obra-prima da literatura indiana no século XX, este romance oferece um rico panorama acerca das grandes reviravoltas e turbulências dos tempos pós-independência do Paquistão e da Índia a partir da aldeia fictícia de Mano Majra, primeiro à margem dos conflitos e onde muçulmanos e sikhs convivem pacificamente, depois transformada com a chegada de um trem de passageiros à estação onde raramente param. Você pode comprar o livro aqui. 
 
3. No exílio, de Elisa Lispector (José Olympio, 256p.) A obra da escritora permanece esgotada. Mas, volta e meia reaparece este romance que acompanha as recordações de Lizza, uma judia refugiada no Brasil com sua família tão logo explodem as perseguições contra os semitas na Ucrânia passada a Revolução Russa. Você pode comprar o livro aqui
 
VÍDEOS, VERSOS E OUTRAS PROSAS
 
Em nosso perfil no Instagram marcamos o centenário de Osman Lins com a referência e recomendação àqueles que se interessem de alguns dos seus livros. Veja aqui.
 
BAÚ DE LETRAS

Os tímidos acontecimentos em torno do centenário de Osman Lins reafirma o escritor na grade dos injustiçados num país agora afeito outra vez com um realismo naturalismo justapostos àqueles modismos made in America; talvez assim permaneça até que se crie um novo círculo de minoria para situá-lo. Por aqui, queremos escapar do que acusamos (eis nosso mea culpa): o leitor encontrará alguma coisa sobre o escritor e sua obra durante o mês de julho. Mas, já podem ler aqui uma resenha de Nove, novena e aqui outra de O visitante; este último o primeiro dos textos que aparecerão pelo Letras.

Na superfície do baú. Só porque falamos do futuro livro de Sebastián Martínez Daniell a sair no Brasil, aproveitamos para recordar que saiu resenha de Dois sherpas nesta semana por aqui.

Em 2023, ano em que ficamos sem Martin Amis, traduzimos dois textos de corte biográfico acerca do autor de A zona de interesse, entre outros. É possível acessar este material por aqui.
 
DUAS PALAVRINHAS
 
É a literatura, ainda, um modo de transfigurar e de fazer com que durem mais um pouco, só mais um pouco, na memória do mundo, certos rostos que amamos. Isto para não falar nos seres que não há, que não havia, que Deus, por distração ou para nos dar uma chance, deixou de criar e que passam a existir por força das palavras.
 
— Osman Lins, entrevista para o Jornal do Comércio


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* Todas as informações sobre lançamentos de livros aqui divulgadas são as oferecidas pelas editoras na abertura das pré-vendas e o conteúdo, portanto, de responsabilidade das referidas casas.

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